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Análise Estrutural da Bioeconomia do Açaí: Fundamentos da Hegemonia Produtiva do Pará e a Dinâmica de Formação de Preços no Mercado Consumidor de Belém

Cap. 1: O Ver-o-Peso tá Pequeno pro Açaí: Bioeconomia ou Assalto no Bolso do Caboco?

Égua, mana(o), presta atenção nesse lero lero que eu vou te contar, porque o negócio tá escovado pro nosso lado. O açaí, que antes era só aquele chibé de todo dia pra gente não ficar brocado, agora virou estrela internacional, uma tal de “commodity global”. O Pará é o bicho, o dono da cocada preta, mandando em mais de 93% de tudo que se colhe nessa terra. Mas o fato novo é que, enquanto o mundo todo se farta, o paraense tá sofrendo mais que cachorro de feira pra comprar um litro do grosso.

O Preço tá de “Dar Passamento”

Olha só o papo desse bicho: entre o final de 2025 e o começo de 2026, o valor do nosso “vinho” foi lá na caixa prego, batendo entre R$ 36,00 e R$ 42,00. É de ficar encabulado, né? Pra quem é daqui, o açaí não é sobremesa de frescando não, é o sustento que vem da nossa ancestralidade. Esse aumento deixou todo mundo impinimado, porque o dinheiro tá curto e a fome não espera.

Por que tá esse “Toró” de Preço Alto?

Não pensa que é só migué dos batedores, não. O buraco é mais embaixo:

  • Tempo Doido: O clima tá uma visagem, atrapalhando a palmeira de dar fruto.

  • Logística Ralada: Trazer o fruto das ilhas pro Ver-o-Peso é um treco difícil, cheio de gargalo nos rios.

  • Efeito COP 30: Com aquele monte de gente de fora chegando pra conferência do clima em Belém, tudo ficou com preço de pavulagem.

  • Guerra de Gigantes: O mercado lá de fora, pagando em dólar, briga com o nosso consumo daqui, e a gente acaba ficando no vácuo.

A Anatomia da “Mizura”

Neste relatório, a gente vai falar sem embaçamento sobre como o Pará continua sendo o pai d'égua da produção, mas o povo tá levando uma pisa na hora de pagar. Vamos espiar desde o jeito que o caboco planta até como o preço sobe nas feiras, pra entender por que o nosso açaí tá ficando tão teba no valor que parece até visagem de outro mundo.

Égua, tu não vai querer perder o resto dessa história, né? Te aquieta aí que o próximo capítulo vem logo ali!

Cap. 2: O Pará é o Dono do Campinho: Onde a Natureza e a Tecnologia se Encontram

Égua, mana(o), tu já parou pra pensar por que o Pará manda em tudo quando o assunto é açaí? Não é por acaso, não! É uma mistura de “mão de Deus” com a inteligência do nosso povo que deixou a concorrência no vácuo.

2.1. O Clima que é “Só o Filé”

O açaizeiro é uma palmeira enjoada: ela gosta é de calor e muita água, bem ali nas várzeas e igapós dos nossos rios.

 

  • Calor de “Rachar”: A planta precisa de temperatura entre 24,5°C e 27,5°C. Se fizer menos de 7°C, ela dá passamento e morre. Aqui no Pará, esse frio é visagem, não existe.

     

  • Chuva que não acaba mais: O açaí é sedento! Ele precisa de uns 2.761 mm de chuva por ano. Em lugares como o Marajó, cai mais de 3.400 mm. É água até o tucupi!

     

  • O Ritmo das Marés: Nas nossas várzeas, a maré sobe e desce duas vezes por dia. Isso é um pai d'égua, porque traz adubo natural e oxigena a raiz sem o caboco precisar gastar um tostão com química ou irrigação.

     

O que a planta querNo Pará tem (Clima Af)Risco de dar Prego (ZARC)
Temperatura

24,5°C a 27,5°C

 

$\le$ 7°C (Mata a planta)

 

Chuva

Até mais de 3.400 mm/ano

 

< 2.000 mm/ano (Aí complica)

 

Umidade

86% (Sempre úmido)

 

Abaixo de 60% (Ela murcha)

 

Chão

Várzea que enche e seca todo dia

 

Lugar que vira lama eterna

 

2.2. Da Matança do Palmito à Variedade “Paidégua”

Antigamente, o povo era leso e fazia uma malineza com a floresta: entre os anos 70 e 90, matavam a palmeira só pra tirar o palmito. Era uma bandalheira que quase acaba com tudo. Só no final dos anos 90 que viram que o fruto valia muito mais que o palmito.

 

Aí a Embrapa, que é muito cabeça, entrou em campo pra indireitar o negócio:

 

  • Açaí de Terra Firme: Criaram um jeito de plantar em lugar que não alaga. Lançaram a semente BRS Paidégua, que é o bicho de produtiva.

     

  • Tecnologia na Veia: Como em terra firme não tem maré, o produtor tem que dar seus pulos com irrigação. Eles usam uns aparelhos chamados tensiômetros pra saber quando a terra tá seca e ligar a bomba no tempo certo, sem frescura e sem desperdício.

     

  • O Estado deu um Gás: Com o programa Pró-Açaí, distribuíram 14 toneladas de sementes e abriram 35 mil hectares de plantação nova.

Hoje, com o açaí nativo da várzea (que custa pouco) e o açaí irrigado da terra firme (que produz muito), o Pará ficou porrudo demais. Ninguém consegue bater a gente, tá selado!.

Cap. 3: O Açaí Virou “Bacana” pro Mundo e o Povo Ficou “na Grade”

Égua, mana(o), o negócio agora é outro! O nosso açaí não é mais só aquele chibé de sustento do ribeirinho. A parada evoluiu pra uma rede porruda de indústria e exportação que atravessa os oceanos.

3.1. O Pará é o “Pai d'Égua” da Produção

Se tu olhar os dados do IBGE e da SEDAP, vai ver que o Pará não tá de lerolero: a gente manda em mais de 93% de todo o açaí do Brasil. É fruta que não acaba mais, quase 1.700.000 toneladas por ano!

Olha como a “mizura” funciona:

  • Crescimento “Macetado”: Enquanto o PIB do Brasil cresceu só 0,2% entre 2015 e 2022, a produção de açaí deu um salto de 6,8% ao ano. É muita pavulagem pra um fruto só!

     

  • O Coração do Açaí: A riqueza tá concentrada no Baixo Tocantins e no Nordeste Paraense.

     

Ranking dos Municípios que são “o Bicho”:

PosiçãoMunicípioMoral na História
Igarapé-Miri

A “Capital Mundial”. Sozinho manda 25% das exportações.

 

Cametá

Muita tradição e cooperativa de sumano.

 

Abaetetuba

Onde o açaí gela pra viajar o mundo.

 

4º ao 7ºBujaru, Tomé-Açu, etc.

Onde a tecnologia da Embrapa tá só o filé.

 

3.2. De “Vinho” da Hora pra “Commodity” em Dólar

Antigamente o açaí era pra tomar na hora, se não azedava. Mas agora, com tecnologia de congelamento (IQF) e liofilização, ele aguenta viagem longa. O mundo descobriu que o fruto é cheio de saúde e agora paga caro por ele.

 

  • Explosão de Vendas: Em 1999, a gente não exportava nem 1 tonelada. Em 2023, já foram 61 mil toneladas!

     

  • Dinheiro no Bolso (dos outros): Só no começo de 2025, as vendas pra fora cresceram mais de 70%, injetando uns 60 milhões de dólares na nossa economia. Tem gente vindo até da Colômbia pra aprender com a gente.

     

Mas presta atenção no “pau d'água” que tá vindo: como o açaí agora vale dólar, quem quer comprar pra bater no café da manhã em Belém tem que disputar com os gringos que têm a moeda forte. É por isso que o preço nas feiras tá de dar passamento no caboco. O açaí ficou metido a merda e esqueceu das origens!

Cap. 4: A Vida do Batedor não é “Sopa de Mel”: Por que o Litro tá o “Olho da Cara”?

Égua, mana(o), tu já parou pra pensar no sufoco que o batedor de açaí passa pra colocar aquele vinho grosso na tua mesa? Não é só ligar a máquina e pronto, não. O negócio é uma runcampança financeira que quase ninguém vê.

4.1. A Ciência por Trás da “Batedeira”

Antigamente, o batedor ia no migué, cobrando o que achava que dava. Mas uma pesquisa da UFPA (do Dr. José Luiz Fernandes) lá no Guamá abriu os olhos da galera. Eles usaram um tal de TDABC pra calcular cada centavo.

Olha a mizura: só o fato do caboco acordar de madrugada, ir pro Ver-o-Peso, negociar, carregar paneiro e lavar tudo com cuidado já custa R$ 14,80 por dia em “custos de transação”. Isso antes de gastar um pingo de energia!

4.2. No Inverno, o “Pau d'Água” é no Bolso

A diferença entre o verão e o inverno amazônico é de ficar encabulado:

  • Na Safra (Verão): Com muito fruto bom, o custo pra fazer um litro de açaí fica em torno de R$ 18,93.

  • Na Entressafra (Inverno): O fruto fica magro e difícil. O custo de produção pula pra R$ 25,60 por litro! Isso é o custo interno, sem o batedor ganhar nem pra comprar o pão.

4.3. O Preço no Porto e o Risco do “Açaí Gelado”

Na primeira quinzena de 2026, a basqueta de açaí do Marajó (aquele só o filé) chegou a custar R$ 300,00 por apenas 14 quilos!

Aí aparece o “açaí gelado” que vem de longe, tipo do Amapá, custando uns R$ 130,00. Mas ó, é uma armadilha: o gelo derrete no barco, o fruto molha e, quando o batedor abre o saco, o fundo tá todo azedo. É prejuízo na certa!

4.4. Luz e Água: O “Cão Chupando Manga”

Pra manter o negócio safo, o batedor ainda tem que encarar:

  • Água: 75% deles têm que ter poço artesiano próprio porque o saneamento é palha.

  • Energia: A Equatorial não perdoa. Entre 2025 e 2026, a tarifa comercial ficou entre R$ 0,52 e R$ 0,59 por kWh, fora os impostos que são um assalto.

  • Mão de Obra: O ajudante ganha entre R$ 25,00 e R$ 50,00 por dia.

Resultado: Em janeiro de 2026, o “ponto de equilíbrio” foi de R$ 35,00. Se vender por menos que isso, o batedor tá “pagando pra trabalhar”. Por isso, muita gente prefere capar o gato e fechar as portas até a situação melhorar.

Cap. 5: A Matemática do “Assalto”: Por que o Açaí Grosso Bateu R$ 42,00?

Égua, mana(o), agora o caldo entornou de vez! Se tu achava que era só impressão tua que o dinheiro não tava dando pra nada, o DIEESE/PA provou com números que o açaí virou uma “hiperinflação” particular nossa. Enquanto o resto do Brasil falava em inflação baixa (o tal do IPCA), o nosso vinho tava era voando baixo no preço.

5.1. A Subida que não Te Esperô

Dá uma espiada nessa mizura de preços que rolou entre 2024 e o começo de 2026. O açaí médio subiu mais de 25% em um ano! Mas o susto maior é no “grosso”, aquele que o paraense gosta de verdade:

Trajetória do Preço em Belém (Média):

  • Janeiro de 2025: O grosso tava por volta de R$ 35,67.

  • Janeiro de 2026: Pulou pra média de R$ 41,95.

E olha, isso é a média, viu? Porque se tu for comprar em supermercado ou em batedeira toda cheia de pavulagem (com selo de qualidade PEQA e tudo mais), o preço já fincou o pé nos R$ 42,00 e não quer mais descer. Teve até lugar em fevereiro de 2026 que o povo tentou vender o litro por R$ 72,00 pros distraídos! É de ficar encabulado.

5.2. O “Cão” da Entressafra

A culpa disso tudo é, primeiro, da natureza da planta. O açaizeiro é invocado:

  • Safra (Julho a Dezembro): É quando a floresta jorra fruto, os portos ficam até o tucupi de paneiro e o preço dá uma acalmada.

  • Entressafra (Janeiro a Junho): É o tempo da “vaca magra”. O fruto some, fica escasso, e o batedor tem que dar seus pulos pra conseguir uma saca. Como o povo de Belém não para de comer nem um dia, a disputa pelo pouco que tem vira uma briga de foice no escuro.

5.3. O Paradoxo: Muito Açaí, mas Tudo pros Gringos

Aí tu me pergunta: “Mas sumano, se o Pará produz 93% do açaí do Brasil, por que a gente padece assim?”. É aí que mora o migué global: o Paradoxo do Açaí.

O pouco fruto que sai na entressafra não fica aqui pro nosso chibé. Ele é disputado “dente a dente” com as grandes indústrias de exportação. Enquanto o batedor do Jurunas ou da Terra Firme chega no porto com o Real minguado, as multinacionais chegam com o bolso cheio de Dólar, Euro e Iene.

Essas fábricas gigantes têm tecnologia de ponta (congelamento IQF, liofilização) e mandam tudo pra fora. Só no primeiro semestre de 2025, elas injetaram 60 milhões de dólares na jogada. O resultado? O batedor local tem que tentar cobrir o preço dolarizado pra conseguir o que sobrou da xepa. Por isso a saca explode de preço e o nosso litro não baixa de R$ 36 de jeito nenhum. O açaí virou bossal, prefere falar inglês do que alimentar o caboco da terra!

Cap. 6: O Tempo tá “Doido” e a Natureza tá “Malinando” com a Gente

Égua, mana(o), se tu achas que o problema era só o dólar, espia só essa: o clima resolveu entrar na bandalheira e o resultado foi uma runcampança no preço do nosso açaí. Não é só potoca de vendedor, não; a natureza pregou uma peça escrota na gente entre 2025 e 2026.

6.1. Do “Calorão” de El Niño pro “Toró” Sem Fim

A palmeira do açaí é invocada e gosta de tudo no tempo certo, mas os últimos anos foram um estorde:

  • Seca de “Rachar”: Em 2023 e 2024, o tal do El Niño deixou a terra seca e as palmeiras com sede. O resultado? A planta abortou as flores ou deu um fruto magro, sem aquela gordura que faz o vinho ficar só o filé.

  • Chuva de “Vomitar”: Quando a gente achou que ia melhorar em 2026, veio um pau d'água que não passava nunca. Foram dias de tempestade sem uma trégua do sol pra indireitar as coisas.

6.2. O Pavor lá no Alto do Açaizeiro

Aí tu me pergunta: “Mas sumano, por que a chuva impede o açaí de chegar?”. É que o negócio é ralado:

  • Escalada Mortal: O caboco tem que subir mais de 15 metros numa palmeira lisa usando só uma peçonha (corda rústica). Com o tronco todo molhado e escorregadio, subir lá em cima é pedir pra levar um treco ou uma queda feia.

  • Paralisação Geral: Pelo “pavor compreensível” de morrer na queda, os extrativistas pararam a apanha. Em fevereiro de 2026, a falta de fruto chegou a 40% em alguns rios do Marajó.

6.3. O Ver-o-Peso Virou um “Assalto”

Com o porto vazio e pouca fruta chegando, quem conseguia um paneiro cobrava o que queria. Nas manhãs do Ver-o-Peso, o clima era de inhaca: atravessadores repassando cestos úmidos a preços de pavulagem. Teve placa de litro de açaí marcando setenta reais no auge da crise hídrica! Foi um salve-se quem puder que jogou a inflação do açaí lá na baixa da égua, muito acima de qualquer índice oficial.

Cap. 7: O Açaí na Roda do Mundo: Entre o “Tarifaço” do Trump e a Bolha da COP 30

Égua, mana(o), tu achas que a política lá de fora não chega no teu prato de açaí? Pois te orienta que o buraco é mais embaixo! Além do tempo doido, o nosso vinho grosso virou refém de briga de peixe grande e da pavulagem internacional.

7.1. A “Tarifa de Trump” e o Contra-Ataque das Fábricas

Em 2025, o governo dos Estados Unidos resolveu fazer uma malineza e taxar os produtos que vinham pra cá com uma sobretaxa de até 50%.

  • Chantagem dos Gringos: Os compradores americanos, pra não perderem dinheiro, exigiram que as fábricas de Castanhal e Belém baixassem o preço do contêiner na marra.

  • A Indústria Virou um “Superaspirador”: Pra não ficarem no prejuízo, as grandes agroindústrias saíram varrendo os furos e igapós atrás de todo o açaí que podiam, sugando até o que era pra ir pras nossas canoas e feiras locais.

  • Vácuo no Cais: Isso deixou o feirante do Ver-o-Peso sem mercadoria, porque as fábricas levaram tudo pra tentar compensar no volume o que perderam na taxação do Trump.

7.2. O Delírio da COP 30: Muita Gente e Pouco Açaí

Belém virou o centro do mundo com a COP 30, e aí a especulação foi daora… só que não!

  • Invasão de Diplomatas: Com a promessa de mais de 50 mil visitantes com o bolso cheio de dólar, o empresariado local ficou invocado e subiu o preço de tudo: aluguel, transporte e, claro, a comida.

  • O Salto do Medo: Em apenas três semanas de outubro de 2025, o preço do açaí médio deu um salto de 22% só no susto, porque todo mundo queria estocar pra servir nas “mesas finas” pros gringos.

  • A Ironia do Banimento: Tu acreditas que, nos pavilhões oficiais da COP, os organizadores baniram o nosso açaí in natura? Alegaram “padronização de dieta” e “pegada ecológica”, mas no lado de fora, nos botequins e hotéis, a bolha turística fez o preço disparar e nunca mais voltar.

O Resultado da “Mizura”

Quando o ano de 2026 começou com aquele toró sem fim, a base do preço já tava toda estragada por causa dessa ganância da COP 30 e da pressão internacional. O que era pra ser uma festa da ecologia acabou deixando o paraense com o bolso brocado, fossilizando o preço do litro entre R$ 36 e R$ 42. O açaí foi esbulhado do seu berço histórico por causa de anomalias que o caboco nem entende direito.

Cap. 8: O Veredicto do Ver-o-Peso: O Açaí é Nosso ou dos Gringos?

Égua, mana(o), chegamos no final dessa runcampança e o que sobra é uma lição amarga no fundo da cuia. O Pará é um colosso, um bicho geográfico que manda em mais de 93% de todo o açaí do Brasil, colhendo quase 1,7 milhão de toneladas por ano. Temos a ciência da Embrapa com o açaí BRS Paidégua e a tecnologia de irrigação que faz a terra firme produzir que é uma beleza. Mas, mesmo sendo os donos da cocada, o povo de Belém tá levando uma pisa na hora de comer.

A Engrenagem que Esfolha o Caboco

O preço de R$ 36 a R$ 42 que a gente pagou entre 2025 e 2026 não é por acaso. É o resultado de uma engrenagem perversa:

  • Seca e Toró: Ora a palmeira sofre com o El Niño, ora o batedor não consegue subir no açaizeiro por causa do pau d'água.

  • A Elite da Exportação: Enquanto as multinacionais faturam rios de dólares e euros mandando polpa liofilizada pra Califórnia e pro Japão, o batedor do Guamá e da Terra Firme fica no vácuo.

  • Gentrificação Alimentar: O nosso “sangue roxo”, que é a base da cultura ancestral do ribeirinho, virou uma “commodity” chique e asséptica. O gringo toma como energético e o paraense, que precisa dele pra ter força pra trabalhar, vê o prato ficar vazio.

A COP 30 e a “Foto pra Inglês Ver”

A gente viu a pavulagem das tendas refrigeradas e das frotas de luxo da COP 30. Enquanto os diplomáticos faziam discursos bonitos sobre salvar a floresta, o banimento do açaí artesanal nos cardápios oficiais mostrava a distância entre o oásis verde e a realidade da periferia. A especulação turística deixou uma laje de preços altos que não retrocedeu nem quando os aviões foram embora.

O Que Falta pra “Indireitar”?

Não adianta só ter a floresta se o lucro dela voa pra longe. A solução é o poder cooperativo. O produtor lá da ilha, o caboco do estuário, precisa ser o dono da agroindústria. Só com o associativismo forte a gente vai conseguir:

  1. Frear a Exploração: Bater de frente com os atravessadores que arrancam o couro do ribeirinho.

  2. Garantir o Prato: Estabelecer reservas para o consumo local antes de mandar tudo pro exterior.

  3. Dignidade pro Batedor: Aliviar as faturas de energia extorsivas que sufocam o pequeno artesão das vielas de Belém.

Somente quando o caboco tiver o controle do seu próprio fruto é que ele vai poder degustar o sangue roxo da floresta que ele defendeu por gerações sem morrer de fome ou de dívida.


Fontes utilizadas: * Influência cultural e ancestralidade do açaí. * Impactos da COP 30 em Belém. * Dados de produção (93% nacional) e cultivares BRS Paidégua. * Impacto das chuvas na colheita. * Estrutura de custos e preços (R$ 36 – R$ 42). * Especulação inflacionária pré-COP. * Impacto das tarifas comerciais dos EUA. * Lucratividade das exportações. * Recordes de faturamento em dólar (2025). * Tarifas de energia elétrica (Equatorial). * Efeitos do El Niño na maturação do fruto. * Restrições alimentares nos pavilhões da COP 30

Referências citadas

  1. PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO NA CADEIA PRODUTIVA AGROINDUSTRIAL DO AÇAÍ – USP, acessado em março 1, 2026, https://web.icmc.usp.br/SCATUSU/RT/Relatorios_Tecnicos/BIBLIOTECA_113_RT_388.pdf
  2. Vista do Caracterização dos agroecossistemas de açaí-do-amazonas em Codajás, Amazonas – Brasil | Revista Brasileira de Agroecologia, acessado em março 1, 2026, https://periodicos.unb.br/index.php/rbagroecologia/article/view/51250/40401
  3. CNN na COP30: açaí movimenta economia local de Belém do Pará – YouTube, acessado em março 1, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=F6Ei7IXx14Q
  4. Dia do Açaí: Pará segue na liderança nacional com mais de 90% da …, acessado em março 1, 2026, https://agenciapara.com.br/noticia/59374/dia-do-acai-para-segue-na-lideranca-nacional-com-mais-de-90-da-producao-brasileira
  5. Dia do Açaí: Pará segue na liderança nacional com mais de 90% da …, acessado em março 1, 2026, https://sedap.pa.gov.br/node/416
  6. Preço do açaí sobe em Belém e acumula alta de 25%, aponta DIEESE – Rádio Unama, acessado em março 1, 2026, https://radio.unama.br/preco-do-acai-sobe-em-belem-e-acumula-alta-de-25-aponta-dieese/
  7. Preço do açaí voltou a subir em Belém, com o litro do tipo grosso chegando a R$ 41,95!, acessado em março 1, 2026, https://www.youtube.com/shorts/uv3BP5s_djU
  8. Crise no açaí vai além da polêmica e revela aperto financeiro na cadeia produtiva, acessado em março 1, 2026, https://www.oliberal.com/economia/crise-no-acai-vai-alem-da-polemica-e-revela-aperto-financeiro-na-cadeia-produtiva-1.1090429
  9. R$ 42 o litro: açaí médio e grosso têm leve alta em janeiro, mas …, acessado em março 1, 2026, https://www.oliberal.com/economia/r-42-o-litro-acai-medio-e-grosso-tem-leve-alta-in-janeiro-mas-encarecem-ate-17-em-um-ano-1.1085637
  10. Belém sente no bolso: açaí fica 22% mais caro antes da COP30 – Diário do Pará, acessado em março 1, 2026, https://diariodopara.com.br/noticias/belem-sente-no-bolso-acai-fica-22-mais-caro-antes-da-cop30/
  11. Belém registra alta no preço do açaí, aponta Dieese – Rádio Unama, acessado em março 1, 2026, https://radio.unama.br/belem-registra-alta-no-preco-do-acai-aponta-dieese/
  12. A importância da navegação para a comercialização do açaí em Belém, acessado em março 1, 2026, https://www.dibbelem.com.br/post/a-import%C3%A2ncia-da-navega%C3%A7%C3%A3o-para-a-comercializa%C3%A7%C3%A3o-do-a%C3%A7a%C3%AD-em-bel%C3%A9m
  13. Tarifa de Trump ameaça exportações de açaí do Pará para os EUA, segundo setor paraense | Economia | O Liberal, acessado em março 1, 2026, https://www.oliberal.com/economia/tarifa-de-trump-ameaca-exportacoes-de-acai-do-para-para-os-eua-segundo-setor-paraense-1.991733
  14. Açaí: tarifaço de Trump atinge ribeirinhos no Pará – Capital Reset – UOL, acessado em março 1, 2026, https://capitalreset.uol.com.br/amazonia/bioeconomia/acai-tarifaco-de-trump-atinge-ribeirinhos-no-para/
  15. Capítulo 3 – Exigências climáticas – Infoteca-e, acessado em março 1, 2026, https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1181981/1/CultivoAcaizeiroTerraFirme-cap3.pdf
  16. variabilidade climática e aptidão agrícola do açaí no pará – SEMAS, acessado em março 1, 2026, https://www.semas.pa.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/Boletim-CULTURA-DO-A%C3%87A%C3%8D.pdf
  17. Açaí ganha o primeiro Zoneamento Agrícola de Risco Climático – GOV, acessado em março 1, 2026, https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/2024/acai-ganha-o-primeiro-zoneamento-agricola-de-risco-climatico
  18. Países Baixos e Austrália aumentam o interesse pelo açaí produzido no Pará, acessado em março 1, 2026, https://www.agenciapara.com.br/noticia/71215/paises-baixos-e-australia-aumentam-o-interesse-pelo-acai-produzido-no-para
  19. Diagnóstico rápido setorial da produção de açaí na Amazônia Brasileira – International Labour Organization, acessado em março 1, 2026, https://www.ilo.org/sites/default/files/2024-08/OIT_Relato%CC%81rio%20Ac%CC%A7ai%CC%81_web.pdf
  20. Cultivo do Açaizeiro em Terra Firme – Infoteca-e, acessado em março 1, 2026, https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1180695/1/CultivoAcaizeiroTerraFirme.pdf
  21. Capítulo 10 – Ainfo – Embrapa, acessado em março 1, 2026, https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1181994/1/CultivoAcaizeiroTerraFirme-cap10.pdf
  22. Produção de Açaí (cultivo) no Pará – IBGE, acessado em março 1, 2026, https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/acai-cultivo/pa
  23. Fruto de R$ 1 bilhão: produção de açaí bate recorde histórico em 2024 – Itatiaia, acessado em março 1, 2026, https://www.itatiaia.com.br/agro/fruto-de-r-1-bilhao-producao-de-acai-bate-recorde-historico-em-2024
  24. ANÁLISE DA PRODUÇÃO DA CULTURA DO AÇAÍ (Euterpe oleracea Mart) NO – Cointer, acessado em março 1, 2026, https://cointer.institutoidv.org/smart/2020/pdvagro/uploads/3613.pdf
  25. Pará fecha 2023 como líder absoluto na produção de açaí e dendê além de mais três importantes culturas agrícolas, acessado em março 1, 2026, https://agenciapara.com.br/noticia/50282/para-fecha-2023-como-lider-absoluto-na-producao-de-acai-e-dende-alem-de-mais-tres-importantes-culturas-agricolas
  26. Custos de produção do açaí: Um estudo em Municípios da Região Norte do Brasil, acessado em março 1, 2026, https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/download/4869/4883/5011
  27. Pará exporta mais de 61 mil toneladas de açaí por ano, aponta Fapespa, acessado em março 1, 2026, https://agenciapara.com.br/noticia/59383/para-exporta-mais-de-61-mil-toneladas-de-acai-por-ano-aponta-fapespa
  28. Açaí: Crescimento de 70% nas exportações #comercioexterior #acai #exportação – YouTube, acessado em março 1, 2026, https://www.youtube.com/shorts/l59kWZ_CljU
  29. (PDF) A CADEIA PRODUTIVA DO AÇAÍ: ESTUDO DE CASO …, acessado em março 1, 2026, https://www.researchgate.net/publication/339923575_A_CADEIA_PRODUTIVA_DO_ACAI_ESTUDO_DE_CASO_SOBRE_TIPOS_DE_MANEJO_E_CUSTOS_DE_PRODUCAO_EM_PROJETOS_DE_ASSENTAMENTOS_AGROEXTRATIVISTAS_EM_ABAETETUBA_PARA_THE_ACAI_PRODUCTION_CHAIN_CASE_STUDY_ON_MANAGEMEN
  30. AÇAÍ, A FOTOSSÍNTESE DO LUCRO, acessado em março 1, 2026, https://www.periodicos.ufpa.br/index.php/pnaea/article/download/11668/8054
  31. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ NÚCLEO DE ALTOS …, acessado em março 1, 2026, https://repositorio.ufpa.br/bitstreams/96424237-6360-4806-9722-aaed93295aeb/download
  32. Mensuração dos custos de transação e de transformação do vinho …, acessado em março 1, 2026, https://repositorio.ufpa.br/items/12dd7b52-5bb4-4627-8f46-753ed32875c1
  33. Horário Ponta Horário Intermediário Horário Fora Ponta Consumo …, acessado em março 1, 2026, https://pa.equatorialenergia.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Tabela-de-Tarifas-e-Servicos-Cobraveis-EQTL-PA.pdf
  34. Belém registra aumento no preço do açaí neste fim de ano, aponta Dieese – Portal LiV, acessado em março 1, 2026, https://www.portalliv.com/materia/belem-registra-aumento-no-preco-do-acai-neste-fim-de-ano-aponta-dieese
  35. Litro do açaí grosso chega a R$ 41,95 em Belém e acumula alta de 17,6% em 12 meses, acessado em março 1, 2026, https://ac24horas.com/2026/02/17/litro-do-acai-grosso-chega-a-r-4195-em-belem-e-acumula-alta-de-176-em-12-meses/
  36. Preço do açaí sobe em dezembro e acumula alta de 25% em 2025 em Belém, aponta Dieese | G1, acessado em março 1, 2026, https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/01/07/preco-do-acai-sobe-em-dezembro-e-acumula-alta-de-25percent-em-2025-em-belem-aponta-dieese.ghtml
  37. R$ 42 o litro: açaí médio e grosso têm leve alta em janeiro, mas encarecem até 17% em um ano | Economia | O Liberal, acessado em março 1, 2026, https://www.oliberal.com/economia/r-42-o-litro-acai-medio-e-grosso-tem-leve-alta-em-janeiro-mas-encarecem-ate-17-em-um-ano-1.1085637
  38. Os riscos das mudanças climáticas ao açaí na Amazônia – Nexo Jornal, acessado em março 1, 2026, https://www.nexojornal.com.br/externo/2024/07/16/os-riscos-das-mudancas-climaticas-ao-acai-na-amazonia
  39. modelagem estatística da produção de açaí e castanha-da-amazônia (2013–2023), acessado em março 1, 2026, https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidr/article/view/25069/1192616244
  40. COP 30 em Belém terá restrição ao consumo de açaí e carne vermelha – ac24agro, acessado em março 1, 2026, https://ac24agro.com/2025/08/16/cop-30-em-belem-tera-restricao-ao-consumo-de-acai-e-carne-vermelha/
  41. Hotel, táxi e açaí: Preços saltam em Belém antes da chegada dos “copeiros” – CNN Brasil, acessado em março 1, 2026, https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/fernando-nakagawa/economia/macroeconomia/hotel-taxi-e-acai-precos-saltam-em-belem-antes-da-chegada-dos-copeiros/

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