Mestre Verequete: O Caboco que é o Bicho no Carimbó de Raiz
Parente, presta atenção no que eu vou te falar sem embaçamento. Se tu acha que a Amazônia é só mato e rio, tu tá por fora, tá liso de informação. A nossa terra tem uma cartografia sonora que é égua doida, uma mistura que veio dos índios, dos pretos escravizados e dos portugueses, criando o nosso carimbó. E não é qualquer carimbó de meia tigela não, mano; é documento vivo da resistência do povo caboco e ribeirinho do Pará.
Pra entender essa fulhanca toda, que hoje é Patrimônio Cultural do Brasil, tu tem que conhecer o xamã das curimbós: Augusto Gomes Rodrigues, o eterno Mestre Verequete.
O Rei da Pavulagem Verdadeira
O Mestre Verequete não era qualquer um que ficava por aí perambulando sem rumo. O cara era ladino, muito inteligente, um verdadeiro diplomata das encantarias. Ele foi o baluarte do carimbó “Pau e Corda”, aquele de raiz mesmo, que faz a gente querer dançar até o tucupi.
Enquanto muita gente por aí é cheia de pavulagem e fica querendo se exibir com coisa que não é nossa, o Verequete manteve a essência rústica. Ele não aceitava migué de gravadora lá do Sul-Sudeste que queria mudar o som dele pra vender mais. O velho era duro na queda e não arredava o pé da tradição.
Voz de Trovão: Tinha uma voz rouca, carregada de vivência, que parecia uma visagem cantando as histórias do rio.
No Batente: Passou a vida peitado no trabalho de manter a nossa cultura viva, enfrentando o preconceito de quem achava o carimbó coisa de gente escrota.
Pai d'égua: O que ele fazia era só o filé, o máximo do que a gente tem de arte.
O Legado que não Levou o Farelo
Mestre Verequete foi a personificação do ritmo. Ele mostrava que ser caboco é ter orgulho de ser interiorano, de viver da pesca e da roça, com costumes próprios. Quando ele batia no tambor, o som ecoava discunforme, em grande quantidade, no peito da terra.
Hoje, se a galera nova mete a cara e tem orgulho da sua negritude e do seu sotaque, é porque o Mestre abriu o caminho. Ele provou que a nossa cultura, quando é de rocha e não é só tese de mentira, vira imortal.
“O carimbó do Verequete é chibata, mano! É o som que faz a cunhantã e o curumim riscarem o chão no salão.”
Fica Ligado!
Se tu encontrar alguém dizendo que o carimbó tá morrendo, pode dizer: “Olha já!“. Enquanto houver um curimbó batendo e uma saia rodando, a alma do Mestre Verequete vai estar bem ali, vigiando de butuca pra ninguém malinar com a nossa história.]
Do Chão Batido ao Asfalto: A Caminhada de Rocha do Mestre
Parente, tu sabe que ninguém vira o “Rei do Carimbó” da noite pro dia, sem levar uma pisa da vida antes. A história do Augusto Gomes Rodrigues, o nosso Verequete, começou lá no interior, no meio daquela mistura de índio Tupinambá com o povo preto que formou a nossa gente.
O Nascimento de um Brabo
O mestre nasceu no dia 26 de agosto de 1916, bem ali num lugar chamado “Careca”, que ficava perto da Vila de Quatipuru, lá por Bragança. Essa data é tão pai d'égua que hoje em Belém é o Dia Municipal do Carimbó, pra tu ver que o caboco e o ritmo são uma coisa só.
Infância Ralada e o Terreiro da Piticó
A vida dele quando curumim não foi refresco não, foi ralada mesmo. Com apenas três anos, o coitado ficou órfão de mãe e teve que se mudar pra Ourém. Mas olha já, nem tudo era tristeza. Foi lá que ele começou a matutar sobre o batuque, frequentando o terreiro da negra Piticó.
Aprendizado de Raiz: No meio dos cordões de pássaros e do boi-bumbá, ele foi forjando a alma musical.
Visão de Mundo: Aquelas rodas de batuque de noite ensinaram pra ele o que é ter pertencimento e comunidade.
Crescendo à Pulso e a Lida no Interior
O Augusto cresceu à pulso, mano, sem muita moleza. Aos 12 anos, ele já tava em Capanema morando sozinho, trabalhando pesado pra garantir o peixe e a farinha de cada dia.
“Toda essa vivência de pescador e lavrador, olhando a bicha da mata e o rio, virou a letra das músicas dele depois. O cara manjava muito da vida no mato!”
Partiu Belém: Icoaraci na Veia
Na década de 1940, ele pegou o beco do interior e se mandou pra Belém, fugindo da pobeza e buscando algo melhor. Ele foi se amalocar lá em Icoaraci, a nossa “Vila Sorriso”, bem na beira da Baía do Guajará.
Emprego de Rocha: Conseguiu um trabalho civil na Aeronáutica, o que deu uma folga pra ele não ficar sempre na roça (liso).
Mente Aberta: Com o bucho cheio e o dinheiro no bolso, a cabeça dele finalmente pôde se voltar toda pro carimbó.
Foi ali, entre o barro dos oleiros e o cheiro de pitiú do peixe fresco, que o Mestre começou a preparar o que ia virar a explosão do carimbó de raiz que a gente ama.
Quadro Cronológico: A Formação do Mestre
| Período Histórico | Localidade no Pará | Marcos Biográficos e Desenvolvimento Cultural |
| 1916 (26 de agosto) | Quatipuru (Bragança) | Nascimento de Augusto Gomes Rodrigues na comunidade “Careca”.3 |
| 1919 | Ourém | Fica órfão de mãe aos 3 anos; inicia contato com a cultura popular e o batuque no terreiro da negra Piticó.9 |
| 1928 | Capanema | Muda-se para morar sozinho aos 12 anos; assume o trabalho braçal e absorve a essência do cotidiano e do linguajar caboclo.9 |
| Década de 1940 | Icoaraci (Belém) | Migração para a capital. Emprega-se na base da Aeronáutica. Profunda imersão nos terreiros urbanos de Belém.9 |
O Batismo de Fogo e o Voo do Uirapuru: A Luta do Nosso Rei
Parente, tu não faz ideia do que o carimbó passava antigamente. Na metade do século XX, esse som era ralado, confinado nos terreiros de umbanda, nas festas de São Benedito e nos quintais de terra batida. A elite de Belém, cheia de bossalidade, achava que era “festa de preto” e preferia ouvir jazz e bolero, enquanto a polícia baixava o cacete nas rodas de batuque.
O Batismo que não foi na Igreja
O nome “Verequete” não veio de documento não, mano. O Augusto estava num batuque de pajelança quando o Pai de Santo, em transe, começou a cantar: “Chama Verequete!“. Ele achou aquilo pai d'égua, decorou e ficou repetindo o refrão na base da Aeronáutica onde trabalhava. Os amigos acharam daora e começaram a chamar ele assim; aí o apelido grudou na alma e o “Augusto” escafedeu-se.
O Conjunto Uirapuru: O Canto que Silencia a Mata
Para defender o carimbó “Pau e Corda”, o Mestre juntou uma galera de peso — estivadores, pescadores e gente humilde de Icoaraci — e fundou o Conjunto Uirapuru. Escolheu esse nome porque o uirapuru é o pássaro místico que, quando canta, faz a floresta toda ficar de mutuca só ouvindo.
O Marco Zero: Só em 1971, já com quase 50 anos, ele lançou o disco “O Legítimo Carimbó”.
Produtividade Maceta: Gravou 10 vinis, 4 CDs e compôs umas 200 músicas, tudo só o filé.
Postura Firme: Ele batizou o disco de “Legítimo” pra mostrar que o dele era de rocha, sem migué de gravadora.
Boicote, Passagem e a Exploração dos Enxeridos
Mas nem tudo foi só o creme. As rádios comerciais faziam um boicote escroto, dizendo que o som do curimbó era “atrasado” comparado ao rock e à Jovem Guarda. E o pior: muito enxerido do show business e produtor boca mole se aproveitou da generosidade do Mestre.
Ele assinou contratos de má-fé por ser um homem simples e acabou perdendo um pudê de dinheiro de direitos autorais. Enquanto as gravadoras ganhavam rios de dinheiro com “Chama Verequete”, o gênio vivia na pobeza lá em Icoaraci, quase sempre na roça (liso). Até hoje a família dele sofre com essa malineza jurídica.
Resistência de Rocha
Mesmo com esse bando de nó cego querendo lhe passar a perna, Verequete não arredou o pé. Ele não se rendeu a modismo de meia tigela. O público dele era o povo da feira, os ribeirinhos e os estivadores, que sentiam orgulho da identidade sonora da nossa terra. Ele era duro na queda e sabia que o seu carimbó era a voz dos seus ancestrais.
O Guardião do Fogo Sagrado: O Embate entre o “Pau e Corda” e a Guitarra Elétrica
Parente, tu tem que entender que nos anos 70 o negócio ferveu pro lado do carimbó. Foi nessa época que apareceu uma divisão que até hoje dá o que falar: de um lado o carimbó “Pau e Corda” (o de raiz) e do outro o “Estilizado” (o moderno).
O Pinduca e a Mistura Maluca
O mestre Pinduca, que tinha um faro mercadológico pai d'égua, resolveu fazer uma revolução. Ele meteu guitarra elétrica, baixo e bateria no meio do batuque. Com essa mistura de cumbia e merengue, o carimbó dele ficou daora pros grandes bailes e pras rádios FM do Sul, fazendo o ritmo ser exportado pra todo canto.
Verequete: O Monólito da Ancestralidade
Mas o nosso Mestre Verequete não era de se render a qualquer pavulagem tecnológica. Ele se tornou o representante do carimbó legítimo justamente porque não aceitava eletrificar o som.
Curimbó de Rocha: Pro Verequete, bateria nenhuma substituía o baque surdo do tambor de madeira.
Banjo sincopado: O baixo elétrico não tomava o lugar do balanço do banjo rústico.
Fidelidade: Ele era a pureza cabocla preservada, a expressão máxima do folclore que não aceitava migué de gravadora.
Rivalidade ou Parceria de Rocha?
Olha já, muita gente pensa que eles eram inimigos, mas a verdade é que as duas energias se completavam. O caboco daquela época não tava congelado no tempo; ele já andava de rabeta nos rios e ouvia rádio de pilha.
Complementares: Enquanto Pinduca levava o som pro asfalto, Verequete garantia que o carimbó não perdesse a alma e a identidade.
Bússola Moral: O Mestre de Icoaraci foi a âncora que manteve o ritmo fincado na terra úmida da Amazônia.
Um Legado que não Levou o Farelo
A resistência do Verequete abriu as portas pra outros mestres que viviam na caixa prego, lá no interior, e que ninguém via. Ele ensinou a molecada que dá pra ter orgulho do sotaque e dos instrumentos feitos à mão sem precisar ser meia tigela pra agradar executivo de terno lá do Sudeste.
Hoje, a cambada nova — como o pessoal do Cobra Venenosa e do Curimbó de Bolso — bebe direto dessa fonte nas rodas que varam a noite em Icoaraci. O Mestre plantou uma semente de orgulho que é o bicho até hoje.
Análise Comparativa: Os Paradigmas do Carimbó na Década de 1970
| Característica Estrutural | Carimbó Pau e Corda (Mestre Verequete) | Carimbó Estilizado/Moderno (Pinduca) |
| Instrumentação Base | Curimbós (tronco de madeira e couro animal), banjo paraense, cavaquinho, maracas, e sopros acústicos (saxofone, clarinete).18 | Bateria completa, guitarra elétrica, contrabaixo elétrico, teclados/sintetizadores, sopros com amplificação.8 |
| Arranjos e Sonoridade | Acústicos, orgânicos e terrosos. Cadência rítmica fortemente marcada pela percussão de mãos desnudas no couro. Forte presença de metais rústicos ditando a melodia. | Eletrificados, volumosos e projetados para serem altamente bailáveis em grandes salões urbanos. Aproximação estética com a cumbia, o merengue e a jovem guarda. |
| Recepção da Crítica (Época) | Aclamado e defendido pelos folcloristas, sociólogos e puristas como o carimbó puro, inalterado, ancestral e verdadeiramente “legítimo”.8 | Inicialmente criticado por puristas como uma versão “deturpada” e comercial, mas massivamente abraçado pelo grande mercado fonográfico nacional e pelas rádios.8 |
| Filosofia Estética | Fidelidade absoluta e inegociável à tradição rústica. Ferramenta de resistência cultural contra o apagamento e os modismos efêmeros da indústria fonográfica.6 | Inovação mercadológica descomplexada. Incorporação natural de elementos do cotidiano urbano e do acesso às novas tecnologias disponíveis ao amazônida moderno.8 |
O Coração do Curimbó: A Estética de Rocha do Mestre
Parente, se tu quer saber o que é carimbó de verdade, sem migué, tem que entender o “Pau e Corda” do Verequete. Não é só música, é uma parada orgânica que exige o corpo todo, suor no gogó e calo na mão de tanto bater no couro.
O Curimbó: O Tronco que Fala
O coração desse som é o curimbó, um tambor maceta escavado no tronco de madeira de lei.
Couro e Fogo: A pele (que podia ser de veado ou boi) é esticada e afinada no calor do fogo antes da função começar.
Jeito de Sentar: O Mestre era invocado com a tradição: tinha que tocar deitado, com o caboco sentado cavaleiramente em cima do instrumento.
Conexão com o Chão: Ele achava palha quem tocava em pé com suporte, porque dizia que o som bom vem é da vibração que sobe do chão direto pro corpo.
A Orquestra da Selva
Pra acompanhar o baque grave, o Mestre juntava uma cambada de instrumentos que faziam o povo ficar atê o tucupi de alegria:
Banjo e Cavaquinho: Cordas rústicas e estridentes que dão aquele balanço que não deixa ninguém parado.
Maracas: Herança dos índios, fazendo aquele chiado agudo que dita o compasso.
Sopros Líricos: O saxofone e o clarinete é que faziam a melodia, ora vibrante, ora chorosa, conversando com a voz rascante do Verequete.
Estilo de Caboco: Sem Pavulagem
Verequete passava longe de brilho de TV ou bossalidade. A imagem dele era a cara do nosso povo:
A Coroa de Palha: O chapéu de vaqueiro, que ele usava pra se proteger do sol equatorial na lida, virou sua marca registrada.
Pé no Chão: Subia no palco de sandália de couro ou até descalço, com camisa de botão simples, mas com uma autoridade que deixava todo mundo de mutuca.
Letras que são Crônicas da Terra
As músicas dele são o puro filé da nossa história. Ele cantava:
A Bicha da Mata: O uirapuru, o gavião, o peru e a borboleta da asa amarela.
O Rango do Nortista: Homenageava a nossa força, como na música “Farinha de tapioca”.
O Cotidiano e o Xaveco: Cantava o pescador, a Sereia do Mar e a morena penteando o cabelo com aquela malícia de roda de dança.
Mas ó, por trás dessa alegria, tinha um mistério égua doido. O Mestre tinha um respeito profundo pelas encantarias, pelos bichos invisíveis do rio e por São Benedito, o santo preto que abençoa o tambor. Pra ele, o batuque era o que dava força pra aguentar a pobeza e a falta de sorte (a panemisse) que a vida tentava impor.
A Trilha Sonora da Resistência: As Toadas que são o Bicho!
Parente, o Mestre Verequete não tava de brincadeira não. O cara deixou um acervo de umas 200 composições, entre vinil, cera e CD. É tanta música pai d'égua que a gente até se perde, mas tem umas que são o filé da nossa história e mostram que o caboco é pulso.
“Chama Verequete”: O Hino do Terreiro
Essa aqui é a pedra angular, o hino máximo!. Ela conta como o apelido dele nasceu lá no batuque.
Conexão Mística: A letra fala de fazer o terreiro na beirinha do mar pra brincar, mostrando que o carimbó e o sagrado andam de mãos dadas.
Proteção de Rocha: Ele clama por Ogum e fala de Aruanda, transformando um ponto de umbanda numa festa que todo mundo canta. É o puro suco da nossa mistura religiosa que não aceita migué.
“O Carimbó Não Morreu”: O Grito da Cobra Venenosa
Nos anos 90, espalharam uma potoca braba dizendo que o Mestre tinha levado o farelo, que ele tinha morrido. O Conjunto Uirapuru tava num hiato, sem gravar, e a boca miúda fez a fofoca correr.
A Resposta: Em 1994, ele lançou o 10º disco com essa música pra mostrar que tava mais vivo que nunca.
Te Mete!: Ele canta que o carimbó não morre e avisa: “Sou cobra venenosa, osso duro de roer”. Ou seja, não pisa no rastro do Mestre que o bote é certo!.
“Xô Peru” e “Morena Penteia o Cabelo”: A Gaiatice da Roda
Essas são pra quem gosta de uma bandalheira sadia e de flertar na dança.
Lúdico: “Xô Peru” usa os bichos do quintal pra fazer graça com as confusões das festas.
No Xaveco: Em “Morena Penteia o Cabelo”, a gente vê a dinâmica da dança, onde a cunhantã roda a saia pra tentar cobrir o parceiro num giro só. Se o caboco for leso, ele fica no vácuo!.
“Ilha do Marajó”: O Tributo de Respeito
Um sucesso daora que tocou em tudo que foi rádio. É uma homenagem emocionante ao Marajó, o berço de muito ritmo nosso.
Geografia Sonora: A música conecta Icoaraci com as ilhas bravias, falando da força do búfalo e das marés. É pra deixar qualquer paraense invocado de orgulho.
Obras Selecionadas do Mestre Verequete e Conjunto Uirapuru
9
| Título da Faixa (Obra) | Temática Central e Impacto Cultural | Elemento Estético e Lírico Notável |
| Chama Verequete | Origem de seu nome; profunda ligação umbandista e com as encantarias; consagrado como o maior hino de sua carreira.27 | Cantos de repetição hipnóticos invocando entidades guerreiras (Ogum).27 |
| O Carimbó não Morreu | Desmentido incisivo de sua própria morte e afirmação política da resistência do gênero “Pau e Corda” (lançado em 1994).28 | Letra de forte autoafirmação e ameaça poética (“Sou cobra venenosa, cuidado eu vou te morder”).28 |
| Xô Peru | Fina observação da fauna amazônica e do cotidiano simples dos quintais e terreiros do interior.4 | Dinâmica de refrão de chamada e resposta, altamente interativo para grandes rodas de dança comunitária.4 |
| Ilha do Marajó | Profunda homenagem à geografia, à cultura e ao povo resiliente marajoara; um de seus maiores sucessos radiofônicos.3 | Destaque absoluto para o balanço percussivo que mimetiza o movimento das ondas e das marés dos rios.23 |
| Morena Penteia o Cabelo | Foco na coreografia, na sedução, na vaidade cabocla e na indumentária feminina típica do carimbó.4 | Ritmo intencionalmente acelerado nos tambores para facilitar e induzir o tradicional giro das saias coloridas.2 |
O Eco da Cobra Venenosa: A Imortalidade do Mestre de Icoaraci
Parente, o Mestre Verequete encerrou sua caminhada por aqui no dia 3 de novembro de 2009, aos 93 anos, lá em Belém. O homem foi embora, mas o luto foi um estrondo que sacudiu do Ver-o-Peso até Brasília, fazendo todo mundo acordar pra importância que esse caboco e o carimbó têm na nossa alma.
O Reconhecimento que Chegou com Atraso
Sabe como é, né mano? A gente faz tudo pela cultura, mas o dinheiro e a moral dos poderosos quase sempre chegam tarde demais. Três anos antes de partir, o Mestre deu um desabafo de cortar o coração no Diário do Pará: disse que contava tudo pros estudiosos e jornalistas que vinham de fora, mas depois não via nada, nem uma foto bonita na parede ele tinha pra mostrar. Era a prova da malineza do sistema com os nossos tesouros vivos.
Mas, como quem é pulso não cai sem lutar, a justiça começou a aparecer:
Comendador da República: Em 2012, o governo condecorou o Mestre com a Ordem do Mérito Cultural, a maior honraria do país. O caboco de Bragança virou autoridade oficial!
Patrimônio do Brasil: Em 2014, depois de dez anos de briga, o IPHAN declarou o carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
A Voz no Planalto: Na hora de decidir, a conselheira do IPHAN não usou livro difícil não; ela recitou foi o verso do Mestre: “O carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu”. Foi o Estado se curvando pro saber do terreiro!
O Carimbó Tá no Balde!
Se tu pensa que o tambor silenciou, té doidé!. Hoje o legado do Mestre tá mais vivo que nunca nas ruas de Belém:
Roda Viva: Na Feira do Açaí, na Cidade Velha e no Festival Pau & Corda, a galera continua riscando o chão com as músicas dele.
Uirapuru Voando: O Conjunto Uirapuru e os novos grupos, como o de Marapanim, garantem que a batida do curimbó continue égua de firme.
Datas de Rocha: O nome do Verequete hoje batiza praça, rua e lei, garantindo que nenhum gala seca esqueça quem ele foi.
O Mestre provou que era mesmo “osso duro de roer”. Ele se foi, mas o carimbó dele ficou selado na nossa história pra sempre.
Bastidores da Aldeia: O Misticismo e a Teimosia de Rocha do Mestre
Parente, tu pensa que a vida do Verequete era só bater tambor e ganhar palma? Olha já!. Por trás da fama, tem uns causos que mostram que o homem era égua de místico e não aceitava migué de modernidade.
O Cinema e o Kikito de Ouro
Em 2002, a trajetória dele virou o documentário “Chama Verequete”, filmado naquelas câmeras de cinema de 35 milímetros.
Venceu no Sul: O filme ganhou o troféu Kikito de Ouro em Gramado (RS) por Melhor Música, provando que o nosso carimbó de raiz é o bicho em qualquer lugar do mundo.
Educação Patrimonial: Vinte anos depois, em 2022, o filme ainda era exibido em praças de Belém pra ensinar a molecada sobre a nossa história.
O Medo da Própria Encantaria
Muita gente acha que o Mestre cantava tudo com o pé nas costas, mas o caboco tinha um respeito invocado pelo sobrenatural.
Corpo Tremendo: Ele confessou que sentia um “medo” espiritual de cantar certas músicas que evocavam mistérios da mata.
O Galo da Meia-Noite: Ele contava que uma vez se escondeu atrás de uma árvore grossa num baile na floresta e ouviu um galo cantar à meia-noite.
Feitiço Sonoro: Quando cantava a música que nasceu desse evento, ele dizia que o corpo tremia todo, porque sabia que não era só rima pra rádio, era portal aberto pra visagem.
O Homem que não queria ser Moderno
Nos anos 80 e 90, quando a galera só queria saber de sintetizador e eco artificial, Verequete negou dezenas de propostas pra mudar o som do Uirapuru.
Afronta aos Ancestrais: Pra ele, plugar uma guitarra elétrica no conjunto era uma ofensa aos pretos e cabocos que esculpiram os primeiros tambores no fogo e no facão.
Teimosia de Rocha: Ele dizia que a modernidade de verdade é o som que cura o sentimento do povo, não o plugue na tomada.
Mistura Chibata com a Molecada
Mesmo sendo purista, a batida do Mestre é tão pai d'égua que a juventude de hoje não para de inventar moda com ela.
Rock e Reggae: Grupos como o Curimbó de Bolso misturam Verequete com rock, e a banda FlorAmor faz um tributo em ritmo de reggae.
Respeito Máximo: Essa mistura mostra que o som do Mestre tem uma elasticidade maceta, unindo o carimbó terroso com a cultura negra e periférica de hoje.
O Tambor que Bate Eternamente: O Mestre Virou Encantaria
Parente, chegar no fim da história do Augusto Gomes Rodrigues não é só falar de música ou de jornalismo, é mergulhar no que a Amazônia tem de mais profundo e glorioso. Falar do Mestre Verequete é entender a fibra desse povo miscigenado que, mesmo esquecido, nunca ficou calado.
A Coroa de Palha e o Trono de Couro
O Pará não é feito só de rio e castanheira, mano; é feito da resistência de gente como o Verequete. Ele foi o sacerdote supremo dessa “religião” dos tambores rústicos.
Dignidade de Rocha: Com as mãos calejadas e o chapéu de vaqueiro que era sua coroa, ele peitou a indústria que dizia que o carimbó de raiz era “atrasado”.
Território Sagrado: O Mestre não vendeu a alma da sua terra por dinheiro nenhum, preferindo a pobreza digna de Icoaraci do que trair o seu curimbó de “Pau e Corda”.
O Som que Nasceu do Suor e da Fé
A música dele não nasceu em escritório de bacana com ar-condicionado não.
Origem Pura: Veio do calor do Equador, do grito dos feirantes do Ver-o-Peso e dos terreiros iluminados a lamparina.
Poesia Crua: Ele pegou essa bagunça gostosa da nossa terra e transformou em poesia refinada, que afastava o preconceito e chamava as forças da encantaria.
A Passagem do Uirapuru
Em novembro de 2009, o corpo do Mestre se cansou, e ele partiu pra morar na Aruanda que tanto cantou. Foi como se a floresta ficasse de mutuca, num silêncio profundo, pra ouvir o voo final do seu pássaro mais bonito.
A Profecia da Cobra Venenosa
Mas olha já! O luto do caboco não é de ficar chorando no canto não, é de dançar na roda. A “cobra venenosa” que ele cantava continua rastejando sábia, protegendo as nossas raízes.
Imortalidade: O Mestre deixou o aviso selado: “O carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu”.
Coração Batendo: Enquanto tiver uma mão calejada batendo num couro de tambor sob o céu úmido do Pará, o Mestre Verequete vai estar lá, garantindo que o coração da Amazônia não pare de pulsar nunca.
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Referências citadas
- Parecer_DPI_CARIMBÓ.pdf – IPHAN, acessado em março 24, 2026, http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Parecer_DPI_CARIMB%C3%93.pdf
- Carimbó: A cultura do Pará em ritmo de dança e de música – Ateliê Amazônico, acessado em março 24, 2026, https://atelieamazonico.weebly.com/cumbuca-cultural/carimbo-a-cultura-do-para-em-ritmo-de-danca-e-de-musica
- Mestre Verequete – Radio Web UFPA, acessado em março 24, 2026, https://radio.ufpa.br/index.php/memoria-musical/mestre-verequete/
- Mestre Verequete — Google Arts & Culture, acessado em março 24, 2026, https://artsandculture.google.com/entity/mestre-verequete/g121_p9kb?hl=en
- Centenário do Mestre Verequete, os tambores nunca silenciam., acessado em março 24, 2026, https://casadopatrimoniopa.wordpress.com/2016/08/26/centenario-do-mestre-verequete-os-tambores-nunca-silenciam/
- SALVE MESTRE … – Carimbó – Patrimônio Cultural Brasileiro, acessado em março 24, 2026, http://campanhacarimbo.blogspot.com/2016/08/salve-mestre-verequete-nosso-patrimonio.html
- Jornalismo Cultural: Mestres de Icoaraci no coração da Cidade Velha – Holofote Virtual, acessado em março 24, 2026, http://holofotevirtual.blogspot.com/2017/01/mestres-de-icoaraci-no-coracao-da.html
- Rural e urbano, legítimo e estilizado – Jornal Beira do Rio, acessado em março 24, 2026, https://www.beiradorio.ufpa.br/index.php/nesta-edicao/437-rural-e-urbano-legitimo-e-estilizado
- Verequete e Seu Conjunto Uirapuru – O Legítimo Carimbó (08/04/2011) – :: Acervo Origens ::, acessado em março 24, 2026, https://www.acervoorigens.com/2011/04/verequete-e-seu-conjunto-uirapuru-o.html
- Mestre Verequete – Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado em março 24, 2026, https://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Verequete
- GUERREIRO DO AMARAL, Paulo Murilo (Anppom 2019) – versão final 29.08.19, acessado em março 24, 2026, https://anppom.org.br/anais/anaiscongresso_anppom_2019/5623/public/5623-20666-2-PB.pdf
- Chama Verequete (parte 01) – YouTube, acessado em março 24, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=yorn3UPeZ2s
- Verequete é homenageado – Blog do Paulo Vasconcellos – Poeta, acessado em março 24, 2026, https://www.paulovasconcellospv.com/2015/08/verequete-e-homenageado.html
- Universidade Federal do Para – Jornal Beira do Rio (UFPA), acessado em março 24, 2026, https://beiradorio.ufpa.br/index.php/component/content/article?id=437
- um debate sobre a interação entre as correntes tradicional e moderna do carimbó – WordPress.com, acessado em março 24, 2026, https://redemusicom.files.wordpress.com/2020/08/viii-musicom_gt-2_daniel-leite.pdf
- Pinduca: O Rei do Carimbó e Sua Contribuição para a Música Brasileira – Taioba Discos, acessado em março 24, 2026, https://taiobadiscos.com.br/blogs/o-mundo-dos-discos-de-vinil/pinduca-o-rei-do-carimbo-e-sua-contribuicao-para-a-musica-brasileira
- Especial Tributo Reggae ao Mestre Verequete – Correio Paraense, acessado em março 24, 2026, https://correioparaense.com.br/2024/02/15/especial-mestre-verequete/
- Solos Clássicos de Carimbó do Mestre Verequete (PARTITURA) – YouTube, acessado em março 24, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=EFrxZPyzd_U
- Quem faz? Ep.19 – Curimbó – YouTube, acessado em março 24, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=zzOOLTf_aHE
- O galo cantou – Mestre Verequete (Duo para clarinete) – Carimbó do Jonny – YouTube, acessado em março 24, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=G9405TfrAVw
- Vinte anos do filme Chama Verequete são … – Agência Belém, acessado em março 24, 2026, https://agenciabelem.com.br/Noticia/223846/vinte-anos-do-filme-chama-verequete-sao-comemorados-com-homenagens-ao-mestre-do-carimbo
- acessado em março 24, 2026, https://www.google.com/search?q=discografia+Mestre+Verequete+principais+m%C3%BAsicas+e+%C3%A1lbuns
- Mestre Verequete – YouTube Music, acessado em março 24, 2026, https://music.youtube.com/channel/UCxTzWqfNNbi2z6L6MzqZ-KQ
- Verequete – Discografia Brasileira – Discos do Brasil, acessado em março 24, 2026, https://discografia.discosdobrasil.com.br/compositor/verequete
- FCP homenageia Mestre Verequete no ‘Arraial de Todos os Santos', acessado em março 24, 2026, https://fcp.pa.gov.br/noticia/984/fcp-homenageia-mestre-verequete-no-arraial-de-todos-os-santos
- Verequete do mundo e das encantarias | Cultura – O Liberal, acessado em março 24, 2026, https://www.oliberal.com/cultura/verequete-do-mundo-e-das-encantarias-1.578500
- Verequete: 100 anos | minc – Wix.com, acessado em março 24, 2026, https://regionalnorte.wixsite.com/minc/verequete-100-anos
- “Nós Queremos”: o Carimbó e sua Campanha pelo título de … – IPHAN, acessado em março 24, 2026, http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Mestrado_em_Preservacao_Dissertacao_MENDES_Lorena_Alves.pdf
- Proposta de Registro do “Carimbó” Estado do Pará como Patrimônio Cultural do Brasil, com inscrição no Livro das Formas de Expressão. – IPHAN, acessado em março 24, 2026, http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Parecer_conselho_consultivo_carimbo.pdf
- VEREQUETE: vai ter festa no céu! – Simplesmente Lu, acessado em março 24, 2026, https://simplesmentelu.blogs.sapo.pt/80712.html
- Verequete é o rei | Álbum de Mestre Verequete – LETRAS.MUS.BR, acessado em março 24, 2026, https://www.letras.mus.br/mestre-verequete/discografia/verequete-e-o-rei-2007/
- Ordem do Mérito Cultural | IFACCA – International Federation of Arts Councils and Culture Agencies, acessado em março 24, 2026, https://ifacca.org/news/2012/11/05/ordem-do-merito-cultural/
- Grupo Uirapuru de mestre Verequete (Carimbó do jonny) – YouTube, acessado em março 24, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=XJUA6hbM3a4
- Grupo Uirapuru, formado pelo NDC da EMESP, se apresenta na Revirada Musical 2024, acessado em março 24, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=elhDgbVmyUk
- Curta-metragem ‘Chama Verequete' completa 20 anos | Cinema | O Liberal, acessado em março 24, 2026, https://www.oliberal.com/cultura/cinema/curta-metragem-chama-verequete-completa-20-anos-1.508928


