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Dinâmicas da Pipericultura na Amazônia Oriental: Uma Análise Estrutural da Produção e Logística da Pimenta-do-Reino em Tomé-Açu, Pará

Sumário Executivo

O presente relatório técnico oferece uma análise aprofundada e multidimensional sobre o complexo produtivo da pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) no município de Tomé-Açu, estado do Pará. Reconhecido como o epicentro histórico e tecnológico da pipericultura na Amazônia brasileira, Tomé-Açu representa um estudo de caso singular de adaptação agrícola, resiliência econômica e integração global. A análise abrange desde as raízes históricas da imigração japonesa em 1929, passando pela crise fitossanitária da fusariose na década de 1960, até a consolidação dos Sistemas Agroflorestais de Tomé-Açu (SAFTA) como paradigma de sustentabilidade tropical.

No cenário contemporâneo de 2024-2026, o relatório examina os volumes de produção que recolocaram o Pará na liderança nacional, com Tomé-Açu produzindo cerca de 5.880 toneladas anuais. A investigação estende-se à complexa teia logística de escoamento, detalhando os desafios infraestruturais das rodovias PA-140 e PA-252 e a importância estratégica do Porto de Vila do Conde no Arco Norte. Por fim, disseca-se a reconfiguração dos fluxos de exportação diante das recentes barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, que forçaram uma reorientação comercial para mercados asiáticos e do Oriente Médio, alterando a geopolítica da especiaria brasileira.


1. Introdução: A Geopolítica da Especiaria na Amazônia

A pimenta-do-reino, historicamente conhecida como “Ouro Negro” ou “Diamante Negro” na literatura econômica da Amazônia, transcende sua função culinária para se estabelecer como um vetor de desenvolvimento regional e integração da fronteira agrícola brasileira aos mercados globais. O município de Tomé-Açu, situado na mesorregião do Nordeste Paraense, não é apenas um polo produtor; é o berço de uma revolução agronômica que redefiniu o uso da terra nos trópicos úmidos.

A relevância deste estudo justifica-se pela posição estratégica que o Brasil ocupa no mercado mundial de especiarias. Alternando posições de liderança com o Vietnã, a produção brasileira é vital para o abastecimento das indústrias de processamento de alimentos na Europa e na América do Norte. Contudo, essa inserção global é permeada por vulnerabilidades logísticas e fitossanitárias que ameaçam a competitividade do produto nacional. A compreensão detalhada da cadeia de valor em Tomé-Açu — da muda ao contêiner — é essencial para entender os gargalos que impedem o Brasil de capturar maior valor agregado em suas commodities agrícolas.

Este documento estrutura-se em quatro eixos analíticos principais: a evolução histórica e tecnológica da produção; a quantificação e caracterização da oferta atual; a análise crítica da infraestrutura logística de escoamento; e o mapeamento dos fluxos comerciais internacionais frente às novas realidades tarifárias de 2025 e 2026.


2. Fundamentos Históricos e Evolução Agronômica

A atual hegemonia de Tomé-Açu na produção de pimenta-do-reino não é fruto do acaso, mas o resultado de um processo histórico de quase um século, marcado pela tenacidade dos imigrantes e pela necessidade de sobrevivência econômica frente às adversidades da selva amazônica.

2.1. A Gênese: Imigração Japonesa e as Primeiras Culturas (1929-1947)

A história agrícola de Tomé-Açu inicia-se formalmente em 1929, com a chegada das primeiras 43 famílias de imigrantes japoneses a bordo do navio Montevidéu Maru, financiada pela Companhia Nipônica de Plantação do Brasil. O objetivo inicial era o cultivo de cacau e arroz, culturas que fracassaram retumbantemente nas primeiras décadas devido ao desconhecimento das especificidades edafoclimáticas locais e à incidência de doenças tropicais, como a malária, que dizimaram parte da colônia.   

Foi somente na década de 1930 que as primeiras mudas de pimenta-do-reino (Piper nigrum) foram trazidas de Singapura por imigrantes visionários. No entanto, a cultura permaneceu marginal até o final da Segunda Guerra Mundial. O isolamento geográfico e a falta de canais de comercialização impediam a expansão. O cenário mudou drasticamente no pós-guerra, quando a reorganização das rotas comerciais globais e a alta demanda por especiarias criaram uma janela de oportunidade única.   

2.2. A Era do “Diamante Negro” (1947-1960)

O período entre 1947 e 1960 é documentado como a “Fase Áurea” ou a era do “Diamante Negro”. A pimenta-do-reino adaptou-se vigorosamente aos solos de terra firme da região, proporcionando uma rentabilidade jamais vista. Dados históricos da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA), fundada em 1931 (e reorganizada em 1949), ilustram esse crescimento exponencial.

Tabela 1: Evolução da Produção e Base Cooperativista na Fase Áurea (1947-1960)

AnoNúmero de CooperadosPés de Pimenta (Total)Produção (kg)Contexto Histórico
19475830.55021.065Início da expansão comercial pós-guerra
195061104.70080.000Consolidação das primeiras exportações
195578332.655650.000Atingimento da autossuficiência nacional
1960103670.4431.200.000Auge da monocultura; início dos problemas fitossanitários

Fonte: Adaptado de dados históricos da CAMTA e Embrapa.   

Neste período, o Brasil passou de importador a exportador mundial, com o Pará respondendo por quase a totalidade da produção nacional. A riqueza gerada financiou a construção de escolas, hospitais e clubes na colônia, criando uma infraestrutura social robusta que diferencia Tomé-Açu de outros municípios amazônicos.   

2.3. O Colapso da Monocultura e a Crise da Fusariose (Anos 1960-1970)

O modelo de produção baseava-se na monocultura intensiva, com plantios extensos e adensados, criando um ambiente ecologicamente simplificado e vulnerável. No final da década de 1960, a natureza impôs um limite biológico severo. O fungo Fusarium solani f. sp. piperis disseminou-se pelos pimentais, causando a podridão das raízes e a morte súbita das plantas. Conhecida localmente como “mal-da-pimenta” ou “mal-de-Mariquita” (em referência à localidade onde foi primeiramente identificada), a fusariose devastou a economia local.   

A crise foi agravada pela queda nos preços internacionais e pela perda de credibilidade junto aos importadores, que passaram a buscar fornecedores asiáticos. A produção despencou, e muitos colonos faliram ou abandonaram a atividade. Este momento de ruptura foi crucial, pois forçou a comunidade a repensar sua relação com o ambiente amazônico.   

2.4. A Revolução Agroflorestal: O Surgimento do SAFTA

Em resposta à crise, lideranças da CAMTA e agricultores inovadores começaram a experimentar o consórcio de culturas. A lógica era agronômica e econômica: diversificar para diluir riscos. Nascia assim o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA).

Diferente da monocultura, o SAFTA mimetiza a estrutura da floresta nativa, combinando espécies de diferentes estratos e ciclos de vida.

  • Ciclo Curto/Médio: Pimenta-do-reino (cultura principal de renda rápida), maracujá, mamão.

  • Ciclo Longo/Perene: Cacau (Theobroma cacao), cupuaçu (Theobroma grandiflorum), açaí (Euterpe oleracea).

  • Componente Florestal: Essências madeireiras como mogno africano (Khaya ivorensis), andiroba e ipê, que funcionam como poupança de longo prazo e quebra-vento.   

A introdução do tutor vivo (geralmente Gliricidia sepium) substituiu as estacas de madeira morta, reduzindo a pressão sobre a floresta nativa e fixando nitrogênio no solo. O SAFTA permitiu a recuperação da pipericultura, agora inserida em um sistema resiliente que produz o ano todo e protege o solo da lixiviação e erosão típicas das chuvas torrenciais amazônicas. Hoje, o SAFTA é uma tecnologia social exportada para países como Gana e Bolívia, e é o pilar da sustentabilidade da produção em Tomé-Açu.   


3. Radiografia da Produção Atual (2024-2026)

A produção de pimenta-do-reino em Tomé-Açu no triênio 2024-2026 reflete a maturação tecnológica do setor e a consolidação do Pará como líder nacional.

3.1. Volumes e Hegemonia Regional

Dados consolidados do IBGE e da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (SEDAP) para o ano de 2024 confirmam que o Pará concentra os 20 maiores municípios produtores da Região Norte. Tomé-Açu lidera este ranking de forma isolada, com uma produção estimada em 5.880 toneladas anuais.   

Para contextualizar a magnitude dessa produção local, compara-se com os municípios vizinhos que compõem o cinturão produtivo do nordeste paraense:

  • Tomé-Açu: ~5.880 toneladas (Líder estadual e referência tecnológica).

  • Baião: ~3.829 toneladas.

  • Igarapé-Açu: ~3.720 toneladas.

  • Outros polos relevantes incluem Capitão Poço e Acará.   

A produtividade média nos sistemas tecnificados de Tomé-Açu gira em torno de 3,0 kg de pimenta seca por planta, resultando em rendimentos de aproximadamente 5.346 kg por hectare. Estes índices são superiores à média nacional, reflexo do manejo nutricional apurado e do uso de material genético selecionado pela CAMTA ao longo de décadas.   

3.2. Sazonalidade e Impacto Climático

A produção segue um calendário fenológico rigoroso, ditado pelo regime pluviométrico equatorial.

  • Floração: Ocorre no início da estação chuvosa, estendendo-se majoritariamente de dezembro a março. É um período crítico onde o estresse hídrico ou o excesso de chuvas pode provocar o abortamento floral.   

  • Colheita: A safra principal concentra-se no segundo semestre, com pico entre agosto e novembro. Durante estes meses, a demanda por mão de obra temporária dispara, mobilizando milhares de trabalhadores na região.   

O cenário climático para a safra 2026 apresenta desafios. Relatórios de agências internacionais e observatórios climáticos indicam que fenômenos como o El Niño (que causa seca severa na Amazônia Oriental) e variações oceânicas podem impactar a produção global. Previsões apontam para uma possível retração de 15% a 20% na oferta mundial em 2026 devido a quebras de safra no Vietnã e no Brasil, o que tende a sustentar preços elevados, apesar das barreiras comerciais.   

3.3. Qualidade e Desafios Sanitários

A qualidade da pimenta de Tomé-Açu é reconhecida internacionalmente, especialmente a produzida sob o selo da CAMTA. No entanto, o setor enfrenta um desafio persistente: a contaminação por Salmonella. A bactéria, comumente associada à presença de aves e à secagem dos grãos em terreiros de chão batido ou asfalto, é motivo frequente de rejeição de cargas na União Europeia e nos Estados Unidos.

Para mitigar esse risco, a CAMTA e grandes produtores têm investido massivamente em:

  1. Secadores Artificiais (Estufas): Eliminam o contato do grão com o solo e com animais vetores.

  2. Processo de Esterilização a Vapor: Tecnologia essencial para atender ao padrão ASTA (American Spice Trade Association), que exige esterilização térmica para garantir a segurança alimentar sem o uso de radiação (que é rejeitada por alguns mercados europeus).   

  3. Rastreabilidade: O sistema cooperativista permite rastrear o lote até a propriedade rural, identificando falhas no manejo higiênico.


4. Infraestrutura Logística: O Caminho Crítico do Escoamento

Responder “para onde vai essa produção” exige uma análise detalhada da infraestrutura física que conecta a lavoura ao porto. A logística é, atualmente, o principal componente de custo e o maior gargalo para a competitividade da pimenta de Tomé-Açu.

4.1. O Modal Rodoviário e as Artérias da Produção

O escoamento inicial é inteiramente rodoviário. A malha viária da região sofre com a deterioração crônica causada pelo clima amazônico (chuvas torrenciais) e pelo tráfego intenso de caminhões de madeira, dendê e grãos.

4.1.1. PA-140: A Rota Principal e seus Obstáculos

A rodovia estadual PA-140 é a espinha dorsal que conecta Tomé-Açu aos eixos de exportação. Embora fundamental, sua condição tem sido historicamente precária.

  • Condições de Trafegabilidade: Relatórios e notícias locais de 2024 e 2025 descrevem trechos com buracos profundos, ausência de acostamento e sinalização deficiente. A deterioração obriga os veículos a trafegarem em baixa velocidade, aumentando o consumo de combustível e os custos de manutenção.   

  • Conflitos Sociais e Bloqueios: A precariedade da via gera tensões sociais. Protestos de moradores, que bloqueiam a rodovia exigindo reparos, são eventos recorrentes que paralisam o escoamento por dias. Em julho de 2025, por exemplo, manifestações no km 22 e na Vila Água Branca causaram congestionamentos quilométricos, afetando diretamente a logística da pimenta em plena pré-safra.   

  • Investimentos Governamentais: O governo do estado iniciou obras de reconstrução e pavimentação, incluindo a “Perna Leste” (conexão com a Alça Viária), visando facilitar o acesso ao porto de Vila do Conde. A reciclagem de asfalto e a construção de acostamentos foram anunciadas, mas a execução enfrenta a constante batalha contra o período chuvoso.   

4.1.2. PA-252: A Alternativa Colapsada

A PA-252 serve como uma rota transversal vital para conectar Tomé-Açu aos municípios de Acará e Moju.

  • Intrafegabilidade: Em 2025, trechos desta rodovia foram declarados intrafegáveis devido a chuvas intensas e ao colapso de infraestrutura (pontes).

  • Custo do Desvio: A interdição da PA-252 força os transportadores a realizarem desvios enormes, retornando até Dom Eliseu para acessar a BR-222 e a PA-150. Esse desvio pode acrescer mais de 1.200 km ao ciclo total da viagem (ida e volta), triplicando os custos de frete e inviabilizando a margem de lucro de pequenos produtores.   

4.2. O Porto de Vila do Conde: A Porta de Saída

O destino físico imediato da maior parte da pimenta exportada é o Porto de Vila do Conde, localizado em Barcarena, a aproximadamente 200-250 km de Tomé-Açu (dependendo da rota utilizada).

  • Estratégia do Arco Norte: Vila do Conde é a âncora do chamado “Arco Norte”, uma estratégia logística nacional para escoar a produção da Amazônia e do Centro-Oeste pelos portos setentrionais, reduzindo a distância marítima para a Europa e EUA em comparação aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).   

  • Operação: No porto, a pimenta chega em caminhões, geralmente acondicionada em sacos de polipropileno ou big bags, e é estufada em contêineres dry de 20 ou 40 pés. A eficiência do terminal de Vila do Conde melhorou com investimentos recentes em modernização, mas o acesso terrestre ao porto (via Alça Viária) ainda é um ponto de estrangulamento.   

4.3. Fluxos Interestaduais e Cabotagem

Uma parcela significativa da produção não é exportada diretamente do Pará. Caminhões seguem via BR-010 (Belém-Brasília) rumo ao Espírito Santo.

  • O Papel do Espírito Santo: O estado capixaba possui uma infraestrutura de processamento e exportação de especiarias muito consolidada. Empresas de São Mateus e Linhares compram pimenta paraense para compor blends ou para cumprir contratos de exportação quando a safra local está na entressafra.

  • Guerra Fiscal: Essa transferência de mercadoria gera debates sobre a perda de arrecadação de ICMS para o Pará. Esforços recentes do governo paraense e da CAMTA visam aumentar a exportação direta a partir de Barcarena, retendo o valor fiscal na origem.   


5. Destinos Comerciais e Dinâmica de Mercado (2024-2026)

A resposta para “para onde vai essa produção” em termos comerciais revela uma reconfiguração dramática ocorrida entre 2025 e 2026, impulsionada por disputas comerciais geopolíticas.

5.1. O Cenário Tradicional (Até 2024)

Historicamente, a pimenta de Tomé-Açu tinha destinos cativos e estáveis.

  1. União Europeia (Alemanha, França, Holanda): Principal mercado para a pimenta de alta qualidade (padrão ASTA e livre de Salmonella). A CAMTA, com suas certificações socioambientais, tem forte penetração neste mercado que valoriza a sustentabilidade do SAFTA.   

  2. Estados Unidos: O maior importador individual de pimenta do Brasil, absorvendo grandes volumes para a indústria de processamento de carnes e condimentos.   

  3. Vietnã: Paradoxalmente, o maior produtor mundial importa pimenta brasileira bruta para processar, reembalar e reexportar com valor agregado. O Vietnã atua como um hub especulativo e logístico global.   

  4. Emirados Árabes Unidos: Porta de entrada para o mercado muçulmano (certificação Halal) e redistribuição para o Oriente Médio e Ásia Central.   

Tabela 2: Principais Destinos da Exportação Brasileira de Pimenta-do-Reino (Ref. 1º Trimestre 2024)

RankingPaís de DestinoParticipação no Valor (%)Dinâmica Comercial
Vietnã17,26%Processamento e Reexportação Global
Emirados Árabes15,32%Hub Logístico para Oriente Médio e África
Senegal11,41%Consumo Direto e Mercado Regional Africano
Estados UnidosVariável*Indústria Alimentícia (Pré-Tarifaço)
AlemanhaEstávelMercado Premium / Alta Exigência Sanitária

Fonte: Elaborado com dados de Comex Stat e SEAG.   

5.2. O “Tarifaço” Americano e a Ruptura de 2025

Em 2025, o mercado sofreu um choque exógeno. O governo dos Estados Unidos, sob uma política protecionista agressiva, impôs tarifas antidumping e sobretaxas que somadas ultrapassam 50% sobre a pimenta-do-reino brasileira. A alegação baseava-se em práticas desleais de preço por parte dos exportadores brasileiros.   

Impactos Imediatos em Tomé-Açu:

  • Perda de Competitividade: A pimenta brasileira tornou-se artificialmente cara no mercado americano, perdendo espaço para o Vietnã e a Indonésia.

  • Queda nas Exportações para os EUA: Houve uma retração abrupta nos embarques diretos para portos americanos. O Espírito Santo e o Pará foram os estados mais afetados.   

  • Depressão de Preços Internos: Com o fechamento parcial do mercado americano, houve excesso de oferta no mercado interno, pressionando os preços pagos ao produtor em Tomé-Açu. A cotação, que oscilava em patamares elevados, recuou, levando produtores a estocarem o produto.   

5.3. A Nova Rota da Pimenta (2025-2026)

Diante do bloqueio americano, a produção de Tomé-Açu precisou encontrar novos caminhos. A resiliência comercial da CAMTA e dos exportadores paraenses manifestou-se na rápida diversificação de destinos.

  • Ásia (China e Índia): A China emergiu como o grande comprador de oportunidade, absorvendo o excedente que iria para os EUA. A Índia, com seu imenso mercado consumidor interno de especiarias, também aumentou as importações.   

  • México: Tornou-se um destino estratégico. Parte da pimenta exportada para o México pode ser processada e eventualmente reexportada para os EUA sob acordos comerciais norte-americanos (USMCA), numa tentativa de contornar as tarifas diretas sobre o produto brasileiro.   

  • Expansão no Oriente Médio: Fortalecimento das vendas para Egito e Marrocos, que demandam pimenta in natura para consumo e processamento local.   

5.4. Produtos de Valor Agregado

A CAMTA não exporta apenas a pimenta preta em grão. A cooperativa diversificou seu portfólio para incluir:

  • Pimenta Branca: Obtida através da maceração e remoção da casca da pimenta madura, alcançando preços significativamente maiores no mercado europeu gourmet.

  • Pimenta Rosa: Embora botanicamente distinta (fruto da aroeira), é comercializada nos mesmos canais.

  • Mix de Pimentas: Produtos embalados para varejo, com rastreabilidade total, visando nichos de mercado que pagam pela história da sustentabilidade amazônica.   


6. Aspectos Socioeconômicos e Culturais

A produção de pimenta em Tomé-Açu não pode ser dissociada de sua matriz cultural única. O município é um caldeirão onde a cultura japonesa fundiu-se com a cultura cabocla amazônica.

6.1. O “Amazonês” e a Integração Cultural

A mão de obra nos pimentais é majoritariamente local. A interação entre os imigrantes japoneses (proprietários de terras e detentores da tecnologia inicial) e os trabalhadores paraenses gerou uma dinâmica linguística e cultural peculiar. Termos do “Amazonês” como “brocado” (com muita fome após a jornada na roça), “carapanã” (mosquito, abundante nos pimentais sombreados) e “pitiú” (cheiro forte) permeiam o cotidiano das fazendas. Essa integração vai além da linguagem; as técnicas agrícolas japonesas de disciplina e organização foram absorvidas pelos produtores locais, enquanto o conhecimento da floresta dos caboclos foi essencial para o desenvolvimento do SAFTA.   

6.2. Eventos e Celebrações

A pimenta-do-reino é celebrada como patrimônio local. Eventos como o Festival do Japão em Tomé-Açu e festividades da cooperativa (comemorando marcos como os 90 ou 95 anos da imigração) servem como vitrine para a produção local, atraindo autoridades e compradores. Nestes eventos, a pimenta é exposta ao lado de outras riquezas do SAFTA, reforçando a marca territorial de Tomé-Açu.   


7. Perspectivas Futuras e Conclusão

A análise da produção de pimenta-do-reino em Tomé-Açu revela um setor maduro, tecnologicamente avançado, mas logisticamente estrangulado e comercialmente vulnerável a decisões geopolíticas externas.

7.1. Tendências de Preço para 2026

O mercado aponta para uma recuperação de preços em 2026. A combinação de estoques globais baixos, problemas climáticos no Vietnã e Indonésia, e a manutenção da demanda inelástica por alimentos deve sustentar as cotações, favorecendo os produtores de Tomé-Açu que conseguiram estocar sua produção durante a baixa de 2025.   

7.2. O Imperativo da Sustentabilidade

O diferencial competitivo de Tomé-Açu no longo prazo não será o preço (onde o Vietnã é imbatível devido aos custos menores), mas a sustentabilidade. O SAFTA posiciona a pimenta de Tomé-Açu como um produto “Climate Smart” e “Deforestation Free”. Num mundo onde a União Europeia implementa regulações rigorosas contra o desmatamento importado, a pimenta agroflorestal de Tomé-Açu tem um passaporte verde que poucas regiões do mundo possuem.   

7.3. Considerações Finais

Em suma, a produção de pimenta-do-reino de Tomé-Açu, estimada em quase 6.000 toneladas anuais, é um pilar econômico vital para o Pará. Ela escoa por rodovias precárias (PA-140/PA-252) até o Porto de Vila do Conde, de onde parte para alimentar o mundo. Se o destino físico é o porto, o destino comercial tornou-se, em 2026, um alvo móvel: menos dependente dos EUA e mais voltado para a Ásia e o Oriente Médio. O futuro da atividade dependerá da capacidade do Estado em resolver os gargalos logísticos e da habilidade da CAMTA em monetizar os serviços ambientais de seus sistemas agroflorestais, garantindo que o “Diamante Negro” continue a brilhar na Amazônia.

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