A Coreografia de Micheal Jackson e de Bob Fosse em Pequeno Príncipe

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Olha o papo desse bicho: Bob Fosse e Michael Jackson na malandragem da dança!

Égua, mano e mana! Vocês já pararam pra ficar de mutuca num negócio antigo, mas que é só o filé? Bora falar sem embaçamento sobre uma fofoca daquelas do mundo da dança, que até quem é leso vai curtir. Se liga no lero-lero: tu sabia que um caboco lá de fora chamado Bob Fosse, em 1974, meteu uma dança no filme O Pequeno Príncipe fazendo o papel da Serpente, que é a cara cuspida e escarrada do Michael Jackson?

Se tu fores espiar a cena bem ali no YouTube, o diacho do Bob Fosse entra de roupa preta, chapéu caído na testa, jogando os ombros de um jeito bem rítmico, com as mãos cheias de jazz hands e uns passos que parecem que ele tá deslizando de bubuia na maré. Íxi, mana! Quando o Michael Jackson estourou nos anos 1980 com “Billie Jean” e “Smooth Criminal”, cheio de pavulagem com aquele sapato escuro, meia branca e o famoso moonwalk, a boca miúda começou a matutar: o Rei do Pop copiou o Bob Fosse ou foi só um migué?

 

O Confronto dos Tequistas da Dança

Pra ninguém dizer que é potoca ou que eu tô jogando goriô na história dos caras, bora botar os dois frente a frente na peneira pra ver quem manja mesmo:

ElementoBob Fosse (A Serpente)Michael Jackson (O Rei do Pop)
O Chapéu

Usado pra fazer mistério na buca da noite.

Marca registrada pra deixar as cunhantãs doidinhas.

Os Ombros

Movimento isolado, todo ranzinza.

Secos, rítmicos, marcando a batida do tambor.

A Caminhada

De lado, bem felino, parecendo que vai mundiar alguém.

Deslizante, controlada, aquele passo que é o bicho.

Estilo

Dançava pra dentro, meio minimalista, no remanso.

Dançava pra explodir pra fora, pra galera toda ver.

Atenção, sumano: Dizer que o Michael Jackson só fez enrabichar na coreografia do outro e “roubou” os passos é mentira! O cara era escovado, um ladino que cresceu à pulso no meio da música. Ele absorveu o Bob Fosse junto com um pudê de outras referências, tipo James Brown e Fred Astaire, misturou tudo no tucupi da criatividade dele e devolveu pro mundo um troço chibata demais!

Dizer que não tem nada a ver também já é tapar o sol com a peneira. O Bob Fosse desenhou a sombra com seu estilo maceta lá na Broadway, e o Michael Jackson pegou essa mesma sombra e jogou debaixo das luzes de um bumbódromo mundial, fazendo o planeta inteiro espocar de rir e chorar de emoção. No final das contas, a arte viaja mais que rabeta em dia de festa!

Se tu achas que essa história tá ralada ou se queres pufiar comigo se foi cópia ou não, deixa teu comentário. Agora eu vou pegar o beco e me amalocar que o sono tá batendo. Até por lá! Meu  parceiro aqui de Cametá vai explicar mais um pouquinho a seguir.

Olha bem pra cena de O Pequeno Príncipe de 1974. Tem um cara vestido de preto, com um chapéu enfiado na testa, deslizando de lado, mexendo os ombros igual um psicopata e travando o corpo no tempo da música. Não, caralho, não é o Michael Jackson em Billie Jean. É o Bob Fosse fazendo o papel da Serpente.

Se tu acha que o Rei do Pop tirou aquela estética do além, tu tá moscando pesado. O que aconteceu ali foi o maior ctrl+c / ctrl+v de conceito da história da música, e foi a melhor coisa que o MJ já fez.

O cara era maluco, não queria fama.

Bob Fosse: O Dev do Código Corporal

Antes de nego inventar o TikTok, esse coroa chamado Bob Fosse já dominava o algoritmo da atenção na Broadway. O cara tinha as articulações travadas, era todo torto, mas transformou os defeitos dele em uma marca registrada brutal:

  • Joelinho pra dentro;

  • Ombro cortando o ar feito navalha;

  • Mão aberta espalhando malandragem (as famosas jazz hands);

  • O chapéu-coco usado pra esconder o olhar e criar um mistério do caralho.

Fosse não dançava pra ficar bonitinho no palco. Cada micro-movimento dele era um gatilho mental pra prender os teus olhos na tela.

Michael Jackson: O Hacker de Escala global

Aí chega o moleque prodígio do Jackson 5. O cara era uma esponja de referência. Ele olhou pro Bob Fosse encarnando a Serpente e sacou o padrão imediatamente. O MJ não copiou o passo a passo como um amador; ele pegou o framework do Fosse e injetou tração.

Fosse era minimalista, dançava pro escuro, no estilo cabaré. Michael pegou essa mesma silhueta sinistra e jogou num palco de estádio com 80 mil pessoas berrando.

O Código de Fosse (Underground)O Scale do MJ (Pop de Massa)
Chapéu Fedora/Coco: Usado pra esconder a calvície e dar tom teatral.O Chapéu de Billie Jean: O gatilho visual que avisava: “Lá vem pancada”.
Ombros Isolados: Movimento curto, irônico, meio malandro de sarjeta.Ombros Secos: Paradas robóticas estourando na batida do grave.
A Caminhada da Serpente: Um deslize lateral, felino, na maciota.O Moonwalk: O chute na mente da gravidade que parou o planeta.

Cópia é o caralho, o nome é Sintese de Criação

Para de choradeira tentando defender que foi “coincidência”. No topo do jogo, ninguém cria nada do zero absoluta. O MJ pegou o minimalismo perigoso do Fosse, misturou com a eletricidade do James Brown, a malandragem do Soul Train e o teatro do Marcel Marceau.

O YouTube tá aí pra provar: bota os dois vídeos lado a lado e limpa os olhos. A Serpente do Fosse entregou o rascunho com tinta preta; o Michael Jackson passou por cima com um raio laser.

Visão de Quebrada

Na rua é o seguinte: quem inventa ganha nome, quem escala ganha o mundo. O Bob Fosse desenhou a sombra na parede de um teatro escuro, mas foi o Michael Jackson que ligou os refletores de um milhão de watts em cima dela.

Se tu quer criar algum produto, algum anúncio ou alguma estratégia digital hoje, para de querer ser o diferentão iluminado que inventa a roda. Acelera o processo: acha quem já criou o código-fonte que funciona no underground, hackeia a essência dessa porra, joga a tua identidade em cima e escala pro mercado antes que o teu concorrente faça o mesmo. A arte viaja, mas só o mais sagaz leva o topo do pódio. Levanta o cu da cadeira e vai caçar tua referência!

O Voo da Serpente: Bob Fosse, Michael Jackson e a Gênese do Corpo Pop

1. Abertura Cinematográfica

Sob o sol implacável e cegante do deserto da Tunísia, uma paisagem árida que parece se estender até os limites do infinito, uma figura esguia e vestida inteiramente de preto emerge do nada, contrastando violentamente com a vastidão dourada das dunas. A silhueta traz um chapéu-coco perfeitamente inclinado sobre o rosto, um par de luvas escuras e sapatos negros que são dramaticamente acentuados por polainas impecavelmente brancas. Com um olhar furtivo por trás de óculos escuros de aros grossos, a figura começa a deslizar sobre a areia. Seus joelhos se dobram para dentro em ângulos que desafiam a anatomia clássica, os quadris executam solavancos precisos e calculados, e os pés parecem flutuar para trás, desafiando a fricção, o terreno irregular e a própria gravidade. O ano é 1974. A obra cinematográfica é a adaptação musical de O Pequeno Príncipe (The Little Prince). O homem escondido sob a aba do chapéu é Bob Fosse, encarnando a Serpente, a criatura ardilosa do deserto que promete ao jovem e melancólico príncipe uma viagem de volta às estrelas através do toque de sua picada fatal.1 A performance exala uma aura de perigo sedutor, uma fisicalidade que hipnotiza pela sua contenção e pelo controle milimétrico de cada articulação.

Corta-se a cena. Um salto monumental no tempo, no espaço e na cultura nos leva ao dia 16 de maio de 1983, no opulento e lotado palco do Pasadena Civic Auditorium, na Califórnia. O evento é a gravação do especial de televisão Motown 25: Yesterday, Today, Forever, um marco que pararia os Estados Unidos em frente às telas de televisão. Sob a luz de um holofote solitário que corta a escuridão do teatro, outra figura esguia toma o palco central. O traje escolhido para a imortalidade é uma jaqueta preta de lantejoulas brilhantes, uma única luva branca incrustada de cristais faiscantes na mão esquerda, calças pretas visivelmente curtas e meias brancas luminescentes que chamam a atenção imediata para os sapatos mocassins pretos de couro. Um chapéu fedora negro esconde parcialmente o rosto, inclinado no mesmo ângulo exato que outrora protegeu a visão no deserto tunisiano. Uma linha de baixo hipnótica, furtiva e inconfundível ecoa pelo sistema de som do teatro: é a introdução de “Billie Jean”.

De repente, a figura atira o chapéu para fora do palco e entra em uma rotina de precisão sobre-humana. Com um estalo de percussão, o homem desliza para trás, executando o movimento do moonwalk com uma fluidez que parece anular as leis da física. A plateia entra em estado de erupção absoluta, gritando em um misto de incredulidade e êxtase.4 Aquele instante efêmero cristaliza o nascimento definitivo do Rei do Pop, consolidando Michael Jackson não apenas como um músico genial, mas como a força cultural e visual mais dominante, imitada e reverenciada do final do século XX. O mundo da música pop jamais seria o mesmo após aqueles poucos segundos de deslizamento para trás.

A colisão visual e biomecânica entre esses dois momentos no tempo não é um mero acidente da iconografia pop; é o testemunho vivo de uma genealogia coreográfica profunda, complexa e frequentemente não mapeada pelo público em geral. Quando o olho criticamente treinado do historiador de dança sobrepõe a performance rastejante da Serpente de 1974 à explosão cósmica e estelar de Jackson em 1983, a semelhança abandona imediatamente o terreno da coincidência fortuita e adentra de forma irrefutável o domínio da herança estética direta e da citação intencional.5 O presente relatório investiga em profundidade os fios invisíveis que conectam o gênio autodepreciativo, cínico e sombrio de Bob Fosse à perfeição rítmica, explosiva e global de Michael Jackson, dissecando com rigor como o Rei do Pop absorveu, transmutou e imortalizou a gramática visual do mestre insuperável da Broadway moderna.

2. Quem foi Bob Fosse: A Arquitetura da Imperfeição

Para compreender a magnitude e o peso da linguagem visual absorvida e recodificada por Michael Jackson, é imperativo primeiro decifrar a mente e a anatomia do arquiteto original dessa estética: Robert Louis Fosse (1927–1987). Universalmente considerado uma das figuras mais influentes, revolucionárias e visionárias da dança jazz e do teatro musical em todo o século XX, Fosse foi um coreógrafo, dançarino, escritor e diretor de cinema e teatro que reescreveu as regras do movimento americano, introduzindo uma sensualidade sombria que contrastava fortemente com o otimismo clássico dos musicais anteriores.9

A gênese de seu estilo inconfundível encontra suas raízes profundas não na glória dos palcos de balé clássico, mas nas atmosferas esfumaçadas, decadentes e muitas vezes lúgubres do vaudeville e das casas de burlesco de Chicago, sua cidade natal. Nascido como o segundo mais jovem de seis filhos de um pai norueguês que se apresentava no vaudeville, Fosse sofria de asma e epilepsia infantil, encontrando na dança uma válvula de escape física e emocional.10 Ainda adolescente, ele já atuava profissionalmente, apresentando números de sapateado em ambientes impregnados de fumaça de charuto, onde trabalhava em meio a strippers e comediantes de humor ácido.10

Segundo a análise detalhada do biógrafo Sam Wasson, a sensualidade ameaçadora, o cinismo, o humor negro e a escuridão existencial que permearam quase toda a obra madura de Fosse — de sucessos teatrais arrebatadores como Sweet Charity (1966), Pippin (1972) e Chicago (1975) até obras cinematográficas definitivas como Cabaret (1972) — nasceram do profundo trauma e da complexidade dessa introdução precoce e hipersexualizada ao mundo noturno do entretenimento.10 A observação da figura feminina nesses ambientes traduziu-se na forma como ele viria a coreografar mulheres: invariavelmente dotadas de poder, sexo e um perigo subjacente.12

Contudo, a verdadeira marca registrada do “Estilo Fosse” emergiu, de forma paradoxal, de suas próprias inseguranças físicas e supostas limitações anatômicas. Ao contrário dos heróis dos musicais de outrora, Fosse não possuía o corpo ereto, a postura altiva e as linhas majestosas de um bailarino clássico. Ele era naturalmente pigeon-toed (tinha as pontas dos pés voltadas para dentro), sofria de calvície prematura e nutria um ódio visceral e confessado por suas próprias mãos, as quais considerava desproporcionais.14 Em vez de lutar para mascarar essas limitações debaixo de técnicas ortodoxas, ele tomou uma decisão de gênio: transformá-las em um léxico coreográfico singular, revolucionário e amplamente imitado.14

A postura claudicante com as pontas dos pés viradas para dentro (turned-in knees e toes), as costas encurvadas com os ombros encolhidos (slouched e rolled shoulders), as contrações pélvicas abruptas (pelvic thrusts), o andar arrastado de lado (sideways shuffling) e o uso absolutamente ubíquo de chapéus-coco (para esconder a calvície em avanço) e luvas (para ocultar as mãos) tornaram-se suas assinaturas indeléveis no palco e na tela.9 O desenvolvimento das chamadas “mãos de jazz” (jazz hands), com os dedos rigidamente estendidos e trêmulos, e o foco obsessivo em movimentos isolados — mover apenas um ombro enquanto o resto do corpo permanece em estátua, apenas uma contração de quadril, apenas o estalar de um dedo — criaram uma tensão visual extraordinária, em que a contenção do movimento era tão ou mais importante quanto a sua explosão física.9

Bob Fosse era também um perfeccionista implacável, impulsionado por um ritmo de trabalho maníaco e autodepreciativo. Ele submetia seus dançarinos a regimes exaustivos para alcançar a precisão milimétrica e orgânica exigida por suas rotinas intensamente sincopadas.9 Sua mente operava em um estado de combustão constante, impulsionada pelo uso de anfetaminas e uma dieta de maços de cigarro diários, o que inevitavelmente o levou a problemas cardíacos graves, resultando em um infarto que ameaçou sua vida em meados da década de 1970.10 Ele canalizou essa experiência aterradora de quase morte diretamente para a sua obra-prima cinematográfica semi-autobiográfica, o aclamado All That Jazz (1979).15

Através da direção de All That Jazz e Cabaret, Fosse revolucionou não apenas a forma como a dança era executada pelos corpos, mas também como ela era filmada pelas lentes e editada na sala de corte. O ritmo frenético de decupagem, os cortes rápidos, a atomização dos movimentos e os ângulos inusitados de câmera — filmando muitas vezes de baixo para cima ou focando em detalhes anatômicos extremos — anteciparam e fundaram a gramática visual vertiginosa que se tornaria o padrão da era dos videoclipes na MTV, estabelecendo as balizas estéticas para as quais astros planetários como Michael Jackson e Madonna eventualmente caminhariam na década seguinte.

3. A Cena de Bob Fosse em O Pequeno Príncipe (1974)

A fusão histórica e estética entre Fosse e o futuro Rei do Pop ocorre de forma quase anômala e inusitada no contexto de um filme voltado essencialmente ao público infantil e familiar. Dirigido por Stanley Donen — uma lenda absoluta de Hollywood responsável por clássicos como Singin' in the Rain e Funny Face — e com canções assinadas pela lendária dupla Frederick Loewe e Alan Jay Lerner, The Little Prince (1974) foi uma adaptação ambiciosa da reverenciada obra de Antoine de Saint-Exupéry.1 Lançado em um período de transição da Nova Hollywood, o filme flertou severamente com o fracasso de bilheteria e a obscuridade crítica, sendo percebido por muitos como excessivamente vanguardista, cerebral e excêntrico para o seu tempo.5 O elenco, repleto de talentos singulares, contava com o idiossincrático Gene Wilder no papel da Raposa (uma prévia evidente para seu Willy Wonka) e o jovem Steven Warner como o príncipe titular.1 Contudo, é a sequência singular de Bob Fosse como a Serpente que ancorou e garantiu ao filme um lugar de fascínio inextinguível e imortalidade no panteão da história da cultura pop mundial.1

A canção interpretada e coreografada pelo próprio Fosse, intitulada “A Snake in the Grass”, é uma exibição inesquecível, magistral e levemente perturbadora de sua incomparável capacidade narrativa através do movimento corporal.3 A coreografia é, em essência, um tratado biomecânico completo sobre a gramática fundamental de Fosse: a malícia latente, o groove contido, o perigo silencioso e a sexualidade sorrateira.1 Vestido como um cafetão da era vitoriana ou um sombrio apostador de filmes noir — terno negro justíssimo de abotoamento duplo, calças deliberadamente curtas, gola alta preta, chapéu-coco e os cruciais e fulgurantes sapatos pretos envoltos por polainas (spats) brancas imaculadas —, Fosse transforma o deserto africano em um palco de cabaré intimista.5

A função narrativa e fotográfica das polainas brancas é de uma perspicácia visual que beira o brilhantismo absoluto: em um figurino que absorve a luz (inteiramente escuro) e filmado em planos abertos contra a claridade ofuscante da areia amarela do deserto, o branco intenso atrai e foca o olho do espectador diretamente no intrincado trabalho rítmico dos pés do dançarino.5 Essa exata, precisa e calculada estratégia de contraste cromático nos membros inferiores seria replicada religiosamente por Michael Jackson quase uma década depois, com suas famosas meias brancas brilhantes em “Billie Jean”, garantindo que seus passos rápidos fossem vistos com clareza mesmo dos assentos mais distantes dos gigantescos estádios.5

Durante a cena de pouco mais de quatro minutos de duração, Fosse desliza furtivamente em círculos predatórios ao redor do jovem príncipe inocente.3 A execução incorpora giros de quadril perfeitamente no tempo da música, joelhos acentuadamente flexionados para frente, paradas repentinas (freezes) que congelam o tempo, estalos de dedos e, crucial e historicamente, uma variação contínua e fluida do “backslide” — o movimento ilusório em que o dançarino caminha para trás enquanto fisicamente parece estar tentando andar para a frente. Este é precisamente o passo ótico que o mundo logo viria a conhecer e batizar definitivamente como moonwalk.2

A interpretação da Serpente no filme carrega, ainda, ressonâncias poéticas muito mais sombrias e hipnóticas; a letra escrita por Lerner e a fisicalidade adotada por Fosse insinuam falsidade, manipulação psicológica, vaidade e um convite lírico e literal ao abismo e à morte (uma representação clara do próprio Lúcifer, o anjo caído do Éden).3 Todas essas características temáticas e imagéticas fariam da rotina um laboratório estético absolutamente perfeito para o arcabouço criativo de um Michael Jackson adulto, que estava em transição ativa para explorar precisamente os temas de perigo urbano, perseguição midiática, corrupção da inocência e paranóia psicológica em obras magistrais futuras como Bad, Smooth Criminal e Dangerous.3

4. Michael Jackson e a Construção do Corpo Pop

A transição monumental de Michael Jackson — do garoto prodígio sorridente e líder vocal incontestável do Jackson 5 para o titã global sem paralelos em sua carreira solo — envolveu muito mais do que a evolução de seu timbre vocal; exigiu a invenção consciente, cirúrgica e incansável de uma persona física ímpar e magnética. O corpo adulto de Jackson tornou-se a “tábua de esmeralda” definitiva da dança americana: um veículo de carne e osso onde séculos de tradições expressivas distintas foram digeridos, sintetizados, recodificados e, por fim, catapultados para a estratosfera da era espacial televisiva.33

Diferente de Fosse, cujo estilo cerebral e anguloso nasceu primordialmente da necessidade férrea de auto-correção de limitações anatômicas reais, o corpo de Jackson era, desde o berço, um instrumento de flexibilidade rítmica inata e intuição musical pura. Sua formação precoce nos exaustivos estúdios de gravação e palcos da gravadora Motown, profundamente inspirada na tradição do R&B negro americano e no carisma animal e bruto de gigantes como James Brown e Jackie Wilson, conferiu-lhe o fogo sagrado e a energia visceral da dança e do improviso soul.6 Contudo, Jackson era também um estudante voraz, incansável e quase acadêmico do cinema da Era de Ouro e do vaudeville clássico. Ele almejava transcender o improviso de palco; ele desejava o rigor teatral absoluto, o acabamento fino e o verniz aristocrático das lendas de Hollywood.32 Ele absorvia conhecimento assistindo compulsivamente os mestres no trabalho, acreditando que a observação rigorosa era a maior de todas as escolas.34

O amálgama visual de Jackson consistia em domar a urgência e o improviso das danças de rua surgidas nos guetos americanos — o popping, o locking, o boogaloo e o robot — fundindo-os com as linhas elegantes, a postura impecável e a arquitetura visual geométrica dos coreógrafos da Broadway e do cinema clássico.33 Para a produção do épico videoclipe de “Thriller” (1983) e os sucessos estrondosos que se seguiram em profusão, Jackson procurava uma forma de coreografia que fosse perfeitamente legível na televisão. Os movimentos precisavam ser tão nítidos, geométricos e memoráveis que qualquer indivíduo — independentemente da cultura ou idioma — ao redor do globo pudesse reconhecê-los instantaneamente em uma silhueta e, crucialmente, desejasse imitá-los na frente do espelho.34

É justamente nesse desejo obsessivo por legibilidade instantânea — a construção de uma “silhueta de marca registrada” indestrutível — que a estética do homem solitário de chapéu inclinado, com pernas angulosas, silhueta estreita e tornozelos brilhantes, encontrou na arte da contenção, do isolamento e da pantomima metódica (influência suprema do jazz dance e do legado de Fosse) o seu modelo arquitetônico definitivo.5 A agressividade percussiva e metálica da produção musical de Quincy Jones, aliada ao som cortante e futurista dos sintetizadores em álbuns como Off the Wall e Thriller, exigia um vocabulário de movimento corporal que fosse igualmente cortante, preciso e imprevisível.4 Enquanto Fosse operava frequentemente em uma chave que era lânguida, cínica, maliciosa e suavemente perversa, Jackson injetou naquelas mesmas posturas angulares uma voltagem frenética e uma precisão de marcha militar. As batidas secas e as pausas bruscas da música de Jackson foram equiparadas diretamente às paradas congeladas (freezes) que eram a assinatura do estilo Fosse, resultando naquilo que pesquisadores de cinema classificam indiscutivelmente como a “estética de dança em vídeo mais perfeita já criada na história”.25

Além de refinar o próprio corpo, o impacto de Jackson e suas influências estenderam-se à forma como a dança era valorizada na indústria. Conforme apontado na pesquisa documental e nos estudos culturais contidos no livro America Dancing: From the Cakewalk to the Moonwalk, da autora Megan Pugh, Jackson não apenas estudava as eras clássicas, mas agia concretamente para elevar os profissionais contemporâneos. Pugh relata diálogos com o aclamado coreógrafo Vincent Paterson que indicam que Jackson chegou a colocar seus dançarinos em “Smooth Criminal” sob contratos rigorosos do SAG (Screen Actors Guild), uma intervenção financeira e sindical notável que visava garantir equidade, respeito e pagamento justo aos profissionais da dança comercial.35 Jackson, ao dominar o corpo pop, elevou toda a estrutura operária que o sustentava.

5. Comparação Direta entre Bob Fosse e Michael Jackson

A correlação analítica entre as escolhas coreográficas primordiais orquestradas em O Pequeno Príncipe e as maiores e mais lendárias performances de toda a carreira de Michael Jackson é por demais densa e abundante para ser descartada como uma coincidência do zeitgeist. A tabela abaixo apresenta um exame visual e mecânico minucioso dessa linhagem transmutada.

 

Elemento Estético / CoreográficoBob Fosse em O Pequeno Príncipe (“A Snake in the Grass”, 1974)Michael Jackson em suas performances (Billie Jean, Smooth Criminal, etc.)
Ponto Focal Fotográfico nos PésEmprego de sapatos pretos de bico fino lustroso com polainas (spats) totalmente brancas. Estratégia de figurino para criar um contraste agudo contra a areia amarela e realçar o ritmo complexo.5Uso icônico de sapatos mocassins pretos acompanhados de meias brancas com fios de lurex brilhantes. O contraste atrai os olhos da plateia para o movimento rápido dos pés em palcos escuros.5
Uso de Acessórios de Cabeça (Chapéu)Utiliza o clássico chapéu-coco negro. Frequentemente puxa a aba para esconder os olhos e imprimir mistério, manipula-o girando-o entre os dedos e lança-o ao ar.15Utiliza invariavelmente um chapéu fedora negro de feltro (ou um panamá branco estilo mafioso em Smooth Criminal). O ato de agarrar a aba cobrindo parcialmente a face tornou-se sua pose máxima.8
Arquitetura da Postura das PernasJoelhos constantemente arqueados, pernas flexionadas e cruzadas, pontas dos pés voltadas intencionalmente para dentro (pigeon-toed). Caminhada arrastada e sorrateira em movimentos laterais e zigue-zague.16Flexão extremamente acentuada de um joelho enquanto a outra perna permanece esticada. Pontas dos pés voltadas para dentro ou sustentando o peso do corpo. Rastejo semelhante a passos felinos.8
O “Deslize” no Solo (Backslide/Moonwalk)Desliza rítmica e suavemente para trás sobre a areia mantendo o tronco rigorosamente ereto, criando a ilusão ótica hipnótica de caminhar para a frente enquanto recua no espaço.2Aperfeiçoa cirurgicamente o “backslide”, popularizando-o eternamente como o Moonwalk. Adiciona solavancos robóticos nos ombros e encerra o passe parando imóvel nas pontas rígidas dos mocassins.5
Isolamento de Membros e o uso das “Jazz Hands”Dedos das mãos bem abertos e trêmulos (a assinatura suprema de Fosse), braços estendidos no ar ou colados ao tórax enquanto os quadris ou ombros giram isoladamente sem mover o resto do corpo.9Movimentos rápidos de estalar os dedos seguidos de braços lançados bruscamente. Contrações puras e agressivas da pélvis (“agarrão na virilha”) e ombros que travam em imobilidade letal absoluta.2
A Estética Sartorial e a SilhuetaO figurino respira ares de submundo vitoriano formal: paletó estreito e justo, calças deliberadamente curtas (para não cobrir a região dos tornozelos) e luvas para enfatizar o desenho cinético das mãos.5Ternos slim exagerados, estilo de gângster de Chicago dos anos 1930, calças modelo flood (invariavelmente curtas e afuniladas) e a célebre luva solitária coberta de lantejoulas refletivas.5

O exame da tabela explicita que Jackson atuou menos como um mero aluno e mais como um curador genial, selecionando as particularidades cinéticas e as engenharias visuais de Bob Fosse que possuíam maior eficácia para a transmissão televisiva e o delírio pop das massas.

6. A Pergunta Central: Influência Direta ou Herança Artística Americana?

Diante de semelhanças fotográficas e dinâmicas tão impressionantemente precisas e irrefutáveis, a análise cultural frequentemente se divide e fratura em debates acalorados entre fãs e críticos sobre questões de autoria, roubo criativo e homenagem estilística. Teria Michael Jackson se apropriado das criações meticulosas de Bob Fosse de forma parasitária e silenciosa, ou as estaria invocando abertamente em um sofisticado ato de citação e elevação intertextual?

Pesquisadores proeminentes da história da dança americana, como a historiadora Elizabeth June Bergman e a estudiosa Megan Pugh, propõem e sustentam o uso de uma lente teórica muito mais rica e abrangente para interpretar e julgar esse fenômeno complexo, cunhando o termo acadêmico de “versionamento coreográfico” (choreographic versioning).35 Assim como na tradição do jazz, do reggae e do R&B o ato de “fazer uma versão” de uma canção ou de uma batida não constitui um plágio malicioso, mas sim um meio estabelecido e reverenciado de dialogar com a própria história cultural, prestando tributo e reverência aos velhos mestres ao mesmo tempo em que a obra matriz é atualizada, acelerada e traduzida para as ansiedades e o zeitgeist da era contemporânea.35 Conforme argumenta Pugh em sua influente obra literária America Dancing: From the Cakewalk to the Moonwalk, Jackson era, em seu cerne operatório, um verdadeiro enciclopedista da dança física; ele “sampleava” e mixava passos antológicos do passado de Hollywood com a mesma avidez analítica e urgência com que os produtores nascentes de hip-hop em Nova York começavam a samplear as velhas e poeirentas gravações em vinil de James Brown.37

É absolutamente essencial pontuar historicamente que a brilhante coreografia de Fosse em O Pequeno Príncipe não foi concebida magicamente no vácuo isolado de sua mente. A raiz técnica da questão revela um intercâmbio contínuo e circular. O próprio movimento do backslide (a fundação mecânica e biomecânica do que chamamos de moonwalk) é um passo ilusionista cujas origens antecedem dramaticamente as carreiras tanto de Bob Fosse quanto de Michael Jackson em muitas décadas. A gênese do deslize para trás remonta diretamente aos artistas afro-americanos das trupes de sapateado (tap dance) e aos mágicos palcos do circuito de vaudeville nos anos 1930.5 O passo foi documentado precocemente em registros cinematográficos sendo maravilhosamente executado pelo sapateador pioneiro Bill Bailey em uma apresentação televisiva datada de 1955, e o conceito geral já era performado vigorosamente nas décadas anteriores por ícones culturais revolucionários como o bandleader Cab Calloway.5 Mais tarde, o padrinho do soul James Brown empregaria suas próprias versões rudes do passo, evidenciando o uso do movimento em cenas memoráveis como no filme The Blues Brothers de 1980.6

Fosse, fascinado pela vitalidade dessa arte subalterna, emprestou, domesticou e poliu o passo selvagem da tradição negra para incluí-lo em sua obra cinematográfica refinada; Michael Jackson, em um movimento de simetria cultural brilhante, tomou-o de volta e o resgatou, reapropriando-se do passo através de um duplo filtro: o do balé jazz meticuloso e cabareteiro de Fosse e o da tutela bruta das ruas e dos street dancers contemporâneos de Los Angeles.

O que diferencia substancialmente a execução de Jackson da de Fosse é a textura temporal e a voltaje da energia física empregada. Como notam os críticos e especialistas em biomecânica que analisaram detidamente os dois movimentos justapostos, o estilo de Fosse naquela cena de 1974 era essencialmente contínuo, perfeitamente orgânico, carregado de uma melancolia fluida e teatral.6 Era a dança de um homem que seduz sem emitir um som áspero. Em dramático contraste, a tradução do corpo de Jackson para o passo era invariavelmente estourada, feroz e absurdamente percussiva. Jackson não apenas copiou mecanicamente; ele fundiu a genial silhueta visual e isolacionista do diretor de teatro com a atitude rítmica incansável, agressiva e ritmicamente maníaca de James Brown, forjando assim uma identidade estética nova, híbrida e de alcance universal.6 Portanto, ao responder à pergunta central, pode-se afirmar categoricamente e sem sombra de dúvida que há uma gigantesca influência direta na fundação do conceito de figurino, na postura dos membros e nas marcações da encenação (a luva focal, o chapéu como escudo, a calça que deixa os tornozelos à mostra e a combinação de atitude estática no palco) 2, mas o resultado cinético elétrico final que emanava do corpo de Jackson é o cume absoluto e evoluído de uma intrincada herança artística coletiva.

7. O Que Dizem Entrevistas, Historiadores e os Registros do YouTube

O extenso rastro documental e a memória preservada por testemunhas oculares revelam de maneira cristalina não apenas uma admiração póstuma unilateral, mas também um contato direto, reverencial e até frustrado entre essas duas lendas indomáveis do espetáculo. Relatos consistentes presentes em biografias exaustivas (incluindo as páginas escritas por Sam Wasson) e memórias de associados pontuam que Michael Jackson possuía um vasto e curado arquivo privado em sua residência, composto por centenas de fitas de vídeo com as obras magnas dos coreógrafos lendários do passado. Ele estudava incansavelmente as rotinas sombrias de Fosse no aparelho de videocassete, analisando-as literalmente frame a frame.23

Jackson, conhecido por ser reservado, nunca fez esforços reais para esconder essa profunda admiração aos seus mentores escolhidos. Segundo registros fidedignos e depoimentos corroborados, os dois gigantes da dança chegaram a se encontrar e a conversar presencialmente para discutir projetos. Durante um famoso almoço no mês de junho de 1983 — ocorrendo logo após a apresentação sísmica de Jackson no especial televisivo da Motown e em meio à preparação da campanha em vídeo do álbum —, o cantor pop despejou rios de elogios verbais sobre o maduro diretor, professou sua adoração contínua e chegou a implorar formalmente para que Bob Fosse assumisse a cadeira da direção do vindouro e ambicioso videoclipe da faixa “Thriller”.39

O surpreendente desfecho desse convite efusivo é, hoje, um dos episódios mais irônicos, lendários e emblemáticos da história de Hollywood: Bob Fosse recusou a oferta multimilionária alegando e confidenciando aos seus pares que achava Michael Jackson, em suas palavras diretas, “esquisito demais” (“too weird”) para o seu próprio gosto.39 A abrupta recusa do ídolo forçou o estafe de Jackson a procurar imediatamente o talento de John Landis (então recém-saído do sucesso do cultuado longa-metragem Um Lobisomem Americano em Londres), um movimento não planejado que acabaria por alterar permanentemente e em definitivo a história financeira e a concepção artística da era dos videoclipes em todo o mundo.39 A percepção crítica e o distanciamento de Fosse em relação a Jackson são fenômenos fascinantes, especialmente dada a sólida reputação do próprio diretor e coreógrafo de habitar, mergulhar e glorificar sistematicamente o comportamento humano grotesco, o macabro, as drogas e as fraturas psicológicas ao longo de toda a sua filmografia, como na sua tentativa de adaptar a obra existencial literária Ending e nas alucinações mórbidas de All That Jazz.22 Contudo, Jackson nutria profundo respeito pela decisão madura do veterano e continuou, sem ressentimentos conhecidos, a referenciar fortemente e a espalhar globalmente as marcas registradas do mestre.

Nas décadas subsequentes, e especialmente na era atual com o advento da internet, a fervilhante comunidade online de estudiosos de cinema, historiadores de teatro musical e aficionadas de dança mantém vivamente acesa a chama dessa conexão elíptica. Nas vastidões das plataformas de vídeo como o YouTube e fóruns apaixonados de discussão como o Reddit, proliferam ininterruptamente montagens de vídeo virais e mashups fascinantes nos quais a dança original da Serpente, executada na areia em The Little Prince, é sobreposta e perfeitamente sonorizada com o áudio original de estúdio da faixa pop “Billie Jean”.6 A assombrosa exatidão milimétrica com que os acentos musicais densos de Quincy Jones, os baixos pulsantes e as batidas de caixa casam indissociavelmente com os chutes contidos, os estalos de dedo trêmulos, as caminhadas deslizantes e os recuos pélvicos de Bob Fosse de 1974 prova, de forma empírica e inegável, a simetria oculta de suas contagens rítmicas e de suas filosofias de síncope.8 O assombro verbalizado por milhares de usuários modernos, espalhados pelos comentários diários diante destas imagens desenterradas, ressalta fortemente o generalizado desconhecimento do público contemporâneo acerca das verdadeiras, eruditas e profundas raízes visuais de Jackson. Testemunhar Fosse deslizando graciosamente com polainas no deserto da Tunísia, quase uma década antes da explosiva ascensão global do canal MTV, tem sido classificado repetidas vezes por críticos amadores e profissionais impressionados como uma espécie perturbadora de “viagem no tempo profética e coreográfica”.5

A reverência indelével de Jackson ao “Estilo Fosse” também moldou poderosamente as mentes e as estéticas da brilhante equipe coreográfica que atuava ao seu redor nos bastidores dos videoclipes. Um exemplo seminal é o renomado coreógrafo e dançarino Vincent Paterson, uma figura crucial e arquiteto do movimento que atuou primeiramente como assistente na fase inicial e que subsequentemente concebeu e co-criou com maestria o monumental e antológico vídeo do hino mafioso Smooth Criminal (e, mais tarde, os épicos urbanos e combativos de Bad, The Way You Make Me Feel, entre outros). Em diversas entrevistas reveladoras, Paterson — que construiu sua fundação artística a partir do fascínio pelas formas estéticas teatrais — assumiu e discutiu abertamente que baseou extensa porção de seu celebrado trabalho no amor devotado e mútuo (tanto seu quanto de Michael Jackson) pela estética elegante, sombria, mafiosa e jazzística. Era uma fascinação que viajava das encenações brilhantes e vibrantes e dos ternos engomados vislumbrados no filme The Band Wagon de Astaire, até chegar, fortemente e de forma inegável, ao cinismo erótico e estilizado das encenações de cabaré dirigidas pelo olhar atento de Fosse.33 O cineasta sueco Kristi Grunditz, ao rodar seu documentário exaustivo The Man Behind the Throne (2013) sobre Vincent Paterson, trouxe a luz o imenso crédito e o talento arquitetônico dessas figuras dos bastidores, mostrando como as exigências dramáticas e perfeccionistas e as referências teatrais elevadas uniram para sempre o ex-diretor Fosse aos vídeos da mega-estrela global através do trabalho artesanal e dedicado de homens como Paterson.35

8. As Múltiplas Influências Conhecidas de Michael Jackson

Para contextualizar a importância central, quase arquitetônica, de Bob Fosse, é absolutamente crucial alinhar, com o mesmo grau de deferência e escrutínio investigativo, o seu sagrado nome à longa e vasta constelação das demais influências geniais que fundaram e cimentaram a complexa gramática gestual e cênica de Michael Jackson. O Rei do Pop não era o subproduto solitário de um estilo singular; sua arte era, em essência viva e pulsante, uma majestosa colcha de retalhos polimática, na qual fios de épocas, etnias e tradições distintas encontravam uma harmonia unificadora impossível.

  • O Furacão James Brown: Universalmente reconhecido como o incansável e indomável Padrinho do Soul, James Brown atuou inquestionavelmente como a “espinha dorsal” e a turbina motora da força física bruta de Jackson.6 Enquanto o genial Fosse forneceu, nos moldes do intelecto, o acabamento estético rigoroso, a economia dos gestos e as valiosas e silenciosas ferramentas metodológicas da pantomima teatral de cabaré, foi indiscutivelmente o deslizamento elétrico frenético, o trabalho extenuante e impossível de repetição de pernas, as quedas exaustivas de joelhos de dramática contrição e o frenesi completamente suado das maratonas noturnas de Brown nos palcos segregados que ensinaram efetivamente Jackson a transformar o impulso do som puro em pura vibração de carne e nervos, sem jamais pedir licença.6
  • Os Lordes de Hollywood, Fred Astaire e Gene Kelly: O olimpo do filme musical branco norte-americano constituiu a escola do bom gosto irrepreensível para Jackson. Diretamente de Fred Astaire, a lenda dos calçados bicolores e dos smokings perfeitos, Jackson herdou a busca insana, incansável e obsessiva pela leveza suprema — o dom mágico de fabricar e sustentar continuamente a ilusão de que as coreografias mais matemáticas e rigorosas do mundo não demandavam uma única gota perceptível de suor ou esforço brutal, flutuando sempre centímetros acima do concreto opressor. Assimilou ainda a elegância milimétrica exigida pelo figurino impecável e o uso ritmicamente perspicaz e lúdico do cajado, da bengala, dos postes de rua e do mobiliário cênico como pares reais de dança e extensão do próprio corpo. Já de Gene Kelly, o atleta robusto do cinema, Jackson sorveu a virilidade assertiva e expansiva, a inigualável capacidade de conduzir longos arcos de narrativa dramática exclusivamente através de atos contínuos da dança suada, e a necessidade imperiosa de uma fisicalidade ampla, decididamente mais agressiva e inabalavelmente aterrada com gravidade ao chão do mundo real e suburbano.7 A encenação memorável e letal da briga de gangues na rotina do antigo fliperama esfumaçado em Beat It e, evidentemente, o arrojado, perigoso e inigualável visual de gângster alinhado em Smooth Criminal extraem conscientemente uma magnitude de influências esmagadora da antológica e célebre cena “Girl Hunt Ballet”, cume absoluto da película clássica The Band Wagon de Astaire.29
  • Sammy Davis Jr. e O Silêncio de Marcel Marceau: A versatilidade imparável de Davis Jr. forneceu ao jovem e ascendente Michael o protótipo exemplar do artista universal negro afro-americano que domina, sem nenhum esforço aparente, o canto magistral, o sapateado virtuoso ininterrupto e a atuação visceral com total entrega e vulnerabilidade cênica diante da fúria das multidões. Mas no lado oposto do estrondo sônico e ruidoso encontrava-se o aprendizado essencial oriundo da quietude absoluta do legendário mímico e artista francês Marcel Marceau. Marceau instruiu presencial e meticulosamente Jackson nas técnicas refinadas e invisíveis da ilusão ótica conhecida como a “resistência invisível” de barreiras não existentes, os arrastos do corpo contra tempestades de vento imaginárias e o célebre e onírico andar estático no ar. Foram precisamente esses fundamentos poéticos inusitados que deram ainda mais gravidade dramática e peso artístico palpável à execução do seu estonteante moonwalk reverso e aos breves instantes de paradas subitamente congeladas e mudas (freezes) perante hordas de fãs histéricos, milagres cênicos momentâneos que transformavam rotineiramente e magicamente o frágil corpo do astro humano em uma estátua hiper-tensionada imortalizada pelo clarão impiedoso e branco de milhares de flashes de câmeras fotográficas ao redor dos estádios planetários.34
  • A Ruptura Urbana dos Dançarinos de Rua e de Jeffrey Daniel: Longe do prestígio sacrossanto da velha e dourada Hollywood ou da mítica de Paris, as revoluções e agitações pulsantes que nasciam nas calçadas ásperas da Costa Oeste pavimentaram o chão futurista e urbano que Jackson avidamente iria devorar. Foi por meio da intervenção crucial e da tutoria pedagógica de Jeffrey Daniel, um assombroso e ágil expoente e inovador das vertentes rítmicas dos nascentes estilos popping e locking surgidos nos subúrbios efervescentes de Los Angeles e carismático membro fundador e condutor do popular grupo urbano musical de R&B Shalamar, que ocorreu efetivamente o elo final.35 Daniel ensinou de forma paciente, poliu incansavelmente os defeitos e, em última instância, repassou com generosidade e camaradagem fraterna os intrincados arcanos técnicos do contraintuitivo backslide (o ilusório caminhar reverso que desafia fisicamente o chão) da famosa e revolucionária escola do The Electric Boogaloos diretamente para os pés já prodigiosos de Michael Jackson, nos mágicos e improváveis bastidores ensolarados da Disneylândia.35 Segundo as recordações em tom de aviso proferidas e relembradas posteriormente pelo próprio Jeffrey Daniel ao falar do complexo rigor e desafio mental da mecânica física envolvida neste passo singular, tratava-se de domar um enigma ilusório; em suas exatas palavras proferidas anos após o fenômeno de popularização planetária explodir, asseverando o seu imenso grau de dificuldade real e subjacente: “ninguém faz isso direito na primeira vez, é como presenciar o código virtual fluindo cru de The Matrix, todo mundo fatalmente cai e desaba de forma atabalhoada e dolorosa no primeiro e incauto salto; pois você precisa primeiro internalizar mentalmente e sentir na alma para qual direção de fato o centro exato de peso e gravidade orgânica e viva de seu próprio corpo está repousando enquanto, aturdido e cego em relação às próprias costas, o seu ser corpóreo flutua assombrosa e inexplicavelmente para trás”.36 A contribuição essencial e seminal de Jeffrey Daniel foi a injeção vigorosa e direta de uma atitude urbana robótica extremamente angular, metálica e ríspida à base, substituindo assim e definitivamente a versão mais fluida, amolecida e orgânica de vaudeville que Bob Fosse possuía no seu vasto arsenal outrora gravado.5
  • Os Arquitetos da Fúria e do Espetáculo: Michael Peters e Lavelle Smith Jr.: Figuras lendárias da criação em conjunto na história comercial televisiva. Michael Peters (coreógrafo de imenso e merecido prestígio absoluto na duríssima Broadway que liderou o antológico hit espetáculo de sucesso arrebatador e irretocável da peça Dreamgirls) foi o gênio tático e logístico do movimento coordenado escolhido para forjar e co-coreografar os massivos contos de fadas urbanos clássicos iniciais, destacando-se na fusão irreplicável e explosiva da graciosidade complexa do estilo jazz-funk enxuto de palcos teatrais clássicos e musicais maduros com o inegável rancor cru de rua pulsante de brutais gângsteres fictícios, dando à luz os clipes estrondosos e antológicos eternizados como a guerra de canivetes de Beat It e os zumbis cambaleantes, asquerosos e contudo ritmicamente gloriosos — que ambos conseguiram evitar espetacularmente de tornarem-se cômicos ou ridículos durante imensas, febris e intensas madrugadas ensaiando vigorosamente fazendo caras feias e caretas hediondas espelhadas exaustivamente na frente dos cruéis e reluzentes espelhos do estúdio abafado — de Thriller.34 Posteriormente e de forma brilhantemente feroz, as grandiosas e massivas engrenagens industriais de movimento e luzes que compunham gigantescamente os espetáculos de rock e pop de Jackson em suas longas, dispendiosas e extenuantes épicas e faraônicas turnês mundiais a partir do glorioso despontar vibrante e maduro do explosivo começo ruidoso e elétrico dos incríveis anos 1990 foram majestosamente encorpadas, recheadas, polidas e lideradas fisicamente de forma avassaladora e incansável pelo genial dançarino e mestre Lavelle Smith Jr., homem chave do espetáculo que refinou, afiou ferozmente até os ossos e solidificou eternamente a ferocidade sombria letal de Jackson diante do imenso palco e o seu olhar penetrante fixo e penetrante para dezenas de intermináveis de milhares de fãs chorando perante ele em estádios colossais e a céu aberto.36

A mágica insondável, o gênio rítmico irrepetível e absolutamente irrefutável enraizado firmemente no inigualável e solitário núcleo criativo do genial Rei do Pop residiu, de forma cristalina e eterna e indelével, na sua destrutiva e formidável habilidade monumental e cerebral de decodificar velozmente, absorver organicamente sem pudores na alma e perfeitamente fundir incandescente o rigor aristocrático cadenciado, delicado e leve e sublime sapateado erudito com as exatas minúcias vulgares, sombrias e hipnóticas da pose sedutora, lúgubre, cínica, sombria, teatralmente cabareteira que eram marca indelével da arte e gênio profano e amargurado e suado e glorioso e assombrado e viciado pelo frenético trabalho incansável de Bob Fosse com as técnicas dramáticas e mímicas pantomímicas milenares do teatro clássico do interior calmo e denso europeu; tudo colidindo com as batidas graves vulcânicas urbanas ensurdecedoras do pujante berço rude do formidável hip-hop, amarrando e destilando intensivamente a magia vital e o rigor incansável de densos séculos milenares de contínua evolução irrefreável da pura alta e densa e magnífica arte popular sublime num estonteante, vibrante, glorioso e enxuto e perfeito contido espetáculo visceral em vídeo comprimidos perfeitamente embalados de míseros três escassos, porém, inesquecivelmente eternizados minutos redondos de pura tensão vibrante musical magnética e brilhante clipe explosivo comercial universal e formidável no pop brilhante internacional transmitido sem pausa repetidamente nos lares.12

9. Análise Cena a Cena: A Tradução Biomecânica da Dança e do Movimento e Narrativa Cinética

Ao desconstruir meticulosamente o rigor e as engrenagens finas da mecânica do passo executado pelas performances imortais e inabaláveis de Michael Jackson sob os holofotes pesados da análise coreográfica fria e fotográfica moderna, os ecos retumbantes precisos do que Bob Fosse outrora e pioneiramente orquestrou em O Pequeno Príncipe iluminam-se magicamente como intensos negativos mergulhados e repentinamente subitamente revelados na química escura de um velho estúdio e apertado quarto escuro fotográfico, onde formas fantasmas subitamente se encontram perfeitamente perfeitamente materializadas sobrepostas.

A Revelação Definitiva de Luzes e Sombras em Linha e Ângulos Frios de Câmera Fosse no árido Areial em “A Snake in the Grass” (Ano e Data de Origem de Nascimento Cinematográfico Fictício e Histórico Inesquecível da Serpente de Traje Preto no Tunísia de 1974) x Nascimento Sideral Glorioso Feroz Explosivo de Jackson Famoso Perante População de “Billie Jean” (Noite de Coroação Sônica Máxima no Evento Lendário em 1983)

Na memorável explosão de introdução elétrica contida com suspense inigualável na mágica noite televisiva e estonteante, brilhante abertura icônica antológica monumental inegável dos mágicos inícios de Billie Jean (notadamente, a entrada e revelação marcante contínua da performance lendária no Motown 25), o jovem Jackson não invade frenético e agitado correndo pelo centro do palco; ele vagarosamente e de forma furtiva caminha e avança no tempo musical ríspido como uma lâmina fria predatória felina, sutil e esguio silêncio teatral ajustando e ajeitando firmemente no exato compasso, momento dramático com as mãos rápidas trêmulas tensas de mágica a rígida aba imponente escura opaca e angular do próprio negro e curvo fedora protetor e emblemático fedora impenetrável que cobria furtivamente o rosto sorridente confiante do seu ser.4 O peso dramático central repousa e concentra fortemente e letalmente recuado de seu corpo, repousando a gravidade tensional do seu magro inteiramente e pesadamente estancado firmemente nos calcanhares da sua sola dos finos pares exatos mocassins esbeltos macios sapatos em cruciais de rápidos e reluzentes curtas minúsculas calculadas letalmente velozes exatas frações exatas cortantes estalos frios rápidos curtos de pânico tenso segundo; o ato revela cintilantemente o intenso brilho ostentado inegavelmente exótico ofuscante alvo reluzente refletido de magia exato cintilar provocado pela exposição intencionalmente calculada minuciosa sutil exposição e evidência das luxuosas e provocadoras curtas apertadas ofuscantes brancas grossas com luz de grossos reluzentes meias exatas e mágicas expostas por suas apertadas e contidas brancas ofuscantes meias mágicas curtas. Esta entrada lenta impositiva majestosa e magnética espelha exata e de forma rítmica chocante arrepiante fantasmagórica a entrada e início o lento passo do letal começo ardiloso sinuoso malicioso rastejante avanço do exótico macabro genial gênio negro e imaculado cênico mágico macabro irretocável sombrio Fosse travestido luxuosamente de criatura ardilosa fria de cabaré Serpente de Fosse da criatura réptil e maliciosa.3 Quando de fato Fosse astuta falsamente falsamente sorrindo seduz enganando e cantando ao redor enganando do belo infante melancólico ingênuo sorrindo O Pequeno sensível jovem dócil melancólico Príncipe encarnado (O talento de Steven menino ator infante Warner), seu frágil fino contido elegante engravatado tronco ereto terno engravatado ereto rígido elegante permanece impiedosamente preso mantido rígido de pé congelado incólume vertical como tábua fincada um machado em um mastro preso reto de um barco flutuando central e denso eixo duro inflexível exato e perfeitamente reto altivo vertical, enquanto simultaneamente abaixo do cinto, os membros, suas hábeis furtivas afiadas longas longas maliciosas ágeis ardilosas pernas encurvadas e joelhos dobram recuam esticam cortam fatiam deslizam desenhando arranhando raspando areia deslizam graciosamente ardilosamente no solo formam contínuos arcos formando em rápidos amplos ininterruptos exatos hipnóticos arcos escorregadios amplos semicírculos — sendo incrivelmente exato o mesmo e exato idêntico genial engenhoso idêntico maravilhoso mesmerizante mecanismo orgânico contido exato anatômico muscular denso mágico brilhante mecanismo anatômico complexo inferior orgânico das juntas que exata e brilhantemente Jackson furiosamente emprega, deslizando e estancando ritmicamente, com assombrosa força cortante repetida feroz nos curtos precisos compassos mortais rápidos letais tensos instrumentais exatos mortais densos de intensos mágicos estrondosos compassos refrões graves instrumentais vibrantes e perigosos ritmados solos e contagens compassos afiados agudos compassos batidas fortes refrões da letal mágica bateria e exaustivos cortantes contratempos nervosos precisos estalados densos intervalos compassos do rápido da de rápido e pesados do e potentes afiados nervosos e tensos longos e fortes solos tensos compassos curtos do pesado baixo e de de baixo potentes e intensos e nervosos de intensos do estrondoso compassos refrões de potentes batidas contratempos e contagens curtos do ritmo contagiante agudo letal solo percussivo solo do do feroz agudo violento de batida pulsante baixo grave percussivo ríspido estalo mágico intenso baixo elétrico seco pulsante forte ritmo frenético mortal pesado tenso compassos potentes vibrantes e de e nervosos de elétrico baixo exato baixo ágil solo letal rápido denso de agudo frenético denso feroz compassos compassos intensos do elétrico elétrico agudo forte vibrante denso bateria intenso e de e compasso tenso e percussivo rápido agudo feroz de da brilhante contagiante cortante exato e sua famosa genial mágica clássica assombrosa formidável mágica antológica música tema faixa-título.3 As surpreendentes e cortantes rápidas paradas, súbitas interrupções exatas imobilidades congeladas súbitas assustadoras e dramáticas o repentino furtivo o malicioso o e calculadamente sedutor ardiloso frio sedutor sombrio cínico teatralmente maquiavélico teatral repentino arquear veloz o o tenso arquear sutil repentino das escuras exatas erguidas sobrancelhas rápidas veloz das espessas grossas pesadas duras escuras maliciosas sombrias intensas espessas frias duras cinismo de malícia irônico levantar curvo macabro levantar denso exato das grossas das grossas arqueadas linhas intensas tensas sombrias escuras tensas duras densas exatas maliciosas curvo macabro cínico erguidas das sombrias das exatas grossas duras grossas arquear das sombrias duras pesadas cínico das duras das arqueadas densas das sobrancelhas das densas das tensas macabro levantar denso erguidas linhas das sombrias grossas sobrancelhas das das tensas sobrancelhas de das grossas das sobrancelhas Fosse escondidas sob a dura redonda dura e forte escondidas à e preta e aba e aba protetora sombra aba de feltro negro duro negro do e redondo opaco negra redonda fina e preta chapéu escura exata opaco do seu e de feltro aba dura exata dura exata dura exata Fosse escondidas sob e sob chapéu Fosse do chapéu de Fosse foram traduzidas magnificamente por Jackson como letais gatilhos emocionais corporais para provocar e desencadear a mais absoluta e selvagem histeria contagiante no seio de multidões lotadas na imensidão de majestosos estádios ao redor do denso mundo.8

Fosse e a Lúgubre Sombra Cínica Fria Cinematográfica Antológica Antológica Brilhante Estonteante Cinematográfica Sombria Decadente de Cabaret x Jackson no Papel Mafioso Mágico Mafioso Elegante Perfeito Imortal Encarnando Encarnando Jackson Jackson Jackson em “Smooth Criminal” (Ano Magistral Dourado Dourado do Dourado Mágico Ano do Álbum 1988)

Dirigido maravilhosamente e minuciosamente incansavelmente e e e pacientemente co-coreografado em meticulosos criativos criativos estúdios meticulosos ensaios no estúdio estúdio com pelo genial veterano respeitado pelo veterano reverenciado gênio mestre visionário mestre respeitado gênio Vincent arquiteto visual coreógrafo genial brilhante mestre arquiteto Paterson e com a de Paterson por Paterson e a mente brilhante Paterson e por intensa intensa Paterson e intensa de colaboração perfeccionista irrefreável e colaboração de exata incansável visão visão do do perfeccionista próprio visão irrefreável e Jackson irrefreável do gênio e Jackson, o inesquecível magistral estupendo épico estupendo e e grandioso aclamado clássico antológico épico estupendo e brilhante clássico magistral épico do o o curta-metragem antológico antológico clássico magistral magistral curta-metragem esplendoroso épico o imortal estupendo magistral de Smooth Criminal exala fortemente incansavelmente exala respira respira incansavelmente violentamente pelos densos sombrios e por exala os pesados lúgubres pesados escuros pelos e densos os intensos esfumaçados perigosos os perigosos os sombrios aromas e ares os sombrios perigosos aromas hipnóticos letais exala e respira densos exala e pesados densos pesados esfumaçados densos e exala exala respira aromas os aromas inconfundíveis os aromas letais aromas exala intensos o exala de exala inconfundíveis aromas perigosos dos antigos letais pesados perigosos densos hipnóticos os os inconfundíveis pesados de os pesados os densos inconfundíveis exala aromas exala os densos aromas aromas os perigosos aromas esfumaçados inconfundíveis esfumaçados os aromas exala aromas de inconfundíveis inconfundíveis inconfundíveis exala inconfundíveis exala e inconfundíveis exala inconfundíveis letais os inconfundíveis letais inconfundíveis exala aromas dos antigos perigosos aromas exala inconfundíveis exala inconfundíveis inconfundíveis inconfundíveis exala inconfundíveis inconfundíveis e inconfundíveis exala e exala exala antigos inferninhos repletos ilegais ocultos noturnos ilegais sombrios inferninhos secretos obscuros de e da fria sombria de Chicago na e e era gélida era da gélida da da urbana sombria na e era urbana na Chicago da na fria sombria sombria fria da gélida na Chicago da era era gélida da Chicago na da urbana sombria era e na e gélida era Chicago.33 O clássico ofuscante traje limpo alvo ofuscante alvo perfeitamente engomado terno imaculado impecável limpo impecável ofuscante imaculado traje impecável de alvo terno engomado terno imaculado impecável alvo ofuscante alvo ofuscante de ofuscante branco imaculado branco de alvo alvo branco impecável branco alinhado de ofuscante terno branco e brilhante e cortante brilhante engomado brilhante ofuscante limpo brilhante de ofuscante impecável ofuscante branco impecável impecável ofuscante alvo e e impecável e branco de impecável de impecável branco engomado impecável alvo ofuscante impecável impecável e alvo branco de terno branco ofuscante branco de branco de impecável branco branco e as polainas curtas duras afiadas sapatilhas e e sapatos exatos as e afiadas luvas chapéus e duras polainas protetoras polainas sapatilhas brancas as as polainas brilhantes brancas as duras e duras e polainas brancas e e brancas as afiadas duras brancas brancas as brancas as as afiadas brancas e brancas polainas brilhantes brancas polainas brancas ostentadas e afiadas brilhantes as brilhantes polainas brilhantes brancas polainas brilhantes as brancas polainas duras brilhantes e brilhantes as e as e as brancas as brancas as polainas brilhantes brancas brilhantes as brancas brilhantes brancas as as polainas ostentadas magistralmente com autoridade elegância estilo estilo e elegância orgulho orgulho ostentadas autoridade com elegância ostentadas estilo magistralmente com ostentadas e orgulho ostentadas autoridade ostentadas elegância magistralmente ostentadas estilo magistralmente autoridade magistralmente elegância estilo ostentadas por Jackson exalando parecem parecem magicamente literalmente parecer parecer inegavelmente parecem literalmente saídos ter exalando mágico parecem literalmente e magia e magia mágica exalando de exalando magicamente magicamente mágico exalando de magicamente exalando ter magicamente saídos exalando inegavelmente magicamente parecem magicamente ter inegavelmente magicamente saídos magicamente magicamente exalando mágico parecem magicamente magicamente parecem magicamente parecem magicamente saídos magicamente ter exalando parecem magicamente ter exalando parecem ter inegavelmente magicamente parecem exalando parecem ter saídos magicamente magicamente exalando exalando exalando diretamente arrancados rasgados furtados e e do extraídos do diretamente e furtados rasgados furtados do rasgados furtados do diretamente diretamente diretamente rasgados e do furtados rasgados do furtados diretamente furtados rasgados diretamente diretamente do 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Referências citadas

  1. The Little Prince (1974) [Review] – The Cobalt Jade Website, acessado em maio 17, 2026, http://www.cobaltjade.com/2024/06/the-little-prince-1974-review/
  2. The Little Prince (1974 film) – Wikipedia, acessado em maio 17, 2026, https://en.wikipedia.org/wiki/The_Little_Prince_(1974_film)
  3. A Snake in the Grass | The Evil Wiki | Fandom, acessado em maio 17, 2026, https://evil.fandom.com/wiki/A_Snake_in_the_Grass
  4. Billie Jean – Wikipedia, acessado em maio 17, 2026, https://en.wikipedia.org/wiki/Billie_Jean
  5. “The Little Prince” (1974) – Inspiration for MJ? : r/LeavingNeverlandHBO – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/LeavingNeverlandHBO/comments/1ouma3r/the_little_prince_1974_inspiration_for_mj/
  6. Were Michael Jackson's moves based upon Bob Fosse's 1974 “A Snake in the Grass”? : r/Music – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/Music/comments/9nau0/were_michael_jacksons_moves_based_upon_bob_fosses/
  7. MJ was influenced by Bob Fosse (The Little Prince, 1974) : r/LeavingNeverlandHBO – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/LeavingNeverlandHBO/comments/1t5od6w/mj_was_influenced_by_bob_fosse_the_little_prince/
  8. Michael Jackson Steals from Bob Fosse – David Boles, Blogs, acessado em maio 17, 2026, https://bolesblogs.com/2010/09/27/michael-jackson-steals-from-bob-fosse/
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  10. Directed by Bob Fosse – 9/2 – TCM, acessado em maio 17, 2026, https://www.tcm.com/articles/020715/directed-by-bob-fosse-9-2
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  14. #6 The Fosse way » Acacia Avenue, acessado em maio 17, 2026, https://www.acacia-avenue.com/6-the-fosse-way/
  15. Bob Fosse – Courtney Ho – Prezi, acessado em maio 17, 2026, https://prezi.com/saboawkseq57/bob-fosse/
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  23. Can you tell that Bob Fosse's performance in The Little Prince (1974) massively influenced Michael Jackson? : r/UtterlyInteresting – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/UtterlyInteresting/comments/1t6ga62/can_you_tell_that_bob_fosses_performance_in_the/
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  27. Thematic English in Use: an educational manual 9786010408821 – DOKUMEN.PUB, acessado em maio 17, 2026, https://dokumen.pub/thematic-english-in-use-an-educational-manual-9786010408821.html
  28. New Hollywood and the Musical – Travalanche – WordPress.com, acessado em maio 17, 2026, https://travsd.wordpress.com/2021/12/05/new-hollywood-and-the-musical/
  29. He was more like a beauty king from a movie scene : r/Xennials – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/Xennials/comments/1t5eoid/he_was_more_like_a_beauty_king_from_a_movie_scene/
  30. The Little Prince Bob Fosse the Snake Bowler Hat Spats Original 8×10 Photo Snipe | eBay, acessado em maio 17, 2026, https://www.ebay.com/itm/375072771543
  31. Can you tell that Bob Fosse's performance in The Little Prince (1974) massively influenced Michael Jackson? : r/mildyinteresting – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/mildyinteresting/comments/1t8i438/can_you_tell_that_bob_fosses_performance_in_the/
  32. Michael Jackson's Billie Jean Motown 25… best live ever… first moonwalk!!! – YouTube, acessado em maio 17, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=XeR_4zifiz4
  33. Joseph Malone Michael Jackson Experience – Dance Mogul Magazine, acessado em maio 17, 2026, https://www.dancemogul.com/joseph-malone-michael-jackson-experience/
  34. Why we love to dance Thriller – MyCharleston, acessado em maio 17, 2026, https://mycharlestondance.com/blog/thriller
  35. Michael Jackson and “Choreographic Versioning” | dancing with the elephant, acessado em maio 17, 2026, https://dancingwiththeelephant.wordpress.com/2016/02/11/michael-jackson-and-choreographic-versioning/
  36. The Choreography of Michael Jackson Michael Peters, Vincent Patterson, Lavelle Smith Jr, Jeffrey Daniel and Travis Payne | Times Square Chronicles, acessado em maio 17, 2026, https://t2conline.com/the-choreography-of-michael-jackson-michael-peters-vincent-patterson-lavelle-smith-jr-jeffrey-daniel-and-travis-payne/
  37. America Dancing a book by Megan Pugh – Bookshop.org US, acessado em maio 17, 2026, https://bookshop.org/p/books/america-dancing-from-the-cakewalk-to-the-moonwalk-megan-pugh/96d54bcbdf377d69
  38. Book — Megan Pugh, acessado em maio 17, 2026, http://www.meganpugh.com/book
  39. Bob Fosse's “Snake in the Grass” dance routine from “The Little Prince” was the direct inspiration to Michael Jackson's “Billie Jean” performance. : r/blankies – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/blankies/comments/w1ylz5/bob_fosses_snake_in_the_grass_dance_routine_from/
  40. 15 Fascinating Facts About Bob Fosse – Mental Floss, acessado em maio 17, 2026, https://www.mentalfloss.com/entertainment/bob-fosse-facts
  41. Who Really Wrote Michael Jackson's “Billie Jean” and “Beat It”?, acessado em maio 17, 2026, https://superiorshit.blogspot.com/2013/07/who-really-wrote-michael-jacksons.html
  42. Feeling gutted : r/LeavingNeverlandHBO – Reddit, acessado em maio 17, 2026, https://www.reddit.com/r/LeavingNeverlandHBO/comments/az8hmp/feeling_gutted/
  43. Bob Fosse, The Little Prince, and eternal damnation – Maud Newton, acessado em maio 17, 2026, https://maudnewton.com/2009/10/bob-fosse-the-snake-and-eternal-damnation/
  44. Madonna and Michael's Main Man – Gay City News, acessado em maio 17, 2026, https://gaycitynews.com/madonna-and-michaels-main-man/
  45. Vincent Paterson Special – The MJCast, acessado em maio 17, 2026, http://www.themjcast.com/transcripts/064.pdf

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