Égua do Negócio Vermelho: Mineração e a Potoca do Desenvolvimento em Oriximiná
Olha já, tu já paraste pra reparar naquela imensidão verde da nossa floresta quando tu tá num po-pô-pô ou rasgando o céu numa voadeira? É coisa de doido, né não? Mas quando tu chega ali pros lados de Oriximiná, no oeste do nosso Pará, a visagem muda. Aquele verde todo abre espaço pra umas feridas vermelhas, um barro cor de tijolo que parece que não tem fim. É dali que as grandes empresas tiram a bauxita pra fazer o tal do alumínio, que o povo de fora usa pra tudo quanto é treco, desde carro elétrico até fiação de energia. O mundo tá brocado por esse metal, e pra matar essa fome, eles estão engolindo a terra de Oriximiná.
Pra quem olha de longe, lá da caixa prego, o balanço dessas empresas é pai d'égua, cheio de bilhão e promessa de que a vida do caboco vai melhorar. Mas pra quem mora na beirada, o que se vê é um furdunço de desigualdade. Enquanto as multinacionais ficam buiadas de grana, o nosso povo fica só com a inhaca do progresso, sofrendo com a falta de dinheiro e vendo a natureza ficar toda avacalhada. Oriximiná virou o exemplo do cara que tá sentado em cima de uma mina de ouro, mas tá na roça, vivendo de migué e promessa.
1. O Tamanho da Cumbuca: O Jogo dos Gigantes
O mercado do alumínio é um jogo de teba, onde quem não tem força leva o farelo. A produção mundial de bauxita tá num crescimento discunforme, tudo por causa da China e dessa conversa de transição energética. Em 2023, foi um pudê de terra revirada: quase 438 milhões de toneladas no mundo todo. E a previsão é que até 2026 esse número suba mais ainda, ficando um negócio porrudo mesmo.
No meio dessa cambada de países produtores, o Brasil é o quarto maior do mundo. E aqui dentro de casa, o Pará é quem manda na porrada toda: 91,4% da bauxita brasileira sai daqui. O resto do Brasil fica só de mutuca, olhando a gente carregar o piano. E o coração desse movimento é Oriximiná, que embora seja grande que só, é tratado como se fosse o quintal das empresas.
| Posição no Mundo | País | Produção (Milhões de Toneladas) |
| 1º | Guiné | 124 |
| 2º | Austrália | 119 |
| 3º | China | 66 – 93 |
| 4º | Brasil (Pará é o dono!) | 31 – 32 |
A Mineração Rio do Norte (MRN) e o Porto Trombetas
Desde 1979 que a MRN tá lá em Porto Trombetas, onde antes só quem mandava era o mapinguari e a boiúna. Hoje é uma máquina tebuda que não para de moer. Em 2024, os caras tiraram quase 13 milhões de toneladas de bauxita da terra. É bauxita até o tucupi!
O serviço é bruto: os caras fazem a mineração a céu aberto, tirando toda a mata (a famosa capa o gato ecológica) pra chegar no minério. Lá é um mundo à parte, um trapiche gigante com trem, porto e navio do tamanho de um prédio que engole a nossa terra e leva embora pros mercados internacionais. Enquanto o curumim e a cunhantã brincam de peteca ou vão mariscar de casco no igarapé, as empresas operam esses cargueiros macetas. No final, pra gente, só fica o pitiú do minério e a saudade da mata que se foi.
2. A Cadeia do Minério: Da Amazônia pro Mundo, Sem Embaçamento
A bauxita, desse jeito bruta e cheia de terra, é só uma promessa; não vale muito dinheiro logo de cara. O verdadeiro poder dela, que faz os gringos sentirem uma cuíra doida, só aparece depois de um processo industrial pesado e caro. Quase 85% de tudo o que se tira de bauxita no mundo vira alumina (um pó branco) e depois passa por fornos gigantes pra virar o alumínio que a gente conhece.
O Destino da Terra de Oriximiná: Entre o Brasil e a Gula dos Gringos
O negócio da MRN foi feito pra tentar dar de comer pra indústria daqui do Brasil e também pra matar a fome lá de fora. Diferente de outros lugares que mandam o minério bruto sem mexer em nada — uma verdadeira malineza com a economia —, o Brasil ainda segura uma parte do serviço. Uma parte dessa produção porruda de Trombetas desce o rio rumo a Barcarena e São Luís, onde as metalúrgicas transformam a rocha em alumina e alumínio.
Mas não te engana: as exportações diretas são o que sustenta o caixa. Os compradores do mundo todo querem a bauxita daqui porque ela é ispiciá, tem muita qualidade. Só que quem manda nessas rotas de navio não é nenhum caboco nosso. Quem orquestra tudo são multinacionais ladinas que ficam lá em Londres ou Genebra, bem longe do calor do Pará.
A Estratégia do Mundo e a Potoca da “Energia Limpa”
Agora apareceu um fato novo que mudou as regras do jogo: a tal da transição energética. Dizem os relatórios que, pra fazer painel solar e carro elétrico, o mundo vai precisar de 29% a mais de alumínio nos próximos anos. Como o alumínio é o segundo metal mais usado no planeta, garantir esse fornecimento virou briga de gente grande.
Isso deixa a Amazônia num beco sem saída, uma potoca verde que tenta tapar o sol com a peneira. Pra que o povo do Primeiro Mundo lave a consciência com carro elétrico e cidade sustentável, eles precisam que a mineração aqui cresça a qualquer custo. O alumínio “limpo” deles nasce da terra rasgada, do desmatamento e das barragens de rejeitos que são como facadas no coração do Pará. O Norte Global quer tudo limpinho lá, mas manda a inhaca e o breúme da sujeira aqui pros trópicos. Eles querem energia limpa, mas o preço é cobrado na porrada contra as nossas florestas.
3. O Fluxo da Grana (Follow the Money): A Bandalheira dos Royalties e dos Dividendos
Pra saber quem tá realmente se dando bem e quem ficou na roça com a bauxita de Oriximiná, a gente tem que deixar de lado aquela conversa bonita de cartilha de empresa e seguir o rastro frio do dinheiro. O que se vê nos balanços é uma desigualdade brutal entre o que as empresas faturam e o que fica pro nosso povo.
A Estrutura da MRN: O Domínio dos “Escovados” Gringos
O controle da riqueza de Oriximiná passou por um furdunço societário de bilhões de dólares. A Vale, que é gigante aqui do Brasil, saiu do comando principal, e agora quem manda na culiar (sociedade) são os titãs estrangeiros. A Glencore, uma multinacional suíça que é dura na queda em negócio, comprou partes estratégicas e se juntou com a Rio Tinto (anglo-australiana) e a South32 (australiana).
A lógica desses caras é discunforme. Em 2024, a Glencore lucrou bilhões no mundo todo com metais pra tal transição energética. Aqui na nossa terra, a MRN até teve um desempenho operacional bruto (EBITDA) de R$ 386,9 milhões. Mas, numa jogada de migué corporativo, a empresa declarou um prejuízo líquido de R$ 394,9 milhões no Brasil, botando a culpa na variação do dólar.
É um esquema ladino: a dívida em dólar “limpa” o lucro aqui (pra não pagar imposto alto pro governo brasileiro), enquanto o minério vai pros donos lá fora a preço de custo. A riqueza evapora do Rio Trombetas e vira dividendo gordo na Suíça e em Londres. Os acionistas ficam de bubuia, e a nossa economia que tente se equilibrar na maciota.
Royalties: As Migalhas do Banquete
O Estado cobra uma compensação chamada CFEM pela exploração dos nossos recursos. Em 2025, o Brasil arrecadou R$ 7,91 bilhões disso, e o Pará foi quem mais ajudou, com R$ 3,09 bilhões. A bauxita gerou R$ 164,3 milhões em 2023, e a MRN pagou sozinha 32,9% desse total.
Pela lei, Oriximiná fica com 60% dessa parte, o que dá uns R$ 2,5 milhões num mês normal. Só que a burocracia é uma arapuca. O município tentou brigar na ANM pra receber mais, alegando perda de receita, mas o governo federal disse que a queda “foi só” de 21,60%, e não os 30% que a lei exige, e mandou a prefeitura dar seus pulos.
| Indicador Financeiro | Valor (R$) | Ano |
| Arrecadação Global CFEM (Brasil) | R$ 7,91 Bilhões
| 2025 |
| Arrecadação CFEM (Pará) | R$ 3,09 Bilhões
| 2025 |
| Participação da MRN na CFEM Bauxita | 32,9%
| 2023 |
| Arrecadação Total de Oriximiná | R$ 411,5 Milhões
| 2024/26 |
| EBITDA da MRN (Operacional Bruto) | R$ 386,9 Milhões
| 2024 |
| Prejuízo Líquido da MRN (Contábil) | – R$ 394,9 Milhões
| 2024 |
No fim das contas, a prefeitura até arrecada muito (mais de R$ 411 milhões por ano), mas isso azucrina a cabeça: como é que entra tanto dinheiro e o desenvolvimento não aparece?. A riqueza é privatizada lá pra fora e a gente fica aqui com o buraco, a pobreza e a danação social eternizada.
4. O Impacto Econômico Local: A Ilusão do “Pai D'égua” e o Passamento Estrutural
Os números de Oriximiná criam uma miragem estatística que parece até visagem no meio da noite. No papel frio dos burocratas, o PIB per capita do município fica na faixa de R$ 25.469. Pelos cálculos, a economia deveria ser uma potência, mas na vida real a dependência do minério asfixia todo o resto. A cidade parece estar buiada de dinheiro, mas o povo continua vivendo na roça.
Infraestrutura e Serviços: Uma Situação Avacalhada
Mesmo com milhões de reais em royalties caindo na conta todo ano, Oriximiná sofre com falta de serviço básico que é uma vergonha. A cidade vive pedindo socorro e precisou até de recurso do Novo PAC só pra tentar garantir o básico: caixa d’água e encanamento pra levar água potável pra bairros como Santíssimo e São Pedro. É o cúmulo da potoca: a terra das águas abundantes vivendo esse passamento por falta de torneira.
Na saúde, o negócio tá despombalecido. O hospital municipal, que atende toda a galera ribeirinha, tá numa situação estorde: tem problema até na fiação elétrica. Além disso, a gestão do lixo é uma porcaria, com um lixão a céu aberto que deixa uma inhaca terrível na periferia e envenena o povo. Como é que a cidade que move a “revolução verde” do mundo tem hospital em curto-circuito e vive nesse furdunço de lixo?.
Emprego e a Vida na “Cidade da Empresa”
Muita gente acha que trabalhar na mina é só o filé, mas a realidade é uma facada. Porto Trombetas é uma “company town”, um lugar isolado onde a empresa manda em tudo com mão de ferro. Lá dentro parece o Primeiro Mundo, mas atravessou o portão é só poeira e precariedade.
Um exemplo que deixa a gente neurado é a comunidade quilombola de Boa Vista, que fica bem ali, a 500 metros das instalações da mineradora. Os parentes quilombolas perderam seus lagos e suas matas e foram forçados a largar a roça de mandioca, o beju e o tarubá pra virar mão de obra da empresa.
Hoje, 70% dos moradores da Boa Vista dependem da MRN pra não passar fome.
Mas quase ninguém é contratado direto pra cargo bom; a maioria fica em cooperativa terceirizada fazendo o serviço pesado.
O trabalho deles é varrer pó de bauxita, recolher lixo industrial e podar jardim de executivo por um salário que mal dá pro rancho.
A mineração não ensinou o povo a crescer; ela engoliu a gente e criou uma dependência que deixa todo mundo jururu. Se a mina fechar amanhã, a economia local desaba que nem castelo de carta, porque não é dura na queda.
5. Contradições e Tensões: A Paúra nos Quilombos e a Visagem das Barragens
O verdadeiro custo da bauxita não está nas contas dos gringos lá de Londres, mas sim na pele e na alma do povo de Oriximiná. A região virou um campo de batalha silencioso entre as multinacionais e quem nasceu na beirada do rio, num mapa de injustiça que faz a gente ficar neurado.
A Resistência dos Parentes Quilombolas
As comunidades quilombolas de Oriximiná, como Boa Vista e Água Fria, foram formadas por gente de pulso firme que fugiu da escravidão no século XIX, subindo o rio em pequenos cascos pra viver em paz nos mocambos. Um século depois, a MRN chegou fazendo um barulho do diacho e tentando tirar esse povo das suas casas e castanhais com conversa fiada e indenização que não vale um chope.
Mas o povo de Boa Vista não levou mijada de ninguém. Eles bateram o pé e, em 1995, foram a primeira comunidade do Brasil a ter o título da terra na mão. Só que a mineração não parou: hoje eles vivem cercados por guaritas, seguranças armados e platôs de extração, como se fossem ilhas num mar de lama vermelha.
A Potoca da Expansão e o Sumiço da Caça
Com os novos projetos, como o “Novas Minas”, a situação ficou ralada. A floresta tá sendo derrubada e o barulho das máquinas é tão alto que a caça pegou o beco. O inhambu e a paca sumiram tudo. O pior é o migué jurídico: o IBAMA diz que só indígena e quilombola tem direito de voz, deixando os ribeirinhos tradicionais — que estão lá faz gerações — sem poder reclamar de nada.
O Ecocídio do Lago Batata e o Medo das 26 Barragens
Na década de 80, a MRN fez uma malineza que ninguém esquece: jogou 24 milhões de toneladas de sujeira direto no Lago Batata. O lago, que era limpinho, virou um deserto de lama que soterrou peixe e quelônio. Só pararam quando a vergonha ficou internacional.
Hoje, a paúra é maior ainda: existem 26 barragens de rejeitos rondando a cidade. O povo vive numa gastura sem fim, temendo que qualquer toró mais forte faça essas barragens estourarem e virarem uma visagem de lama engolindo todo mundo no meio da noite.
Curumim Brocado e o Papo Furado do Progresso
A contradição é de dar passamento: enquanto a bauxita sai aos bilhões, mais de 1.800 alunos quilombolas sofrem com merenda escolar que é uma porcaria. É só enlatado e quase nada de comida. Os curumins e cunhatãs estudam brocados de fome, e as escolas têm que fechar cedo porque não tem o que cozinhar. É o retrato do fracasso: um lugar trilionário que não consegue dar um prato de comida decente pros seus pequenos.
Como disse um ancião, apontando com o canto da boca pras motosserras:
“Olha o papo desse bicho da empresa… fazem uma pavulagem dizendo que é pai d'égua, mas a nossa caça ficou panema e a água do igarapé é só o pitiú da lama vermelha. Achar que gringo tá aqui pra ajudar é ser muito leso, mano. Isso aí é só tese pra enganar quem é de fora.”
No fim das contas, o tal desenvolvimento é pura potoca. A realidade mesmo é o medo do desastre e a barriga roncando de fome.
6. Análise Crítica: Oriximiná como Espelho do Mundo
Olha já, não dá pra olhar pra Oriximiná como se ela fosse um caso isolado, uma visagem perdida no meio do mato. Quando a gente espia o que acontece nos outros cantos do mundo onde tiram bauxita, a gente vê que o buraco é bem mais embaixo e que o nosso Pará tá num jogo onde as regras são feitas bem longe daqui.
O Jogo no Mundo: Da Austrália à Guiné
Lá na Austrália: O negócio é porrudo e organizado. Eles têm leis ambientais que são duras na queda e o governo faz questão de que a grana do minério seja reinvestida no próprio país, gerando emprego de verdade e infraestrutura que não é de meia tigela.
Lá na Guiné (África): É uma danação total. Eles têm as maiores reservas do mundo, mas o modelo é de uma malineza sem tamanho: tiram a terra bruta, sem beneficiar nada, e mandam tudo pra China. O povo de lá continua brocado, vivendo na pobreza e respirando poeira tóxica o dia todo.
Aqui no Brasil (Oriximiná): A gente tá num meio de caminho bem desconfortável. Por um lado, fomos ladinos em processar parte do minério em Barcarena. Mas, na beirada do igarapé, Oriximiná tá parecendo a Guiné: uma zona de sacrifício. As multinacionais levam os lucros pra Europa e Oceania , e deixam pro nosso estado e pra prefeitura a conta pesada: cuidar de gente doente em hospital com apagão , dar comida pra curumim que tá estudando com fome e ficar de mutuca rezando pra que as barragens não estourem no próximo toró.
ESG ou só “Gaiatice” das Grandes Empresas?
Essa história de ESG que as empresas contam nos catálogos gringos, pra gente aqui, soa como gaiatice e potoca. É o famoso greenwashing: uma maquiagem verde pra ninguém ver a sujeira. Eles dizem que investem milhões, como no projeto dos quelônios do Rio Trombetas, mas usam a mão de obra dos próprios quilombolas que eles atingiram.
Não tem embaçamento: financiar proteção de tartaruguinha não apaga o fato de que transformaram rios inteiros em depósito de lama química. É dar com uma mão e esmagar com o trator na outra. Isso não é sustentabilidade, é só controle de imagem pra investidor não ficar encabulado.
Quem Ganha de Verdade?
Os verdadeiros donos da bauxita não comem chibé. Eles moram na Suíça, são donos de fábricas de carros alemães ou são do governo chinês. O povo daqui não é parceiro de nada; é só o corpo de onde estão sugando o sangue.
E o pior: os gestores locais vivem num pacto de diacho, torcendo pra mineradora nunca parar, porque sabem que a economia da cidade é um castelo de cartas. Estão dizendo que em 2043 o minério acaba. E depois? Não tem plano nenhum pro dia que os tratores pararem. Quando a última tonelada de terra vermelha for embora pro porto, o que vai sobrar é uma paisagem esburacada, um povo sem emprego e um silêncio de morte na floresta. Se a gente não se orientar logo, o futuro vai ser mais triste que visagem de cemitério.
Conclusão: A Herança do Pó Vermelho
A história da bauxita em Oriximiná não é nenhum conto de fadas sobre progresso; é uma crônica muito da escrota sobre como tiram nossa riqueza pra dar pros centros financeiros do mundo, deixando pra trás o esgotamento do nosso povo e da nossa mata.
Enquanto os relatórios da mineradora comemoram recordes de extração com festa , e o governo federal mostra planilhas cheias de bilhões em royalties , a tal da “prosperidade local” não passa de uma potoca institucionalizada. É uma ilusão frágil, erguida em cima de pilares de poeira vermelha e promessas que nunca se cumprem.
Oriximiná tem a maior mina de bauxita do país , mas falha de forma miserável em entregar o básico da dignidade humana:
Falta água limpa na torneira de bairros centrais.
Falta segurança pra quem vive com medo das barragens estourarem.
Falta comida decente na merenda dos curumins quilombolas.
O alumínio que sai daqui pavimenta um futuro “limpo” e tecnológico pras metrópoles do Norte Global , mas impõe pra gente, aqui no Pará, um rastro sombrio de igarapés mortos e barragens que são verdadeiras visagens na calada da noite.
A Amazônia profunda não tá sendo desenvolvida; ela tá sendo escavada até o osso, ensacada e despachada por navio pra ser consumida nos fornos da Ásia e do Ocidente. Oriximiná segue acorrentada a esse destino de ser o retrato do colonialismo do século XXI, cinicamente maquiado com a tinta verde da sustentabilidade corporativa.
No fim das contas, pro mercado global, a Amazônia é só uma bagatela; e pro povo da floresta, a conta que chega é só a morte e a lama. E quem duvida, que vá matutar de perto na boca da noite debaixo do Platô Aramã.
Conclusão: A Herança do Pó Vermelho
A história da bauxita em Oriximiná não é nenhum conto de fadas sobre progresso; é uma crônica muito da escrota sobre como tiram nossa riqueza pra dar pros centros financeiros do mundo, deixando pra trás o esgotamento do nosso povo e da nossa mata.
Enquanto os relatórios da mineradora comemoram recordes de extração com festa , e o governo federal mostra planilhas cheias de bilhões em royalties , a tal da “prosperidade local” não passa de uma potoca institucionalizada. É uma ilusão frágil, erguida em cima de pilares de poeira vermelha e promessas que nunca se cumprem.
Oriximiná tem a maior mina de bauxita do país , mas falha de forma miserável em entregar o básico da dignidade humana:
Falta água limpa na torneira de bairros centrais.
Falta segurança pra quem vive com medo das barragens estourarem.
Falta comida decente na merenda dos curumins quilombolas.
O alumínio que sai daqui pavimenta um futuro “limpo” e tecnológico pras metrópoles do Norte Global , mas impõe pra gente, aqui no Pará, um rastro sombrio de igarapés mortos e barragens que são verdadeiras visagens na calada da noite.
A Amazônia profunda não tá sendo desenvolvida; ela tá sendo escavada até o osso, ensacada e despachada por navio pra ser consumida nos fornos da Ásia e do Ocidente. Oriximiná segue acorrentada a esse destino de ser o retrato do colonialismo do século XXI, cinicamente maquiado com a tinta verde da sustentabilidade corporativa.
No fim das contas, pro mercado global, a Amazônia é só uma bagatela; e pro povo da floresta, a conta que chega é só a morte e a lama. E quem duvida, que vá matutar de perto na boca da noite debaixo do Platô Aramã.
Referências citadas
- ALUMÍNIO 1. OFERTA MUNDIAL – Portal Gov.br, acessado em abril 18, 2026, https://www.gov.br/anm/pt-br/assuntos/economia-mineral/publicacoes/sumario-mineral/sumario-mineral-brasileiro-2024/aluminio-2024-ano-base-2023.pdf
- 2025 Global bauxite production stands at around 480MT – From Weipa to Paragominas, who's powered the growth? – alcircle, acessado em abril 18, 2026, https://www.alcircle.com/news/2025-global-bauxite-production-stands-at-around-480mt-from-weipa-to-paragominas-whos-powered-the-growth-117470
- Global Bauxite Market's Steady 1.4% CAGR Growth Driven by China's Import Demand, acessado em abril 18, 2026, https://www.indexbox.io/blog/bauxite-world-market-overview-2024-6/
- Bauxite Production by Country 2026 – World Population Review, acessado em abril 18, 2026, https://worldpopulationreview.com/country-rankings/bauxite-production-by-country
- Mineração Rio do Norte | Global – Rio Tinto, acessado em abril 18, 2026, https://www.riotinto.com/en/operations/south-america/mineracao-rio-do-norte
- Maior mina de bauxita a céu aberto do planeta produz 30 milhões de toneladas por ano e é responsável por boa parte do alumínio consumido no Brasil e no exterior – CPG Click Petróleo e Gás, acessado em abril 18, 2026, https://clickpetroleoegas.com.br/mina-trombetas-maior-bauxita-mundo-oriximina-dsca00/
- Mineração Rio do Norte S.A., acessado em abril 18, 2026, https://mrn.com.br/images/relatorioadm/relatorio-da-administracao-e-demonstracoes-financeiras-2024.pdf
- Relatório de Sustentabilidade 2024 – MRN, acessado em abril 18, 2026, https://mrn.com.br/images/relatorioadm/Relatorio_Sustentabilidade_MRN_2024.pdf
- Bauxite Market Size, Opportunities, & YoY Growth Rate, 2033, acessado em abril 18, 2026, https://www.coherentmarketinsights.com/industry-reports/bauxite-market
- Bauxite Market Update – Breakwave Advisors, acessado em abril 18, 2026, https://www.breakwaveadvisors.com/insights/2025/10/1/bauxite-market-update
- Top ten countries with the highest bauxite production in 2021 – alcircle, acessado em abril 18, 2026, https://www.alcircle.com/news/top-ten-countries-with-the-highest-bauxite-production-in-2021-79380
- Oriximiná Archives – Comissão Pró-Índio de São Paulo, acessado em abril 18, 2026, https://cpisp.org.br/tag/oriximina/
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- Glencore reverte prejuízo com impulso do cobre e gera lucro forte no ano; ações sobem 3%, acessado em abril 18, 2026, https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/glencore-reverte-prejuizo-com-impulso-do-cobre-e-gera-lucro-forte-no-ano-acoes-sobem-3/
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- AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO – ANM Superintendência de Produção Mineral – SPM Gerência de Arrecadação e CFEM – GAEM, acessado em abril 18, 2026, https://www.gov.br/anm/pt-br/assuntos/arrecadacao/apuracao-municipios-afetados-1/apuracao-municipios-afetados-por-ano-1/apuracao-de-municipios-afetados-2019/versao-final-da-lista-dos-municipios-afetados-pela-atividade-de-mineracao-beneficiarios-de-parcela-da-cfem/respostas-recursos-interpostos/recurso-oriximina-pa.pdf
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- Oriximiná terá reforma em hospital, asfaltamento e solução para ‘lixão' | Agência Pará, acessado em abril 18, 2026, https://www.agenciapara.com.br/noticia/15272/oriximina-tera-reforma-em-hospital-asfaltamento-e-solucao-para-lixao
- Brasil: Mineração Rio do Norte interfere em vida de quilombo no Pará, deixando rastros de pobreza e poluição, de acordo com reportagem – Business and Human Rights Centre, acessado em abril 18, 2026, https://www.business-humanrights.org/my/%E1%80%9E%E1%80%90%E1%80%84/brasil-minera%C3%A7%C3%A3o-rio-do-norte-interfere-em-vida-de-quilombo-no-par%C3%A1-deixando-rastros-de-pobreza-e-polui%C3%A7%C3%A3o-de-acordo-com-reportagem/
- Poder estatal, mineração e dominação territorial contra os quilombolas e extrativistas do Trombetas – Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, acessado em abril 18, 2026, https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/poder-estatal-mineracao-e-dominacao-territorial-contra-os-quilombolas-e-extrativistas-do-trombetas/
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- O DRAMA DA CONSULTA PRÉVIA SOBRE MINERAÇÃO EM TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS DE ORIXIMINÁ, PARÁ Santarém 2018 – Governo Federal, acessado em abril 18, 2026, https://www.gov.br/incra/pt-br/centrais-de-conteudos/publicacoes/erika_beser.pdf
- QUILOMBOS DO TROMBETAS: EMBATES COM O CAPITAL INTERNACIONAL NA AMAZÔNIA. Adauto Neto Fonseca Duque Resumo – Revista Historiar, acessado em abril 18, 2026, https://historiar.uvanet.br/index.php/1/article/download/11/9
- MRN apresentará ciclo sustentável da produção de bauxita na Exposibram 2023, acessado em abril 18, 2026, https://mrn.com.br/index.php/en/news/all/460-mrn-apresentara-ciclo-sustentavel-da-producao-de-bauxita-na-exposibram-2023
- Maior produtora de bauxita do Brasil nega direitos a ribeirinhos no Pará – Mongabay, acessado em abril 18, 2026, https://brasil.mongabay.com/2023/12/maior-produtora-de-bauxita-do-brasil-nega-direitos-a-ribeirinhos-no-para/
- Barragens de Mineração em Oriximiná – Comissão Pró-Índio de São Paulo, acessado em abril 18, 2026, https://cpisp.org.br/quilombolas-em-oriximina/luta-pela-terra/mineracao/barragens-de-rejeito/
- BARRAGENS DE MINERAÇÃO EM ORIXIMINÁ – PA: IMPACTOS E AMEAÇAS NO BAIXO AMAZONAS. – Realize Editora, acessado em abril 18, 2026, https://editorarealize.com.br/editora/anais/sbgfa/2024/TRABALHO_COMPLETO_EV206_MD1_ID1357_TB259_13082024010804.pdf
- EXTRA: Glencore returns cash to investors after aborted Rio Tinto deal, acessado em abril 18, 2026, https://global.morningstar.com/en-gb/news/alliance-news/1771427067458254400/extra-glencore-returns-cash-to-investors-after-aborted-rio-tinto-deal



