Introdução: Égua, Mana! O Buraco é Mais Embaixo no Nosso Chão
Parente, te ajeita nesse jirau, pega tua cuia de tacacá bem quente — cuidado pra não queimar o bico — e presta atenção, porque o papo hoje não é lero-lero. Se tu pensas que conhece a Amazônia só porque viu o Boi Garantido na televisão ou porque tomou um açaí no Ver-o-Peso, tu tá é leso. A gente vai mergulhar fundo, lá na baixa da égua da história, pra desenterrar a verdade sobre quem somos, quantos somos e como essa terra, que hoje chamam de Brasil, na verdade é um grande paneiro de nações que muita gente tenta tapar o sol com a peneira pra não ver.
A missão aqui é maceta: vamos fazer uma contabilidade rigorosa, sem migué, de quantas etnias e tribos pisam nesse chão sagrado. Não tô falando de meia dúzia de gato pingado não. Tô falando de uma multidão de parentes, gente porruda de história, que tá aqui desde o tempo que o rio Amazonas era só um igarapé. Vamos usar os dados novos do IBGE, que finalmente parou de perambular e fez o serviço direito, e cruzar com a sabedoria dos troncos velhos, das organizações como a COIAB e a COICA, pra te mostrar que a diversidade aqui é só o filé.
Mas ó, não te espanta se o número for discunforme. A gente cresceu ouvindo que índio era coisa do passado, que tava acabando. Tí mete! Os dados mostram que os parentes tão é brotando da terra, numa retomada que tá deixando muito antropólogo de queixo caído, pagando pra ver. E nós, caboclos, misturados, ingilhados de tanto banho de rio, somos parte dessa história. Porque, no fundo, arranha um pouco a pele de qualquer paraense ou amazonense que tu vai encontrar um Tupinambá, um Munduruku ou um Marajoara gritando lá dentro.
Então, deixa de pavulagem, esquece esse celular um minuto e vem comigo nessa viagem, que vai de Mairi (a nossa Belém antiga) até a Cabeça do Cachorro, passando pelas aldeias dos isolados que não querem papo com ninguém. O negócio vai ser chibata!
Parte I: A Explosão Demográfica e o “Milagre” do Censo 2022
1.1. Quando o IBGE Meteu a Cara na Mata
Mano, tu lembra como era antigamente? O recenseador chegava na beira do rio, olhava de longe, via um caboclo de camisa e dizia: “Ah, esse aí é pardo”. E já era. O número de indígenas sempre dava meia tigela. Mas em 2022, o negócio mudou. O IBGE, com apoio das organizações indígenas, resolveu trabalhar de rocha. Eles entraram nos territórios, subiram os rios onde o vento faz a curva, foram lá na caixa prega e perguntaram olhando no olho: “Tu te considera indígena?”. E a resposta veio na bicuda.1
O resultado foi um estrondo, parecia gol do Remo no Mangueirão lotado. O Brasil tem hoje, oficialmente, 1.693.535 indígenas.3 É gente pra mais de metro! Um aumento de quase 89% em relação a 2010. Tu acha que nasceu tanto curumim assim em dez anos? Nem com nojo. O que aconteceu foi que o povo perdeu a vergonha. Aquele parente que vivia embiocado na periferia de Manaus ou de Belém, com medo de sofrer preconceito, agora bateu no peito e disse: “Sou indígena, sim senhor! E daí?”. É a tal da autodeclaração, a retomada da identidade. O caboclo se olhou no espelho e viu a avó dele, viu a bisavó pegada no laço, e decidiu assumir a herança.5
1.2. A Amazônia Legal: O Coração da Aldeia
Agora, foca aqui no nosso quintal. Desses quase 1,7 milhão de parentes, a maioria absoluta tá aqui, na Amazônia Legal. São 867.919 indígenas vivendo no Norte, no Mato Grosso e num pedacinho do Maranhão.3 Isso dá 51,25% de toda a população indígena do país. Ou seja, mano, a Amazônia é a grande maloca do Brasil.
E a diversidade? Vixe Maria! O Censo identificou 391 etnias diferentes no Brasil inteiro.1 Tu tem noção do que é isso? São 391 jeitos diferentes de ver o mundo, de organizar a família, de rezar, de comer. E dentro da Amazônia, essa diversidade é ainda mais concentrada.
Olha só como a coisa se espalha pelos nossos estados vizinhos (e aqui no nosso também):
| Estado (Amazônia Legal) | População Indígena (2022) | Detalhe “Pai d'Égua” |
| Amazonas | 490.854 | O campeão absoluto. Quase meio milhão de parentes! 6 |
| Roraima | 97.320 | Terra de Macuxi e Yanomami, gente braba. 7 |
| Pará | 80.974 | Nosso terreiro. Menos gente que o AM, mas uma diversidade maceta. 7 |
| Mato Grosso | 58.231 | Onde o Cerrado encontra a Floresta, terra de Xavante e Kayapó. 7 |
| Maranhão | 57.214 | Os parentes Tenetehara e Guajajara resistindo no meio do fogo. 7 |
| Acre | 31.699 | Terra dos Huni Kuin e do cipó sagrado. 7 |
| Rondônia | 21.153 | Muita gente lá, mas muito conflito também. 7 |
| Tocantins | 20.023 | Povo Apinajé e Krahô segurando as pontas. 7 |
| Amapá | 11.334 | Pequeno, mas cheio de Waiãpi e Galibi guerreiros. 7 |
1.3. Manaus e São Gabriel: As Capitais da Floresta
Um dado que deixou todo mundo encabulado foi o crescimento das cidades. Manaus hoje é a cidade mais indígena do Brasil, com 71.713 parentes.6 Tu anda no centro de Manaus e ouve Tikuna, Tukano, Sateré. É a retomada urbana. E São Gabriel da Cachoeira? Ah, mano, lá é outro nível. Lá é a “Cabeça do Cachorro”, onde a maioria da população é indígena e tu precisa falar umas três línguas pra comprar um chibé na feira.6
No Pará, Santarém também deu um show. O município registrou 87 etnias diferentes!.2 É uma mistura de gente que desceu o Tapajós, gente que veio do Amazonas, e gente que sempre teve ali, como os Borari e os Arapium, que ressurgiram com força total.
1.4. A Questão do “Pardo” vs. Indígena
Aqui cabe uma reflexão de cabeça. Por muito tempo, chamaram a gente de “pardo” ou “caboclo” como uma forma de apagar a nossa identidade. Dizer que alguém é “pardo” é dizer que ele não tem cor, não tem tribo, não tem história. É como se fosse um migué estatístico pra tomar a terra do índio. “Ah, ele não é índio, é caboclo, então pode passar o trator”.
Mas o caboclo da Amazônia, aquele que vive do rio, que faz farinha, que conhece os remédios do mato, ele é indígena na essência. A cultura dele é indígena. O Censo de 2022 mostrou que muita gente cansou desse lero lero e decidiu assumir: “Eu sou indígena”. Isso é muito firme, porque fortalece a luta pela terra e pelos direitos.
Parte II: A Pan-Amazônia e os Parentes Sem Fronteiras
Parente, se tu acha que a Amazônia acaba na linha que divide o Brasil da Colômbia ou do Peru, tu tá precisando estudar mais geografia, seu leso. A floresta não tem fronteira. O rio não pede passaporte. A Amazônia é uma só, a Pan-Amazônia, que abraça 9 países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
2.1. Os 511 Povos da Grande Bacia
A COICA (Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica), que é a organização “mãe” dessa galera toda, levantou um dado que é de cair o queixo: existem 511 povos indígenas na Pan-Amazônia.9 É uma diversidade que faz a Europa parecer um bairro pequeno.
Esses povos não tão nem aí pra linha do mapa. Veja os Tikuna, por exemplo. Eles são o povo mais numeroso da Amazônia brasileira, com mais de 70 mil pessoas 2, mas eles também tão na Colômbia e no Peru.11 Eles atravessam o rio Solimões pra visitar a família do outro lado como quem atravessa a rua pra comprar pão. São povos transfronteiriços.
Tem os Yanomami, que vivem no Brasil e na Venezuela. Tem os Waiwai aqui no Pará que vão pro Suriname e pra Guiana visitar os parentes.12 Pra eles, a fronteira é uma invenção do homem branco (“karaiwa” ou “pariwat”) pra dividir o que não se divide.
2.2. A Demografia Pan-Amazônica
Estima-se que existam cerca de 1,5 a 2 milhões de indígenas vivendo em toda a bacia amazônica.13 Mas a pressão é grande, mano. É garimpo na Venezuela, é narcotráfico na Colômbia e no Peru, é soja e boi no Brasil. O cerco tá fechando. Mas a resistência é dura na queda. Na COP 30, que vai rolar aqui em Belém em 2025, a promessa é que essa galera dos 9 países vai descer em peso pra cobrar o que é deles. Vão ser mais de 1.600 lideranças acampadas aqui 14, mostrando que a Amazônia tem dono e tem voz. Vai ser um banzeiro de gente pintada de urucum e jenipapo na porta dos governantes!
Parte III: A Torre de Babel Verde (Troncos e Línguas)
Tu pensa que índio fala tudo a mesma língua? “Ah, miserável”, tu tá muito enganado. A Amazônia é a maior Torre de Babel do mundo. Aqui se fala 295 línguas indígenas diferentes só no lado brasileiro.1 É língua que não acaba mais! Se tu acha difícil entender o nosso “amazonês” cheio de gíria, tenta desenrolar um papo em Yanomami ou em Munduruku pra ver se tu não fica encabulado.
Os linguistas, esses caras escovados que estudam a fala, dividem essa confusão organizada em “troncos” e “famílias”. Bora desenrolar esse rolos:
3.1. O Tronco Tupi: A Alma da Nossa Fala
O Tronco Tupi é o “pai d'égua” das línguas brasileiras. Ele se espalhou por quase todo o país, mas é na Amazônia que ele tá mais vivo.15 Sabe por que a gente fala “jacaré”, “abacaxi”, “pipoca”, “pindaíba”, “tapera”? Tudo isso é Tupi. O nosso português aqui do Norte é um “português tupinizado”.
No Pará, o Tupi é forte demais. Temos línguas como:
- Munduruku: Falado pelos guerreiros do Tapajós. É uma família inteira dentro do tronco.
- Asurini, Parakanã, Tembé, Suruí: Tudo parente linguístico.
- Nheengatu (Língua Geral): Essa aqui merece um parágrafo só pra ela.
O Nheengatu: Mano, tu sabia que até o século XIX, quase todo mundo na Amazônia falava Nheengatu e não português?.17 Os padres jesuítas pegaram o Tupi antigo dos Tupinambá, deram uma ajeitada na gramática e criaram essa “Língua Geral” pra catequizar a galera. Foi a língua do comércio, da casa, da rua. Depois o governo proibiu, disse que era língua de bicho, e forçou o português na marra (“à pulso”). Mas o Nheengatu sobreviveu! Lá no Rio Negro, no Amazonas, é língua oficial hoje.18 E aqui no Pará, muitas palavras que a gente usa no dia a dia (tipo “cuitia”, “curumim”, “buiado”) vêm direto dele.
3.2. O Tronco Macro-Jê: Os Senhores do Cerrado
Se o Tupi é a língua do litoral e dos rios grandes, o Macro-Jê é a língua do interiorzão, do cerrado que encontra a floresta. É uma língua de som mais “duro”, gutural, cheia de estalos. Os principais representantes aqui no Pará são os Kayapó (Mebengôkre) e os povos Timbira (como os Gavião Parkatêjê e Kyikatêjê).16 O povo Jê é conhecido por ser carrancudo na briga, super organizado socialmente e por fazer aquelas corridas de tora pesadas pra dedéu (corrida de tora). A língua deles é complexa, cheia de tons.
3.3. As Famílias Karib, Aruak e os Isolados
Além dos dois grandões, tem as famílias que correm por fora, mas são gigantes:
- Família Karib: Domina o norte do Pará (Calha Norte). São os povos Waiwai, Hixkaryana, Tiriyó, Aparai, Wayana.12 Eles falam línguas aparentadas, vivem na fronteira com as Guianas e têm uma arte plumária que é daora.
- Família Aruak: Foi uma das maiores da América do Sul, espalhada do Caribe até o Pantanal. Aqui no Pará tem menos, mas no Amazonas tem os Baniwa e os Baré.
- Línguas Isoladas: Tem língua que é sozinha no mundo, tipo filho único. O Tikuna, que é a língua mais falada da Amazônia (mais de 50 mil falantes), é isolada!.2 Não tem parentesco com ninguém. Te mete!
A tabela abaixo mostra como essa diversidade linguística se espalha aqui no Pará:
| Tronco/Família | Povos no Pará (Exemplos) | Características |
| Tupi | Munduruku, Tembé, Parakanã, Asurini, Kayabi | A base da nossa cultura cabocla. Línguas de povos ribeirinhos e guerreiros. 16 |
| Macro-Jê | Kayapó (Mebengôkre), Xikrin, Gavião | Povos do interflúvio, grandes aldeias circulares, guerreiros de borduna. 16 |
| Karib | Waiwai, Tiriyó, Wayana, Aparai, Hixkaryana | Norte do Pará. Grandes viajantes, conexão com as Guianas. 12 |
| Aruak | Mawayana | Menor presença no PA, mas historicamente importante. 16 |
| Warao | Warao | Povo originário da Venezuela, refugiados recentes que trouxeram sua língua pro Pará. 16 |
Parte IV: Mairi – A Cidade Enterrada Debaixo de Belém
Parente, agora o papo é sobre a nossa casa. Tu caminha pelas ruas da Cidade Velha, vê aqueles casarões portugueses e pensa: “Nossa, que herança europeia bonita”. Tapa o sol com a peneira não, mana! Debaixo dessas pedras portuguesas tem sangue e história indígena. Antes de Belém ser Belém, isso aqui era Mairi.20
4.1. A Metrópole Tupinambá
Muito antes de Francisco Caldeira Castelo Branco (aquele português enxerido) chegar aqui em 1616 pra fundar o Forte do Presépio, Mairi já era uma “metrópole” da floresta. Era um cacicado Tupinambá enorme, organizado, cheio de gente. Os Tupinambá não eram pouca coisa não. Eles dominavam a costa brasileira quase toda. Aqui na foz do Amazonas, eles controlavam o comércio, a pesca e a guerra. Mairi significa, em Tupi, “lugar de gente”, “povoado” ou até “lugar dos franceses” (mair) com quem eles negociavam antes dos portugueses chegarem.22 O historiador Márcio Neco e outros pesquisadores dizem que o nosso querido Ver-o-Peso não nasceu com os portugueses. Ali, na beira da baía do Guajará, já devia existir um posto de troca indígena milenar.22 Os parentes vinham de canoa trazer peixe, farinha, ervas, cerâmica. O português só chegou, botou uma casa pra cobrar imposto (a Casa de Haver-o-Peso) e disse que fundou o mercado. É muito migué, né? A alma do Ver-o-Peso, aquela muvuca, aquela troca, o cheiro de pitiú e de cheiro-do-pará, tudo isso é herança de Mairi.
4.2. A Guerra e a Resistência de Guaimiaba
A transição de Mairi pra Belém não foi pacífica, não. Foi na base da porrada. Os portugueses queriam escravizar os índios pra construir a cidade. Mas tu acha que Tupinambá aceita canga? Nunca. Em janeiro de 1619, três anos depois da fundação do forte, estourou o Levante dos Tupinambá.22 O grande líder dessa revolta foi o cacique Guaimiaba (que significa “aquele que abraça”, ou “cão sem dono” em algumas traduções, um nome de guerreiro). Guaimiaba juntou uma galera de parentes e partiu pra cima do Forte do Presépio pra expulsar os invasores. Foi flecha contra arcabuz. Dizem que a batalha foi feia, sangue tingindo a baía. Infelizmente, Guaimiaba morreu combatendo, e os portugueses, com armas de fogo, conseguiram segurar o forte. Depois disso, a repressão foi brutal. Muitos índios fugiram pro interior, outros foram mortos, e outros foram escravizados e misturados à força.
4.3. O Caboclo: O Herdeiro de Mairi
Foi dessa mistura violenta, desse estupro colonial, que nasceu o Caboclo. Nós somos os filhos de Mairi. A gente perdeu a língua (ou quase), perdeu o nome da tribo, mas não perdeu o costume. Olha pra ti mesmo, parente. Tu dorme em rede? Herança indígena. Tu come tacacá, maniçoba, tucupi? Herança indígena. Tu toma banho de cheiro pra tirar a panema? Herança indígena. Tu aponta com o bico? Herança indígena. A “aura” de Mairi tá viva na cidade.21 Tá nos nomes dos bairros: Jurunas (nome de tribo!), Guamá, Icoaraci, Outeiro (ilha de Caratateua). Tá nas lendas que a gente conta. Belém é uma cidade indígena que foi rebocada de cimento europeu, mas quando chove e dá um toró, a tinta sai e a cara de índio aparece.
Parte V: Etnografias da Resistência (Quem São os Parentes do Pará?)
O Pará é gigante, e cada canto desse estado tem um povo com uma história de luta que merece respeito. A FEPIPA (Federação dos Povos Indígenas do Pará) divide o estado em 8 regiões pra tentar organizar a luta.24 Bora conhecer quem é quem nessa broca:
5.1. Os Munduruku: As Formigas Vermelhas do Tapajós
Se tem um povo que é duro na queda, é o Munduruku. Eles são a maior etnia do Pará em população tradicional, dominando o vale do Rio Tapajós (Itaituba, Jacareacanga). O nome “Munduruku” não é o nome original deles. Eles se chamam Wuy jugu (Nossa Gente). “Munduruku” foi um apelido dado pelos inimigos Parintintin, que significa “formigas vermelhas”.25 Sabe por quê? Porque antigamente, quando eles iam pra guerra, eles iam em enxames, milhares de guerreiros organizados, atacando sem dó. Eram os “espartanos” da Amazônia. Cortavam a cabeça dos inimigos e mumificavam pra usar como troféu de poder. Cabuloso, né? Hoje, a guerra deles não é mais por cabeça, é por terra e rio. Eles lutam contra as barragens de hidrelétricas que querem afogar o Tapajós e contra os garimpeiros que sujam a água de mercúrio. Os Munduruku são famosos por fazerem a “autodemarcação”: eles mesmos pegam o GPS, pintam a cara de urucum e vão lá marcar o território e expulsar invasor na bicuda.26
5.2. Os Kayapó (Mebengôkre): Os Guardiões do Xingu
Lá no sul do Pará, na região do Xingu, mandam os Mebengôkre (conhecidos como Kayapó). Tu já deve ter visto o Cacique Raoni, aquele senhor com o labret (disco) no lábio. Ele é Kayapó. Eles são um povo do tronco Jê, famosos pela pintura corporal preta (de jenipapo) que imita casco de jabuti ou pele de cobra, e pelos cocares amarelos e azuis gigantes. Eles controlam um território imenso, maior que muito país da Europa. Os Kayapó são mestres na política. Nos anos 80, eles foram pra Brasília, pintados de guerra, e enfiaram um facão na cara de um engenheiro da Eletronorte pra protestar contra a usina de Kararaô (que depois virou Belo Monte). Eles sabem usar a câmera, o vídeo e a internet pra defender a floresta. São guerreiros modernos. “Quem tem boca vai a Roma”, mas quem tem borduna e câmera vai pra ONU defender a Amazônia.27
5.3. Os Tembé e a Resistência no Nordeste Paraense
Aqui mais perto de Belém, na região de Tomé-Açu e Capitão Poço, vivem os Tembé (Tenetehara). Eles falam Tupi e são parentes dos Guajajara do Maranhão.
A região deles é tensa, mano. É cheia de plantação de dendê, de madeireiro e de fazendeiro. Os Tembé vivem ilhados, mas resistem. Eles têm retomado terras antigas e lutado pra manter a língua viva nas escolas. Eles são a prova de que mesmo cercado pelo “progresso” predatório, o índio não deixa de ser índio.
5.4. Os Povos da Calha Norte (Waiwai, Tiriyó, Zo'é)
Lá no norte do Pará, acima do Rio Amazonas, a floresta é densa e cheia de serras. É a casa dos povos Karib: Waiwai, Tiriyó, Hixkaryana, Kaxuyana.28 Os Waiwai são famosos por serem grandes viajantes e por terem uma capacidade incrível de agregar outros povos. No passado, receberam missionários evangélicos e hoje têm uma cultura que mistura o cristianismo com as tradições antigas, mas sem perder a identidade. E tem os Zo'é. Esses são famosos. São aquele povo que usa o “poturu” (um pauzinho) no lábio inferior. Eles vivem lá no Cuminapanema, numa área super preservada. Foram contatados recentemente (anos 80) e a Funai tenta proteger eles ao máximo do contato com doenças de fora.29
Parte VI: Os Invisíveis da Mata (Povos Isolados)
Parente, agora o assunto é delicado. Tu sabia que tem gente na Amazônia que nunca viu um celular, nunca viu um carro e não quer ver a nossa cara nem pintada de ouro? São os Povos Indígenas Isolados (ou Livres).
6.1. Onde Eles Estão Embiocados?
O Brasil é o país com maior número de povos isolados do mundo. A Funai tem 114 registros de grupos isolados, e a maioria tá aqui na Amazônia.31 Eles vivem nas cabeceiras dos rios, nas áreas mais difíceis de chegar, fugindo da nossa “civilização” que só leva doença e bala pra eles. No Pará, a situação é crítica. Temos a Terra Indígena Ituna/Itatá (perto da hidrelétrica de Belo Monte), onde vivem os “Isolados do Igarapé Ipiaçava”.32 Ninguém sabe a língua deles, ninguém sabe o nome deles. A gente só sabe que eles existem porque a Funai acha vestígios: uma casa (tapiri) abandonada, uma flecha quebrada, um cesto, uma pegada.
6.2. O Perigo é Real
Esses parentes tão correndo risco de extinção agora. A TI Ituna/Itatá foi uma das terras indígenas mais desmatadas do Brasil nos últimos anos. Tem muito grileiro e madeireiro invadindo, roubando madeira e criando gado dentro da terra onde eles vivem. Se esses invasores encontram os isolados, é massacre na certa. Os isolados não têm anticorpos pra gripe, pra sarampo. Um espirro nosso pode matar uma aldeia inteira. Por isso a política é o “não contato”. Deixa eles lá, de bubuia, no canto deles. O nosso dever é proteger a terra em volta pra ninguém entrar. Mas tem muita gente querendo tapar o sol com a peneira e dizer que eles não existem pra poder liberar o garimpo.34
Parte VII: O Mundo das Visagens e a Cosmologia Viva
Caboclo que se preza não duvida de visagem. Se tu disser que não acredita, tu é leso. E quase todas as nossas lendas, essas histórias que a gente conta pra assustar curumim, são heranças diretas da cosmologia indígena. Elas não são só “história de terror”, são códigos de ética ambiental.35
7.1. Matinta Perera: O Xamanismo Urbano
Quem nunca gelou a espinha ouvindo um assobio fino de madrugada em Belém? É a Matinta Perera. Diz a lenda que é uma velha que vira pássaro (rasga-mortalha ou coruja) e pousa no telhado ou no muro pedindo tabaco ou café. Se tu promete, no outro dia aparece uma velha na tua porta cobrando: “Cadê meu fumo?”.37 Essa lenda é pura raiz Tupi. A capacidade de se transformar em animal é a base do xamanismo. Os pajés viram onça, viram gavião. A Matinta é uma espécie de xamã que ficou presa, marginalizada, vagando entre o mundo dos humanos e dos bichos. Ela exige respeito e reciprocidade (tu promete, tu tem que pagar).
7.2. Curupira: O Fiscal da Floresta
O Curupira (do Tupi Kurupira, “corpo de menino”) é o dono da caça. Cabelo de fogo, pés virados pra trás pra enganar quem segue ele. Ele não é malvado, ele é justo. O índio e o caboclo sabem: tu só pode caçar o que vai comer. Se tu mata fêmea com filhote, se tu mata por ganância, o Curupira aparece. Ele faz o caçador ficar panema (azarado, nunca mais acerta um tiro), faz o cara se perder na mata em círculo, ou dá uma surra de cipó pra ele aprender a respeitar.39 O Curupira é o IBAMA da floresta, só que funciona melhor.
7.3. O Boto e a Cidade Encantada
E o Boto? Ah, o galeroso do rio. Vira homem bonito, de branco, chapéu na cabeça pra esconder o buraquinho da respiração, e vai na festa seduzir as cunhantãs.
Mas por trás da sedução, tem o mistério do “Encante”. Pros povos indígenas, o fundo do rio é outro mundo. Tem cidades lá embaixo, as “Encantarias”. O Boto é o mensageiro entre esses mundos. Ele lembra a gente que o rio é vivo, tem gente morando nele (os Karuanas), e a gente não pode poluir nem desrespeitar, senão acaba encantado, levado pro fundo pra nunca mais voltar.
Conclusão: O Banzeiro da Esperança e a COP 30
Parente, a gente rodou, rodou e chegou no porto. O que a gente tira dessa conversa toda?
Que a Amazônia não é um vazio. Nunca foi. Ela tá cheia de gente. Gente que fala quase 300 línguas, que tem 511 culturas diferentes na Pan-Amazônia, que resiste há 500 anos contra tudo e contra todos.
Nós, que vivemos nas cidades como Belém, Manaus, Santarém, somos frutos dessa árvore. O nosso jeito de falar, de comer, de viver, é indígena. O “Amazonês” é a prova viva de que a língua do invasor não conseguiu matar a língua da terra. A gente fala Tupi todo dia: “Ixi, maria, olha aquele carapanã, me dá um tacacá, vou pegar um banzeiro”.
Agora, com a COP 30 batendo na porta em 2025 aqui em Belém 14, o mundo todo vai olhar pra nós. Vão ver o Ver-o-Peso, vão ver o calor da baixa da égua, vão ver os nossos problemas. Mas a gente tem que garantir que eles vejam, principalmente, os Munduruku, os Kayapó, os Tembé, os Isolados. Porque a solução pra crise climática, pro mundo não virar um forno, não vai sair da cabeça de político de terno em Washington. Vai sair da cabeça de quem sabe conversar com a floresta, de quem entende que a terra não é mercadoria, é mãe.
Então, mana, quando tu ver um parente vendendo artesanato na calçada, ou lutando por terra no jornal, não olha torto não. Agradece. Porque se ainda tem árvore em pé, se ainda tem rio correndo, é por causa da teimosia deles. Eles são os verdadeiros donos de Mairi. E nós, se formos espertos, aprendemos a ser parentes de novo.
Bora respeitar a nossa raiz, porque árvore sem raiz cai no primeiro vento.
Fim do Dossiê.
Glossário Rápido pro Visitante não Ficar Boiando:
- Pai d'égua: Muito legal, excelente.
- De bubuia: Tranquilo, relaxado (boiando na água).
- Pavulagem: Exibicionismo, metidez.
- Leso: Bobo, sem noção, doido.
- Discunforme: Muito, em grande quantidade, exagerado.
- Maceta: Grande, imenso, poderoso.
- Brocado: Com muita fome.
- Tuíra: Sujeira na pele, “cascão”, pele ressecada.
- Pitiú: Cheiro forte de peixe cru ou de algo estragado.
- Visagem: Fantasma, assombração, espírito.
- Carapanã: Mosquito, pernilongo.
- Curumim/Cunhantã: Menino/Menina.
- Chibé: Pirão de farinha com água.
- Panema: Azar, má sorte (especialmente na caça e pesca).
- Caixa prega: Lugar muito longe (tipo “onde Judas perdeu as botas”).
- Baixa da égua: Lugar longe ou expressão de indignação.
- Toró: Chuva muito forte.
- Embiocar: Se esconder, ficar quieto num canto.
Descrição de Prompt para Imagem (16:9)
Cenário: Uma composição visual rica e surrealista no estilo “Realismo Mágico Amazônico”, fundindo o passado ancestral e o presente vibrante de Belém do Pará.
Elementos Visuais:
- Primeiro Plano (Esquerda): Um guerreiro Tupinambá imponente, com pintura corporal vermelha (urucum) e preta (jenipapo), usando um cocar de penas coloridas, segurando uma borduna, olhando para o futuro. A pele tem textura realista, com suor e detalhes tribais.
- Primeiro Plano (Direita): Uma jovem cabocla contemporânea de Belém, vestindo uma camisa casual (talvez remetendo a uma estampa de açaí ou Marajoara), sorrindo, segurando uma cuia de tacacá fumegante. Ela representa a herança viva.
- Plano de Fundo (Central): O icônico Mercado do Ver-o-Peso, mas com uma arquitetura onírica: as torres de ferro azuladas e o Solar da Beira se fundem com grandes malocas indígenas de palha e madeira, sugerindo a origem “Mairi”.
- O Rio e o Céu: O Rio Guajará está repleto de embarcações: canoas tradicionais (cascos) navegando lado a lado com barcos regionais coloridos (“popopôs”) e rabetas. O céu é dramático, típico da Amazônia, com nuvens de chuva pesadas (um “toró” se formando) sendo atravessadas por raios de sol dourados (o “sol depois da chuva”).
- Detalhes Mágicos: No céu ou na água, silhuetas sutis de lendas: uma Matinta Perera (coruja) voando perto das torres e um Boto Cor-de-Rosa saltando na água.
Estilo: Fotorealista misturado com ilustração digital artística, cores saturadas (verde floresta, amarelo sol, azul rio, vermelho urucum), iluminação cinematográfica (golden hour com contraste de tempestade).
Texto do Prompt Sugerido:
A cinematic 16:9 digital illustration of ‘Amazonian Ancestry and Modernity'. Foreground: An ancient Tupinambá warrior with intricate body paint and feather headdress standing next to a modern Amazonian woman holding a gourd of tacacá. Background: The Ver-o-Peso market in Belém, blending colonial iron architecture with indigenous thatched longhouses. The river is busy with traditional canoes and colorful wooden boats. The sky features dramatic storm clouds mixed with golden sunlight beams. Subtle mythical elements like a pink river dolphin and an owl in the sky. Vibrant colors, magical realism style, high detail.
Tabela: A Contabilidade dos Parentes (Censo 2022 & COICA)
| Dado | Quantidade | O que isso quer dizer? | Fonte |
| Total de Indígenas no Brasil | 1.693.535 | A gente tá retomando o nosso lugar! | 3 |
| Indígenas na Amazônia Legal | 867.919 | A maloca é aqui. 51% de todos os índios do BR. | 6 |
| Total de Etnias no Brasil | 391 | Diversidade discunforme. | 2 |
| Línguas Faladas | 295 | Torre de Babel perde é feio. | 1 |
| População no Amazonas | 490.854 | O estado mais indígena do Brasil. | 6 |
| População no Pará | ~80.974 | Nossos parentes de Mairi e do interior. | 7 |
| Povos na Pan-Amazônia | 511 | A floresta não tem fronteira. | 9 |
| Povos Isolados (Registros) | 114 (Funai) | Os que resistem sem contato. | 31 |
Relatório compilado pelo Cronista do Ver-o-Peso, com base em dados do IBGE, ISA, COIAB, Funai e na sabedoria dos mais velhos. .1
Referências citadas
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- o mito da matinta perera e suas formas variantes em curuçambaba, bujaru (pará – Repositorio UFPA, acessado em fevereiro 10, 2026, https://repositorio.ufpa.br/bitstreams/ac048441-d530-4d16-8603-0c671dff7fdb/download
- Conheça a história do curupira, o defensor das árvores e dos animais – Instituto Butantan, acessado em fevereiro 10, 2026, https://butantan.gov.br/bubutantan/conheca-a-historia-do-curupira-o-defensor-das-arvores-e-dos-animais
- The G9: Indigenous Leadership Uniting Nine Nations for the Amazon's Future – Global Citizen, acessado em fevereiro 10, 2026, https://www.globalcitizen.org/en/content/the-g9-indigenous-leadership-uniting-nine-nations/
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- girias+do+para.pdf
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- Amazonas passa a ter 16 línguas indígenas oficiais; saiba quais são – G1 – Globo, acessado em fevereiro 10, 2026, https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2023/07/21/amazonas-passa-a-ter-16-linguas-indigenas-oficiais-saiba-quais-sao.ghtml



