by veropeso202523/11/2025 0 Comments

Acabou a Pavulagem: Governo dá Prejuízo Maceta no Garimpo Ilegal e Bota Ordem na Casa!

É, meu mano, se os garimpeiros achavam que iam continuar fazendo a festa na Terra Indígena Yanomami, já era! A casa caiu e o governo mostrou que não tá de migué.

O Bicho Pegou na Operação Ouro Ni Wãri Os caras da Casa de Governo e da Polícia Federal chegaram na bicuda com a operação “Ouro Ni Wãri”. Sabe aquele prejuízo porrudo? Pois é, desde março, já deram um desfalque de mais de R$ 560 milhões nessa galera que vive de gambirar as riquezas da nossa terra.

Os fiscais não tiveram pena e saíram destruindo acampamento, pista de pouso e tudo que é treco que os invasores usavam. Agora, essa turma que vivia destruindo a floresta tá tudo perambulando sem rumo, porque os abrigos foram tudo pro chão.

Apreensão Discunforme Olha, mana, foi coisa discunforme que apreenderam!

  • Pegaram uns 300 kg de cassiterita (o minério que eles roubam).

  • Motores, geradores e atéquelas antenas de internet chiques (Starlink).

  • Armamento pesado, pra ver que os caras eram invocados.

A fiscalização foi lá pra Caixa Prega, em lugares como Parima e Pista do Caveira, onde o acesso é difícil, mas a polícia foi buscar. Teve até avião vindo da Venezuela que tentou entrar no migué, mas a FAB tava de olho e a aeronave se escafedeu – foi inutilizada na hora!

Resultado: O Garimpo Ficou Panema O saldo dessa confusão toda é que a abertura de novos garimpos caiu 98%. É, parente, o garimpo tá panema mesmo! Os miseráveis que achavam que iam continuar na boa vida, agora tão vendo que a fiscalização é dura na queda.

Prenderam até um administrador de acampamento e cortaram o esquema de combustível que alimentava os voos ilegais. Quem tá lá no meio do mato agora deve tá brocado, sem comida e sem ter como sair, porque o cerco fechou.

Então é isso, galera! O recado tá dado: com a nossa Amazônia não se brinca. Quem tentar a sorte vai levar um pé de porrada da lei!

by veropeso202523/11/2025 0 Comments

Égua da Produção de Cacau! O Pará tá Estourado, mas cadê o Chocolate, Parente?

Égua da Produção! O Pará tá Estourado, mas cadê o Chocolate, Parente?

Sabe aquela história de que a Bahia era a terra do cacau? Pois esquece, maninho! Isso já era. Quem manda na parada agora é o Pará. O negócio aqui tá pai d'égua!

1. O Pará Deu uma Lapada na Concorrência

Espia só esses números pra tu não dizer que é potoca minha:

  • Somos os Maiorais: O Pará tá produzindo mais de 152 mil toneladas de cacau. Isso é mais da metade (51,8%) de todo o cacau do Brasil!.

  • A Bahia ficou no vácuo: Os baianos tão produzindo umas 140 mil toneladas. A gente passou eles faz tempo.

  • Por que a gente é o bicho? Enquanto lá na Bahia deu panema com praga e seca, aqui a chuva ajuda e a terra é boa demais.

Mas aí tu me perguntas: “Se a gente tem tanto cacau, por que eu não vejo fábrica de chocolate brocando aqui em Belém ou Altamira?”. Aí que entra a fuleragem, parente.

2. O Mistério do Chocolate que “Pega o Beco”

Tu acreditas que 95% do nosso cacau vai embora daqui sem virar chocolate?. É de lascar! O motivo é uma mistura de preguiça com falta de estrada e imposto doido.

  • O problema do calor: Levar chocolate pronto da Transamazônica pro Sul do Brasil é bronca. O chocolate derrete, precisa de caminhão gelado, é caro que só. Já levar a amêndoa seca é moleza, joga no caminhão e tchau e bença.

  • As fábricas já tão lá: As empresas gringas (essas multinacionais cheias de pavulagem) já têm as máquinas tudinho lá na Bahia faz tempo. Elas não querem gastar pra construir outra aqui.

3. A “Trairagem” da Guerra Fiscal (Bahia x Pará)

Parente, isso aqui é pra te deixar impimado. A Bahia faz um migué danado pra levar nosso cacau.

O Pulo do Gato: O governo de lá dá um desconto monstro no imposto (crédito presumido) pra indústria que comprar cacau de fora (ou seja, o nosso!).

  • O Resultado: Fica mais barato pra eles buscarem o cacau aqui na baixa da égua do que a gente processar aqui. É uma drenagem discunforme da nossa riqueza.

4. E o Governo? Tá Leso é?

Rapaz, aqui o negócio fica feio. Tem um fundo chamado Funcacau que era pra ajudar os produtores e trazer fábrica. Sabe quanto eles gastaram em assistência técnica e fomento industrial em 2023?

  • ZERO REAIS! É isso mesmo, parente. Tinham mais de 1 milhão programado e executaram R$ 0,00.

  • A desculpa foi “reprogramação”. Ah, vá te lascar! O dinheiro tava lá e não te esperô, ninguém usou. Isso é falta de gestão braba.

5. Mas tem uma Luz no Fim do Túnel (Chocolate de Rocha!)

Nem tudo tá cagado. Tem uma galera que não é boca mole e tá fazendo chocolate aqui mesmo.

  • Os Ribeirinhos tão brocando: O cacau de Medicilândia e de Tomé-Açu tá ganhando prêmio internacional de melhor do mundo!.

     
  • Bean to Bar: É o tal do chocolate fino (“da amêndoa à barra”). É coisa chibata! As cooperativas tão exportando cacau de cheiro, coisa fina pro Japão e Europa.

Resumo da Ópera: Bora Acordar!

O Pará tá rico de produto, mas pobre de indústria. A gente tá sendo leso, entregando o ouro (cacau) pra Bahia fazer a joia (chocolate).

  • O Produtor: Sofre com estrada ruim e ganha pouco comparado ao chocolate.

  • O Estado: Arrecada mixaria porque exporta matéria-prima (que não paga imposto pela Lei Kandir).

     

Tem que acabar com essa leseira! O Pará tem que ser o rei do cacau E do chocolate. Te orienta, governo! Bora logo valorizar o nosso produto! Posso encomendamos esse estudo abaixo:

Dinâmica Econômica, Tributária e Industrial da Cadeia do Cacau no Brasil: A Hegemonia Paraense, o Paradoxo da Verticalização e os Desafios da Gestão Pública

Sumário Executivo

Este relatório de pesquisa apresenta uma análise exaustiva e multidimensional sobre a configuração atual da cacauicultura no Brasil, com foco predominante no estado do Pará. A investigação responde às indagações sobre a liderança produtiva paraense em contraste com sua incipiente industrialização, atribui responsabilidades administrativas baseadas na execução orçamentária e legislativa, detalha a carga tributária incidente sobre o produtor e estima os impactos na arrecadação estatal.

A tese central deste documento é que o Pará se tornou uma “colônia interna” de fornecimento de matéria-prima para o parque industrial da Bahia, sustentada por uma estrutura tributária federal (Lei Kandir) que desestimula a agregação de valor na origem, e por uma agressiva política de incentivos fiscais do estado da Bahia, que drena a amêndoa paraense. Adicionalmente, identificam-se gargalos administrativos severos na gestão de fundos estaduais (Funcacau) que falharam em executar orçamentos cruciais para a assistência técnica e o fomento industrial.

Os dados utilizados baseiam-se em relatórios do IBGE, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Secretaria da Fazenda do Estado do Pará (SEFA/PA), Secretaria da Fazenda da Bahia (SEFAZ/BA) e legislação vigente até o ano fiscal de 2024/2025.

1. O Novo Eixo Geoeconômico do Cacau: A Ascensão do Pará e o Cenário Nacional

A geografia do cacau no Brasil sofreu uma transformação tectônica nas últimas duas décadas. Historicamente centrado no Sul da Bahia, o eixo de produção migrou decisivamente para a Amazônia, especificamente para a região da Transamazônica e do Sudeste Paraense. Esta seção detalha os números que comprovam essa hegemonia e o contexto global que a impulsiona.

1.1. Contexto Global e a Janela de Oportunidade Brasileira

Para compreender a pressão sobre a produção paraense, é imperativo analisar o cenário internacional. Os dois maiores fornecedores mundiais, Costa do Marfim e Gana, enfrentam uma crise estrutural severa. O envelhecimento dos pomares, somado a eventos climáticos extremos e, crucialmente, a proliferação do Cacao Swollen Shoot Virus (CSSV), reduziu drasticamente a oferta global.1

Este vácuo na oferta disparou os preços internacionais, criando uma oportunidade única para o Brasil. Contudo, a resposta produtiva não foi uniforme em território nacional. Enquanto a Bahia luta para recuperar lavouras dizimadas pela Vassoura-de-Bruxa (Moniliophthora perniciosa) e enfrenta secas cíclicas, o Pará emergiu com vigor devido a fatores climáticos favoráveis (regime de chuvas amazônico) e à ausência inicial de grandes pragas sistêmicas, aliada a solos de alta fertilidade natural em áreas de fronteira agrícola.1

1.2. Análise da Produção Nacional: O Déficit e os Líderes

O Brasil possui um parque industrial moageiro robusto, capaz de processar volumes superiores à produção nacional atual. Existe um déficit estrutural: o país consome internamente e exporta derivados que exigem cerca de 300 mil toneladas/ano, mas a produção interna oscila, exigindo importações (drawback) de amêndoas africanas para manter as fábricas de Ilhéus operando.3

Dentro deste cenário de escassez, a polarização é evidente. Pará e Bahia, juntos, respondem por aproximadamente 95% da produção nacional.3

Tabela 1.1: Comparativo de Produção e Estrutura (Estimativas 2023/2024)

 

Indicador

Estado do Pará (PA)

Estado da Bahia (BA)

Fonte

Produção Estimada (2024)

> 152.000 toneladas

~140.000 – 150.000 ton

4

Participação Nacional

51,80% (Líder Nacional)

~43% – 45%

4

Valor Bruto da Produção (2023)

R$ 2,4 Bilhões

R$ 1,8 Bilhões (Exportação)

4

Área em Expansão

+8.000 hectares/ano

Estabilização/Renovação

4

Número de Produtores

~31.500

> 40.000

4

Perfil Predominante

Agricultura Familiar / Assentamentos

Misto (Fazendas + Pequenos)

2

O Pará não apenas ultrapassou a Bahia em volume absoluto, atingindo mais de 152 mil toneladas projetadas para 2024, como também apresenta as maiores médias de produtividade do mundo.4 A produção paraense é caracterizada pelo cultivo em sistemas agroflorestais (SAFs) na Transamazônica (municípios de Medicilândia, Altamira, Uruará) e no Sudeste do estado (São Félix do Xingu, Tucumã).2

1.3. A Recuperação Baiana

É necessário registrar que a Bahia não está estagnada. O estado demonstrou resiliência, dobrando o valor de suas exportações de cacau e derivados em 2024 para US$ 434 milhões, impulsionado pela alta do dólar e dos preços de commodities, embora o volume físico tenha crescido modestamente (1,3%).5 A Bahia mantém a liderança no processamento, mas perdeu a hegemonia na produção primária.

2. O Paradoxo da Industrialização: Por que o Pará não Produz Chocolate?

A pergunta central da pesquisa — “Por que o estado do Pará é o maior produtor de Cacau do Brasil e não desenvolve a produção de chocolate?” — revela um sintoma clássico de economias de enclave. A resposta não reside na incapacidade técnica, mas em uma complexa teia de Logística, Inércia Industrial e Guerra Fiscal.

2.1. A Geografia da Indústria Moageira

A produção de chocolate em escala industrial ocorre em duas etapas principais:

  1. Moagem (Grinding): Transformação da amêndoa em líquor (massa), manteiga e torta (pó) de cacau. Esta etapa é dominada por poucas multinacionais (Cargill, Olam, Barry Callebaut).
  2. Manufatura de Chocolate: Uso dos derivados para fazer o produto final (Nestlé, Garoto, Mondelez).

O parque industrial de moagem do Brasil foi instalado no Sul da Bahia (Ilhéus/Itabuna) décadas atrás, quando a Bahia era a única produtora relevante. Essas fábricas representam investimentos de bilhões de dólares (CAPEX elevado) e possuem vida útil longa.

Para as multinacionais, é economicamente mais viável transportar a amêndoa do Pará para as fábricas já amortizadas na Bahia do que construir novas plantas na Amazônia. Cerca de 95% da produção paraense é enviada para essas indústrias na Bahia ou exportada in natura.3

2.2. A Barreira Logística e o Custo Brasil

A industrialização no Pará enfrenta o desafio de escoamento do produto final.

  • O Produto Final é Sensível: O chocolate é um produto perecível ao calor e de alto valor agregado. Transportar chocolate pronto do interior do Pará (Transamazônica) para os grandes centros consumidores do Sul/Sudeste (São Paulo/Rio) é logisticamente complexo e caro (necessita de refrigeração).
  • A Matéria-Prima é Resistente: A amêndoa seca de cacau é uma carga “seca”, não perecível no curto prazo, e fácil de transportar em caminhões comuns ou barcaças.
  • Conclusão Logística: É mais barato transportar a amêndoa do Pará para a Bahia (processar lá) e depois distribuir para o Sudeste, do que processar no Pará e tentar distribuir o chocolate refrigerado por estradas precárias como a BR-230.7

2.3. A Ausência de Políticas de Verticalização Eficazes

Embora o governo do Pará cite a verticalização como meta, a realidade dos dados mostra timidez. Apenas 5% da produção é absorvida localmente.4 O estado focou seus recursos (como veremos na análise do Funcacau) em aumentar a base produtiva (sementes, assistência agronômica) 8, negligenciando a infraestrutura necessária para a indústria (distritos industriais com energia estável, saneamento e incentivos fiscais competitivos com a Bahia).

3. A Guerra Fiscal: Como a Bahia “Drena” o Cacau do Pará

Um dos fatores mais determinantes para a não-industrialização no Pará é a estrutura tributária agressiva do estado da Bahia, que incentiva a compra de amêndoas de outras unidades da federação.

3.1. O Mecanismo de Crédito Presumido da Bahia

A legislação baiana, através de decretos e regulamentos de ICMS (como o Decreto 6.284/97 e atualizações na Lei 14.775/2024), criou um ambiente onde a indústria moageira local é subsidiada para comprar cacau de fora.

  • Funcionamento: Quando uma indústria baiana compra cacau do Pará, ela paga o ICMS interestadual (12%) ao Pará (teoricamente). No entanto, o estado da Bahia concede “Créditos Presumidos” de ICMS na saída dos produtos industrializados ou na entrada da matéria-prima, que na prática anulam ou reduzem drasticamente o custo tributário dessa aquisição.9
  • Efeito Prático: Para a indústria instalada em Ilhéus, o custo fiscal de trazer cacau do Pará é mitigado pelo governo baiano. Isso artificialmente mantém a competitividade das fábricas baianas, mesmo estando a milhares de quilômetros da matéria-prima. O governo da Bahia utiliza o PROBAHIA e o DESENVOLVE para aprovar bilhões em incentivos, perpetuando essa lógica.12

3.2. A Defesa (Frágil) do Pará

O Pará instituiu a Lei 9.389/2021 e programas de incentivo que oferecem redução de base de cálculo e crédito presumido de 50% a 95% para indústrias que se instalarem no estado.14 Contudo, para uma multinacional, o incentivo fiscal do Pará teria que ser superior ao custo de desmobilizar da Bahia e construir uma nova fábrica, além de compensar o custo logístico extra de distribuição do chocolate. Até o momento, essa equação não fechou para as grandes empresas.

4. Carga Tributária do Produtor e Arrecadação Estatal

A análise financeira da cadeia revela quem paga a conta e quem arrecada (ou deixa de arrecadar).

4.1. Quanto o Produtor Paga de Imposto?

A tributação sobre o produtor rural no Pará varia conforme o destino da venda. É fundamental distinguir entre a carga tributária formal e a econômica (quem realmente arca com o custo).

  1. Venda Interna (Dentro do Pará):
  • Mecanismo: Diferimento do ICMS.15
  • Custo Imediato: Zero. O regulamento do ICMS do Pará difere (adia) o pagamento do imposto para a etapa seguinte (indústria ou exportação). O produtor não emite guia de recolhimento de ICMS ao vender para uma cooperativa local ou atravessador interno.
  1. Venda Interestadual (Para a Bahia):
  • Mecanismo: ICMS de 12% sobre a Pauta Fiscal.
  • Custo: Embora legalmente o imposto incida sobre a operação, economicamente ele é descontado do preço pago ao produtor.
  • A Pauta Fiscal: O estado fixa um valor de referência. A pauta para 2024/2025 para “Cacau (Amêndoa Seca)” gira em torno de R$ 6,90/kg (baseada em pautas regionais e dados do Amazonas como proxy, já que o valor exato do Pará varia mensalmente, mas segue a média regional).17
  • Cálculo: Se a pauta é R$ 6,90, o imposto devido é R$ 0,82 por kg (12%). Se o preço de mercado é R$ 20,00/kg, o imposto real representa cerca de 4,1% do valor da venda, mas é calculado sobre a pauta subvalorizada. Se a venda for feita com nota fiscal cheia sobre o valor real, o imposto sobe.
  1. Funrural (Contribuição Previdenciária):
  • Incide sobre a receita bruta da comercialização. A alíquota para produtor pessoa física é de 1,5% (1,2% INSS + 0,1% RAT + 0,2% SENAR). Este valor é retido pelo adquirente.18

Tabela 4.1: Resumo da Carga Tributária Direta do Produtor

 

Tributo

Fato Gerador

Alíquota Efetiva / Valor

Observação

ICMS (Interno)

Venda p/ Indústria no PA

0% (Diferido)

Pago pela indústria na saída futura.

ICMS (Interestadual)

Venda p/ Bahia

12% (sobre Pauta ou Valor Real)

Frequentemente subfaturado ou sonegado sem fiscalização.

Funrural

Venda da Produção

1,5% sobre Receita Bruta

Retido na fonte (Federal).

ITR

Propriedade da Terra

Variável (Baixo)

Imposto Federal/Municipal anual.18

4.2. Quanto o Estado do Pará Arrecada?

O paradoxo do cacau paraense é que, apesar de produzir bilhões em riqueza (VBP de R$ 2,4 bilhões 4), a arrecadação direta de ICMS é desproporcionalmente baixa devido à legislação federal.

  1. O “Buraco” da Lei Kandir: A Lei Complementar 87/96 isenta de ICMS as exportações de produtos primários. Como grande parte do cacau é exportada (direta ou indiretamente), o estado não arrecada nada nessas operações. O Pará luta judicialmente por compensações e garantiu um acordo de R$ 4,5 bilhões (parcelados em 17 anos) para cobrir perdas históricas de todos os setores (minério e agro) 19, mas isso não é receita tributária direta corrente gerada pela safra atual.
  2. Arrecadação na Saída para a Bahia: Esta é a principal fonte de receita tributária do cacau in natura. Com a produção de 150 mil toneladas, se considerarmos que 90% vai para outros estados a um preço de pauta conservador de R$ 6,90/kg (apenas para fins de base de cálculo mínima):
  • Volume: 135.000.000 kg.
  • Base de Cálculo (Pauta): R$ 931,5 milhões.
  • ICMS Potencial (12%): ~R$ 111 milhões/ano.
  • Nota: Este valor é uma estimativa teórica. A sonegação fiscal (transporte sem nota ou “meia nota”) reduz drasticamente esse montante, evidenciado pelas constantes apreensões da SEFA no posto fiscal do Araguaia.20

Conclusão sobre Arrecadação: O estado arrecada uma fração mínima do potencial da cadeia. Se o cacau fosse transformado em chocolate no Pará (alíquota interna de 17-19% sobre um produto de valor agregado 10x maior), a arrecadação poderia ser multiplicada exponencialmente. Ao exportar a amêndoa, o Pará exporta também a base tributária.

5. Análise de Responsabilidade: É Culpa da “Má Administração”?

A pergunta do usuário busca um culpado. A análise técnica dos documentos permite mapear as falhas de gestão (má administração) e as falhas estruturais.

5.1. A Falha na Execução do FUNCACAU (Responsabilidade Estadual)

Há uma evidência clara de ineficiência administrativa na gestão dos recursos destinados ao fomento do setor.

O Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) existe para financiar a melhoria da cadeia. No entanto, o Relatório de Atividades de 2023 da Emater-Pará aponta um dado alarmante:

  • Meta Financeira Programada: R$ 1.256.579,60.
  • Execução Financeira: R$ 0,00 (Zero).
  • Motivo Alegado: “Reprogramação das ações durante o ano”.21

Interpretação: Em um ano de safra recorde e necessidade crítica de assistência técnica para verticalização, o estado falhou em gastar o dinheiro que estava disponível no fundo específico para isso. Isso caracteriza má administração operacional. O recurso existia, a demanda existia, mas a burocracia estatal travou a execução. Enquanto isso, o Funcacau financiou a produção de sementes (agronomia) 8, reforçando o perfil de “fazendão” em detrimento da “fábrica”.

5.2. A Responsabilidade Estratégica (Governo Estadual)

A culpa pela não-industrialização também recai sobre a falta de uma política industrial agressiva nas últimas décadas. Enquanto a Bahia blindava sua indústria com barreiras fiscais e subsídios, o Pará demorou a reagir. Apenas recentemente (Lei 9.389/2021) o estado modernizou seus incentivos 22, mas pode ter sido “tarde demais” para atrair as gigantes que já consolidaram suas operações no Nordeste. A infraestrutura (estradas e energia) na Transamazônica continua sendo um gargalo de responsabilidade estadual e federal não resolvido.

5.3. A Responsabilidade Federal

O Governo Federal tem sua parcela de culpa através da manutenção da Lei Kandir sem compensação automática e imediata, o que tira do estado exportador (Pará) os recursos necessários para investir em infraestrutura. Além disso, a falta de manutenção da BR-230 (Transamazônica) eleva o frete e inviabiliza a instalação de indústrias no interior.

6. O Caminho do “Bean to Bar” e a Esperança de Verticalização

Apesar do cenário macroeconômico adverso, existe um movimento de resistência e inovação que busca romper o ciclo colonial.

6.1. O Chocolate de Origem e as Cooperativas

Pequenas iniciativas mostram que é possível produzir chocolate no Pará, focando em qualidade (nicho) em vez de quantidade (commodity).

  • Cooperativas: A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) e a Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu (CEPOTX) são exceções exitosas. Elas conseguem exportar produtos com algum grau de elaboração ou amêndoas fermentadas de alta qualidade para mercados exigentes (Japão, Holanda).4
  • Prêmios Internacionais: O cacau de Medicilândia e de produtores como os do Sítio Ascurra e Tuerê tem vencido prêmios globais (Cocoa of Excellence Awards, Bean to Bar Brasil), provando que a qualidade da amêndoa paraense é superior.4 Isso permite vender o produto a preços muito acima da commodity padrão, viabilizando micro-indústrias locais de chocolate fino (“Bean to Bar”).

6.2. O Mercado de Chocolate Fino

O mercado Bean to Bar cresceu 20% em 2022.24 Embora represente uma fração minúscula do volume total, é a porta de entrada para a verticalização do Pará. Marcas locais estão surgindo, utilizando ingredientes da bioeconomia (cupuaçu, açaí, bacuri) para criar um produto identitário que a indústria baiana de massa não consegue replicar.

7. Conclusão e Respostas Diretas

Respondendo ponto a ponto às questões levantadas, com base na análise integrada dos dados:

  1. Por que o Pará é o maior produtor mas não produz chocolate?
  • O Pará é o maior produtor devido a condições climáticas ideais, disponibilidade de terras e declínio da produção baiana por pragas. Não produz chocolate industrial (massas) devido à inércia industrial (fábricas já existem na Bahia), logística precária para escoar produto refrigerado (chocolate) da Amazônia, e guerra fiscal onde a Bahia subsidia a compra da matéria-prima paraense.
  1. É culpa de quem da má administração?
  • A responsabilidade é compartilhada, mas há falhas específicas de gestão estadual. A “culpa” administrativa imediata recai sobre a gestão dos fundos estaduais (Funcacau), que apresentou execução financeira de 0% em programas vitais de assistência técnica em 2023 21, demonstrando incapacidade de converter recursos em fomento. Estrategicamente, governos sucessivos do Pará falharam em condicionar o apoio ao plantio à contrapartida industrial, permitindo a consolidação do modelo de enclave.
  1. Quanto os produtores pagam de imposto?
  • Nas vendas internas: Zero (Diferimento do ICMS).
  • Nas vendas para a Bahia: 12% de ICMS (descontado do preço, muitas vezes calculado sobre uma pauta fiscal de ~R$ 6,90/kg, inferior ao valor de mercado).
  • Federal: 1,5% de Funrural sobre a receita bruta.
  • O peso maior para o produtor não é o imposto direto, mas o custo logístico e a margem do atravessador, que reduzem seu lucro líquido.
  1. Quanto o estado do Pará arrecada com isso?
  • Muito pouco em relação à riqueza gerada. A exportação é isenta (Lei Kandir). A venda interna é diferida. A arrecadação se concentra na saída interestadual (12%), estimada em pouco mais de R$ 100-150 milhões anuais (potencial teórico), mas severamente afetada pela sonegação e subfaturamento. O estado perde a chance de arrecadar sobre o produto industrializado (chocolate), que geraria receitas de ICMS muito superiores.
  1. Qual a produção nacional de cacau?
  • A produção nacional estimada para a safra 2023/2024 gira em torno de 290.000 a 300.000 toneladas (somando as ~152 mil do Pará e ~140 mil da Bahia, mais pequenas produções de ES e RO). O Brasil permanece deficitário, precisando importar amêndoas para atender a capacidade industrial total.

O Pará vive o dilema clássico do desenvolvimento: é rico em produto, mas pobre em processo. A superação desse cenário exige mais do que plantar árvores; exige uma reforma na gestão pública dos fundos de fomento, uma política agressiva de atração industrial que neutralize os incentivos baianos e a resolução dos gargalos logísticos da Transamazônica.

Relatório elaborado em conformidade com as diretrizes de pesquisa aprofundada, integrando dados do IBGE, CEPLAC e Legislação Tributária Estadual.

Referências citadas

  1. Crise mundial na produção de cacau abre novas possibilidades ao Brasil, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/hortifruti/405696-crise-mundial-na-producao-de-cacau-abre-novas-possibilidades-ao-brasil.html
  2. Maior produtor de cacau, Pará avança na industrialização e produção de chocolate, acessado em dezembro 5, 2025, https://agenciapara.com.br/noticia/4655/maior-produtor-de-cacau-para-avanca-na-industrializacao-e-producao-de-chocolate
  3. Plano Inova Cacau 2030 – Portal Gov.br, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/ceplac/publicacoes/inova-cacau-2030/inova-cacau-2030.pdf
  4. Com apoio do Estado, produção e exportação do cacau paraense …, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.agenciapara.com.br/noticia/52712/com-apoio-do-estado-producao-e-exportacao-do-cacau-paraense-crescem-com-reconhecimento-internacional
  5. Bahia dobra valor de exportação de cacau e reafirma liderança nacional, acessado em dezembro 5, 2025, https://movimentoeconomico.com.br/geral/redacao/2025/01/22/bahia-dobra-valor-de-exportacao-de-cacau-e-reafirma-lideranca-nacional/
  6. Produção de cacau do Pará aumenta 4%, aponta Sedap, acessado em dezembro 5, 2025, https://agenciapara.com.br/noticia/64927/producao-de-cacau-do-para-aumenta-4-aponta-sedap
  7. As Contradições do Processo de Desen volvimen to … – ResearchGate, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.researchgate.net/profile/Alfredo-Homma-2/publication/320016724_As_contradicoes_do_processo_de_desenvolvimento_agricola_na_Transamazonica/links/59c8f485aca272c71bcdcac2/As-contradicoes-do-processo-de-desenvolvimento-agricola-na-Transamazonica.pdf
  8. Pará produziu mais de 13 milhões de sementes híbridas de cacau ano passado, acessado em dezembro 5, 2025, https://agenciapara.com.br/noticia/52129/para-produziu-mais-de-13-milhoes-de-sementes-hibridas-de-cacau-ano-passado
  9. Agora é lei: Bahia ganha política de incentivo à produção de cacau de qualidade – Assembleia Legislativa da Bahia, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.al.ba.gov.br/midia-center/noticias/63512
  10. REGULAMENTO DO ICMS DO ESTADO DA BAHIA – Sindsefaz, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.sindsefaz.org.br/web/wp-content/uploads/2022/01/lei_regulamento_icms.pdf
  11. Decreto Nº 23061 DE 10/09/2024 – Estadual – Bahia – LegisWeb, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=464261
  12. Incentivos Fiscais: conselhos Probahia e Desenvolve aprovam mais de R$ 1,6 bilhão em investimentos para a Bahia – BA.GOV, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.ba.gov.br/comunicacao/index.php/noticias/2025-11/375443/incentivos-fiscais-conselhos-probahia-e-desenvolve-aprovam-mais-de-r-16
  13. ÁUDIO: Incentivos Fiscais: conselhos Probahia e Desenvolve aprovam mais de R$ 1,6 bilhão em investimentos para a Bahia – BA.Gov, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.ba.gov.br/comunicacao/noticias/2025-11/375436/audio-incentivos-fiscais-conselhos-probahia-e-desenvolve-aprovam-mais-de-r
  14. Políticas de incentivo fiscal do Governo do Pará fortalecem a atividade industrial, acessado em dezembro 5, 2025, https://agenciapara.com.br/noticia/50650/politicas-de-incentivo-fiscal-do-governo-do-para-fortalecem-a-atividade-industrial
  15. ICMS – SEFA – PA, acessado em dezembro 5, 2025, https://sefa.pa.gov.br/internal/services/ifc
  16. Decreto nº 400 de 29/06/1995 – Estadual – Pará – LegisWeb, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=146691
  17. Resolução SEFAZ Nº 52 DE 27/12/2024 – Estadual – Amazonas …, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=471452
  18. Tributação no Agronegócio em Belém – PA: entenda quais São e como funciona, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.northconta.com.br/tributacao-no-agronegocio-em-belem-pa/
  19. Lei Kandir: Atuação do Pará garante acordo e projeto segue para sanção presidencial, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.agenciapara.com.br/noticia/23999/lei-kandir-atuacao-do-para-garante-acordo-e-projeto-segue-para-sancao-presidencial
  20. Sefa apreende gado e cacau no Araguaia | Agência Pará, acessado em dezembro 5, 2025, https://agenciapara.com.br/noticia/72882/sefa-apreende-gado-e-cacau-no-araguaia
  21. Relatório de Atividades 2023 – EMATER Pará, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.emater.pa.gov.br/storage/app/media/ARQUIVO%202024/Rel%20Ativ%202023%20Emater.pdf
  22. Lei Nº 9389 DE 16/12/2021 – Estadual – Pará – LegisWeb, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.legisweb.com.br/legislacao/?legislacao=424738
  23. Produtores do Pará brilham no Prêmio Bean to Bar Brasil 2025, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.cnabrasil.org.br/noticias/produtores-do-para-brilham-no-premio-bean-to-bar-brasil-2025
  24. Marcas chocolate bean to bar crescem 20% e apostam no período de Páscoa para mostrar inovação e qualidade, acessado em dezembro 5, 2025, https://www.beantobarbrasil.com.br/blog/newsletter/marcas-chocolate-bean-to-bar-cresce-20-e-apostam-no-periodo-de-pascoa-para-mostrar-inovacao-e-qualidade

 

by veropeso202523/11/2025 0 Comments

O Turu: De “Visagem” da Madeira a Manjar dos Deuses (Ou Quase Isso!)

Fala, mano e mana! Se tu tá aí perambulando pela internet sem saber o que ler, encosta aqui que hoje o papo é sobre um bicho que é a cara (e o gosto) da nossa terra: o famoso Turu.

Se tu é caboco de verdade ou curioso pela nossa cultura, já deve ter ouvido falar ou visto aquele bicho que parece uma minhoca maceta, né? Pois é, o nome científico dele é Teredo sp., mas deixa essa pavulagem pros biólogos. Aqui a gente sabe que o bicho é feio, parece até uma visagem saída do lodo, mas tem seu valor!

Nem Minhoca, Nem Cobra: É Molusco, Parente!

Muita gente acha que o Turu é verme, mas se tu acha isso, tu é leso, mano! Na verdade, ele é um molusco, parente da ostra e do mexilhão. A diferença é que ele é cumprido e gosmento. Chamam ele de “cupim-do-mar” porque o bicho é invocado: ele adora furar uma madeira que fica de molho na água.

De Praga a “Só o Filé”

Antigamente, o pessoal ficava doido com o Turu. Ele era considerado uma praga discunforme! O bicho entrava no casco das canoas, nos barcos e até nos trapiches, comendo a madeira toda. Imagina o prejuízo? Era madeira furada até o tucupi!

Se o dono do barco desse bobeira e ficasse matutando sem cuidar do casco, quando ia ver, a embarcação já tinha ido pro fundo. Era diacho pra todo lado de tanta raiva.

A Vingança do Caboco: É na Panela!

Mas o povo daqui não é panema e nem dorme no ponto. O caboclo, que vive da pesca e conhece o rio como a palma da mão, percebeu que dava para comer o tal do “cupim”. E não é que o negócio é pai d'égua?

Hoje em dia, quando a gente tá brocado de fome, catar um Turu no mangue é a solução. Ele virou uma iguaria! É comida forte, cheia de nutrientes. Tem gente que diz que dá uma sustança que levanta até defunto (se é que tu me entende, te mete! ).

Vai Encarar ou Vai Pedir “Arrego”?

Eu sei, olhar pro bicho cru dá um certo encabulamento , a pessoa fica meio assim… Mas quem prova diz que é só o filé. Geralmente a gente come cru com limão e sal, ou faz aquele caldo daora que cura qualquer panemisse.

Então, se tu ver alguém torcendo o nariz pro Turu, pode dizer: “Deixa de ser frescura, tu vai vê , é bacana!” O Turu é a prova de que a gente transforma até o que parece ruim em cultura e sabor.

E aí, já era o preconceito? Se tiver coragem, mete a cara e prova!

O Turu por Dentro: De “Bicho Feio” a Engenheiro da Floresta

Ei, mano e mana! Chega mais. Tu que adora tomar aquele caldinho de Turu no fim da tarde pra levantar a moral, ou tu que faz cara de nojo e diz “nem com nojo”, senta aí que hoje a gente vai matutar sobre a vida desse bicho.

A gente recebeu um texto cheio de pavulagem científica, cheio de nome difícil, mas como aqui no Ver-o-Peso.shop a gente não tapa o sol com a peneira, traduzimos tudo pra ti ficar escolado.

Nem Minhoca, Nem Cobra: O Bicho é Parente da Ostra!

 

Primeiro de tudo: se tu acha que o Turu é minhoca, tu é leso, mano! A ciência diz que ele é um molusco bivalve. Ou seja, ele é primo da ostra e do mexilhão. O nome chique dele é Teredo sp. e a família é Teredinidae.

O corpo dele é mole e cumprido, parece uma tripa, né? Mas aquilo que a gente chama de “cabeça” – aquela parte dura que faz croc no dente – na verdade são duas conchas (valvas) pequenas. É com isso que ele broca a madeira. O bicho é uma furadeira natural!

Tamanho é Documento? O Turu é Maceta!

 

No resto do mundo, dizem que ele cresce uns 20 ou 30 centímetros. Mas aqui na Amazônia, meu amigo, o negócio é discunforme! Nossos cientistas já acharam Turu de mais de um metro. O bicho é purrudo mesmo!

Ele tem dois tubinhos no rabo (sifões): um chupa água e comida, e o outro cospe fora o que não presta. E olha que invocado: ele tem umas “pás” (pallets) pra fechar a porta do buraco quando quer se esconder. Ninguém entra, ninguém sai. Embioca lá dentro e já era.

A Vida Amorosa do Turu: Uma Bagunça Organizada

 

Agora, presta atenção que o babado é forte. O Turu nasce macho e depois vira fêmea! É isso mermo. Ele solta o “material” na água, a fêmea pega e guarda os curumins (larvas) dentro dela.

Diferente de outros bichos que jogam os filhos no mundo de qualquer jeito, a mãe Turu segura a onda e cuida dos filhotes na barriga por umas semanas. Quando eles saem, saem nadando até achar um pau podre pra morar. Achou a madeira? Furou? Pronto, não sai nunca mais.

E tem um detalhe bacana: eles são educados. Um Turu nunca fura o túnel do vizinho. Eles sentem que o outro tá perto e desviam. Isso é pra não derrubar a casa (o tronco) antes da hora. Te mete com essa inteligência!

Brocado de Quê? Madeira ou Salada?

 

Todo mundo acha que o Turu só come madeira, né? É migué! Quer dizer, mais ou menos. Ele fura a madeira pra fazer a casa dele, mas a comida mesmo vem da água (plâncton) e de uma parceria pai d'égua que ele tem com umas bactérias.

Essas bactérias moram na brânquia dele e ajudam a digerir a madeira (que é difícil de desmanchar) e a pegar vitaminas. Então, o Turu é tipo tu no almoço de domingo: come a salada (plâncton) pra ficar forte, mas não dispensa a sobremesa.

Resumo da Ópera

 

O Turu não é só comida boa ou praga de barco. Ele é o faxineiro do rio! Ele ajuda a sumir com a madeira velha que cai na água, devolvendo nutriente pra natureza.

Então, da próxima vez que tu ver um tronco todo furado no mangue, não diz que é sujeira. Diz: “Olha ali o trabalho do engenheiro do mangue!”. E se tiver brocado, já sabe: taca limão, sal e manda pra dentro, porque é só o filé!

O Turu: A “Praga” que Deu Prejuízo da Baixa da Égua no Mundo Todo

 

Fala, mano e mana! Se tu acha que o Turu só serve pra fazer aquele caldo só o filé pra curar ressaca ou dar “sustança”, tu tá muito enganado. Antes de cair na nossa panela, esse bicho já foi o terror dos mares, causando um banzeiro danado na história da humanidade.

A gente recebeu um texto contando as presepadas desse molusco pelo mundo, e o negócio é sério. O bicho é malino mesmo! Bora conferir essa história traduzida pro nosso bom e velho Amazonês.

O Terror dos Cascos e Trapiches

Historicamente, o Turu não era visto como comida, mas sim como uma “praga marinha” que dava dor de cabeça em todo mundo. O bicho é invocado e tem uma fome que parece que tá sempre brocado.

Ele passava o cerol em tudo que era de madeira dentro d’água: cascos de navios , diques, píeres e boias. Onde tinha madeira dando sopa, o Turu chegava embiocado e, quando o povo ia ver, a estrutura já tava toda podre e fraca. O prejuízo era discunforme!

O Turu Derrubou até a Holanda? (É Mermo É!)

Pra tu ter uma ideia de como esse bicho é carrancudo , lá no século XVII, na Holanda, ele fez um estrago tão grande nos diques de madeira que os caras tiveram que trocar tudo por pedra.

Imagina só: o país inteiro teve que mudar a engenharia porque não aguentava a pavulagem do Turu comendo as barreiras. Foi uma obra monumental, porque com o Turu não tinha conversa, a madeira já era.

O Rombo Milionário na Califórnia

Dá um confere nessa: entre 1919 e 1921, na Baía de São Francisco (EUA), teve um surto de Turu que foi um verdadeiro toró na vida dos americanos. O bicho derrubava uma estrutura de porto importante por semana!

O prejuízo foi estimado em 615 milhões de dólares (em valores de 1992). Trazendo pra hoje, seria entre 2 e 20 bilhões de dólares. É dinheiro que não acaba mais, mano! O Turu lá não tava pra lero lero.

A Armada Espanhola e a “Gambiarra” pra Se Salvar

Dizem as más línguas (e os historiadores) que o Turu ajudou até a afundar os navios da poderosa Armada Espanhola no século XVI. O bicho furava os cascos e mandava os navios pra caixa prega.

O povo tentava de tudo pra se livrar. Faziam umas gambiarras como encamisar o casco com cobre ou chumbo, passar alcatrão e até usar veneno (creosoto e metais tóxicos). Mas isso acabou poluindo muito porto por aí.

O Fim da “Boca Livre” do Turu

Com o tempo, o homem ficou escovado e começou a fazer navio de metal e usar concreto e fibra de vidro nas construções. Aí o Turu perdeu a boquinha e a população dele diminuiu. Hoje em dia, em lugares chiques como Nova York, eles “encapsulam” a madeira pra proteger do ataque.

Resumo da Ópera

O Turu já foi o vilão, o “cupim” que dava prejuízo. Mas aqui no Pará, a gente resolveu esse problema de um jeito bacana: comendo ele! Em vez de deixar ele comer o barco, a gente põe ele no tucupi e faz a festa.

Então, quando tu tomar teu caldinho, lembra: tu tá comendo um bicho que já fez império tremer. Te mete!

by veropeso202523/11/2025 0 Comments

❤️ Amazônia: O Coração do Mundo tá Chamando!

Se tem um lugar que pulsa vida e esperança pra gente, mana, é a nossa Amazônia. A floresta, que o povo chama de “pulmão do mundo”, vai ser palco de um evento porrudo (enorme, gigante) demais: a #Amazônia COP30. Ela vai rolar lá em Belém do Pará, em 2025.

Essa conferência não vai ser meia tigela (feita pela metade). Vai ser um marco chibata (extraordinário), onde governos, cientistas e a galera (turma de amigos) dos povos tradicionais vão se encontrar pra ver como a gente garante um futuro daora (gostei) pra todo mundo.

 

O Que Diacho é a COP30?

 

A COP (Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas) junta os líderes do mundo pra matutar (ligar um fato ao outro) e discutir como combater o aquecimento global.

Em 2025, olha já (forma de surpresa)! Pela primeira vez, ela vai ser realizada bem aqui, no coração da Amazônia brasileira.

👉 Fazer a COP bem ali ó (apontar com os lábios) na floresta é como levar o paciente pro hospital natural pra tratar a saúde do planeta.

 

A Floresta que É Tu É O Bicho!

 

A Floresta Amazônica é só o filé (o máximo)! É muito mais que árvores e bichos, é um sistema vivo que mantém a Terra de bubulhaa (tranquila). Se liga nesses números bacanas (legais):

  • Discunforme (em grande quantidade) de água: 20% da água doce do planeta tá aqui.

  • Oxigênio: Gera mais ou menos 20% do oxigênio do mundo.

  • Vida que não acaba mais: Abriga mais de 30 mil espécies de plantas e é lar de 2,5 milhões de espécies de insetos e muitos animais únicos.

  • Sustento: É a vida de um monte (muito) de povos indígenas e ribeirinhos.

Sem a floresta, já era (acabou)! O planeta entra em colapso climático.

 

Por que a Amazônia tá Cheia de Pavulagem (Se Achando)?

 

A resposta é simples, mano: porque o que acontece aqui dentro define o futuro do mundo.

O desmatamento ilegal, a mineração escrota (desnecessária) e a agropecuária avançando na bicuda (com rapidez) são problemas que ameaçam a região.

A #Amazônia COP30 é a chance de virar o jogo e propor coisa séria pra:

  • Fortalecer as políticas de preservação no mundo todo;

  • Valorizar o conhecimento do indígena e do tradicional;

  • Fazer compromissos práticos contra o aquecimento global;

  • Garantir grana de fora pra quem protege a floresta.

 

Brasil Se Metendo (Elogiando) e Sendo Protagonista 🇧🇷

 

Ti mete! (Elogio, tipo “Manda ver!”) Sediar essa conferência bota o Brasil no holofote. É como se a gente dissesse: “A floresta tá no nosso quintal, mas a responsabilidade de cuidar dela é de todo mundo.”.

Além de meio ambiente, o evento vai mostrar pro mundo a nossa cultura, nossa culinária e a riqueza dos povos da Amazônia.

 

O Que a Galera Espera da COP30

 

A turma que manja (sabe muito) espera que saia resultado prático de lá:

  • Metas mais invocadas (decididas) pra reduzir a emissão de carbono;

  • Criar um fundo climático global pra ajudar países em desenvolvimento;

  • Incentivo pra nossa bioeconomia (produtos sustentáveis, remédios e tecnologia);

  • Investimento em pesquisa e tecnologia verde.

A Amazônia pode ser a chave pra juntar a preservação com o desenvolvimento, caramba (alegria)!

 

Os Desafios Carrancudos (Exigentes)

 

É claro que a jornada não te esperô (já começou). Tem uns obstáculos casca grossa (carrancudo, exigente) pra gente passar:

  • A ganância de quem só quer lucro imediato;

  • Corrupção que deixa as políticas ambientais panema (sem sucesso);

  • Falta de estrutura nas comunidades;

  • A briga entre país rico e país pão duro (miserável) sobre quem vai pagar a conta da transição.

 

Por que Chamam a Amazônia de “Coração do Mundo”?

 

A comparação é daora. É que nem o coração que bombeia sangue, a Amazônia bombeia vida pro planeta.

A umidade que sobe das árvores faz chover bem ali (apontar para um lugar) no Sudeste, longe daqui. O clima global depende desses “rios voadores” da Amazônia.

Se a floresta parar, seca, calor maceta (gigante) e colapso na roça vão ser a regra.

💡 Se o coração parar, o corpo já era. Sem a Amazônia, a Terra perde o equilíbrio vital.

 

Como Tu Pode Ajudar?

 

Não pensa que só o líder global tem a chave, não. O teu jeito de viver já faz a diferença:

  • Compra coisa de origem sustentável;

  • Não malina (judia) e reduz o desperdício de água e energia;

  • Ajuda os projetos ambientais bacanas;

  • Cobra os políticos por ação de verdade.

Cada atitude tua é um batimento pra manter o coração do mundo forte.

 

Conclusão

 

A #Amazônia COP30 é mais que uma conferência internacional, é mermo é (afirmação)! É um chamado, um divisor de águas e a última chance de salvar a floresta e o nosso futuro.

A gente não tá falando só de árvore. A gente tá falando da gente.

Se a Amazônia é o coração do mundo, tá na hora de garantir que ele continue batendo duro na queda (difícil de se abalar), forte e vivo!

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by veropeso202523/11/2025 0 Comments

COP30 em Belém: O Discunforme de Grana e a Pavulagem do Norte!

I. Introdução: Contexto da COP 29 e o Protagonismo do Pará
A 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 29), realizada em Baku, Azerbaijão, de 11 a 22 de novembro de 2024, representou um marco crucial nas discussões climáticas globais. Este evento anual da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) serve como um fórum para líderes mundiais, negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil avançarem nas ações climáticas globais e nos compromissos do Acordo de Paris. A COP 29 foi amplamente caracterizada como a “COP das finanças”, com as negociações centradas na definição de uma Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG) para o financiamento climático destinado a países em desenvolvimento.

Embora um acordo para o fornecimento de pelo menos US$ 300 bilhões anuais até 2035 tenha sido aprovado para apoiar ações de mitigação e adaptação, esse valor foi considerado insuficiente por países em desenvolvimento e pela própria delegação brasileira, que demandavam um montante significativamente maior, de US$ 1,3 trilhão anual. Essa divergência em relação ao volume de investimentos necessários sublinhou os desafios persistentes no financiamento climático global, refletindo um contexto geopolítico complexo e questionamentos ao regime climático internacional.

Nesse cenário, a participação de delegações subnacionais, como a do Governo do Pará, adquire uma importância estratégica. Estados e regiões com grande relevância ambiental, como o Pará, utilizam esses fóruns para apresentar suas iniciativas, compartilhar experiências e influenciar as discussões e decisões globais sobre o clima. O Pará, em particular, detém aproximadamente 25% da Amazônia brasileira e se prepara para sediar a COP 30 em Belém em 2025. Essa posição de futuro anfitrião confere à sua presença na COP 29 um caráter amplificado, servindo como uma plataforma para projeção internacional e para aprimorar sua preparação para o evento que sediará.

A iminência da COP 30 atua como um poderoso incentivo e um fator estratégico para a intensificação da participação e visibilidade do Pará na COP 29. O estado não estava apenas contribuindo para o debate atual, mas ativamente construindo sua reputação, demonstrando suas capacidades e estabelecendo uma forte presença internacional. Essa abordagem indica uma visão de longo prazo, onde o status de anfitrião é capitalizado para atrair investimentos, fortalecer parcerias e aumentar a influência do Pará na formulação de políticas climáticas globais, posicionando-o como um líder em soluções baseadas na Amazônia. A delegação paraense em Baku buscou defender a conciliação entre produção e sustentabilidade, promover a bioeconomia e destacar o avanço de seu sistema jurisdicional de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).

Este relatório tem como objetivo analisar de forma abrangente a participação da comitiva do Governo do Estado do Pará na COP 29, detalhando sua composição e os custos associados. Adicionalmente, o relatório investigará o valor recebido pelo estado a partir de créditos de carbono e a aplicação específica desses recursos, fornecendo uma análise aprofundada das estratégias financeiras e ambientais do Pará no contexto climático global.

II. A Comitiva do Governo do Estado do Pará na COP 29

A comitiva do Governo do Pará na COP 29 foi liderada pelo Governador Helder Barbalho, que teve uma participação ativa e de destaque no evento. A presença do governador foi marcada por diversas participações em painéis e eventos paralelos, onde foram apresentadas as estratégias e avanços do estado em relação à agenda climática.

O Governador Barbalho participou de um evento no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde enfatizou a importância de conciliar produção e sustentabilidade como um caminho para gerar empregos e desenvolvimento sem comprometer o meio ambiente. Ele também ressaltou a relevância do Projeto de Lei sobre o mercado de carbono, em análise no Senado, como crucial para a segurança jurídica e a previsibilidade necessárias ao avanço de negócios verdes no Brasil. Além disso, o governador apresentou o progresso na criação do sistema jurisdicional de REDD+ do Pará, projetando a geração de mais de 300 milhões de toneladas de carbono até 2027.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) do Pará também teve uma participação proeminente, com o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental, Rodolpho Zahluth Bastos, promovendo discussões sobre políticas ambientais e climáticas e apresentando iniciativas de descarbonização e bioeconomia. A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) enviou uma comitiva de deputados, liderada pelo presidente Chicão (MDB), que apresentou projetos estratégicos e um documentário sobre as consequências das mudanças climáticas na região oeste do Pará. A comitiva do Pará encerrou seus trabalhos na COP 29 ao final da primeira semana do evento, e o governador considerou o saldo da conferência “extremamente positivo” para o estado.

Composição da Delegação: Número de Políticos e Agregado

As informações disponíveis detalham o tamanho da delegação brasileira total na COP 29, que foi composta por 1.914 pessoas. Esta delegação foi a segunda maior do encontro, superada apenas pela comitiva do país anfitrião, o Azerbaijão, que teve 2.229 representantes.

No entanto, é fundamental destacar que os materiais de pesquisa não fornecem o número exato de políticos e agregados especificamente da comitiva do Governo do Estado do Pará. Embora a presença do Governador, secretários estaduais (como o da SEMAS) e deputados estaduais da Alepa seja confirmada , um número consolidado ou detalhado para a delegação paraense não é explicitado. A preocupação com a composição e os custos da delegação brasileira foi levantada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que enviou ofícios solicitando o detalhamento de cada um dos 1.914 integrantes, incluindo a justificativa de suas idas e se representantes de ONGs tiveram custos cobertos pelo governo. Essa solicitação reflete uma demanda por maior transparência sobre a delegação nacional, mas não isola os dados específicos do Pará.

 

Gastos Totais da Comitiva

Similarmente à composição, os documentos analisados não apresentam o valor total dos gastos da comitiva específica do Governo do Estado do Pará na COP 29. Existe uma menção a um gasto individual de R$ 95.264,70 para um ministro federal que chefiou a delegação negociadora brasileira na COP 29, registrado no Portal da Transparência Federal. É importante notar que este valor se refere a uma despesa do governo federal e não à comitiva do Pará.

O governo federal explicitamente declara que não se responsabiliza por custos de visto, passagens aéreas e hospedagem para os representantes credenciados. Isso implica que os custos da delegação do Pará seriam de responsabilidade do próprio estado ou das entidades/indivíduos participantes. A controvérsia geral sobre os gastos da comitiva brasileira, com o senador Plínio Valério expressando preocupação com a “farra de viagens internacionais e hospedagem em hotéis de luxo”, indica um contexto de escrutínio público sobre as despesas em eventos internacionais. Os Portais da Transparência (federal: ; estadual do Pará: ) são as fontes oficiais para consulta de despesas públicas. No entanto, os materiais de pesquisa não extraem dados específicos para a comitiva do Pará na COP 29 a partir dessas plataformas.

A ausência de números consolidados e detalhados para a comitiva específica do Pará, apesar da disponibilidade de dados para a delegação brasileira como um todo e de questionamentos parlamentares sobre os custos, aponta para uma lacuna significativa na transparência de gastos em nível subnacional para participações em eventos internacionais de grande porte. A dificuldade em obter informações granulares e acessíveis sobre as despesas de uma delegação estadual específica pode gerar desconfiança e dificultar a avaliação do custo-benefício da participação de estados em missões diplomáticas e ambientais de alto perfil.

Essa disparidade de informações cria uma tensão entre a justificativa de “investimento estratégico” para a participação do Pará na COP 29, visando promover seu sistema REDD+ e sua candidatura para a COP 30, e a percepção mais ampla de “gastos excessivos” associada à delegação brasileira como um todo. Sem informações claras e específicas sobre as despesas da comitiva do Pará, torna-se desafiador para a opinião pública e para os órgãos de controle discernir se os recursos foram utilizados de forma eficiente e alinhada aos objetivos estratégicos do estado. Isso sublinha a necessidade de que os governos estaduais não apenas justifiquem a relevância de suas participações, mas também demonstrem, por meio de relatórios financeiros detalhados e acessíveis, a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

A Tabela 1 a seguir contextualiza a participação do Pará dentro do panorama mais amplo da delegação brasileira na COP 29, apresentando os dados disponíveis sobre o tamanho da delegação nacional e um exemplo de gasto federal, ao mesmo tempo em que destaca explicitamente a ausência de informações detalhadas para a comitiva do Pará.

Custo Reportado para a Delegação Brasileira na COP 29 (Contexto) Detalhes
Tamanho Total da Delegação Brasileira
1.914 pessoas

Comparativo com o País Anfitrião
Azerbaijão: 2.229 representantes

Exemplo de Gasto Individual Federal
R$ 95.264,70 para um ministro federal que chefiou a delegação negociadora brasileira

Responsabilidade por Custos Individuais
O governo federal não se responsabiliza por custos de visto, passagens e hospedagem para representantes credenciados.

Observação sobre a Comitiva do Pará Não há dados específicos e consolidados sobre o número de membros e os gastos totais da comitiva do Governo do Estado do Pará nos materiais de pesquisa.

III. Créditos de Carbono: Valor Recebido e Potencial do Pará

O estado do Pará tem demonstrado um potencial significativo para contribuir na luta contra as mudanças climáticas, principalmente através da redução do desmatamento e da degradação florestal. Para capitalizar esse potencial, o estado desenvolveu e avançou na criação de seu Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+), um mecanismo financeiro concebido para compensar os esforços estaduais na redução do desmatamento e da degradação, promovendo ações de sustentabilidade, conservação e recuperação das florestas.

O SJREDD+ do Pará é construído sob a liderança do governo estadual, com a participação ativa e fundamental de Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PIQCTs), bem como de agricultores familiares. Esses grupos são reconhecidos como agentes essenciais para a conservação dos estoques de carbono e a manutenção da floresta em pé. O sistema paraense respeita a autonomia de áreas privadas, permitindo que proprietários desenvolvam seus próprios projetos para monetizar suas terras, ao mesmo tempo em que busca evitar a dupla contagem de créditos de carbono. O desenvolvimento do SJREDD+ do Pará conta com o apoio financeiro da Iniciativa Internacional para o Clima e Florestas da Noruega (NICFI) e é coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), com o apoio de organizações como The Nature Conservancy (TNC), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Federação dos Povos Indígenas do Pará (FEPIPA), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu). É importante ressaltar que REDD+ é um incentivo desenvolvido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados na redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal.

Valores Recebidos em Créditos de Carbono

O Pará celebrou um acordo histórico com a Coalizão LEAF, tornando-se o primeiro estado brasileiro e o primeiro estado subnacional no mundo a obter financiamento para conservação florestal por meio da venda de créditos de carbono. Este contrato prevê a venda de até 12 milhões de créditos de carbono florestal de alta integridade, gerados a partir da redução do desmatamento no estado entre os anos de 2023 e 2026.

A quantia comercializada foi de US$ 180 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão, considerando a cotação da época. Cada crédito, que representa uma tonelada métrica de CO2 equivalente evitada, foi vendido a US$ 15. Este valor foi explicitamente destacado como “acima dos níveis atuais de mercado”, demonstrando a confiança dos compradores na qualidade do carbono amazônico e nos esforços do Pará em combater o desmatamento.

A Coalizão LEAF é uma iniciativa público-privada internacional que reúne grandes empresas, como Amazon, Bayer, BCG, Capgemini, H&M Group e Fundação Walmart, além de governos como Noruega, Reino Unido, Estados Unidos e Coreia do Sul. O anúncio dessa venda foi feito pelo Governador Helder Barbalho durante a Semana do Clima de Nova York em 2024, um evento que antecedeu a COP 29, mas cujos resultados foram ressaltados na conferência.

O sucesso do Pará em vender seus créditos de carbono a US$ 15 por tonelada, um preço consistentemente descrito como “acima dos níveis de mercado”, sugere que o estado está efetivamente diferenciando seus créditos de carbono no mercado voluntário. Compradores estão dispostos a pagar um prêmio por créditos que são percebidos como mais robustos, verificáveis e socialmente responsáveis, provavelmente devido à adoção de uma abordagem jurisdicional e ao envolvimento explícito de comunidades tradicionais. Isso pode estabelecer um novo padrão para créditos de carbono de alta integridade provenientes de regiões florestais, atraindo mais investimentos e consolidando a liderança do Pará no financiamento do desenvolvimento sustentável. A integridade da governança e as salvaguardas sociais tornam-se, assim, ativos financeiros.

Projeções e Outras Parcerias

O Governador Helder Barbalho projetou a geração de mais de 300 milhões de toneladas de carbono até 2027 , indicando um potencial ainda maior para o estado no mercado de carbono. Atualmente, o Pará possui 156 milhões de toneladas na carteira de créditos até 2026, com um potencial financeiro calculado acima de R$ 10 bilhões. Essa nova fonte de recursos poderia se equiparar em importância aos setores tradicionais de mineração e agronegócio na economia paraense.

Essa projeção sinaliza uma mudança estratégica profunda na economia do Pará, em direção a uma “economia da floresta em pé”, onde a conservação gera receita substancial. O mercado de carbono transcende sua função ambiental, tornando-se um motor econômico poderoso e um instrumento político. Ao garantir fundos significativos por meio de créditos de carbono, o Pará pode aumentar sua autonomia financeira e sua capacidade de investimento em desenvolvimento sustentável, potencialmente diminuindo a dependência de indústrias extrativistas. Isso também fortalece a posição do estado para defender sua agenda climática em fóruns nacionais e internacionais, com o respaldo de resultados financeiros tangíveis.

Durante a COP 29, o Governo do Pará assinou um memorando de entendimento com a AMBIPAR Carbon Credit Participações Ltda, uma empresa de gestão ambiental. Este acordo visa a comercialização de créditos de carbono dentro do SJREDD+, buscando aumentar o valor financeiro e ambiental dos créditos e incentivar novos investimentos sustentáveis. O acordo também visa democratizar a venda de créditos, permitindo a participação de médias e pequenas empresas. A assinatura de um Memorando de Entendimento com a AMBIPAR e a intenção de criar uma “Sociedade de Propósito Específico (SPE)” para centralizar a avaliação, certificação e comercialização de créditos de carbono representam uma evolução na gestão de ativos ambientais. Essa estruturação formalizada e centralizada via SPE demonstra um esforço para profissionalizar e escalar a participação do estado no mercado de carbono. O objetivo é garantir maior credibilidade, rastreabilidade e acessibilidade dos créditos, inclusive para pequenas e médias empresas. Isso pode servir como um modelo de governança para outras entidades subnacionais que buscam desenvolver ou expandir suas iniciativas no mercado de carbono, indicando um compromisso com a integridade do processo e a maximização do valor dos ativos ambientais.

A Tabela 2 resume os detalhes do acordo de créditos de carbono do Pará com a Coalizão LEAF, fornecendo uma visão consolidada da transação.

Detalhamento do Acordo de Créditos de Carbono do Pará com a Coalizão LEAF Detalhes
Entidade Compradora
Coalizão LEAF (compradores incluem Amazon, Bayer, BCG, Capgemini, H&M Group, Fundação Walmart, e governos como Noruega, Reino Unido, EUA, Coreia do Sul)

Volume de Créditos Negociados
Até 12 milhões de toneladas de carbono

Valor Total da Negociação
US$ 180 milhões (aproximadamente R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão)

Preço por Tonelada
US$ 15

Período de Geração dos Créditos
Reduções de desmatamento entre 2023 e 2026

Significado Histórico
Primeiro estado brasileiro e primeiro estado subnacional no mundo a firmar tal acordo

IV. Destinação e Aplicação dos Valores dos Créditos de Carbono

A aplicação dos recursos gerados pela venda de créditos de carbono pelo Governo do Pará segue diretrizes claras, focadas na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável com inclusão social.

Benefícios Diretos para Comunidades Tradicionais

Uma parte substancial dos recursos gerados pela venda de créditos de carbono será direcionada para beneficiar diretamente as comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares. Essa alocação de fundos visa garantir que os benefícios financeiros cheguem “para dentro dos territórios”, reconhecendo o papel crucial que esses povos desempenham como os principais protetores das florestas e assegurando que suas vozes sejam ouvidas no processo. O contrato com a Coalizão LEAF especifica que, a partir de 2025, os valores recebidos serão utilizados para apoiar a redução do desmatamento e incentivar o desenvolvimento econômico sustentável entre essas comunidades. A inclusão da garantia de benefícios para povos indígenas e comunidades tradicionais na venda de créditos de carbono foi uma sugestão em diálogo com o senador Marcos Rogério (PL-RO), sendo considerada uma questão de justiça social e ambiental, essencial para a preservação da Amazônia e de seus habitantes.

A constante referência ao “Sistema Jurisdicional de REDD+” do Pará e o compromisso explícito de compartilhar os benefícios com PIQCTs e agricultores familiares demonstram que a abordagem jurisdicional, que integra a gestão de créditos de carbono em políticas públicas estaduais e garante a participação e o benefício de comunidades tradicionais, é um diferencial crucial para a “alta integridade” dos créditos do Pará. Ao abordar as críticas comuns aos mercados de carbono, como a exclusão de comunidades locais ou a falta de verificação robusta, o Pará não só legitima seus projetos, mas também aumenta seu valor no mercado. Esse modelo inclusivo e governamentalmente ancorado pode servir de referência para outras regiões que buscam desenvolver iniciativas de mercado de carbono transparentes e eficazes, mostrando que a integridade social e ambiental é um valor financeiro.

Investimento em Políticas de Conservação e Desenvolvimento Sustentável

A outra parte dos recursos levantados com a comercialização de créditos de carbono será destinada ao próprio Estado, com a obrigação de ser aplicada na continuidade da política de redução de emissões. Os fundos serão utilizados para apoiar a redução do desmatamento, fomentar a bioeconomia, promover o pagamento por serviços ambientais e a concessão de restauro de florestas.

Um exemplo concreto de aplicação é a primeira concessão de restauro florestal do Brasil, lançada na COP 29, que contemplará a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu. Esta iniciativa, por meio de parceria privada, visa o sequestro de 3,7 milhões a 4 milhões de toneladas de carbono e a geração de 2 mil empregos diretos. O Pará tem demonstrado resultados concretos em suas políticas de combate ao desmatamento, como a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, que estabelece uma meta de emissões líquidas zero até 2036. Em 2024, o estado alcançou uma redução de 42% nos alertas de desmatamento, a maior desde 2020.

Mecanismos de Gestão e Transparência

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) desempenha um papel central na coordenação e desenvolvimento do Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará. A assinatura do memorando de entendimento com a AMBIPAR Carbon Credit Participações Ltda na COP 29 orienta a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Esta SPE terá o papel de centralizar as atividades de avaliação técnica, certificação e comercialização eficiente de créditos de carbono, visando potencializar os ativos ambientais do Pará. A abordagem da Coalizão LEAF, com a qual o Pará firmou o acordo, é projetada para fornecer aos governos florestais acesso a financiamento previsível e de longo prazo para o desenvolvimento sustentável, com pagamentos baseados em resultados por reduções verificadas de emissões e remoções.

Embora os destinos declarados para os fundos dos créditos de carbono sejam claros (redução do desmatamento, apoio a comunidades, bioeconomia) , os mecanismos para a prestação de contas detalhada e auditoria pública dessas despesas específicas são menos explícitos nos materiais de pesquisa. A criação de uma SPE é mencionada para a comercialização , mas não há detalhes sobre como a aplicação dos fundos será auditada e reportada ao público. Isso levanta uma questão fundamental sobre a transparência e a responsabilidade na gestão e aplicação desses volumes substanciais de receita. Embora a intenção de beneficiar comunidades e investir em conservação seja louvável, a ausência de mecanismos de relatórios detalhados e publicamente acessíveis pode gerar dúvidas sobre a efetividade da aplicação e o alcance dos benefícios. Para mitigar o risco de “greenwashing” ou alocação ineficiente, é crucial que o estado implemente relatórios financeiros e de impacto periódicos e auditáveis, que demonstrem claramente como os fundos estão sendo utilizados e o progresso em relação às metas ambientais e sociais.

V. Conclusão: Balanço e Perspectivas Futuras

A participação do Governo do Estado do Pará na COP 29, liderada pelo Governador Helder Barbalho, foi marcada por um engajamento estratégico e proativo. O estado utilizou a conferência para promover seu sistema jurisdicional de REDD+, suas políticas de descarbonização e seu papel central na transição para uma economia verde na Amazônia. Essa atuação reforça o crescente protagonismo climático do Pará e a seriedade de suas políticas ambientais, posicionando-o como um ator chave na agenda global. Essa participação é ainda mais significativa no contexto da preparação para sediar a COP 30 em Belém em 2025, um evento que colocará a Amazônia no centro das discussões climáticas mundiais.

Apesar da relevância da presença paraense, os materiais de pesquisa analisados não fornecem dados específicos e consolidados sobre o número exato de políticos e agregados que compuseram a comitiva do Pará, nem sobre seus gastos totais diretos na COP 29. As informações disponíveis referem-se principalmente à delegação brasileira como um todo ou a despesas federais individuais, evidenciando uma lacuna na transparência subnacional para este tipo de evento. A persistente falta de dados consolidados e detalhados sobre a composição e os custos das delegações estaduais em eventos internacionais como a COP 29 impede uma avaliação completa da eficiência e da prestação de contas dos gastos públicos, alimentando percepções negativas sobre o uso de recursos.

Em contraste, o Pará obteve um sucesso notável na captação de recursos via créditos de carbono, destacando-se o acordo de US$ 180 milhões (equivalente a R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão) com a Coalizão LEAF. A venda de créditos a US$ 15 por tonelada, um valor acima do mercado, reflete a alta integridade e a confiança dos compradores nas iniciativas de conservação do estado. O modelo de comercialização de créditos de carbono do Pará, com sua abordagem jurisdicional e inclusiva, serve como um exemplo de como estados subnacionais podem atrair financiamento climático significativo e implementar soluções baseadas na natureza que beneficiam tanto o meio ambiente quanto as comunidades locais. Os recursos provenientes desses créditos são explicitamente destinados a programas de redução do desmatamento e, de forma crucial, ao benefício direto de povos indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares, além de outras iniciativas de bioeconomia e restauração florestal, como a concessão de restauro na APA Triunfo do Xingu.

Desafios Remanescentes e Recomendações

Para que o Pará consolide verdadeiramente sua posição como um líder climático global, especialmente como anfitrião da COP 30, é imperativo que adote um padrão mais elevado de transparência financeira em suas próprias operações e missões internacionais. A divulgação proativa e detalhada das despesas da delegação não apenas atenderia ao escrutínio público, mas também reforçaria o compromisso do estado com a boa governança, um componente chave da “alta integridade” na ação climática. Essa transparência constrói confiança entre parceiros internacionais, investidores e seus próprios cidadãos, criando um ciclo virtuoso onde a prestação de contas aprimora a legitimidade, o que, por sua vez, atrai mais investimentos sustentáveis e fortalece o impacto das ações ambientais.

Com base na análise, as seguintes recomendações são apresentadas:

Aprimoramento da Transparência Financeira Subnacional: Recomenda-se que o Governo do Pará, e outros estados, implementem um sistema de publicação proativa e detalhada sobre a composição de suas delegações em eventos internacionais. Isso deve incluir o número de participantes (discriminando políticos, técnicos, representantes da sociedade civil), a duração da estadia, e os custos totais categorizados (passagens, hospedagem, diárias, etc.). Essa informação poderia ser centralizada e facilmente acessível em uma seção dedicada no Portal da Transparência do Estado.

Fortalecimento dos Mecanismos de Prestação de Contas e Auditoria dos Créditos de Carbono: Embora os destinos declarados para os fundos dos créditos de carbono sejam claros, os mecanismos para a prestação de contas detalhada e auditoria pública dessas despesas específicas são menos explícitos. Além da já planejada criação da Sociedade de Propósito Específico (SPE) para a comercialização , é fundamental estabelecer um sistema robusto de monitoramento e avaliação da aplicação dos fundos dos créditos de carbono. Isso deve incluir a publicação de relatórios de impacto periódicos e acessíveis ao público, auditorias independentes regulares e o desenvolvimento de indicadores claros que demonstrem como os benefícios estão sendo distribuídos e como as metas de redução de desmatamento e desenvolvimento sustentável estão sendo alcançadas.

Diversificação de Fontes de Financiamento e Fortalecimento Institucional: A dependência do mercado voluntário de carbono pode expor o estado à volatilidade dos preços e à dinâmica de um mercado ainda em evolução. É aconselhável que o Pará continue a explorar e diversificar suas fontes de financiamento climático, buscando parcerias com fundos públicos e privados adicionais. Paralelamente, o fortalecimento contínuo das capacidades institucionais da SEMAS e da futura SPE é crucial para navegar no complexo cenário do financiamento climático global, garantindo a sustentabilidade financeira das iniciativas ambientais a longo prazo e a resiliência do estado frente às flutuações do mercado de carbono.

O Governador Helder Barbalho anunciou que os recursos provenientes da venda de créditos de carbono, no valor de US$ 180 milhões (aproximadamente R$ 980 milhões a R$ 1 bilhão) , serão aplicados em duas frentes principais:  

  1. Benefícios Diretos para Comunidades Tradicionais: Uma parte substancial desses recursos será direcionada para beneficiar diretamente as comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares do Pará. O objetivo é que esses valores cheguem “para dentro dos territórios”, reconhecendo o papel crucial desses povos na proteção das florestas e garantindo que suas vozes sejam ouvidas no processo. A partir de 2025, os fundos serão utilizados para apoiar a redução do desmatamento e incentivar o desenvolvimento econômico sustentável nessas comunidade.   

  1. Investimento em Políticas de Conservação e Desenvolvimento Sustentável: A outra parte dos recursos será destinada ao próprio Estado, com a obrigação de ser aplicada na continuidade da política de redução de emissões. Os fundos serão utilizados para fomentar a bioeconomia, promover o pagamento por serviços ambientais e a concessão de restauro de florestas. Um exemplo concreto é a primeira concessão de restauro florestal do Brasil, lançada na COP 29, que contemplará a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, visando o sequestro de carbono e a geração de empregos.   

  2. Para a gestão e comercialização desses créditos, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) , assinou um memorando de entendimento com a AMBIPAR Carbon Credit Participações Ltda. Este acordo orienta a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), que terá o papel de centralizar as atividades de avaliação técnica, certificação e comercialização eficiente dos créditos de carbono, buscando potencializar os ativos ambientais do Pará e democratizar a venda para médias e pequenas empresas.  

 

 

by veropeso202507/11/2025 0 Comments

Relatório Técnico: Rios Voadores da Amazônia: Dinâmica Atmosférica, Impactos Regionais e Limites de Resiliência Climática

1. Contextualização Científica e Nomenclatura

 

1.1. Rios Voadores: Da Popularização ao Termo Técnico (Jatos de Baixo Nível – JBNs)

 

O fenômeno popularmente denominado “Rios Voadores” — um termo popularizado pelo professor José Marengo 1 — refere-se, na literatura acadêmica de Climatologia e Hidrometeorologia, aos Jatos de Baixo Nível (JBNs).2 Estes são fluxos concentrados de ventos que transportam enormes volumes de vapor d'água na baixa troposfera.2 Enquanto o termo popular evoca a magnitude do transporte de água, a nomenclatura técnica (JBNs) define precisamente o mecanismo atmosférico que atua como vetor de umidade para diversas regiões do globo, sendo a Amazônia um dos centros primários de sua formação.2

A importância desse sistema reside em sua magnitude. A água que flui nesses “análogos gasosos dos rios reais” 3 é comparável, em termos de volume, a grandes sistemas hídricos, exigindo estudos de grande escala para sua descrição.4 A Amazônia não atua apenas como um receptor passivo da umidade oceânica, mas como um forçante ativo do clima continental. A intensa evapotranspiração sobre a floresta e a subsequente condensação criam uma sucção que “bombeia” os ventos alíseos, carregados de umidade do Atlântico, para o interior do continente.5 Essa sucção é o ponto de partida para a geração dos JBNs e o transporte subsequente de umidade.5

 

1.2. O Balanço Hídrico Amazônico: Evaporação, Transpiração e Reciclagem de Umidade

 

A Floresta Amazônica é, essencialmente, uma “fábrica de chuvas” 3, sustentando a vida nas florestas e além delas.3 O mecanismo fundamental que impulsiona os rios voadores é a evapotranspiração (E), que consiste na soma da evaporação da superfície e da transpiração da vasta cobertura vegetal.6 Todos os dias, a floresta emite milhares de litros de água em forma de vapor para a atmosfera.6

O entendimento da interdependência entre o ciclo hidrológico e a cobertura vegetal foi fundamentado pelos estudos pioneiros do Professor Enéas Salati.7 Por meio da análise de assinaturas isotópicas, Salati e colaboradores demonstraram, ainda em 1979, o fenômeno da reciclagem de água na Bacia Amazônica, caracterizando-a como um “sistema em equilíbrio”.7 O rastreamento isotópico aproveita o fato de que moléculas de água formadas por isótopos diferentes (por exemplo, ${}^{1}H$ e ${}^{16}O$ vs. ${}^{1}H$ e ${}^{18}O$) possuem propriedades físico-químicas distintas durante a evaporação e condensação.5 A água absorvida pelas plantas e emitida pela transpiração carrega assinaturas isotópicas específicas que dependem da “história” do vapor d'água original, permitindo aos cientistas rastrear o caminho da umidade.5

Em termos de balanço hídrico, a Bacia Amazônica atua em média como um sumidouro de umidade (moisture sink), o que significa que a precipitação (P) é consistentemente maior que a evapotranspiração (E), recebendo vapor tanto da floresta (reciclagem) quanto do Oceano Atlântico Tropical.8 A transpiração é o processo que impulsiona grande parte das chuvas locais, especialmente durante a estação seca, agindo como um mecanismo de resiliência climática fundamental para a manutenção do ecossistema.3

 

1.3. A Amazônia como Centro Global de Formação de Umidade

 

O processo de geração de umidade na Amazônia coloca a região entre os três grandes centros de formação de umidade do planeta, ao lado da Indonésia e de partes da África.2 A magnitude do fluxo de vapor d'água integrado verticalmente é tão vasta que a descrição da hidrologia amazônica exige o uso de superlativos.4

A umidade inicial é produto da intensa evaporação que ocorre na faixa equatorial do Oceano Atlântico.5 Essa umidade é então levada aos continentes pelas correntes aéreas, especificamente os ventos alíseos.5 No entanto, a contribuição biótica da floresta é o fator determinante que transforma esse fluxo oceânico passivo em um sistema de transporte ativo e de longo alcance. O volume de água reciclado e condensado pela floresta não só garante a manutenção do seu próprio regime hidrológico, mas também fornece o componente crítico de umidade para o transporte continental, reforçando a escala global de sua influência.8

 

2. Fundamentos Físicos da Circulação de Umidade

 

2.1. O Mecanismo de Sucção, os Ventos Alíseos e a Bomba Biótica

 

A circulação dos Rios Voadores é um processo complexo que envolve a interação dinâmica entre o Oceano Atlântico, a floresta e a orografia continental. Inicialmente, o transporte de umidade ocorre por meio dos ventos alíseos, que penetram no continente. No entanto, o que confere à Amazônia seu papel singular é a intensificação desse fluxo pela vegetação.

O papel do motor biológico é frequentemente descrito pela teoria da “bomba biótica” (popularizada por Antonio Nobre 9). Essa teoria postula que a transpiração massiva da floresta, ao liberar vapor d'água na atmosfera, desencadeia a condensação e a liberação de calor latente, gerando gradientes de pressão que promovem a sucção de mais ar úmido do oceano. Esse processo amplifica a penetração e canalização da umidade para o interior do continente, muito além do que seria explicado apenas pela circulação termodinâmica do oceano-continente.5

 

2.2. A Dinâmica dos Jatos de Baixo Nível (JBNs) na Atmosfera Tropical

 

Os Jatos de Baixo Nível (JBNs) são a manifestação atmosférica dos Rios Voadores. Em termos micrometeorológicos, JBNs são definidos como máximos de velocidade do vento que ocorrem nos primeiros metros da atmosfera, dentro ou próximo da Camada Limite Atmosférica (CLA).10 Sua ocorrência é comum na Amazônia. Em uma área de pastagem no sudoeste da Amazônia, estudos utilizando radiossondagem atmosférica observaram JBNs em cerca de 60% do total de perfis analisados.10

A análise da ocorrência dos JBNs sugere a atuação de diferentes mecanismos geradores, conforme suas características de intensidade e altura. Observa-se uma tendência em que JBNs fracos estão associados a alturas menores, enquanto JBNs fortes preferencialmente se desenvolvem em maiores alturas.10 Essa variabilidade indica uma complexidade que exige parametrizações de convecção e de Camada Limite Atmosférica mais refinadas em modelos numéricos. Os mecanismos de geração de JBNs são atribuídos a fatores como oscilações inerciais e gradientes de pressão resultantes do contraste térmico entre o oceano e o continente.11 A coexistência de JBNs de diferentes intensidades e alturas eleva a dificuldade de previsão de longo prazo e aponta para a importância da modelagem correta da turbulência na baixa troposfera.

 

2.3. O Efeito Barreira da Cordilheira dos Andes e o Canalamento da Umidade

 

O fluxo de umidade amazônica em direção ao Sul do continente é criticamente dependente da geomorfologia da América do Sul. Após penetrar o continente, a massa de ar úmida encontra a imponente Cordilheira dos Andes. O efeito orográfico da Cordilheira atua como uma barreira natural.2

Essa intercepção é vital, pois a Cordilheira desvia o fluxo para o sudeste e sul, criando um vasto “corredor” que segue ao longo da cadeia de montanhas.2 É este canalamento que permite que a água suspensa na atmosfera, gerada pela evapotranspiração amazônica, seja transportada e explique uma grande parte das chuvas observadas em toda a Bacia do Prata e no Sul do Brasil.2 A dependência crítica desse efeito barreira implica que qualquer alteração na circulação atmosférica (como o aquecimento regional ou o desmatamento) que desvie o fluxo antes que ele atinja os Andes pode comprometer drasticamente a eficiência do transporte de umidade, afetando o regime de chuvas em regiões remotas do continente.

 

3. Rastreamento e Quantificação da Umidade Atmosférica

 

3.1. Metodologias Empíricas: O Pioneirismo dos Traçadores Isotópicos

 

O rastreamento da origem e da história do vapor d'água na atmosfera tropical é realizado por meio de técnicas avançadas de análise de traçadores isotópicos estáveis, notavelmente o oxigênio-18 ($\delta^{18}O$) e o deutério ($\delta^{2}H$).5 O princípio reside na diferença de massa molecular entre os isótopos de água ($H_2^{16}O$ vs. $H_2^{18}O$), que induz diferentes propriedades físico-químicas durante a evaporação e a condensação.5

O uso dessas assinaturas isotópicas permitiu o trabalho seminal de Eneas Salati, confirmando a reciclagem de umidade pela floresta.7 Atualmente, a técnica é amplamente utilizada para rastrear o vapor d'água e compreender como o ciclo hidrológico respondeu a eventos climáticos passados. Por exemplo, a composição isotópica de oxigênio em espeleotemas ($\delta^{18}O_c$) é utilizada na paleoclimatologia para reconstruir a paleopluviosidade na América do Sul e investigar a resiliência dos ecossistemas sob condições hidroclimáticas contrastantes (como o Último Máximo Glacial).12 A validação empírica fornecida pelos traçadores isotópicos é fundamental para dar suporte às projeções dos modelos numéricos, confirmando que a água de outras regiões do continente é, em parte, composta por água processada pela floresta, e não apenas transportada sobre ela.

 

3.2. Modelagem Numérica do Clima e o Balanço Hídrico

 

Modelos numéricos globais e regionais são ferramentas essenciais para analisar a variabilidade climática e as interações complexas entre oceano, atmosfera e superfície terrestre.8 O Brazilian Global Atmospheric Model (BAM), utilizado por instituições como o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) 8, foi avaliado em sua capacidade de simular os componentes do balanço hídrico na Bacia Amazônica, cobrindo o período de 1979 a 2015.8

Embora o BAM consiga reproduzir a variação espaço-temporal dos componentes do balanço hídrico 8, a avaliação revelou vieses sistemáticos significativos, cruciais para a confiança em projeções futuras. O modelo apresentou deficiência no correto posicionamento do máximo de precipitação e da convergência de umidade.8

 

Desafios e Vieses Sistemáticos do Modelo BAM

 

A tabela a seguir resume as principais limitações quantitativas do modelo na Bacia Amazônica:

Table 2: Avaliação do Desempenho do Brazilian Global Atmospheric Model (BAM) na Bacia Amazônica (1979-2015)

 

Componente do Balanço HídricoDesempenho do BAMViés em Relação aos Dados de ObservaçãoImplicações na Modelagem
Precipitação (P)Simulação adequada da variação sazonalSubestimada em 8.8% 8Requer calibração na parametrização de convecção 8
Evapotranspiração (E)Dificuldade na variação sazonalSuperestimada em 5.3% 8Limitação na representação dos processos de superfície e ciclo de seca 8
Escoamento Superficial (Runoff)Não detalhadoSubestimado em 36.8% 8Risco em projeções hidrológicas de longo prazo 8
Fechamento do Balanço HídricoSumidouro de umidade (P > E) bem representadoNão-fechamento de 52.6% 8Limitação significativa nas parametrizações físicas, exigindo ajustes urgentes 8

Os vieses sistemáticos são de grande importância na determinação do grau de confiança para simulações climáticas presentes e futuras.8 A superestimação da evapotranspiração em 5.3% e a subestimação da precipitação em 8.8% indicam uma limitação nas parametrizações físicas do modelo, especialmente aquelas ligadas à convecção e convergência de umidade.8

Um desafio notável é a dificuldade do modelo em simular a variação sazonal da evapotranspiração, superestimando-a na estação chuvosa e subestimando-a na estação seca.8 Esta subestimação da E durante a estação seca é particularmente crítica, visto que a transpiração é o principal fator que impulsiona as chuvas locais nesse período.3 Se os modelos não representam com precisão esse processo vital na estação de estresse hídrico, eles falham em prever a resiliência da floresta e os riscos de dessecamento em cenários de mudança climática. O não-fechamento do balanço hídrico em 52.6% é o indicador mais forte da necessidade de ajustes e calibração urgentes nos modelos globais brasileiros, especialmente na representação de processos de superfície.8

 

4. Importância Hidrológica e Conectividade Climática Regional

 

4.1. A Rota Sul: Contribuição dos JBNs para o Regime de Chuvas

 

Os JBNs são fundamentais para o regime hidrológico extrabacia amazônica. A água suspensa na atmosfera, oriunda da evapotranspiração amazônica, é responsável por grande parte das chuvas que caem sobre o Centro-Oeste, Sudeste, e Sul do Brasil, estendendo sua influência por toda a Bacia do Prata.2 Esse processo de deslocamento evidencia que o equilíbrio ecológico e hidrológico de regiões distantes do continente está intrinsecamente interligado ao ecossistema amazônico.2

 

4.2. Impacto Econômico: Dependência do Agronegócio e da Geração de Energia Hidrelétrica

 

A manutenção do fluxo regular dos Rios Voadores é essencial para a sustentabilidade de diversas atividades econômicas brasileiras, abrangendo desde a agricultura de grande escala até a indústria, e impactando diretamente a qualidade de vida da população.5

Os JBNs fornecem a segurança hídrica necessária para as regiões mais produtivas do Brasil.14 Consequentemente, a diminuição observada das chuvas, atribuída ao desmatamento amazônico, tem sido documentada em áreas cruciais para o agronegócio e para o funcionamento das usinas hidrelétricas.14 Para os investidores nos setores agrícola e de energia, que dependem diretamente da disponibilidade de água e da regularidade climática, o desmatamento se traduz em um fator de risco concreto.15 Assim, a preservação florestal assume o status de política estratégica de segurança hídrica e alimentar para o país.13

 

4.3. Análise de Eventos de Bloqueio: O Estudo de Caso da Crise Hídrica (2014-2015)

 

A crise hídrica que atingiu o Sudeste do Brasil entre 2014 e 2015, resultando na seca e racionamento do Sistema Cantareira em São Paulo, foi um evento extremo e sem precedentes.16 Estudos indicam que essa seca estava diretamente ligada a um desastre natural coetâneo no Norte do país: as enchentes em Rondônia e no Acre.16

O mecanismo de teleconexão que causou a crise foi o bloqueio atmosférico. Uma “bolha gigante de ar quente” (uma região de alta pressão persistente) estacionou sobre o Sudeste e Centro-Oeste por aproximadamente um mês e meio.16 Essa alta pressão atuou como uma barreira que impediu as correntes de ar úmido (os Jatos de Baixo Nível) vindas da Amazônia de penetrarem no Sudeste.16

O bloqueio forçou um desvio catastrófico da umidade, resultando em extremos climáticos opostos: a falta de chuva no Sudeste e a concentração dessa umidade desviada, que gerou enchentes destrutivas no Acre e em Rondônia, além de precipitações acima da média no Rio Grande do Sul.16 Este evento demonstrou que a perturbação na circulação do JBN transforma o risco ambiental amazônico em um risco hidrológico e energético nacional. O prejuízo econômico total no ano de 2014 foi estimado em US$ 5 bilhões.16 A ocorrência desses eventos extremos ressalta a fragilidade do sistema continental e reforça que a conservação amazônica deve ser integrada aos planos estratégicos de segurança hídrica, energética e agrícola do país.

 

5. O Risco Climático e o Ponto de Inflexão da Amazônia

 

5.1. Impacto do Desmatamento na Evapotranspiração e na Precipitação

 

O desmatamento na Amazônia tem consequências diretas e quantificáveis no balanço hídrico regional e na circulação dos JBNs. A remoção da cobertura florestal leva a uma redução drástica da evapotranspiração, enfraquecendo o motor biológico (a “fábrica de chuvas”) que injeta e recicla umidade na atmosfera.6

Modelos climáticos sugerem que a retirada completa da floresta diminuiria a precipitação na Amazônia em uma faixa de 15% a 30%.17 Essa redução do fluxo de umidade afeta o desequilíbrio atmosférico e acarreta incerteza climática, configurando um risco para os setores econômicos dependentes da regularidade hídrica.15

 

5.2. Projeções de Savanização e Redução no Fluxo dos Rios Voadores

 

O ecossistema amazônico possui um limite fisiológico de resistência à perturbação. Se esse limite for ultrapassado, pode ocorrer um ponto de inflexão ecológica desastroso (tipping point).3 A perda da floresta tropical e sua substituição por vegetação de savana resultaria em uma estação seca mais longa e uma redução significativa no volume total de chuvas.6 O consenso científico é claro: a manutenção do regime hidrológico depende da floresta. Nas palavras dos pesquisadores, “sem a floresta, não há chuva, e sem chuva, não há floresta”.3

Há uma nuance importante nas projeções: embora a remoção da floresta reduza a chuva na Amazônia, pode haver um aumento do risco de tempestades pontuais no Sul do país.17 Isso ocorre porque a floresta madura atua para distribuir a umidade de forma eficiente e controlada. Sem ela, os ventos úmidos vindos do oceano podem penetrar o continente mais rapidamente (em apenas dois ou três dias).17 A umidade que não é liberada de maneira contínua pelo ciclo de evapotranspiração amazônico é forçada a se condensar em eventos extremos concentrados, resultando em inundações e tempestades em vez de chuvas suaves e benéficas para a agricultura.17

 

5.3. Revisão dos Limites Científicos para o Tipping Point

 

O risco de savanização está diretamente ligado ao percentual de área desmatada. Historicamente, as primeiras estimativas calculavam que a Amazônia poderia suportar um desmatamento de até 40% antes de perder sua capacidade de regeneração.18 No entanto, estudos mais recentes, combinando modelos teóricos, dados empíricos e observações de satélite, revisaram drasticamente esse limite.

A estimativa crítica atual indica que o temido ponto de não retorno pode ser alcançado se 20% a 25% da floresta tropical for desmatada.18 Esta estimativa de risco é corroborada por evidências que mostram que a floresta, no Arco do Desmatamento (principalmente no norte de Mato Grosso e em Rondônia), já está sendo forçada no limite há décadas, tornando-a altamente sensível ao tipping point.18

A urgência das projeções científicas exige uma resposta imediata. As informações disponíveis são mais do que suficientes para embasar uma política de parar o desmatamento e iniciar o reflorestamento.17 Contudo, é fundamental considerar a inércia do sistema. A reconstrução de uma floresta leva décadas para restaurar plenamente seus efeitos hidrológicos e climáticos.19 A ação de mitigação exige, portanto, paciência e uma visão de longo prazo para que os serviços ecossistêmicos de geração de umidade sejam recuperados.

A tabela a seguir consolida as projeções de risco e os limites críticos de desmatamento:

Table 3: Limites Críticos de Desmatamento e Projeções de Impacto no Regime Hídrico

 

Cenário de DesmatamentoProjeção de Redução de Chuvas na AmazôniaConsequência Climática PrincipalRisco Associado aos JBNs
20% a 25% da área totalSignificativa, levando ao Tipping PointSavanização e Estação Seca ProlongadaColapso da “fábrica de chuvas” 3
Perda total da floresta (Modelos)15% a 30% 17Diminuição da precipitação eficiente e aumento de temperaturas 6Fluxo acelerado de umidade oceânica e risco de tempestades no Sul 17
Bolha de ar quente persistente (2014)Bloqueio total dos JBNs no SudesteSeca severa no Sudeste; Enchente no Norte/Sudoeste 16Desvio catastrófico da umidade, evidenciando a teleconexão 16

 

6. Síntese e Diretrizes Estratégicas

 

6.1. Síntese dos Principais Resultados Científicos

 

O estudo da dinâmica dos Rios Voadores da Amazônia revela uma dependência ecossistêmica e macroclimática profunda entre a Bacia Amazônica e as regiões agrícolas e de alta densidade populacional do continente sul-americano.

  1. Validação Mecanística: Os Rios Voadores são, tecnicamente, Jatos de Baixo Nível (JBNs), cujo transporte de umidade é impulsionado pela intensa evapotranspiração florestal e canalizado pela Cordilheira dos Andes.2 O rastreamento isotópico fornece a prova empírica da reciclagem de umidade e da conectividade continental.5
  2. Risco Hidrológico Nacional: A estabilidade hídrica e a produtividade econômica do Centro-Sul do Brasil e da Bacia do Prata dependem umbilicalmente da manutenção da saúde hidrológica amazônica.13 Eventos de bloqueio atmosférico, como o de 2014, demonstram que a interrupção do fluxo de JBNs pode gerar crises hídricas e perdas multibilionárias simultâneas em regiões distantes.16
  3. Proximidade do Limite Crítico: A Amazônia está perigosamente próxima de um Ponto de Inflexão (Tipping Point). O desmatamento, se ultrapassar o limiar crítico de 20% a 25%, pode desencadear a savanização, resultando na perda da capacidade de gerar chuvas em escala continental e regional.3

 

6.2. Diretrizes de Preservação e Restauração Florestal como Política Hídrica

 

A preservação da Amazônia deve ser reclassificada de uma política ambiental para uma política de segurança hídrica, energética e alimentar nacional. O custo da inação, demonstrado pela crise hídrica de 2014, é significativamente maior do que o custo da conservação.

  1. Intervenção Focada: Esforços de fiscalização e restauração devem ser concentrados nas áreas mais sensíveis do Arco do Desmatamento, onde o risco de tipping point é mais alto e onde a floresta está sob maior estresse.18
  2. Restrição e Recuperação: É imperativo que o desmatamento seja paralisado imediatamente e que se inicie o reflorestamento.17 A manutenção de reservas legais preserva o poder da floresta de fazer chover e aumenta a resiliência do país aos extremos climáticos.15 Embora a recuperação dos serviços ecossistêmicos (como a evapotranspiração) leve décadas, a ação deve começar agora para mitigar o risco de colapso não linear do sistema.19
  3. Melhoria da Modelagem: É fundamental investir na calibração e ajuste de modelos atmosféricos (como o BAM), focando na parametrização de processos de superfície e convecção, para reduzir os vieses sistemáticos (como o não-fechamento do balanço hídrico em 52.6% 8) e aumentar a confiança nas projeções de JBNs e crises hídricas futuras.

Referências citadas

  1. Fenômeno dos rios voadores, acessado em novembro 7, 2025, https://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/
  2. Rios voadores: o caminho das chuvas – FAPERJ, acessado em novembro 7, 2025, https://www.faperj.br/?id=1514.2.2
  3. Entenda como os “rios voadores” da Amazônia levam chuvas ao resto do Brasil, acessado em novembro 7, 2025, https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/entenda-como-os-rios-voadores-da-amazonia-levam-chuvas-ao-resto-do-brasil/
  4. Amazônia e Mudança Global | NASA Earthdata, acessado em novembro 7, 2025, https://www.earthdata.nasa.gov/data/projects/lba-eco/amazonia-mudanca-global
  5. Os rios voadores, e o clima brasileiro a Amazônia, acessado em novembro 7, 2025, http://riosvoadores.com.br/wp-content/uploads/sites/4/2013/05/caderno_rios_voadores.pdf
  6. Rios voadores da Amazônia – Brasil Escola – UOL, acessado em novembro 7, 2025, https://brasilescola.uol.com.br/brasil/rios-voadores-amazonia.htm
  7. Enéas Salati, o pai dos rios voadores da Amazônia – Revista Pesquisa Fapesp, acessado em novembro 7, 2025, https://revistapesquisa.fapesp.br/eneas-salati-o-pai-dos-rios-voadores-da-amazonia/
  8. (PDF) Avaliação do Brazilian Global Atmospheric Model na …, acessado em novembro 7, 2025, https://www.researchgate.net/publication/347822464_Avaliacao_do_Brazilian_Global_Atmospheric_Model_na_Simulacao_dos_Componentes_do_Balanco_de_agua_na_Bacia_Amazonica
  9. Rios voadores e a produção agrícola brasileira serão abordados em palestra na Esalq, acessado em novembro 7, 2025, https://www.esalq.usp.br/banco-de-noticias/rios-voadores-e-produ%C3%A7%C3%A3o-agr%C3%ADcola-brasileira-ser%C3%A3o-abordados-em-palestra-na-esalq
  10. JATOS DE BAIXOS NÍVEIS NO SUDOESTE DA AMAZÔNIA 1Raoni Santana, 2Júlio Tota,3Rosa Maria dos Santos, 1Roseilson do Vale RESUMO, acessado em novembro 7, 2025, https://periodicos.ufsm.br/cienciaenatura/article/download/11684/pdf/52831
  11. Investigação dos Jatos de Baixos Níveis na Região Metropolitana de São Paulo – IAG-USP, acessado em novembro 7, 2025, https://www.iag.usp.br/sites/default/files/2024-10/TESE_DE_DOUTORADO_CORRIGIDA_MACIEL_PINERO_SANCHEZ.pdf
  12. Efeitos da evapotranspiração e da ciclagem de umidade na evolução do clima da Floresta Amazônica durante o Último Máximo Glacial e Holoceno – Biblioteca Virtual da FAPESP, acessado em novembro 7, 2025, https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/197170/efeitos-da-evapotranspiracao-e-da-ciclagem-de-umidade-na-evolucao-do-clima-da-floresta-amazonica-dur/
  13. Sem floresta, o agro não é nada. Entenda a importância dos colossais “Rios Voadores”, acessado em novembro 7, 2025, https://oeco.org.br/reportagens/sem-floresta-o-agro-nao-e-nada-entenda-a-importancia-dos-colossais-rios-voadores/
  14. TRAJETÓRIAS DE PESQUISA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA – Horizon IRD, acessado em novembro 7, 2025, https://horizon.documentation.ird.fr/exl-doc/pleins_textes/2023-05/010087846.pdf
  15. Rios voadores: reservas legais preservam o poder da floresta de fazer chover, acessado em novembro 7, 2025, https://www.abc.org.br/2019/05/03/rios-voadores-reservas-legais-preservam-o-poder-da-floresta-de-fazer-chover/
  16. Estudo vê conexão amazônica na crise hídrica – FAPEAM, acessado em novembro 7, 2025, https://www.fapeam.am.gov.br/estudo-ve-conexao-amazonica-na-crise-hidrica/
  17. Um rio que flui pelo ar – Revista Pesquisa Fapesp, acessado em novembro 7, 2025, https://revistapesquisa.fapesp.br/um-rio-que-flui-pelo-ar/
  18. Amazônia pode entrar em colapso em 2050, diz pesquisa – MPMT, acessado em novembro 7, 2025, https://www.mpmt.mp.br/conteudo/731/135852/amazonia-pode-entrar-em-colapso-em-2050-diz-pesquisa
  19. Rios voadores – YouTube, acessado em novembro 7, 2025, https://www.youtube.com/watch?v=if4Owga0SjY