by veropeso202526/11/2025 0 Comments

Olha Já! O Babado da Vaca no Mundo: Caboco, A Europa Tá Invocada Pra Muda

E aí, cumadi! Eu tô aqui matutando uma proza que veio de longe, lá da paragem da Europa. O babado é tesa e casca grossa que só, e tem a ver com o nosso dia a dia de caboco: a criação de bicho, a vaca, o boi, tudo que a gente come. O mundo todo tá encabulado com as mudanças no clima, e o jeito que o povo tá criando gado por aí precisa de uma gambiarra urgente pra ficar de bubulhaa.

A Pavulagem do Pasto Que Esquenta a Terra

 

Dizem os cabeça que a pavulagem da pecuária, do jeito que tá, é um dos diachos que mais esquenta a terra. O boi solta gás, come terra discunforme, e isso não tá bacana pra ninguém, nem pra quem é duro na queda.

Lá na Europa, que é uma paragem longe, a galerainvocada! Eles tão dizendo que pra dar um jeito na visagem do clima, tem que mexer na bicuda na criação. Eles querem um rebanho menor, que coma um pasto que não destrua a natureza, e que não fiquem perambulando em lugar de floresta, porque se não, já era!

A Gambiarra Maceta da Sustentabilidade

 

Essa gambiarra deles é arretada porque, tu vai vê, tem que ser uma mudança maceta! Não é só fazer migué, é fazer de verdade. Eles precisam de gado que seja mais eficiente, que não precise de tanta terra e que não polua tanto.

Os pesquisadores dizem que se a gente não fizer essa mudança na porrada, o futuro vai ser mais escroto que só. A perda de terra pra pasto é um problema maceta que precisa de gente tesa pra resolver.

O Recado é Claro: Tu Manja de Preservação!

 

É mermo é, mano! Isso serve de espelho pra gente aqui na Amazônia. O caboclo é cabeça e já manja que a vida da gente depende da floresta em pé. O recado é claro: pra gente não se escafeder e não dar goriar, a gente tem que criar o gado num jeito mais de bubulhaa com a natureza.

Vamos meter a cara e mostrar que o caboclo manja de sustentabilidade!

by veropeso202523/11/2025 0 Comments

O Turu: De “Visagem” da Madeira a Manjar dos Deuses (Ou Quase Isso!)

Fala, mano e mana! Se tu tá aí perambulando pela internet sem saber o que ler, encosta aqui que hoje o papo é sobre um bicho que é a cara (e o gosto) da nossa terra: o famoso Turu.

Se tu é caboco de verdade ou curioso pela nossa cultura, já deve ter ouvido falar ou visto aquele bicho que parece uma minhoca maceta, né? Pois é, o nome científico dele é Teredo sp., mas deixa essa pavulagem pros biólogos. Aqui a gente sabe que o bicho é feio, parece até uma visagem saída do lodo, mas tem seu valor!

Nem Minhoca, Nem Cobra: É Molusco, Parente!

Muita gente acha que o Turu é verme, mas se tu acha isso, tu é leso, mano! Na verdade, ele é um molusco, parente da ostra e do mexilhão. A diferença é que ele é cumprido e gosmento. Chamam ele de “cupim-do-mar” porque o bicho é invocado: ele adora furar uma madeira que fica de molho na água.

De Praga a “Só o Filé”

Antigamente, o pessoal ficava doido com o Turu. Ele era considerado uma praga discunforme! O bicho entrava no casco das canoas, nos barcos e até nos trapiches, comendo a madeira toda. Imagina o prejuízo? Era madeira furada até o tucupi!

Se o dono do barco desse bobeira e ficasse matutando sem cuidar do casco, quando ia ver, a embarcação já tinha ido pro fundo. Era diacho pra todo lado de tanta raiva.

A Vingança do Caboco: É na Panela!

Mas o povo daqui não é panema e nem dorme no ponto. O caboclo, que vive da pesca e conhece o rio como a palma da mão, percebeu que dava para comer o tal do “cupim”. E não é que o negócio é pai d'égua?

Hoje em dia, quando a gente tá brocado de fome, catar um Turu no mangue é a solução. Ele virou uma iguaria! É comida forte, cheia de nutrientes. Tem gente que diz que dá uma sustança que levanta até defunto (se é que tu me entende, te mete! ).

Vai Encarar ou Vai Pedir “Arrego”?

Eu sei, olhar pro bicho cru dá um certo encabulamento , a pessoa fica meio assim… Mas quem prova diz que é só o filé. Geralmente a gente come cru com limão e sal, ou faz aquele caldo daora que cura qualquer panemisse.

Então, se tu ver alguém torcendo o nariz pro Turu, pode dizer: “Deixa de ser frescura, tu vai vê , é bacana!” O Turu é a prova de que a gente transforma até o que parece ruim em cultura e sabor.

E aí, já era o preconceito? Se tiver coragem, mete a cara e prova!

O Turu por Dentro: De “Bicho Feio” a Engenheiro da Floresta

Ei, mano e mana! Chega mais. Tu que adora tomar aquele caldinho de Turu no fim da tarde pra levantar a moral, ou tu que faz cara de nojo e diz “nem com nojo”, senta aí que hoje a gente vai matutar sobre a vida desse bicho.

A gente recebeu um texto cheio de pavulagem científica, cheio de nome difícil, mas como aqui no Ver-o-Peso.shop a gente não tapa o sol com a peneira, traduzimos tudo pra ti ficar escolado.

Nem Minhoca, Nem Cobra: O Bicho é Parente da Ostra!

 

Primeiro de tudo: se tu acha que o Turu é minhoca, tu é leso, mano! A ciência diz que ele é um molusco bivalve. Ou seja, ele é primo da ostra e do mexilhão. O nome chique dele é Teredo sp. e a família é Teredinidae.

O corpo dele é mole e cumprido, parece uma tripa, né? Mas aquilo que a gente chama de “cabeça” – aquela parte dura que faz croc no dente – na verdade são duas conchas (valvas) pequenas. É com isso que ele broca a madeira. O bicho é uma furadeira natural!

Tamanho é Documento? O Turu é Maceta!

 

No resto do mundo, dizem que ele cresce uns 20 ou 30 centímetros. Mas aqui na Amazônia, meu amigo, o negócio é discunforme! Nossos cientistas já acharam Turu de mais de um metro. O bicho é purrudo mesmo!

Ele tem dois tubinhos no rabo (sifões): um chupa água e comida, e o outro cospe fora o que não presta. E olha que invocado: ele tem umas “pás” (pallets) pra fechar a porta do buraco quando quer se esconder. Ninguém entra, ninguém sai. Embioca lá dentro e já era.

A Vida Amorosa do Turu: Uma Bagunça Organizada

 

Agora, presta atenção que o babado é forte. O Turu nasce macho e depois vira fêmea! É isso mermo. Ele solta o “material” na água, a fêmea pega e guarda os curumins (larvas) dentro dela.

Diferente de outros bichos que jogam os filhos no mundo de qualquer jeito, a mãe Turu segura a onda e cuida dos filhotes na barriga por umas semanas. Quando eles saem, saem nadando até achar um pau podre pra morar. Achou a madeira? Furou? Pronto, não sai nunca mais.

E tem um detalhe bacana: eles são educados. Um Turu nunca fura o túnel do vizinho. Eles sentem que o outro tá perto e desviam. Isso é pra não derrubar a casa (o tronco) antes da hora. Te mete com essa inteligência!

Brocado de Quê? Madeira ou Salada?

 

Todo mundo acha que o Turu só come madeira, né? É migué! Quer dizer, mais ou menos. Ele fura a madeira pra fazer a casa dele, mas a comida mesmo vem da água (plâncton) e de uma parceria pai d'égua que ele tem com umas bactérias.

Essas bactérias moram na brânquia dele e ajudam a digerir a madeira (que é difícil de desmanchar) e a pegar vitaminas. Então, o Turu é tipo tu no almoço de domingo: come a salada (plâncton) pra ficar forte, mas não dispensa a sobremesa.

Resumo da Ópera

 

O Turu não é só comida boa ou praga de barco. Ele é o faxineiro do rio! Ele ajuda a sumir com a madeira velha que cai na água, devolvendo nutriente pra natureza.

Então, da próxima vez que tu ver um tronco todo furado no mangue, não diz que é sujeira. Diz: “Olha ali o trabalho do engenheiro do mangue!”. E se tiver brocado, já sabe: taca limão, sal e manda pra dentro, porque é só o filé!

O Turu: A “Praga” que Deu Prejuízo da Baixa da Égua no Mundo Todo

 

Fala, mano e mana! Se tu acha que o Turu só serve pra fazer aquele caldo só o filé pra curar ressaca ou dar “sustança”, tu tá muito enganado. Antes de cair na nossa panela, esse bicho já foi o terror dos mares, causando um banzeiro danado na história da humanidade.

A gente recebeu um texto contando as presepadas desse molusco pelo mundo, e o negócio é sério. O bicho é malino mesmo! Bora conferir essa história traduzida pro nosso bom e velho Amazonês.

O Terror dos Cascos e Trapiches

Historicamente, o Turu não era visto como comida, mas sim como uma “praga marinha” que dava dor de cabeça em todo mundo. O bicho é invocado e tem uma fome que parece que tá sempre brocado.

Ele passava o cerol em tudo que era de madeira dentro d’água: cascos de navios , diques, píeres e boias. Onde tinha madeira dando sopa, o Turu chegava embiocado e, quando o povo ia ver, a estrutura já tava toda podre e fraca. O prejuízo era discunforme!

O Turu Derrubou até a Holanda? (É Mermo É!)

Pra tu ter uma ideia de como esse bicho é carrancudo , lá no século XVII, na Holanda, ele fez um estrago tão grande nos diques de madeira que os caras tiveram que trocar tudo por pedra.

Imagina só: o país inteiro teve que mudar a engenharia porque não aguentava a pavulagem do Turu comendo as barreiras. Foi uma obra monumental, porque com o Turu não tinha conversa, a madeira já era.

O Rombo Milionário na Califórnia

Dá um confere nessa: entre 1919 e 1921, na Baía de São Francisco (EUA), teve um surto de Turu que foi um verdadeiro toró na vida dos americanos. O bicho derrubava uma estrutura de porto importante por semana!

O prejuízo foi estimado em 615 milhões de dólares (em valores de 1992). Trazendo pra hoje, seria entre 2 e 20 bilhões de dólares. É dinheiro que não acaba mais, mano! O Turu lá não tava pra lero lero.

A Armada Espanhola e a “Gambiarra” pra Se Salvar

Dizem as más línguas (e os historiadores) que o Turu ajudou até a afundar os navios da poderosa Armada Espanhola no século XVI. O bicho furava os cascos e mandava os navios pra caixa prega.

O povo tentava de tudo pra se livrar. Faziam umas gambiarras como encamisar o casco com cobre ou chumbo, passar alcatrão e até usar veneno (creosoto e metais tóxicos). Mas isso acabou poluindo muito porto por aí.

O Fim da “Boca Livre” do Turu

Com o tempo, o homem ficou escovado e começou a fazer navio de metal e usar concreto e fibra de vidro nas construções. Aí o Turu perdeu a boquinha e a população dele diminuiu. Hoje em dia, em lugares chiques como Nova York, eles “encapsulam” a madeira pra proteger do ataque.

Resumo da Ópera

O Turu já foi o vilão, o “cupim” que dava prejuízo. Mas aqui no Pará, a gente resolveu esse problema de um jeito bacana: comendo ele! Em vez de deixar ele comer o barco, a gente põe ele no tucupi e faz a festa.

Então, quando tu tomar teu caldinho, lembra: tu tá comendo um bicho que já fez império tremer. Te mete!

by veropeso202523/11/2025 0 Comments

❤️ Amazônia: O Coração do Mundo tá Chamando!

Se tem um lugar que pulsa vida e esperança pra gente, mana, é a nossa Amazônia. A floresta, que o povo chama de “pulmão do mundo”, vai ser palco de um evento porrudo (enorme, gigante) demais: a #Amazônia COP30. Ela vai rolar lá em Belém do Pará, em 2025.

Essa conferência não vai ser meia tigela (feita pela metade). Vai ser um marco chibata (extraordinário), onde governos, cientistas e a galera (turma de amigos) dos povos tradicionais vão se encontrar pra ver como a gente garante um futuro daora (gostei) pra todo mundo.

 

O Que Diacho é a COP30?

 

A COP (Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas) junta os líderes do mundo pra matutar (ligar um fato ao outro) e discutir como combater o aquecimento global.

Em 2025, olha já (forma de surpresa)! Pela primeira vez, ela vai ser realizada bem aqui, no coração da Amazônia brasileira.

👉 Fazer a COP bem ali ó (apontar com os lábios) na floresta é como levar o paciente pro hospital natural pra tratar a saúde do planeta.

 

A Floresta que É Tu É O Bicho!

 

A Floresta Amazônica é só o filé (o máximo)! É muito mais que árvores e bichos, é um sistema vivo que mantém a Terra de bubulhaa (tranquila). Se liga nesses números bacanas (legais):

  • Discunforme (em grande quantidade) de água: 20% da água doce do planeta tá aqui.

  • Oxigênio: Gera mais ou menos 20% do oxigênio do mundo.

  • Vida que não acaba mais: Abriga mais de 30 mil espécies de plantas e é lar de 2,5 milhões de espécies de insetos e muitos animais únicos.

  • Sustento: É a vida de um monte (muito) de povos indígenas e ribeirinhos.

Sem a floresta, já era (acabou)! O planeta entra em colapso climático.

 

Por que a Amazônia tá Cheia de Pavulagem (Se Achando)?

 

A resposta é simples, mano: porque o que acontece aqui dentro define o futuro do mundo.

O desmatamento ilegal, a mineração escrota (desnecessária) e a agropecuária avançando na bicuda (com rapidez) são problemas que ameaçam a região.

A #Amazônia COP30 é a chance de virar o jogo e propor coisa séria pra:

  • Fortalecer as políticas de preservação no mundo todo;

  • Valorizar o conhecimento do indígena e do tradicional;

  • Fazer compromissos práticos contra o aquecimento global;

  • Garantir grana de fora pra quem protege a floresta.

 

Brasil Se Metendo (Elogiando) e Sendo Protagonista 🇧🇷

 

Ti mete! (Elogio, tipo “Manda ver!”) Sediar essa conferência bota o Brasil no holofote. É como se a gente dissesse: “A floresta tá no nosso quintal, mas a responsabilidade de cuidar dela é de todo mundo.”.

Além de meio ambiente, o evento vai mostrar pro mundo a nossa cultura, nossa culinária e a riqueza dos povos da Amazônia.

 

O Que a Galera Espera da COP30

 

A turma que manja (sabe muito) espera que saia resultado prático de lá:

  • Metas mais invocadas (decididas) pra reduzir a emissão de carbono;

  • Criar um fundo climático global pra ajudar países em desenvolvimento;

  • Incentivo pra nossa bioeconomia (produtos sustentáveis, remédios e tecnologia);

  • Investimento em pesquisa e tecnologia verde.

A Amazônia pode ser a chave pra juntar a preservação com o desenvolvimento, caramba (alegria)!

 

Os Desafios Carrancudos (Exigentes)

 

É claro que a jornada não te esperô (já começou). Tem uns obstáculos casca grossa (carrancudo, exigente) pra gente passar:

  • A ganância de quem só quer lucro imediato;

  • Corrupção que deixa as políticas ambientais panema (sem sucesso);

  • Falta de estrutura nas comunidades;

  • A briga entre país rico e país pão duro (miserável) sobre quem vai pagar a conta da transição.

 

Por que Chamam a Amazônia de “Coração do Mundo”?

 

A comparação é daora. É que nem o coração que bombeia sangue, a Amazônia bombeia vida pro planeta.

A umidade que sobe das árvores faz chover bem ali (apontar para um lugar) no Sudeste, longe daqui. O clima global depende desses “rios voadores” da Amazônia.

Se a floresta parar, seca, calor maceta (gigante) e colapso na roça vão ser a regra.

💡 Se o coração parar, o corpo já era. Sem a Amazônia, a Terra perde o equilíbrio vital.

 

Como Tu Pode Ajudar?

 

Não pensa que só o líder global tem a chave, não. O teu jeito de viver já faz a diferença:

  • Compra coisa de origem sustentável;

  • Não malina (judia) e reduz o desperdício de água e energia;

  • Ajuda os projetos ambientais bacanas;

  • Cobra os políticos por ação de verdade.

Cada atitude tua é um batimento pra manter o coração do mundo forte.

 

Conclusão

 

A #Amazônia COP30 é mais que uma conferência internacional, é mermo é (afirmação)! É um chamado, um divisor de águas e a última chance de salvar a floresta e o nosso futuro.

A gente não tá falando só de árvore. A gente tá falando da gente.

Se a Amazônia é o coração do mundo, tá na hora de garantir que ele continue batendo duro na queda (difícil de se abalar), forte e vivo!

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by veropeso202523/11/2025 0 Comments

COP30 em Belém: O Discunforme de Grana e a Pavulagem do Norte!

I. Introdução: Contexto da COP 29 e o Protagonismo do Pará
A 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 29), realizada em Baku, Azerbaijão, de 11 a 22 de novembro de 2024, representou um marco crucial nas discussões climáticas globais. Este evento anual da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) serve como um fórum para líderes mundiais, negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil avançarem nas ações climáticas globais e nos compromissos do Acordo de Paris. A COP 29 foi amplamente caracterizada como a “COP das finanças”, com as negociações centradas na definição de uma Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG) para o financiamento climático destinado a países em desenvolvimento.

Embora um acordo para o fornecimento de pelo menos US$ 300 bilhões anuais até 2035 tenha sido aprovado para apoiar ações de mitigação e adaptação, esse valor foi considerado insuficiente por países em desenvolvimento e pela própria delegação brasileira, que demandavam um montante significativamente maior, de US$ 1,3 trilhão anual. Essa divergência em relação ao volume de investimentos necessários sublinhou os desafios persistentes no financiamento climático global, refletindo um contexto geopolítico complexo e questionamentos ao regime climático internacional.

Nesse cenário, a participação de delegações subnacionais, como a do Governo do Pará, adquire uma importância estratégica. Estados e regiões com grande relevância ambiental, como o Pará, utilizam esses fóruns para apresentar suas iniciativas, compartilhar experiências e influenciar as discussões e decisões globais sobre o clima. O Pará, em particular, detém aproximadamente 25% da Amazônia brasileira e se prepara para sediar a COP 30 em Belém em 2025. Essa posição de futuro anfitrião confere à sua presença na COP 29 um caráter amplificado, servindo como uma plataforma para projeção internacional e para aprimorar sua preparação para o evento que sediará.

A iminência da COP 30 atua como um poderoso incentivo e um fator estratégico para a intensificação da participação e visibilidade do Pará na COP 29. O estado não estava apenas contribuindo para o debate atual, mas ativamente construindo sua reputação, demonstrando suas capacidades e estabelecendo uma forte presença internacional. Essa abordagem indica uma visão de longo prazo, onde o status de anfitrião é capitalizado para atrair investimentos, fortalecer parcerias e aumentar a influência do Pará na formulação de políticas climáticas globais, posicionando-o como um líder em soluções baseadas na Amazônia. A delegação paraense em Baku buscou defender a conciliação entre produção e sustentabilidade, promover a bioeconomia e destacar o avanço de seu sistema jurisdicional de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).

Este relatório tem como objetivo analisar de forma abrangente a participação da comitiva do Governo do Estado do Pará na COP 29, detalhando sua composição e os custos associados. Adicionalmente, o relatório investigará o valor recebido pelo estado a partir de créditos de carbono e a aplicação específica desses recursos, fornecendo uma análise aprofundada das estratégias financeiras e ambientais do Pará no contexto climático global.

II. A Comitiva do Governo do Estado do Pará na COP 29

A comitiva do Governo do Pará na COP 29 foi liderada pelo Governador Helder Barbalho, que teve uma participação ativa e de destaque no evento. A presença do governador foi marcada por diversas participações em painéis e eventos paralelos, onde foram apresentadas as estratégias e avanços do estado em relação à agenda climática.

O Governador Barbalho participou de um evento no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde enfatizou a importância de conciliar produção e sustentabilidade como um caminho para gerar empregos e desenvolvimento sem comprometer o meio ambiente. Ele também ressaltou a relevância do Projeto de Lei sobre o mercado de carbono, em análise no Senado, como crucial para a segurança jurídica e a previsibilidade necessárias ao avanço de negócios verdes no Brasil. Além disso, o governador apresentou o progresso na criação do sistema jurisdicional de REDD+ do Pará, projetando a geração de mais de 300 milhões de toneladas de carbono até 2027.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) do Pará também teve uma participação proeminente, com o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental, Rodolpho Zahluth Bastos, promovendo discussões sobre políticas ambientais e climáticas e apresentando iniciativas de descarbonização e bioeconomia. A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) enviou uma comitiva de deputados, liderada pelo presidente Chicão (MDB), que apresentou projetos estratégicos e um documentário sobre as consequências das mudanças climáticas na região oeste do Pará. A comitiva do Pará encerrou seus trabalhos na COP 29 ao final da primeira semana do evento, e o governador considerou o saldo da conferência “extremamente positivo” para o estado.

Composição da Delegação: Número de Políticos e Agregado

As informações disponíveis detalham o tamanho da delegação brasileira total na COP 29, que foi composta por 1.914 pessoas. Esta delegação foi a segunda maior do encontro, superada apenas pela comitiva do país anfitrião, o Azerbaijão, que teve 2.229 representantes.

No entanto, é fundamental destacar que os materiais de pesquisa não fornecem o número exato de políticos e agregados especificamente da comitiva do Governo do Estado do Pará. Embora a presença do Governador, secretários estaduais (como o da SEMAS) e deputados estaduais da Alepa seja confirmada , um número consolidado ou detalhado para a delegação paraense não é explicitado. A preocupação com a composição e os custos da delegação brasileira foi levantada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que enviou ofícios solicitando o detalhamento de cada um dos 1.914 integrantes, incluindo a justificativa de suas idas e se representantes de ONGs tiveram custos cobertos pelo governo. Essa solicitação reflete uma demanda por maior transparência sobre a delegação nacional, mas não isola os dados específicos do Pará.

 

Gastos Totais da Comitiva

Similarmente à composição, os documentos analisados não apresentam o valor total dos gastos da comitiva específica do Governo do Estado do Pará na COP 29. Existe uma menção a um gasto individual de R$ 95.264,70 para um ministro federal que chefiou a delegação negociadora brasileira na COP 29, registrado no Portal da Transparência Federal. É importante notar que este valor se refere a uma despesa do governo federal e não à comitiva do Pará.

O governo federal explicitamente declara que não se responsabiliza por custos de visto, passagens aéreas e hospedagem para os representantes credenciados. Isso implica que os custos da delegação do Pará seriam de responsabilidade do próprio estado ou das entidades/indivíduos participantes. A controvérsia geral sobre os gastos da comitiva brasileira, com o senador Plínio Valério expressando preocupação com a “farra de viagens internacionais e hospedagem em hotéis de luxo”, indica um contexto de escrutínio público sobre as despesas em eventos internacionais. Os Portais da Transparência (federal: ; estadual do Pará: ) são as fontes oficiais para consulta de despesas públicas. No entanto, os materiais de pesquisa não extraem dados específicos para a comitiva do Pará na COP 29 a partir dessas plataformas.

A ausência de números consolidados e detalhados para a comitiva específica do Pará, apesar da disponibilidade de dados para a delegação brasileira como um todo e de questionamentos parlamentares sobre os custos, aponta para uma lacuna significativa na transparência de gastos em nível subnacional para participações em eventos internacionais de grande porte. A dificuldade em obter informações granulares e acessíveis sobre as despesas de uma delegação estadual específica pode gerar desconfiança e dificultar a avaliação do custo-benefício da participação de estados em missões diplomáticas e ambientais de alto perfil.

Essa disparidade de informações cria uma tensão entre a justificativa de “investimento estratégico” para a participação do Pará na COP 29, visando promover seu sistema REDD+ e sua candidatura para a COP 30, e a percepção mais ampla de “gastos excessivos” associada à delegação brasileira como um todo. Sem informações claras e específicas sobre as despesas da comitiva do Pará, torna-se desafiador para a opinião pública e para os órgãos de controle discernir se os recursos foram utilizados de forma eficiente e alinhada aos objetivos estratégicos do estado. Isso sublinha a necessidade de que os governos estaduais não apenas justifiquem a relevância de suas participações, mas também demonstrem, por meio de relatórios financeiros detalhados e acessíveis, a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

A Tabela 1 a seguir contextualiza a participação do Pará dentro do panorama mais amplo da delegação brasileira na COP 29, apresentando os dados disponíveis sobre o tamanho da delegação nacional e um exemplo de gasto federal, ao mesmo tempo em que destaca explicitamente a ausência de informações detalhadas para a comitiva do Pará.

Custo Reportado para a Delegação Brasileira na COP 29 (Contexto) Detalhes
Tamanho Total da Delegação Brasileira
1.914 pessoas

Comparativo com o País Anfitrião
Azerbaijão: 2.229 representantes

Exemplo de Gasto Individual Federal
R$ 95.264,70 para um ministro federal que chefiou a delegação negociadora brasileira

Responsabilidade por Custos Individuais
O governo federal não se responsabiliza por custos de visto, passagens e hospedagem para representantes credenciados.

Observação sobre a Comitiva do Pará Não há dados específicos e consolidados sobre o número de membros e os gastos totais da comitiva do Governo do Estado do Pará nos materiais de pesquisa.

III. Créditos de Carbono: Valor Recebido e Potencial do Pará

O estado do Pará tem demonstrado um potencial significativo para contribuir na luta contra as mudanças climáticas, principalmente através da redução do desmatamento e da degradação florestal. Para capitalizar esse potencial, o estado desenvolveu e avançou na criação de seu Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+), um mecanismo financeiro concebido para compensar os esforços estaduais na redução do desmatamento e da degradação, promovendo ações de sustentabilidade, conservação e recuperação das florestas.

O SJREDD+ do Pará é construído sob a liderança do governo estadual, com a participação ativa e fundamental de Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PIQCTs), bem como de agricultores familiares. Esses grupos são reconhecidos como agentes essenciais para a conservação dos estoques de carbono e a manutenção da floresta em pé. O sistema paraense respeita a autonomia de áreas privadas, permitindo que proprietários desenvolvam seus próprios projetos para monetizar suas terras, ao mesmo tempo em que busca evitar a dupla contagem de créditos de carbono. O desenvolvimento do SJREDD+ do Pará conta com o apoio financeiro da Iniciativa Internacional para o Clima e Florestas da Noruega (NICFI) e é coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), com o apoio de organizações como The Nature Conservancy (TNC), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Federação dos Povos Indígenas do Pará (FEPIPA), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu). É importante ressaltar que REDD+ é um incentivo desenvolvido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados na redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal.

Valores Recebidos em Créditos de Carbono

O Pará celebrou um acordo histórico com a Coalizão LEAF, tornando-se o primeiro estado brasileiro e o primeiro estado subnacional no mundo a obter financiamento para conservação florestal por meio da venda de créditos de carbono. Este contrato prevê a venda de até 12 milhões de créditos de carbono florestal de alta integridade, gerados a partir da redução do desmatamento no estado entre os anos de 2023 e 2026.

A quantia comercializada foi de US$ 180 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão, considerando a cotação da época. Cada crédito, que representa uma tonelada métrica de CO2 equivalente evitada, foi vendido a US$ 15. Este valor foi explicitamente destacado como “acima dos níveis atuais de mercado”, demonstrando a confiança dos compradores na qualidade do carbono amazônico e nos esforços do Pará em combater o desmatamento.

A Coalizão LEAF é uma iniciativa público-privada internacional que reúne grandes empresas, como Amazon, Bayer, BCG, Capgemini, H&M Group e Fundação Walmart, além de governos como Noruega, Reino Unido, Estados Unidos e Coreia do Sul. O anúncio dessa venda foi feito pelo Governador Helder Barbalho durante a Semana do Clima de Nova York em 2024, um evento que antecedeu a COP 29, mas cujos resultados foram ressaltados na conferência.

O sucesso do Pará em vender seus créditos de carbono a US$ 15 por tonelada, um preço consistentemente descrito como “acima dos níveis de mercado”, sugere que o estado está efetivamente diferenciando seus créditos de carbono no mercado voluntário. Compradores estão dispostos a pagar um prêmio por créditos que são percebidos como mais robustos, verificáveis e socialmente responsáveis, provavelmente devido à adoção de uma abordagem jurisdicional e ao envolvimento explícito de comunidades tradicionais. Isso pode estabelecer um novo padrão para créditos de carbono de alta integridade provenientes de regiões florestais, atraindo mais investimentos e consolidando a liderança do Pará no financiamento do desenvolvimento sustentável. A integridade da governança e as salvaguardas sociais tornam-se, assim, ativos financeiros.

Projeções e Outras Parcerias

O Governador Helder Barbalho projetou a geração de mais de 300 milhões de toneladas de carbono até 2027 , indicando um potencial ainda maior para o estado no mercado de carbono. Atualmente, o Pará possui 156 milhões de toneladas na carteira de créditos até 2026, com um potencial financeiro calculado acima de R$ 10 bilhões. Essa nova fonte de recursos poderia se equiparar em importância aos setores tradicionais de mineração e agronegócio na economia paraense.

Essa projeção sinaliza uma mudança estratégica profunda na economia do Pará, em direção a uma “economia da floresta em pé”, onde a conservação gera receita substancial. O mercado de carbono transcende sua função ambiental, tornando-se um motor econômico poderoso e um instrumento político. Ao garantir fundos significativos por meio de créditos de carbono, o Pará pode aumentar sua autonomia financeira e sua capacidade de investimento em desenvolvimento sustentável, potencialmente diminuindo a dependência de indústrias extrativistas. Isso também fortalece a posição do estado para defender sua agenda climática em fóruns nacionais e internacionais, com o respaldo de resultados financeiros tangíveis.

Durante a COP 29, o Governo do Pará assinou um memorando de entendimento com a AMBIPAR Carbon Credit Participações Ltda, uma empresa de gestão ambiental. Este acordo visa a comercialização de créditos de carbono dentro do SJREDD+, buscando aumentar o valor financeiro e ambiental dos créditos e incentivar novos investimentos sustentáveis. O acordo também visa democratizar a venda de créditos, permitindo a participação de médias e pequenas empresas. A assinatura de um Memorando de Entendimento com a AMBIPAR e a intenção de criar uma “Sociedade de Propósito Específico (SPE)” para centralizar a avaliação, certificação e comercialização de créditos de carbono representam uma evolução na gestão de ativos ambientais. Essa estruturação formalizada e centralizada via SPE demonstra um esforço para profissionalizar e escalar a participação do estado no mercado de carbono. O objetivo é garantir maior credibilidade, rastreabilidade e acessibilidade dos créditos, inclusive para pequenas e médias empresas. Isso pode servir como um modelo de governança para outras entidades subnacionais que buscam desenvolver ou expandir suas iniciativas no mercado de carbono, indicando um compromisso com a integridade do processo e a maximização do valor dos ativos ambientais.

A Tabela 2 resume os detalhes do acordo de créditos de carbono do Pará com a Coalizão LEAF, fornecendo uma visão consolidada da transação.

Detalhamento do Acordo de Créditos de Carbono do Pará com a Coalizão LEAF Detalhes
Entidade Compradora
Coalizão LEAF (compradores incluem Amazon, Bayer, BCG, Capgemini, H&M Group, Fundação Walmart, e governos como Noruega, Reino Unido, EUA, Coreia do Sul)

Volume de Créditos Negociados
Até 12 milhões de toneladas de carbono

Valor Total da Negociação
US$ 180 milhões (aproximadamente R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão)

Preço por Tonelada
US$ 15

Período de Geração dos Créditos
Reduções de desmatamento entre 2023 e 2026

Significado Histórico
Primeiro estado brasileiro e primeiro estado subnacional no mundo a firmar tal acordo

IV. Destinação e Aplicação dos Valores dos Créditos de Carbono

A aplicação dos recursos gerados pela venda de créditos de carbono pelo Governo do Pará segue diretrizes claras, focadas na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável com inclusão social.

Benefícios Diretos para Comunidades Tradicionais

Uma parte substancial dos recursos gerados pela venda de créditos de carbono será direcionada para beneficiar diretamente as comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares. Essa alocação de fundos visa garantir que os benefícios financeiros cheguem “para dentro dos territórios”, reconhecendo o papel crucial que esses povos desempenham como os principais protetores das florestas e assegurando que suas vozes sejam ouvidas no processo. O contrato com a Coalizão LEAF especifica que, a partir de 2025, os valores recebidos serão utilizados para apoiar a redução do desmatamento e incentivar o desenvolvimento econômico sustentável entre essas comunidades. A inclusão da garantia de benefícios para povos indígenas e comunidades tradicionais na venda de créditos de carbono foi uma sugestão em diálogo com o senador Marcos Rogério (PL-RO), sendo considerada uma questão de justiça social e ambiental, essencial para a preservação da Amazônia e de seus habitantes.

A constante referência ao “Sistema Jurisdicional de REDD+” do Pará e o compromisso explícito de compartilhar os benefícios com PIQCTs e agricultores familiares demonstram que a abordagem jurisdicional, que integra a gestão de créditos de carbono em políticas públicas estaduais e garante a participação e o benefício de comunidades tradicionais, é um diferencial crucial para a “alta integridade” dos créditos do Pará. Ao abordar as críticas comuns aos mercados de carbono, como a exclusão de comunidades locais ou a falta de verificação robusta, o Pará não só legitima seus projetos, mas também aumenta seu valor no mercado. Esse modelo inclusivo e governamentalmente ancorado pode servir de referência para outras regiões que buscam desenvolver iniciativas de mercado de carbono transparentes e eficazes, mostrando que a integridade social e ambiental é um valor financeiro.

Investimento em Políticas de Conservação e Desenvolvimento Sustentável

A outra parte dos recursos levantados com a comercialização de créditos de carbono será destinada ao próprio Estado, com a obrigação de ser aplicada na continuidade da política de redução de emissões. Os fundos serão utilizados para apoiar a redução do desmatamento, fomentar a bioeconomia, promover o pagamento por serviços ambientais e a concessão de restauro de florestas.

Um exemplo concreto de aplicação é a primeira concessão de restauro florestal do Brasil, lançada na COP 29, que contemplará a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu. Esta iniciativa, por meio de parceria privada, visa o sequestro de 3,7 milhões a 4 milhões de toneladas de carbono e a geração de 2 mil empregos diretos. O Pará tem demonstrado resultados concretos em suas políticas de combate ao desmatamento, como a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, que estabelece uma meta de emissões líquidas zero até 2036. Em 2024, o estado alcançou uma redução de 42% nos alertas de desmatamento, a maior desde 2020.

Mecanismos de Gestão e Transparência

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) desempenha um papel central na coordenação e desenvolvimento do Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará. A assinatura do memorando de entendimento com a AMBIPAR Carbon Credit Participações Ltda na COP 29 orienta a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Esta SPE terá o papel de centralizar as atividades de avaliação técnica, certificação e comercialização eficiente de créditos de carbono, visando potencializar os ativos ambientais do Pará. A abordagem da Coalizão LEAF, com a qual o Pará firmou o acordo, é projetada para fornecer aos governos florestais acesso a financiamento previsível e de longo prazo para o desenvolvimento sustentável, com pagamentos baseados em resultados por reduções verificadas de emissões e remoções.

Embora os destinos declarados para os fundos dos créditos de carbono sejam claros (redução do desmatamento, apoio a comunidades, bioeconomia) , os mecanismos para a prestação de contas detalhada e auditoria pública dessas despesas específicas são menos explícitos nos materiais de pesquisa. A criação de uma SPE é mencionada para a comercialização , mas não há detalhes sobre como a aplicação dos fundos será auditada e reportada ao público. Isso levanta uma questão fundamental sobre a transparência e a responsabilidade na gestão e aplicação desses volumes substanciais de receita. Embora a intenção de beneficiar comunidades e investir em conservação seja louvável, a ausência de mecanismos de relatórios detalhados e publicamente acessíveis pode gerar dúvidas sobre a efetividade da aplicação e o alcance dos benefícios. Para mitigar o risco de “greenwashing” ou alocação ineficiente, é crucial que o estado implemente relatórios financeiros e de impacto periódicos e auditáveis, que demonstrem claramente como os fundos estão sendo utilizados e o progresso em relação às metas ambientais e sociais.

V. Conclusão: Balanço e Perspectivas Futuras

A participação do Governo do Estado do Pará na COP 29, liderada pelo Governador Helder Barbalho, foi marcada por um engajamento estratégico e proativo. O estado utilizou a conferência para promover seu sistema jurisdicional de REDD+, suas políticas de descarbonização e seu papel central na transição para uma economia verde na Amazônia. Essa atuação reforça o crescente protagonismo climático do Pará e a seriedade de suas políticas ambientais, posicionando-o como um ator chave na agenda global. Essa participação é ainda mais significativa no contexto da preparação para sediar a COP 30 em Belém em 2025, um evento que colocará a Amazônia no centro das discussões climáticas mundiais.

Apesar da relevância da presença paraense, os materiais de pesquisa analisados não fornecem dados específicos e consolidados sobre o número exato de políticos e agregados que compuseram a comitiva do Pará, nem sobre seus gastos totais diretos na COP 29. As informações disponíveis referem-se principalmente à delegação brasileira como um todo ou a despesas federais individuais, evidenciando uma lacuna na transparência subnacional para este tipo de evento. A persistente falta de dados consolidados e detalhados sobre a composição e os custos das delegações estaduais em eventos internacionais como a COP 29 impede uma avaliação completa da eficiência e da prestação de contas dos gastos públicos, alimentando percepções negativas sobre o uso de recursos.

Em contraste, o Pará obteve um sucesso notável na captação de recursos via créditos de carbono, destacando-se o acordo de US$ 180 milhões (equivalente a R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão) com a Coalizão LEAF. A venda de créditos a US$ 15 por tonelada, um valor acima do mercado, reflete a alta integridade e a confiança dos compradores nas iniciativas de conservação do estado. O modelo de comercialização de créditos de carbono do Pará, com sua abordagem jurisdicional e inclusiva, serve como um exemplo de como estados subnacionais podem atrair financiamento climático significativo e implementar soluções baseadas na natureza que beneficiam tanto o meio ambiente quanto as comunidades locais. Os recursos provenientes desses créditos são explicitamente destinados a programas de redução do desmatamento e, de forma crucial, ao benefício direto de povos indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares, além de outras iniciativas de bioeconomia e restauração florestal, como a concessão de restauro na APA Triunfo do Xingu.

Desafios Remanescentes e Recomendações

Para que o Pará consolide verdadeiramente sua posição como um líder climático global, especialmente como anfitrião da COP 30, é imperativo que adote um padrão mais elevado de transparência financeira em suas próprias operações e missões internacionais. A divulgação proativa e detalhada das despesas da delegação não apenas atenderia ao escrutínio público, mas também reforçaria o compromisso do estado com a boa governança, um componente chave da “alta integridade” na ação climática. Essa transparência constrói confiança entre parceiros internacionais, investidores e seus próprios cidadãos, criando um ciclo virtuoso onde a prestação de contas aprimora a legitimidade, o que, por sua vez, atrai mais investimentos sustentáveis e fortalece o impacto das ações ambientais.

Com base na análise, as seguintes recomendações são apresentadas:

Aprimoramento da Transparência Financeira Subnacional: Recomenda-se que o Governo do Pará, e outros estados, implementem um sistema de publicação proativa e detalhada sobre a composição de suas delegações em eventos internacionais. Isso deve incluir o número de participantes (discriminando políticos, técnicos, representantes da sociedade civil), a duração da estadia, e os custos totais categorizados (passagens, hospedagem, diárias, etc.). Essa informação poderia ser centralizada e facilmente acessível em uma seção dedicada no Portal da Transparência do Estado.

Fortalecimento dos Mecanismos de Prestação de Contas e Auditoria dos Créditos de Carbono: Embora os destinos declarados para os fundos dos créditos de carbono sejam claros, os mecanismos para a prestação de contas detalhada e auditoria pública dessas despesas específicas são menos explícitos. Além da já planejada criação da Sociedade de Propósito Específico (SPE) para a comercialização , é fundamental estabelecer um sistema robusto de monitoramento e avaliação da aplicação dos fundos dos créditos de carbono. Isso deve incluir a publicação de relatórios de impacto periódicos e acessíveis ao público, auditorias independentes regulares e o desenvolvimento de indicadores claros que demonstrem como os benefícios estão sendo distribuídos e como as metas de redução de desmatamento e desenvolvimento sustentável estão sendo alcançadas.

Diversificação de Fontes de Financiamento e Fortalecimento Institucional: A dependência do mercado voluntário de carbono pode expor o estado à volatilidade dos preços e à dinâmica de um mercado ainda em evolução. É aconselhável que o Pará continue a explorar e diversificar suas fontes de financiamento climático, buscando parcerias com fundos públicos e privados adicionais. Paralelamente, o fortalecimento contínuo das capacidades institucionais da SEMAS e da futura SPE é crucial para navegar no complexo cenário do financiamento climático global, garantindo a sustentabilidade financeira das iniciativas ambientais a longo prazo e a resiliência do estado frente às flutuações do mercado de carbono.

O Governador Helder Barbalho anunciou que os recursos provenientes da venda de créditos de carbono, no valor de US$ 180 milhões (aproximadamente R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão) , serão aplicados em duas frentes principais:  

  1. Benefícios Diretos para Comunidades Tradicionais: Uma parte substancial desses recursos será direcionada para beneficiar diretamente as comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares do Pará. O objetivo é que esses valores cheguem “para dentro dos territórios”, reconhecendo o papel crucial desses povos na proteção das florestas e garantindo que suas vozes sejam ouvidas no processo. A partir de 2025, os fundos serão utilizados para apoiar a redução do desmatamento e incentivar o desenvolvimento econômico sustentável nessas comunidade.   

  1. Investimento em Políticas de Conservação e Desenvolvimento Sustentável: A outra parte dos recursos será destinada ao próprio Estado, com a obrigação de ser aplicada na continuidade da política de redução de emissões. Os fundos serão utilizados para fomentar a bioeconomia, promover o pagamento por serviços ambientais e a concessão de restauro de florestas. Um exemplo concreto é a primeira concessão de restauro florestal do Brasil, lançada na COP 29, que contemplará a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, visando o sequestro de carbono e a geração de empregos.   

  2. Para a gestão e comercialização desses créditos, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) , assinou um memorando de entendimento com a AMBIPAR Carbon Credit Participações Ltda. Este acordo orienta a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), que terá o papel de centralizar as atividades de avaliação técnica, certificação e comercialização eficiente dos créditos de carbono, buscando potencializar os ativos ambientais do Pará e democratizar a venda para médias e pequenas empresas.