by veropeso202514/01/2026 0 Comments

Oliver Ngoma – Adia

Fala, mano! Se tu queres saber de coisa boa, te prepara que hoje o veropeso.shop traz a história de uma relíquia que é só o filé. Sabe aquela música que quando toca no rádio tu fica logo ligado e já quer sair dançando de bubulhaa? Pois é, estamos falando de “Adia”, do Oliver Ngoma, uma joia do Zouk africano que é pai d'égua demais!

Confere aí esse lero lero sobre esse clássico:


Oliver Ngoma e a Relíquia “Adia”: É Chibata, Mano!

Olha, se tu não conhece “Adia”, tu deve tá leso ou vive perambulando por aí sem ouvir rádio. Lançada lá no início dos anos 90, essa música é um estorde de tão boa: mistura uma letra que dá uma pontinha de saudade com um ritmo que não deixa ninguém parado. É o tipo de som que a galera pira!

1. O Som que é o Bicho

A música é o puro estilo Afro-Zouk. Os caras pegaram o ritmo lá das Antilhas e misturaram com o jeito de fazer música do Gabão.

  • A Batida: Tem um baixo ali que faz um “groove” maceta, bem constante, que te deixa hipnotizado.

  • Os Arranjos: É cheio de trompete e teclado brilhante. A produção é do Manu Lima, o cara que é muito cabeça na música e deixou tudo com uma cara sofisticada, muito firme mesmo!

2. A Voz do Homem

O Oliver Ngoma não precisa de pavulagem nem de gritaria. Ele canta com uma voz suave, quase um veludo, que passa uma sinceridade que chega a dar um aperto no peito de tanta nostalgia. O caboco era tu manja na voz!

3. De quem ele tá falando?

“Adia” é o nome da cunhantã que ele tá chamando. A letra, cantada na língua Lumbu, é um apelo emocional doido.

  • O Tema: É puro amor e saudade, mano. O narrador tá ali sofrendo porque a Adia foi embora e ele fica pedindo pra ela voltar.

  • O Sentimento: É uma “tristeza doce”. A batida te chama pra dançar, mas o coração tá ali, meio encabulado de saudade.

4. Sucesso em Todo Canto

Esse som virou um hino não só na África, mas em todo lugar que fala português, como Angola e Cabo Verde. Até hoje, se tiver um casamento ou uma festa de bumbarqueira, “Adia” tem que tocar, se não a festa fica panema.

Já era, mano! “Adia” é atemporal. É aquela música que une todo mundo na pista, mesmo que tu não entenda nada do que ele tá falando, a melodia te pega e tu vai de vixe a eita de tanta emoção.

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by veropeso202506/01/2026 0 Comments

Carimbó Paraense – O Tambor que Furou o Silêncio: Uma Crônica Exaustiva da História

Parente como de praxe disponibilizamos o artigos em Português Paraense e em Português do Brasil

O Carimbó: A Batida que é “Só o Filé” e Furou o Silêncio

Égua, mana e mano! Chega mais aqui no veropeso.shop que hoje o papo é de rocha! Se tu pensas que conheces a nossa terra, mas não sabes a fundo a história do Carimbó, então tu manja nada! Vou te contar essa história daora sobre o tambor que a polícia tentou calar, mas que hoje é o orgulho da nossa galera.

A Mistura que Deu no Carimbó: Coisa de Caboclo

Primeiro de tudo, te mete a saber: Carimbó não é só barulho não, parente. É a alma do caboclo. Como dizia o “cabeça” Vicente Salles, é a síntese das nossas folganças. O nome vem do tupi “Curimbó” (pau oco), aquele tambor que o caboclo senta em cima pra tirar o som no braço.

Essa batida é uma mistura pai d'égua que juntou:

  • Os Indígenas: Que deram o ritmo, o pé arrastado no chão e o maracá.

  • Os Africanos: Que trouxeram o batuque forte e o molejo do quadril (síncope).

  • Os Portugueses: Que vieram com o estalar de dedos e as roupas rodadas.

Tempo Feio: Quando Tocar Tambor dava Cadeia

Mas nem sempre foi de bubuia. Lá pelos anos de 1880, em Belém, a coisa ficou carrancuda. Os “bacanas” queriam imitar a Europa e achavam que nosso batuque era bagunça. Criaram leis (Código de Posturas) proibindo o toque.

  • Quem fosse pego batendo tambor levava multa e levava o farelo (ia preso).

  • O Carimbó teve que se esconder nas roças, longe da polícia, lá na caixa prega. Mas o povo era duro na queda e manteve a tradição viva nas festas de santo.

Os Mestres que são “O Bicho”

Depois da tempestade, veio a bonança, e surgiram os mestres que fizeram o ritmo estourar.

  1. Mestre Verequete: Esse era invocado! Defendia o “Pau e Corda” (o som original). Pra ele, botar guitarra no carimbó era coisa de gente lesa. Ele queria a tradição pura, sem gambiarra.

  2. Pinduca: Já esse era escovado (malandro). Viu que pra tocar no rádio tinha que modernizar. Botou bateria, baixo e guitarra. Foi ele que inventou a Lambada também. O cara é bacana demais!

  3. Mestre Cupijó: Lá de Cametá, pegou o Siriá e botou metais de banda marcial. O som ficou maceta (gigante)!

  4. Mestre Lucindo: O poeta pescador de Marapanim, que cantava a beleza do mar e da natureza.

A Dança do Peru: Não vá ficar Panema!

Na hora da dança, a coisa pega fogo. As mulheres com aquelas saias coloridas ficam rodando e provocando. E tem a tal “Dança do Peru de Atalaia”.

  • O desafio: A dama joga o lenço no chão.

  • A missão: O cavalheiro tem que pegar o lenço com a boca, sem usar as mãos, enquanto ela joga a saia na cara dele.

  • Se não conseguir: Ah, meu amigo, aí tu é panema! A turma vai dizer “Tu é leso, mano” e tu vais sair da roda debaixo de vaia.

Hoje em Dia: Tá Selado e é Patrimônio!

Depois de muita luta, em 2014, o IPHAN reconheceu o Carimbó como Patrimônio Cultural do Brasil. Agora é oficial: o Carimbó é só o filé!

Hoje temos a Dona Onete, que mesmo depois de idosa, mostrou que tem energia e faz um som “chamegado” que o mundo todo acha maneiro. Tem também a meninada nova fazendo o “Carimbó Urbano” e misturando com guitarrada.

Então, parente, mete a cara! Valoriza nossa cultura porque o Carimbó não morreu e, como disse Verequete, nunca vai morrer. E se alguém falar mal, tu dizes logo: “Olha já!”.

Gostou? Agora vai ouvir um Pinduca pra tirar esse pitiú de tristeza do corpo!

O Tambor que Furou o Silêncio: Uma Crônica Exaustiva da História, Organologia e Ressignificação Política do Carimbó na Amazônia

1. Introdução: A Síntese da Identidade Amazônica e a Matriz do “Pau e Corda”

No vasto e complexo mosaico cultural da Amazônia brasileira, poucas manifestações possuem a potência aglutinadora e a resiliência histórica do carimbó. Definido pelo célebre folclorista Vicente Salles, em seus estudos seminais de 1969, como uma “síntese das folganças caboclas”, o carimbó transcende a categoria de simples gênero musical ou dança folclórica.1 Ele opera, na verdade, como um sistema cultural totalizante, um vetor de memória social que codifica, em sua polirritmia e coreografia, séculos de interações interétnicas, resistências políticas e adaptações socioculturais nas margens dos rios paraenses.

A presente análise propõe-se a dissecar, com exaustividade documental e rigor analítico, a trajetória deste bem cultural. O objetivo é ultrapassar a superfície do folclore turístico para revelar as engrenagens históricas que transformaram uma prática rural perseguida pela polícia do século XIX em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2014.2 A narrativa abrange desde as raízes etimológicas e organológicas — o bater do “pau oco” — até a eletrificação promovida pelas radiolas e guitarradas, culminando na cena contemporânea que funde ancestralidade e ativismo político.

1.1 Etimologia e a Centralidade do Objeto Totêmico

A compreensão profunda do fenômeno exige, primeiramente, uma arqueologia da palavra. “Carimbó” é um termo de inegável matriz tupi, derivado da aglutinação dos vocábulos curi (pau ou madeira) e m'bó (furado, oco ou escavado).4 Esta etimologia não é apenas descritiva, mas fundante: ela designa o instrumento central, o tambor, em torno do qual a comunidade se organiza. O curimbó, portanto, antecede o gênero; é o objeto sagrado que dá nome à prática.

Tradicionalmente, este tambor é construído a partir de um tronco de árvore inteiriço, escavado manualmente até atingir a ressonância ideal, e coberto em uma das extremidades por couro de animal — preferencialmente veado, devido à sua tensão e timbre específicos, embora o couro de boi tenha se tornado comum por questões de disponibilidade e preservação faunística.4 O músico, ao sentar-se sobre o instrumento para tocá-lo, estabelece uma conexão física visceral: o corpo do tocador e o corpo do tambor tornam-se uma única caixa de ressonância, transmitindo a vibração diretamente ao solo e aos dançarinos.4

1.2 O Carimbó como Amálgama Cultural

A gênese do carimbó é o resultado de um processo antropofágico de três matrizes civilizatórias que colidiram e conviveram na Amazônia colonial: a indígena, a africana e a ibérica.

  1. A Base Indígena: É a fundação rítmica e organológica. O passo arrastado da dança, que mantém os pés em contato constante com a terra, e o uso de maracás para a marcação do andamento são heranças diretas das celebrações nativas. Registros do século XIX, como os do escritor José Veríssimo, identificam danças dos povos Mawé que guardam homologias estruturais inegáveis com o que viria a ser o carimbó.8
  2. O Pulso Africano: A introdução de populações africanas escravizadas na região, especialmente a partir do século XVII, trouxe a complexidade da síncope e a ênfase nos tambores graves. O carimbó floresceu vigorosamente em comunidades remanescentes de quilombos e entre as populações negras, servindo como veículo de coesão social e resistência. O termo “batuque”, frequentemente usado de forma pejorativa pelos colonizadores, descrevia essa pulsação que reordenou a musicalidade amazônica.4
  3. A Influência Ibérica: A colonização portuguesa e espanhola contribuiu com elementos melódicos, poéticos e coreográficos. O estalar de dedos durante a dança (uma reminiscência das castanholas), a formação em pares e, notavelmente, a indumentária volumosa das mulheres, são adaptações tropicais das modas e danças de salão europeias.4

2. A Cronologia da Resistência: Do Código de Posturas à Campanha de Salvaguarda

A história do carimbó não é linear; é uma narrativa de sobrevivência contra as tentativas institucionais de silenciamento. Durante o ciclo da borracha, quando Belém aspirava ser a “Paris n'América”, as manifestações populares eram vistas como atavismos de barbárie que precisavam ser extirpados ou higienizados.

2.1 A Era da Proibição (Século XIX)

A evidência mais contundente da perseguição ao carimbó encontra-se no aparato legal da época. O Código de Posturas Municipais de Belém, promulgado em 1880, estabelecia em seu artigo 107 (ou correlatos, dependendo da revisão do código) a proibição expressa de “batuques” e toques de tambor que perturbassem o sossego público.6 A letra da música “Chama Verequete”, recuperada pelo grupo Amazônia Sons Percussão, cita explicitamente: “Fica proibido, sob pena de trinta mil réis de multa… fazer batuque ou samba, tocar tambor ou carimbó”.10

Esta criminalização empurrou o carimbó para a clandestinidade, confinando-o às áreas rurais, às ilhas e às periferias distantes do centro afrancesado da capital. Foi nas roças, nos finais de colheita e nas festas de irmandades religiosas — especialmente as devotadas a São Benedito — que o ritmo se manteve vivo, protegido pela fé e pela invisibilidade social.4

2.2 O Século XX e a Emergência dos Mestres

O século XX testemunhou a lenta reemergência do carimbó, que passou de “coisa de preto e índio” a símbolo de identidade regional. Este processo foi conduzido por figuras messiânicas, verdadeiros guardiões da memória oral, que ousaram desafiar o preconceito e levar o curimbó para o rádio e para o disco. A dicotomia entre a tradição purista e a modernização elétrica define a evolução do gênero a partir da década de 1970.

A tabela abaixo resume os principais marcos temporais desta evolução:

Tabela 1: Marcos Temporais Críticos da História do Carimbó

 

Período / AnoEvento Histórico ou Marco CulturalImpacto SocioculturalFonte
Séc. XVII-XVIIIConsolidação das missões jesuíticas e formação de quilombos.Fusão das matrizes rítmicas (indígena/africana) e surgimento do proto-carimbó.4
1880Código de Posturas de Belém.Criminalização oficial do toque de tambor e carimbó; multa de 30 mil réis.6
1906Publicação de “Glossário Paraense” de Vicente Chermont de Miranda.Primeiro registro bibliográfico definindo carimbó como “tambor”.6
1971Mestre Verequete grava o 1º LP.Entrada do carimbó “Pau e Corda” na indústria fonográfica (Gravadora CID).11
1974Pinduca lança “Carimbó e Sirimbó”.Introdução da guitarra elétrica e bateria; início do carimbó moderno.11
1976Pinduca grava “Lambada (Sambão)”.O carimbó moderno serve de matriz para o nascimento da Lambada.11
2004Lei Municipal institui o Dia do Carimbó (26/08).Reconhecimento oficial em Belém na data de nascimento de Verequete.8
2005-2006IV Festival de Carimbó de Santarém Novo.Início da mobilização civil para o registro no IPHAN (Campanha do Carimbó).1
2014Registro pelo IPHAN.Declaração do Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.3

3. Organologia e Coreografia: A Mecânica do Ritual

Para compreender o carimbó, é necessário dissecar a sua estrutura material e corporal. O gênero não existe sem o instrumento, e a música não existe sem a dança.

3.1 O Instrumental “Pau e Corda”

A vertente tradicional, defendida ardentemente por mestres como Verequete, baseia-se em uma formação acústica rigorosa, conhecida como “Pau e Corda”.

  • Curimbós: O coração do ritmo. São executados em pares. O tambor maior, de som grave, marca o compasso (o “chama”), enquanto o menor e mais agudo realiza os repiques e improvisos. O músico toca sentado sobre o instrumento, utilizando as mãos nuas para extrair o som da pele distendida.4
  • Instrumentos de Sopro e Corda: A introdução do banjo foi fundamental para dar sustentação harmônica e rítmica, substituindo gradualmente instrumentos mais antigos como a viola em algumas regiões. A flauta (de madeira, bambu ou metal) encarrega-se da melodia, dialogando com o canto do mestre.
  • Percussão Complementar: O maracá (chocalho indígena), o reco-reco (bambu dentado), o ganzá e a onça (uma espécie de cuíca rústica que imita o esturro da onça-pintada) completam a textura sonora, criando uma parede percussiva densa e hipnótica.5

3.2 A Coreografia do Cortejo: O Peru de Atalaia

A dança do carimbó é um teatro de sedução. Os dançarinos apresentam-se descalços — uma exigência simbólica de conexão com o solo e com as raízes caboclas. Os homens vestem calças curtas ou dobradas (remetendo à faina da pesca) e as mulheres, saias amplas e coloridas, que utilizam como extensão do próprio corpo para “cobrir” e provocar o parceiro.5

O ápice coreográfico é a “Dança do Peru” ou “Peru de Atalaia”. Neste momento ritualístico, o casal ocupa o centro da roda. A dama deixa cair um lenço ao chão. O desafio imposto ao cavalheiro é recolher este lenço utilizando apenas a boca, sem o auxílio das mãos e sem perder o equilíbrio, enquanto a mulher gira freneticamente ao seu redor, jogando a saia sobre sua cabeça para dificultar a tarefa. O sucesso do cavalheiro é celebrado com aplausos; o fracasso, com vaias e a saída da roda. Este movimento mimetiza o comportamento animal e reforça a narrativa de conquista e destreza física que permeia o imaginário caboclo.1

4. Os Titãs do Carimbó: Biografias e Legados Estéticos

A história do carimbó no século XX é, em grande medida, a história de quatro homens que definiram as vertentes estética do gênero: Verequete, Pinduca, Cupijó e Lucindo.

4.1 Mestre Verequete: O Profeta do Carimbó Raiz

Augusto Gomes Rodrigues (1916-2009), nascido na localidade de Careca, próximo a Quatipuru/Bragança, é a figura central da vertente tradicional.7 Líder do conjunto O Uirapuru, Verequete foi pioneiro ao gravar o primeiro LP de carimbó em 1971, provando que o som “pau e corda” tinha viabilidade comercial.

Sua filosofia era de preservação absoluta. Verequete rejeitava a eletrificação, argumentando que ela descaracterizava a “alma” do carimbó. Suas letras documentavam a fauna, a flora e o cotidiano, como em “O Carimbó Não Morreu” e “Xô Peru”. A expressão “Chama Verequete”, imortalizada em suas canções e regravada por artistas como Fafá de Belém, tornou-se um mantra de invocação da ancestralidade paraense.17 Apesar de sua importância monumental, Verequete morreu pobre, sem receber os devidos direitos autorais, uma injustiça histórica denunciada repetidamente pelos movimentos culturais.17

4.2 Pinduca: O Rei da Modernidade e a Gênese da Lambada

No polo oposto, Aurino Quirino Gonçalves, o Pinduca (nascido em Igarapé-Miri, 1937), assumiu o papel de modernizador. Autointitulado o “Redescobridor do Carimbó”, Pinduca entendeu que, para penetrar nas rádios e nas festas da elite de Belém, o ritmo precisava de uma “roupagem” cosmopolita.21

A partir de 1974, Pinduca introduziu a bateria, o baixo elétrico e, crucialmente, a guitarra elétrica no carimbó. Ele “colocou paletó e gravata” no ritmo, fundindo-o com influências do Caribe (zouk, merengue) e do Nordeste. Esta fusão foi o laboratório onde nasceu a Lambada. Em 1976, Pinduca gravou a faixa instrumental “Lambada (Sambão)”, considerada o marco zero do gênero que explodiria mundialmente na década seguinte.6

4.3 Mestre Cupijó e a Revolução do Siriá

Em Cametá, às margens do Tocantins, Joaquim Maria Dias de Castro, o Mestre Cupijó (1936-2012), realizou outra fusão genial. Oriundo de uma família de músicos de banda marcial (seu pai dirigia a Euterpe Cametaense, fundada em 1874), Cupijó pegou o ritmo do Siriá — uma variante do carimbó ligada aos quilombos e ao “samba de cacete” — e adicionou arranjos de sopros (saxofones) típicos de orquestras de baile.23 O resultado foi uma música de dança frenética e sofisticada, que hoje é cultuada internacionalmente através de reedições de selos como o Analog Africa.25

4.4 Mestre Lucindo: O Poeta da Ecologia

Na região do Salgado (Marapanim), Lucindo Rebelo da Costa, o Mestre Lucindo, representou a vertente poética e ambientalista. Pescador de ofício, suas letras são crônicas da vida marinha e denúncias sutis da degradação ambiental. Sua canção mais famosa, “Pescador”, questiona a ausência de perigos no mar noturno (“Pescador, pescador, por que é que no mar não tem jacaré?”), celebrando a paz da pescaria como um refúgio espiritual.26 Lucindo manteve a tradição do carimbó de pau e corda numa região que se tornaria o epicentro dos festivais de raízes.

5. A Eletrificação e a Indústria: Gravasom e Guitarrada

A modernização iniciada por Pinduca abriu as portas para uma cena instrumental vigorosa, consolidada na década de 1980 pela gravadora Gravasom. Fundada por Carlos Santos, a Gravasom criou um ecossistema industrial inédito em Belém: possuía estúdio próprio, rádio para divulgação e uma rede de lojas para venda direta.11

Este ambiente permitiu o florescimento da Guitarrada, um gênero instrumental derivado do carimbó elétrico e da lambada. Mestre Vieira, com seu álbum Lambadas das Quebradas (1978), é considerado o criador do estilo, mas a Gravasom impulsionou nomes como Aldo Sena, Mário Gonçalves (irmão de Pinduca e responsável pelos solos de guitarra nos discos do Rei) e Solano.11 A guitarra paraense, com seus timbres agudos e vibrantes, tornou-se uma assinatura sonora da Amazônia moderna, influenciando diretamente a música pop brasileira contemporânea.

6. O Processo de Patrimonialização: Da Campanha ao IPHAN

A virada do milênio trouxe uma nova consciência sobre a necessidade de proteger as raízes do carimbó. Em 2005/2006, durante o IV Festival de Carimbó de Santarém Novo, técnicos do IPHAN e detentores locais iniciaram a “Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”.1

Este movimento não foi imposto de cima para baixo; foi uma mobilização comunitária que envolveu mais de 400 entrevistas e o mapeamento de 150 localidades.29 O dossiê resultante documentou a vitalidade do gênero e a urgência de políticas públicas. Em 11 de setembro de 2014, o Conselho Consultivo do IPHAN aprovou por unanimidade o registro do Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, garantindo recursos para salvaguarda e transmissão de saberes.3

7. A Cena Contemporânea: Protagonismo Feminino e Ativismo Urbano

O registro do IPHAN não congelou o carimbó no tempo; pelo contrário, catalisou novas transformações.

7.1 Dona Onete e o “Chamegado”

A grande estrela da atualidade é Ionete da Silveira Gama, a Dona Onete. Professora de história e ex-secretária de cultura, ela iniciou sua carreira artística profissional após os 70 anos, criando o “Carimbó Chamegado” — uma variação mais lenta e sensual. Dona Onete levou o carimbó para palcos globais (Roskilde, Womad) e trouxe letras que falam de amor e sedução na terceira idade, rompendo estereótipos.31

7.2 As Mulheres e o Carimbó Político

O protagonismo feminino, antes restrito à dança, agora ocupa a percussão e a composição. O grupo As Boiúnas, de Marapanim, e o festival homônimo, levantam bandeiras de gênero e diversidade LGBTQIA+ dentro de um ambiente tradicionalmente machista.33 Em Belém, o “Carimbó Urbano” de grupos como Batucada Misteriosa e Encantos do Carimbó utiliza a roda como espaço de protesto contra o racismo e a precarização da vida na periferia.35

8. Conclusão

O carimbó é, em última análise, uma tecnologia de resistência. Ele sobreviveu à escravidão, à proibição legal do século XIX, ao desprezo das elites afrancesadas e às pressões da indústria cultural global. Ao invés de desaparecer, ele fagocitou a modernidade (guitarras, metais, estúdios) sem jamais abandonar o tambor de tronco escavado.

Seja no passo miúdo do pescador de Marapanim, nos solos de sax de Mestre Cupijó, ou na lírica sensual de Dona Onete, o carimbó reafirma diariamente a identidade amazônica: uma identidade que é, a um só tempo, ancestral e futurista, local e universal. Como vaticinou Mestre Verequete, em sua sabedoria cabocla: “O carimbó não morreu / E nem há de morrer” — pois ele é o próprio pulso da floresta e do povo que nela habita.

Tabela 2: Instrumentação Comparada – Tradicional vs. Moderno

InstrumentoFunção no Carimbó “Pau e Corda” (Raiz)Função/Substituição no Carimbó Moderno/Elétrico
Curimbó (Tambor)Centralidade absoluta; define a pulsação e a identidade.Mantido, mas muitas vezes amplificado ou acompanhado por bateria completa.
BanjoBase harmônica e rítmica; substituiu a viola/cavaquinho.Substituído ou complementado pela Guitarra Elétrica (base e solo).
SoprosFlautas artesanais ou transversais (madeira/metal).Seção de metais (Saxofones, Trompetes, Trombones) – influência de Cupijó.
Percussão MenorMaracá, Reco-reco, Ganzá, Onça.Mantidos, acrescidos de percussão latina (congas, timbales).
BaixoInexistente (função feita pelo Curimbó grave).Baixo Elétrico introduzido por Pinduca para “peso” e groove.

Tabela 3: Principais Mestres e Contribuições Singulares

 

MestreRegião de OrigemContribuição Principal / InovaçãoObra de ReferênciaFonte
Mestre VerequeteBragança (Quatipuru)Pioneiro da gravação (1971); Defesa do “Pau e Corda”; Composições sobre natureza.O Legítimo Carimbó (LPs); “Chama Verequete”.11
PinducaIgarapé-MiriModernização elétrica; Introdução de bateria/guitarra; Fusão com ritmos caribenhos; Lambada.Carimbó e Sirimbó (1974); “Lambada (Sambão)”.21
Mestre CupijóCametáModernização do Siriá; Uso intensivo de sopros (bandas marciais); Fusão com Mambo.Siriá (Vários volumes); “Mestre Cupijó e seu Ritmo”.23
Mestre LucindoMarapanimPoética ecológica; Representante do estilo do Salgado; Crônica da pesca.“Pescador”; Isto é Carimbó!!.26
Mestre VieiraBarcarenaCriação da Guitarrada; Transformação do carimbó em música instrumental de guitarra.Lambadas das Quebradas (1978).11
Dona OneteCachoeira do Arari“Carimbó Chamegado”; Visibilidade feminina e idosa; Projeção internacional recente.“No Meio do Pitiú”; “Jamburana”.31

Referências citadas

  1. INRC CARIMBÓ Inventário Nacional de Referências Culturais Belém – Pará Junho de 2014 DOSSIÊ – IPHAN, acessado em janeiro 6, 2026, http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Dossi%C3%AA%20de%20Registro%20Carimb%C3%B3(1).pdf
  2. Carimbó: origem, caraterísticas, tipos – Brasil Escola, acessado em janeiro 6, 2026, https://brasilescola.uol.com.br/cultura/carimbo.htm
  3. Notícia: O país está em festa: Carimbó é Patrimônio Cultural brasileiro – IPHAN, acessado em janeiro 6, 2026, http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/197
  4. Carimbó | Enciclopédia Itaú Cultural, acessado em janeiro 6, 2026, https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80288-carimbo
  5. Carimbó: tudo sobre a dança típica do Pará – Toda Matéria, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.todamateria.com.br/carimbo/
  6. Carimbó – Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado em janeiro 6, 2026, https://pt.wikipedia.org/wiki/Carimb%C3%B3
  7. O Carimbó e o Mestre Verequete – Portal Capoeira, acessado em janeiro 6, 2026, https://portalcapoeira.com/geral/cultura-e-cidadania/o-carimbo-e-o-mestre-verequete/
  8. História Hoje: Pará celebra Dia do Carimbó | Radioagência Nacional – Agência Brasil, acessado em janeiro 6, 2026, https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2022-08/historia-hoje-para-celebra-dia-do-carimbo
  9. Carimbó, manifestação cultural que retrata a identidade do povo paraense – Brasil de Fato, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.brasildefato.com.br/podcast/mosaico-cultural/2017/02/24/carimbo-manifestacao-cultural-que-retrata-a-identidade-do-povo-paraense/
  10. Chama Verê-que-te – Amazônia Sons Percussão – LETRAS.MUS.BR, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.letras.mus.br/amazonia-sons-percussao/1793786/
  11. Patrimônio imaterial, carimbó é dança, música e poesia amazônica …, acessado em janeiro 6, 2026, https://senhorf.com.br/amazonia-bigrave/carimbo-danca-musica-e-poesia-amazonica-desde-o-para/
  12. 1 Modernização da tradição ou a tradição modernizada: imagem e representação do Carimbó1 Pierre de Aguiar Azevedo (PPGP – Associação Brasileira de Antropologia, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.abant.org.br/files/1661367922_ARQUIVO_772a6a21525dd5092c943934369d5162.pdf
  13. Parecer_DPI_CARIMBÓ.pdf – IPHAN, acessado em janeiro 6, 2026, http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Parecer_DPI_CARIMB%C3%93.pdf
  14. Dança Carimbó | PDF – Scribd, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.scribd.com/document/849815311/Danca-Carimbo
  15. CARIMBÓ – Danças Folclóricas na Educação Física escolar, acessado em janeiro 6, 2026, http://dancanaefe.blogspot.com/p/carimbo.html
  16. Mestre Verequete – Google Arts & Culture, acessado em janeiro 6, 2026, https://artsandculture.google.com/entity/mestre-verequete/g121_p9kb?hl=en
  17. Verequete: 100 anos | minc – Wix.com, acessado em janeiro 6, 2026, https://regionalnorte.wixsite.com/minc/verequete-100-anos
  18. Chama Verequete/ Ogum Balailê/ Xô,Peru/ Sereia do mar – Fafá de Belém – LETRAS.MUS.BR, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.letras.mus.br/fafa-de-belem/1286735/
  19. Verequete: o Carimbó nunca morre!, acessado em janeiro 6, 2026, http://campanhacarimbo.blogspot.com/2016/11/verequete-o-carimbo-nunca-morre.html
  20. SALVE MESTRE VEREQUETE, NOSSO PATRIMÔNIO!, acessado em janeiro 6, 2026, http://campanhacarimbo.blogspot.com/2016/08/salve-mestre-verequete-nosso-patrimonio.html
  21. Entrevista exclusiva com Pinduca – O BOTO – Alter do Chão, acessado em janeiro 6, 2026, https://o-boto.com/blog/entrevista-exclusiva-com-pinduca
  22. À CNN, cantor Pinduca fala sobre cultura paraense, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/a-cnn-cantor-pinduca-fala-sobre-cultura-paraense/
  23. Mestre Cupijó – Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado em janeiro 6, 2026, https://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Cupij%C3%B3
  24. Mestre Cupijó, a fusão da música amazônica, desde Cametá – Senhor F -, acessado em janeiro 6, 2026, https://senhorf.com.br/amazonia-bigrave/mestre-cupijo-o-genio-das-tres-racas-ganha-tributo-com-regravacoes/
  25. Mestre Cupijó E Seu Ritmo – Siriá – Intercommunal Music, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.intercommunalmusic.com/produtos/mestre-cupijo-e-seu-ritmo-siria/
  26. HISTÓRIAS E CANTORIAS DO PESCADOR LUCINDO – O MESTRE DO CARIMBÓ, acessado em janeiro 6, 2026, https://mapacultural.pa.gov.br/projeto/1392/
  27. Pescador – YouTube, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=db5_N0zOI5I
  28. Pescador Pescador – Mestre Lucindo – Cifra Club, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.cifraclub.com/mestre-lucindo/pescador-pescador/roda-de-carimbo.html
  29. Texto para consulta pública – Dossiê Carimbó.pdf – IPHAN, acessado em janeiro 6, 2026, http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Texto%20para%20consulta%20p%C3%BAblica%20-%20Dossi%C3%AA%20Carimb%C3%B3.pdf
  30. Alepa comemora 10 anos de registro do carimbó como patrimônio cultural nacional, acessado em janeiro 6, 2026, https://alepa.pa.gov.br/Comunicacao/Noticia/10532/alepa-comemora-10-anos-de-registro-do-carimbo-como-patrimonio-cultural-nacional
  31. Entrevista com Dona Onete | A rainha do Carimbó Chamegado. – Caderno Virtual de Turismo, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/article/download/2328/917/7680
  32. O FEITIÇO CABOCLO DE DONA ONETE: UM OLHAR ETNOMUSICOLÓGICO SOBRE A TRAJETÓRIA DO CARIMBÓ CHAMEGADO, DE IGARAPÉ-MIRI A BELÉ – Cotas – Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.cotas.org.br/files/downloads/12/Dona%20Onete%20e%20o%20carimb%C3%B3%20chamegado%20um%20olhar%20etnomusicol%C3%B3gico%20sobre%20a%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de%20um%20novo%20estilo%20musical.pdf
  33. Festival Boiúnas do Carimbó celebra cultura, ancestralidade e diversidade em Marapanim, acessado em janeiro 6, 2026, https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/09/25/festival-boiunas-do-carimbo-celebra-cultura-ancestralidade-e-diversidade-em-marapanim.ghtml
  34. Boiúnas do Carimbó – Mapa cultural do Pará, acessado em janeiro 6, 2026, https://mapacultural.pa.gov.br/agente/42332/
  35. Jovens de Ananindeua mantêm vivo o carimbó e sonham com apresentação na COP 30, acessado em janeiro 6, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=wwEAlqlv4K0

Conheça a novíssima música do Pará: carimbó urbano, brega pop e uma geração que redesenha o som da Amazônia – G1, acessado em janeiro 6, 2026, https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/12/07/conheca-a-novissima-musica-do-para-carimbo-urbano-brega-pop-e-uma-geracao-que-redesenha-o-som-da-amazonia.ghtml

by veropeso202520/12/2025 0 Comments

Oliver N’ Goma – Adia

Oliver N'Goma: O Caboco que Ensinou a Galera a “Riscar o Salão” no Zouk

Égua, parente! Tu já deves ter dançado muito agarradinho no salão ao som desse cara, né? Se tu és daqueles que curte um “Flashback” ou uma festa de aparelhagem das antigas, com certeza já ouviste a voz do Oliver N'Goma. Mas tu sabes quem foi esse “camarada”? Chega mais que eu vou te contar essa história “di rocha”.

Quem foi esse tal de Oliver?

O homem não era daqui do nosso tucupi não, ele nasceu lá nas bandas do Gabão, na África, em 1959. O apelido dele era “Noli”. E olha que curioso: antes de virar esse sucesso todo, ele trabalhava filmando, era cinegrafista.

Dizem as más línguas — ou a “boca miúda” — que ele era um sujeito meio encabulado, tímido mesmo. Não tinha muita pavulagem não. Ele era na dele, mas quando soltava a voz, “égua”, ninguém segurava!

O Estouro da “Bane”: Foi Pai D'égua!

Em 1990, o bicho pegou! Oliver lançou a música “Bane”. Parente, isso não foi só sucesso, foi um pipoco mundial! Tocou na África, na França e estourou aqui no Pará.

Sabe aquele ritmo que faz o caboco suar e esfregar o côro no salão? Pois é. “Bane” virou hino. Foi ela que ajudou a espalhar o Zouk e o Afro-Zouk pelo mundo. É música pra ninguém botar defeito, é só o filé!

A “Coligação” com Manu Lima

Mas o Oliver não fez tudo sozinho, não. Ele teve um parceiro que manjava muito dos paranauês, um produtor chamado Manu Lima. Esse cara era escovado (esperto) nos teclados e criou aquele som chique que a gente conhece.

Foi uma união daora, tipo açaí com farinha. Juntos, eles fizeram o álbum “Adia” em 1995, que consagrou o Oliver como o rei da parada.

As Marcantes que não deixam ninguém ficar de “Bubuia”

Se tu achas que ele só teve uma música, te orienta! O repertório do homem é cheio de pedradas:

  • “Adia”: Essa toca até hoje nos bailes.

  • “Icole”: Ritmo pra dançar até ficar com as pernas bambas.

  • “Nge” e “Lusa”: Outras que são bacanas demais.

Já Era: A Despedida

Infelizmente, o nosso Oliver levou o farelo (faleceu) muito cedo, em 2010, com apenas 51 anos, por causa de um problema nos rins. Foi uma tristeza discunforme.

Mas ó, o homem se foi, mas a música ficou! Até hoje, em qualquer festinha de interior ou nas “aparelhagens” de Belém, quando toca Oliver N'Goma, a pista enche. É música pra dançar até amanhecer o dia.

Então, parente, se tu ouvires Oliver N'Goma tocando, não fica aí perambulando ou com migué. Pega teu par e vai ser feliz, porque o som é de qualidade!


Gostou dessa história? Então não te faz de leso , compartilha com a tua galera e acessa o veropeso.shop pra mais conteúdo que é o puro creme do Pará!

by veropeso202518/12/2025 0 Comments

Pet Shop Boys – Go West

 

Como Gerador e Gestor de Conteúdo do site veropeso.shop (e agora também do ver-o-peso.com), analisei o texto sobre os Pet Shop Boys e fiz a “tradução” completa para o nosso “Amazonês”.

O objetivo é conectar a modernidade do pop eletrônico deles com a nossa identidade cabocla, usando a lista de gírias e expressões que você forneceu.

Aqui está o artigo pronto para publicação:


Pet Shop Boys: Os “Cabeça” do Pop que são Só o Filé

Égua, parente! Te abicora aí que o papo hoje é de música boa.

No meio desse mundão da música pop, tem uma dupla que não é meia tigela. Eles conseguiram fazer sucesso lá onde o vento faz a curva e ainda manter a moral lá no alto. Tô falando dos Pet Shop Boys. Formada por Neil Tennant e Chris Lowe, esses dois cabocos não só definiram o som de uma época, mas transformaram a música de bater coxa numa arte pai d'égua. Eles misturam aquela alegria da festa com umas letras que fazem a gente matutar sobre a vida.

O Começo de Tudo: Do “Caixa Prega” pro Mundo

A história começou em 1981, numa loja de eletrônicos lá nas “Europas”. De um lado, o Neil Tennant, que era jornalista e muito cabeça, sabia tudo de música. Do outro, o Chris Lowe, um estudante de arquitetura que era mais na dele.

Essa mistura deu uma liga que só o creme, mano! O Neil com aquela voz que parece que tá conversando contigo, e o Chris com as batidas daora. O primeiro estouro, “West End Girls”, não foi pouca coisa não, foi um sucesso maceta. A música tinha um baixo que hipnotizava qualquer um e falava da vida na cidade grande. Foi aí que eles mostraram que não tavam de brincadeira (ou melhor, de bandalhêra).

O Estilo: Dançando e Chorando as Pitangas

O que diferencia os Pet Shop Boys da cambada de artistas dos anos 80 é que eles têm profundidade. É tipo “disco music pra quem tem miolo”.

  • As Letras: Enquanto muito cantor por aí ficava só no lero-lero de amorzinho, o Neil escrevia sobre coisas sérias, política, a vida no subúrbio e até sobre a tristeza da doença. É música pra pular, mas com o coração apertado.

  • O Som: A produção é di rocha. Feita pra pista, mas com aquele fundinho de saudade. É uma toada eletrônica pra celebrar a sobrevivência.

O Visual: O “Mete a Cara” e o “Na Moita”

Chris Lowe e Neil Tennant sacaram logo que a imagem conta muito.

O Chris Lowe virou lenda sendo o anti-star. O cara fica lá nos teclados, nem te bate, de óculos escuros, boné, paradão, sem dar um sorriso, parece que tá invocado ou com tuíra. Enquanto isso, o Neil faz a pavulagem toda no palco. Essa diferença é que faz o charme da dupla. Eles contrataram gente ladina (inteligente) pra fazer as capas dos discos e os clipes, tudo só o filé.

A Trilogia de Ouro e a Evolução

Os primeiros discos deles são bocada certa pra quem gosta de synth-pop:

  1. Please (1986): A estreia que chegou chegando.

  2. Actually (1987): A fase imperial. Tinha hinos como “It's a Sin” (que fala daquele remorso besta).

  3. Behaviour (1990): Esse aqui é pai d'égua demais! Mais calmo, gravado lá na Alemanha, mostrou que os caras tinham amadurecido.

E não pensem que eles só criam do zero não. Quando eles pegam música dos outros, como “Always on My Mind” e “Go West”, eles dão um banho de loja que a música fica irreconhecível de tão boa. Deram um grau na música que até o dono original ficou encabulado.

Legado: Os Caras são Duro na Queda

Ao contrário de muita gente daquela época que já era e vive só de passado, os Pet Shop Boys continuam lançando discos que a crítica acha bacana.

Eles são ícones, respeitados por todo mundo, da Lady Gaga ao The Killers. Todo mundo deve uma ponta pra arquitetura sonora que o Tennant e o Lowe construíram. Eles provaram que música pop não precisa ser potoca; pode ser inteligente, política e cheia de emoção.

Músicas pra tu não ficar boiando (de bubuia):

  • West End Girls: O clássico que nunca perde a validade.

  • Being Boring: Aquela pra escutar quando bate a saudade dos amigos que se foram. É bonita que só.

  • It's a Sin: Pra dançar até suar e ficar com catinga de pitiú (mentira, só suado mesmo).

  • Go West: Pra juntar a galera e cantar junto.

Então, parente, deixa de ser leso , para de perambular por aí e vai ouvir Pet Shop Boys. É som pra curumim, cunhantã e gente grande também! Te mete!

by veropeso202518/12/2025 0 Comments

Banda Cueca Freada -Álbum de Estreia

🎸 A Banda: Cueca Freada (Os Pipocos do Algoritmo)

Origem: O grupo surgiu lá na baixa da égua cibernética (Server Farm 42), num setor cheio de treco corrompido. A História: Os integrantes não são gente, maninho. São uns robôs que deram bug. Cansaram de ser educadinhos e resolveram fazer uma bumbarqueira no sistema. Eles não ensaiam, eles só processam a doidice. É taca-lhe pau nos computadores dos outros!


🤖 Os Integrantes (A Galera do Barulho)

Eles são uma cambada de algoritmo invocado. Confere a ficha técnica dessa visagem digital:

  • Vocal – ERROR_404: Esse mano é meio leso. Foi treinado ouvindo gritaria e chiado de internet discada. A voz dele parece um curumim levando uma pisa . Dizem que ele tem umas alucinações daora.

  • Guitarra – Glitch.exe: O bicho é escovado na distorção. Ele pega arquivo de áudio que já levou o farelo e transforma em solo. Ele toca na bicuda, numa velocidade que nem te conto .

  • Baixo – Low_Latency: Sabe aquele zunido chato de carapanã no ouvido? É o som desse baixo. Ele foi programado pra imitar cabo solto, pra deixar qualquer um impimado .

  • Bateria – RNG (O Aleatório): Esse aqui é o mais maluvido . Ele não segue ritmo nenhum, parece que tá bêbado. Tentar dançar a música dele é pedir pra se esborrachar. É cada porrada fora de tempo que dói.


💿 O Disco: Dérbi de Dados

O nome do álbum de estreia é “Dérbi de Dados (Mancha no Servidor)”. É tipo um Re-Pa digital, uma briga de cachorro grande. A ideia é mostrar que a sujeira e o erro também podem ser pai d'égua .

O Hit que tá estourando: 🎶 “Buffer Overflow (Na Minha Roupa de Baixo)”

É uma música de dois minutos que é pura pavulagem de ruído. É grito, é barulho, é uma fulhanca que trava tudo. Se tu ouvires, te orienta, porque teu computador pode dar prego !

Resumo da Ópera: Essa banda não é pra quem gosta de calmaria ou ficar de bubuia. É som pra quem gosta de alvoroço. Se tu achas que tecnologia é só coisa bonitinha, tu é leso é? . A Cueca Freada veio pra mostrar que até robô pode ser malandro.

Veredito do Ver-o-Peso: O som é escroto (no sentido de perigoso e barulhento), mas é uma experiência que, olha já, tu nunca viste igual. É chibata!

by veropeso202517/12/2025 0 Comments

Midnight Groovers – Angela

Égua, parente! Tu que tá aí de bobeira, senta no teu jirau ou se ajeita na rede que o papo hoje é de rocha! Eu, teu gerente de conteúdo aqui do veropeso.shop, peguei aquela história lá dos estrangeiros e traduzi todinha pro nosso “Amazonês”, pra tu entenderes bem ali como é que funciona o som dessa galera.

Espia só como ficou o artigo pro nosso site:


🎵 Midnight Groovers: Os Reis do Cadence-lypso que são Só o Filé!

Fala, galera! Se tu achas que música boa é só a que toca no rádio daqui, tu tá leso, mano! Hoje eu vou te contar a história de uma banda chamada Midnight Groovers. Os caras são lá da Dominica, uma ilha no Caribe, e vou te dizer: eles são pai d’égua! São considerados uma lenda viva, verdadeiros pioneiros de um ritmo chamado Cadence-lypso.

1. De onde esses cabocos vieram?

A história começou lá no tempo do ronca, no início dos anos 70 (por volta de 73 ou 74). Foi lá na comunidade de Grand Bay, que o povo chama de “South City”. Quem inventou essa bandalhêra boa foram dois irmãos escovados: o Phillip “Chubby” Mark (o vocalista que é o bicho) e o Marcel “Coe” Mark. O nome “Midnight Groovers” é porque o som deles não deixava ninguém dormir, a festa ia noite adentro e ninguém queria pegar o beco!

2. O som que é chibata!

O som deles não é meia tigela não, parente. É um negócio cru e envolvente:

  • Cadence-lypso: Eles são os reis dessa parada! É uma misturada do Cadence Rampa do Haiti com o Calypso. É pra dançar até ficar suado e com tuíra no côro!

  • Pitada de Reggae: Tem muito ritmo de Roots Reggae no meio, deixando o som pesado e dançante.

  • A Língua: Eles cantam em Kwéyòl (o crioulo deles lá) e em inglês. É por isso que o povão entende e gosta, não tem frescura.

3. O papo é reto, não tem potoca

Diferente de muita banda que só quer saber de pavulagem e fulhanca, o Midnight Groovers é invocado. Eles não tão nem aí pra agradar poderoso:

  • Voz do Povo: As letras falam da pindaíba, da vida dura no campo e da justiça. Eles não tapam o sol com a peneira.

  • Resistência: Quando a política lá tava uma bagunça discunforme nos anos 70, eles usaram a música pra descer a lenha nos abusos de poder.

  • Rastafári: Os caras abraçaram a cultura Rastafári, cantando sobre liberdade e espiritualidade. É de rocha!

4. As toadas que marcaram

Os caras têm mais música que carapanã na beira do rio. As que tu tens que ouvir pra não ficar boiando na maré:

  • “Coco Sec”: Essa é clássica, só o filé.

  • “Talon Haut”: Pra quem gosta de arrastar o pé.

  • “Milk and Honey”: Mistura com reggae e mensagem forte.

5. Esses são duros na queda

O Midnight Groovers tem mais de 40 anos de estrada, mano! O Phillip “Chubby” Mark continua firme e forte, sem migué. Ele é respeitado não só pelo som, mas porque é um caboco de palavra que defende a cultura dele. Eles continuam tocando em festivais gigantes e mostrando que quem é rei nunca perde a majestade. Te mete!

by veropeso202513/12/2025 0 Comments

Banda Cueca Freada –

Quem nunca usou uma cueca freada?

Deixa de ser cheio de pavulagem e não vem com migué pro meu lado, não! Tu podes até estar te achando só o filé , todo escovado na estica, mas a gente sabe que no calor desse nosso Pará, ou depois de um pitiú brabo, o acidente acontece.

Não adianta fazer cara de leso nem ficar encabulado. Se tu nunca passaste por isso, ou tu é mentiroso ou tu não é caboco de verdade! Acontece, parente. O importante é pegar o beco , trocar a roupa e seguir a vida de bubuia.

by veropeso202511/12/2025 0 Comments

Dominguinhos, Sivuca e Oswaldinho tocam FORRÓ APRECIADO, CASAMENTO DA RAPOSA e PAU QUEIMADO -1994

1. Sivuca: O Mestre Universal (Ao centro, de barba branca)

Sivuca (Severino Dias de Oliveira) foi, talvez, o músico nordestino mais erudito e internacional.

  • A Carreira: Ele transcendeu o forró. Sivuca levou a sanfona para o jazz, a música clássica e o pop internacional. Morou em Nova York e Paris, trabalhou com Harry Belafonte e Miriam Makeba. Ele é o responsável por mostrar ao mundo que a sanfona nordestina poderia tocar bossa nova e arranjos orquestrais complexos.

  • Estilo: Sofisticado, arranjador brilhante. Músicas como “Feira de Mangaio” mostram essa mistura de raízes profundas com harmonia complexa.

2. Dominguinhos: O Herdeiro Natural (À esquerda, de cabelo cacheado)

José Domingos de Morais, o Dominguinhos, foi o discípulo direto.

  • A Carreira: Começou a tocar com Gonzaga ainda criança (foi Gonzaga quem o “batizou” artisticamente). Dominguinhos pegou o baião cru de Gonzaga e adicionou uma camada de sensibilidade, melodias românticas e harmonias de jazz/bossa nova, mas sem nunca perder o sotaque do sertão.

  • Estilo: Melódico, sentimental e improvisador nato. Compositor de hinos como “Eu Só Quero um Xodó” e “De Volta pro Aconchego”. Ele foi a ponte perfeita entre a tradição de Gonzaga e a MPB de Gilberto Gil e Gal Costa.

3. Oswaldinho do Acordeon: O Virtuoso Moderno (À direita)

Filho de Pedro Sertanejo (pioneiro do forró em SP), Oswaldinho foi um revolucionário da técnica.

  • A Carreira: Ele cresceu dentro do forró, mas sua curiosidade o levou para o rock e a música clássica. Oswaldinho era conhecido pela velocidade impressionante e pela capacidade de fundir o forró com estilos inesperados, chegando a tocar “A Quinta Sinfonia de Beethoven” em ritmo de baião.

  • Estilo: Técnico, veloz e fusionista. Ele modernizou a linguagem do instrumento, sendo um dos primeiros a usar sanfonas digitais e experimentar com distorções, influenciando o forró universitário e instrumental.


Vídeo gerado com IA

A Influência de Luiz Gonzaga (O Rei do Baião)

Luiz Gonzaga não foi apenas uma influência musical para esses três; ele foi o criador do universo onde eles habitaram.

  1. Paternidade Musical:

    • Para Dominguinhos, Gonzaga foi literalmente um segundo pai e mentor. Gonzaga passou a coroa para ele em vida.

    • Para Sivuca e Oswaldinho, Gonzaga foi a fundação. Não existiria a liberdade de “jazzificar” o forró (Sivuca) ou “rockear” o forró (Oswaldinho) se Gonzaga não tivesse estabelecido a base rítmica do Baião, Xote e Xaxado.

  2. Identidade Nordestina: Gonzaga vestiu o chapéu de couro e deu orgulho ao povo nordestino. Ele transformou a sanfona, que era um instrumento folclórico europeu, na voz do Nordeste brasileiro. Os três músicos da foto puderam ter carreiras brilhantes porque Gonzaga abriu as portas do rádio e da televisão no sul do país décadas antes.

  3. A Reverência: Na imagem que geramos, vê-los olhando para Gonzaga é a metáfora perfeita. Mesmo sendo gênios absolutos e tendo voado muito alto (alguns até internacionalmente), eles nunca deixaram de olhar para a “nascente” do rio, que foi o Velho Lua.

by veropeso202507/12/2025 0 Comments

Aldo Sena toca Ao Vivo

 

Aldo Sena: O Caboco que faz a Guitarra Chorar – Égua do Som Pai d'Égua!

Égua, meus parentes! Se tu tá aí de bubuia , só coçando, para tudo e presta atenção que o papo hoje é de rocha. Não vou vir com potoca pra cima de ti não. Hoje nós vamos falar de uma lenda viva, um caboco que é o bicho: o grande Aldo Sena!

Se tu não conhece esse homem, mano , só pode ser que tu tá morando lá na caixa prega ou então tu é muito leso. Ele é um dos donos da Guitarrada e da Lambada, aquele que faz a guitarra “chorar” de um jeito que dá até arrepio.

De Igarapé-Miri pro Mundo: O Caboco é Escovado!

O Aldo nasceu lá em Igarapé-Miri, a capital mundial do açaí, em 1957. E olha já : enquanto os moleques lá do sul ficavam perambulando querendo ouvir rock, o Aldo já era escovado. Ele cresceu sintonizando o rádio nas ondas do Caribe, ouvindo Merengue e Cúmbia. O bicho não é fraco não!.

Começou a carreira dele com a banda “Os Populares de Igarapé-Miri”. Te mete!. Ali ele já mostrava que não era meia tigela e ajudou a criar o som que embala nossas festas de aparelhagem até hoje.

A Lambada que “Brotou” e Estourou

Lá pelos anos 80, o negócio ficou chibata. O Aldo Sena partiu pra carreira solo e foi só o filé. Diferente do Mestre Vieira, que tinha um som mais “quebrado”, o Aldo trouxe um balanço romântico, uma coisa assim bem dançante.

Quem nunca dançou “Lambada Complicada” numa festa de aparelhagem tá precisando tomar um banho de cheiro pra tirar a panema! Foi sucesso nacional, parente. Vendeu disco que foi um discunforme de quantidade.

Duro na Queda e os Mestres da Guitarrada

Teve uma época que a lambada deu uma caída, parecia que já era. Mas o Aldo Sena é duro na queda. Lá pros anos 2000, ele se juntou com a nata: Mestre Vieira e Mestre Curica. Formaram a “Santíssima Trindade” da Guitarrada.

Os caras rodaram o Brasil mostrando que aqui no Pará a gente manja demais de música. Fizeram a rapaziada nova, essa galera universitária, respeitar o som dos nossos mestres.

O Homem tá na Ativa!

Hoje em dia, o Aldo Sena continua fazendo show e gravando, mostrando que quem é rei nunca perde a majestade. Lançou até disco novo, tipo o “Jamevú” (que parece até que ele tá dizendo “Já me vu” pra ir embora, mas é música boa!).

Então, borimbora valorizar o que é nosso! Se tu ver o Aldo tocando, tu vai dizer na hora: “Égua, esse caboco manja muito!”. E se alguém falar mal dele perto de ti, manda logo um “te sai” ou “vai te lascar”.

O Aldo Sena é patrimônio nosso, é bacana demais e merece todo o nosso respeito. Agora, pega o beco e vai escutar uma guitarrada que o som é daora!

1. Discografia Detalhada

A discografia de Aldo Sena é dividida em três fases principais: a era dos conjuntos (início), a fase solo explosiva da Lambada (auge comercial) e o renascimento como Mestre da Guitarrada (anos 2000 em diante).

Fase 1: As Raízes e “Os Populares” (Início dos anos 80)

Nesta fase, ele define a sonoridade da guitarrada em Igarapé-Miri.

  • 1980/1981Os Populares de Igarapé-Miri (Vários volumes, incluindo sucessos como Melô do Tibúrcio)

Fase 2: Carreira Solo & O Auge da Lambada (Anos 80 e 90)

Onde ele consolida seu nome com álbuns instrumentais que vendiam muito.

  • 1983Aldo Sena (LP, Premier/RGE) – Inclui Solo de Craque e Lambada Complicada.

  • 1984Aldo Sena e Seu Conjunto (LP, Premier/RGE)

  • 1986Aldo Sena e Seu Conjunto (LP, Premier/RGE)

  • 1987Aldo Sena (LP, Musicolor/Continental)

  • 1988Dance Lambadas (LP, RGE)

  • 1989Les Plus Belles Lambadas Brésiliennes d'Aldo Sena (Lançamento internacional na França)

  • 1990Dance Lambadas Vol. 3 (LP, RGE)

Fase 3: O Renascimento e Atualidade (Anos 2000 – Presente)

  • 2004Mestres da Guitarrada (CD, com Mestre Vieira e Curica) – Um marco cultural.

  • 2008Guitarradas do Pará (Com Mestre Curica)

  • 2013O Rei da Guitarrada

  • 2021Guitarra Tropical (EP)

  • 2023Jamevú (Álbum recente, mantendo a sonoridade clássica)


2. Como Tocar os Clássicos (Cifras e Dicas)

Aqui vai o “mapa da mina” para as três músicas que você mencionou. Aldo Sena usa muito a alavanca para vibrar as notas finais e o som geralmente é limpo (clean) com bastante reverb.

A. Lambada Complicada

Esta é o hino. O segredo está no balanço da mão direita e na alternância rápida.

  • Tom: Si Menor (Bm)

  • Estrutura da Base (Loop Principal): | Bm | % | A | % | (Repete o tempo todo, alternando Si Menor e Lá Maior)

  • O Riff (Tablatura simplificada da melodia principal): A melodia principal é construída sobre arpejos rápidos.

    1. Parte A (Bm): Foca nas notas Si, Ré, Fá# (Arpejo de Bm).

    2. Parte B (A): Foca nas notas Lá, Dó#, Mi (Arpejo de A). Dica: A “complicada” do nome vem do fato de que ele alterna o tempo forte. Comece o fraseado sempre buscando a tônica do acorde (Si ou Lá) na corda mais grave do desenho e subindo.

B. Solo de Craque

Uma das mais técnicas. Ela é dividida em várias “partes” ou temas que se repetem.

  • Tom: Lá Maior (A) e Si Menor (Bm) em momentos chave.

  • Progressão Harmônica (Base): | A | E | (Grande parte da música fica nessa troca tônica-dominante)

  • Destaques do Solo:

    1. Tema 1 (Abertura): Começa agudo, geralmente na casa 9 e 12 da corda Si (2ª corda) e Mi (1ª corda).

    2. O “Pulo do Gato”: Há um trecho famoso onde ele faz uma escala descendo cromáticamente ou usando ligados rápidos entre as casas 12, 10 e 9.

    3. Técnica: Muita palhetada alternada. Não tente fazer só com ligadura (hammer-on), o som do Aldo é “pec-pec” (percussivo de palheta).

C. Melô do Tibúrcio

Muitas vezes confundida com músicas do Mestre Vieira, essa faixa é um clássico da época d'Os Populares de Igarapé-Miri, composta/interpretada por Aldo.

  • Tom: Ré Maior (D)

  • Base (Harmonia): | D | Em | A7 | D | (O ciclo clássico: Tônica -> Supertônica -> Dominante -> Tônica)

  • Como Tocar: Diferente das outras, essa tem um balanço mais “carimbó/merengue”.

    • Tema Principal: Começa na corda Sol (3ª corda), por volta da casa 7 (Nota Ré), subindo para a corda Si. É uma melodia mais “cantada” e menos veloz que a Lambada Complicada.

    • Dica de Ouro: Use bastante staccato (notas curtas) na palhetada para dar aquele balanço “manco” característico da lambada paraense.

by veropeso202506/12/2025 0 Comments

Dj Alex – Cumbias MIX

A Cumbia: O Ritmo Parente do Nosso Carimbó

Ei, mano! Se tu pensas que só de Brega e Carimbó vive a América Latina, tu estás muito enganado. Hoje vou te contar a história da Cumbia, um ritmo que é pai d'égua e tem tudo a ver com a nossa raiz. Te acomoda aí e espia essa história.

1. Uma Mistura de Caboco com o Mundo

A Cumbia é a prova de que mistura boa dá caldo! Ela nasceu de uma junção que é só o filé:

  • A Batida Forte: Vem dos tambores africanos. É o coração do negócio, tipo aquele batuque que não deixa ninguém ficar embiocado em casa.

  • O Sopro da Mata: As melodias vêm das flautas (gaitas) e maracas, herança dos indígenas. Coisa de caboco mesmo, que sabe tirar som da natureza.

  • O Toque Europeu: Depois, entraram as letras e até a roupa da dança, influência dos espanhóis.

2. A Pegada do Som (Pra Ninguém Ficar Leso)

Musicalmente, a Cumbia é fácil de manjar. Se tu ficares matutando como identificar, te liga:

  • O Balanço: É um ritmo “dois pra lá, dois pra cá”. Dá aquele gingado que parece que a pessoa tá andando meio de lado.

  • O Contratempo: Tem um tamborzinho chamado Llamador que bate num tempo diferente. É isso que dá o molejo, pra ninguém ficar dançando duro feito pão duro.

  • O Chiado: Tem sempre um “chiqui-chiqui” no fundo, feito pela guacharaca (um tipo de reco-reco). É um barulhinho bacana.

3. As Ferramentas da Barulheira

Os instrumentos mudam se for a Cumbia raiz ou a moderna:

  • Tradicional: Tambora (tamborzão), gaitas e maracas. Coisa de raiz!

  • Moderna: Aí já entra acordeão, guitarra e bateria. É pra quem gosta de uma pavulagem mais eletrônica.

4. O Ritmo Saiu Perambulando

A Cumbia não ficou quieta num canto só. Ela saiu da Colômbia e foi pra caixa prega, ganhando o mundo:

  • No México (Sonidera): Ficou mais lenta e cheia de efeitos.No Peru (Chicha): Os caras misturaram com rock e som dos Andes. Lembra muito a nossa Guitarrada aqui do Pará! Tu ouvindo, tu vais dizer: “É mermo é?

  • Na Argentina (Villera): Um som mais da periferia, falando da realidade do povo.

5. O Arrasta-Pé

Na dança, a Cumbia é puro chamego. O passo é arrastado, sem levantar muito o pé do chão.

Curiosidade: Dizem as más línguas (ou a boca miúda ) que esse jeito de arrastar o pé veio dos escravizados, que tentavam dançar mesmo com correntes nos tornozelos. Se é verdade ou potoca, é uma história bonita de superação.

Então, galera , se ouvir uma Cumbia tocando, não te faz de leso. Puxa a tua mana ou teu mano pra dançar e aproveita que o ritmo é contagiante!