Dj – Urubu do Ver-o-peso o Fedorento – Cúmbia

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🎧 Perfil do Urubu do Ver-o-Peso

“Quem não aguenta o pitiú, não entra na minha área. Aqui o som é sujo, o ritmo é quente e a saudade é eterna!”

1. O Nome e a Lenda

  • Nome Artístico: DJ Urubu do Ver-o-Peso.

  • Alcunha: “O Fedorento”.

  • Origem: Ninguém sabe onde ele mora, mas ele nasceu olfativamente na Pedra do Peixe, num amanhecer chuvoso, entre uma carcaça de uritinga e um cacho de açaí amassado. Ele se considera o “Espírito Guardião Sonora do Veropa”.

2. Aparência Visível (e Olfativa)

  • O Estilo: Veste-se exclusivamente de preto, mas não é gótico: é uma camisa de botão de poliéster desbotada, manchada de escama de peixe seca e suor de anos de feira. Usa um boné velho da “Aparelhagem Super Pop” ou “Rubi”, virado para trás.

  • Acessórios: Um colar de miçangas grossas de guaraná e um dente de jacaré pendurado no pescoço. Nos dedos, anéis de alpaca cravados com pedras que ele diz serem “mágicas do Marajó”.

  • O “Cheiro” (A Alcunha): Ele abraça o apelido. Seu cheiro é uma mistura complexa e avassaladora de: peixe curado ao sol (o lendário pitiú), tucupi fervendo, cheiro-verde úmido, tabaco de corda e a colônia “Sândalo” que ele passa para tentar equilibrar, sem sucesso. Quando ele chega, o som dele chega cinco minutos depois.

3. A Sonoridade (A Identidade Musical)

Ele não toca o que está na moda. Ele toca a “música de raiz das Guianas e da Baía”, focando no som que embalava os bailes da saudade nos anos 80 e 90.

  • Gêneros Exclusivos:

    1. Cúmbia Paraense/Colombiana: Aquela cúmbia arrastada, com o baixo pesado e o saxofone chorando. Toca os clássicos de Los Mirlos, Cuarteto Continental e as versões paraenses de Fernando Belém.

    2. Merengue de Belém: O merengue acelerado, bom para dançar de dois “ralando o bucho”. Toca Ivan Cunha, Haroldo Caraciolo e bandas de sopro antigas.

    3. Música Paraense de Raiz: Carimbó chamegado (Dona Onete, Mestre Verequete), Lambada roots (Pinduca, Beto Barbosa das antigas) e Brega Saudade bem “rasgado” (Teddy Max, Cleide Moraes).

  • O Equipamento: Toca em uma mesa de som cheia de ferrugem, ligada a duas caixas de som gigantescas que ele chama de “As Torres do Veropa”. O som é ligeiramente distorcido, o que ele diz que “dá o charme da ruindade”.

4. Comportamento e Bordões

  • Onde Atua: Sua “cabine” é uma barraca improvisada de lona azul ao lado das vendedoras de ervas, perto da Doca dos Merceiros. Ele toca das 17h (quando a feira começa a virar baile) até a última barraca de tucupi fechar.

  • Relação com o Público: É grosso, mas carinhoso. Xingará se pedirem sertanejo ou funk, mas chorará junto se alguém pedir um brega saudade de partir o coração.

  • Bordões:

    • “Aumenta o som, que o sitiú tá forte e a cúmbia tá mais forte ainda!”

    • “Essa aqui é pra quem tem asma, pra curar na base do ralado!” (antes de um merengue acelerado).

    • “Se não tiver pitiú, não é meu baile!”

    • “Solta o urubu, maestro!” (quando a cúmbia começa).

5. Função Social

DJ Urubu é o curador da memória musical do povão do mercado. Ele garante que os peixeiros, as erveiras, os carregadores e os turistas sintam a vibração autêntica da Belém antiga, aquela que não se curva à modernidade asséptica, celebrando o cheiro e o som da sobrevivência diária.

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