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InícioEstilo de VidaArte & CulturaA História do Carnaval: Da Antiguidade ao Pufiar das Ruas Amazônicas

A História do Carnaval: Da Antiguidade ao Pufiar das Ruas Amazônicas

O Carnaval: Essa Bumbarqueira Pai d'Égua que Mora no Coração do Caboco

Égua, mano, se tu fores parar pra matutar sobre a história do carnaval, vai ver que é um negócio estorde demais, cheio de mistura que nem chibé bem temperado. Pra falar sem embaçamento, o carnaval não é só uma gaiatice de rua não; o negócio é di rocha um fato novo que mostra como a nossa gente gosta de uma bandalheira organizada e de soltar a alegria.

Antigamente, lá pros lados da Europa, o povo já tinha seus rituais, mas quando o entrudo português chegou por aqui, o caboco da Amazônia — aquele que vive na simplicidade da roça, da pesca e da caça — pegou essa herança e meteu a sua própria pavulagem.

O segredo foi o olhar ladino do nosso povo, que soube juntar as toadas indígenas com o batuque dos pretos, criando uma fulhanca que tu não encontras em nenhum outro lugar do mundo. Hoje, cada escola de samba e cada bloco é um bocado de história de resistência. É o nosso jeito de mostrar que a gente é o bicho e que ninguém segura o paraense quando ele resolve espocar de alegria.


Aviso do Ver-o-Peso: Se tu fores brincar o carnaval, não esquece o repelente, senão o carapanã vai te deixar todo ingilhado de tanta coceira, vixe!

A Origem dessa Alopração: Quando o Mundo Ficava de Cabeça pra Baixo

Mano, na época dos romanos e gregos, a bandalheira era institucionalizada! Eles faziam umas festas chamadas Saturnálias e Bacanais que era uma alopraçãodiscunforme. O negócio era tão doido que a hierarquia sumia: quem era escravo virava senhor e vice-versa. A sociedade, que vivia carrancuda o ano todo, mandava um “eu choro” pras regras e ia perambulando pelas ruas atrás de vinho e comida.

A Igreja Ficou Impinimada

Quando o Cristianismo subiu ao pudê, os padres, que eram uns caras muito cabeça, ficaram impinimados com aquela rumpança pagã. No ano de 743 d.C., tentaram ralhar com todo mundo, dizendo que quem se fantasiava no inverno era leso ou estava cheio de malineza no corpo.

A Estratégia Ladina

Mas o povo é duro na queda! Como não dava pra tapar o sol com a peneira, a Igreja usou um migué ladino na mente dos fiéis. Eles criaram o “Carnaval” (o tal do “adeus à carne”) pra ser a última peitada antes da Quaresma. Era a chance de o caboco encher a bucada, beber até ficar de bubuia e jogar um lero lero na praça antes de entrar nas novenas e no jejum.


Dica do Ver-o-Peso: Não adianta ser pão duro na hora da alegria, mas também não precisa virar um papudinho e levar uma pisa em casa depois, hein?

A Origem dessa Alopração: Quando o Mundo Ficava de Cabeça pra Baixo

Mano, na época dos romanos e gregos, a bandalheira era institucionalizada! Eles faziam umas festas chamadas Saturnálias e Bacanais que era uma alopraçãodiscunforme. O negócio era tão doido que a hierarquia sumia: quem era escravo virava senhor e vice-versa. A sociedade, que vivia carrancuda o ano todo, mandava um “eu choro” pras regras e ia perambulando pelas ruas atrás de vinho e comida.

A Igreja Ficou Impinimada

Quando o Cristianismo subiu ao pudê, os padres, que eram uns caras muito cabeça, ficaram impinimados com aquela rumpança pagã. No ano de 743 d.C., tentaram ralhar com todo mundo, dizendo que quem se fantasiava no inverno era leso ou estava cheio de malineza no corpo.

A Estratégia Ladina

Mas o povo é duro na queda! Como não dava pra tapar o sol com a peneira, a Igreja usou um migué ladino na mente dos fiéis. Eles criaram o “Carnaval” (o tal do “adeus à carne”) pra ser a última peitada antes da Quaresma. Era a chance de o caboco encher a bucada, beber até ficar de bubuia e jogar um lero lero na praça antes de entrar nas novenas e no jejum.


Dica do Ver-o-Peso: Não adianta ser pão duro na hora da alegria, mas também não precisa virar um papudinho e levar uma pisa em casa depois, hein?

A transição desse período para a modernidade pode ser observada na Tabela 1, que resume as fases históricas do carnaval no Pará segundo a periodização clássica.

Fase Histórica no ParáPeríodo TemporalCaracterísticas Principais e Impacto Social
Carnaval de Entrudo1695 – 1844

Prática luso-brasileira. Divisão entre o entrudo familiar (limões de cheiro da elite) e o entrudo popular (água suja, cal, farinha nas ruas). Forte repressão policial.

Carnaval Pós-Entrudo1844 – 1934

Início com o 1º baile no Teatro da Providência. Influência francesa e veneziana. Elite festeja em clubes (polcas, valsas). O povo desenvolve o maxixe e o lundu nas margens.

Era do Samba (Batalhas de Confete)1934 – 1957

Importação do modelo carioca de Escolas de Samba. Batalhas de confete patrocinadas por rádios e jornais. O samba desce para as ruas centrais.

Era do Samba (Oficialização)1957 – Presente

Carnaval gerido pelo poder público. Hegemonia do samba-enredo, criação de arquibancadas (Aldeia Cabana) e profissionalização do desfile.

 

A Era das Batalhas de Confete e o Nascimento do Gigante do Jurunas

Mano, por volta de 1934, o carnaval em Belém mudou de figura e virou o que chamam de “Era do Samba”. O grande arquiteto dessa fulhanca foi o Raimundo Manito. O cara era um caboco escovado e muito cabeça, militante do partidão, que passou um tempo no Rio de Janeiro e não ficou de touca por lá: aprendeu tudo sobre as escolas de samba e os terreiros.

O Grito de Resistência: “Não Posso Me Amofiná”

Quando o Manito voltou, ele meteu a cara e fundou, no bairro do Jurunas, o Rancho Não Posso Me Amofiná. O nome já dizia tudo: mesmo na roça financeira e levando porrada da vida, o povo não ia se entregar pra tristeza. Logo depois, a cuíra de sambar pegou em outros bairros como a Campina e a Pedreira. Em 1946, surgiu o Quem São Eles no Umarizal, e aí a pufiação ficou séria! Era uma rivalidade tão grande que um lado ficava de mutuca goriando o desfile do outro, torcendo pra alegoria quebrar.

O Carnaval Contra a Guerra e a Repressão

Naquela época da Segunda Guerra e do Estado Novo, a polícia ficava fina vigiando as batalhas de confete na João Alfredo, com medo de subversão. Mas o paraense mandava um “tô nem vendo” pra guerra! O povo desfilava debaixo de pau d'água ou sol quente, com iluminação gambiarrada, mostrando que é duro na queda. Até no samba o Rancho avisava: “não é revolução nem guerra, é a bateria pesada!”, olha que peitada!

O Samba com Sotaque de Bragantino

O nosso samba não é meia tigela, não! Diferente do Rio, as baterias de Belém criaram um toque mais cadenciado, influenciado pelas toadas de boi e pelo calor que faz a gente suar até a alma. Usaram até o cacete das lavadeiras pra tirar som na percussão! E o rádio ainda inventou os “assustados“, onde a galera invadia a casa dos amigos pra fazer um arrasta-pé daora até a buca da noite.


Aviso do Ver-o-Peso: Se tu fores brincar o carnaval no Jurunas ou no Umarizal, te orienta! Não vai dar uma de gala seca e arrumar confusão, senão o pau te acha!

Rainha das Rainhas: A Pavulagem que não Verga e nem dá Passamento

Mano, enquanto o povo tava no suor do samba de rua, em 1947 os clubes da elite (tipo Remo, Paysandu e Assembleia Paraense) inventaram o “Rainha das Rainhas” pra pufiar quem tinha a moça mais bonita e a fantasia mais estorde. No começo era um negócio encabulado, bem comportado , mas depois que a TV Liberal começou a mostrar tudo a cores em 1977, as modistas e carnavalescos decidiram dar seus pulos e o negócio ficou gigante!

O Resplendor que faz a Moça Virar Atleta

Apareceu o tal do “resplendor”, uma armação porruda nas costas da candidata, cheia de pluma e cristal, que pesa uns 40 quilos. A cunhantã tem que ser pulso firme pra carregar aquilo tudo sem vergar e nem dar passamento de dor no meio do palco! É uma força que só quem cresceu à pulso entende.

Do Tipiti para a Passarela: A Alta-Costura do Caboco

O que é mais pai d'égua é que os artistas daqui não fazem nada meia tigela. Eles usam a nossa riqueza: semente de açaí, escama de pirarucu e fibras como o curuatá e a tala de guarimã. Coisas que o caboco usa na roça pra fazer tipiti, paneiro ou peneira pra espremer mandioca, nas mãos desses mestres viram luxo de exportação. É a prova de que o nosso povo manja muito do que faz!

“Papaya” e o Êxtase da Galera

Em 1984, colocaram a música “Papaya” pra tocar e pronto: agora, quando o som começa, a cambada fica toda asilada de alegria! O coração bate forte e todo mundo solta aquele “e-g-u-á” de espanto quando a cortina abre. É a pavulagem oficial de Belém, onde ser metido é a regra e a beleza é quem manda.


Aviso do Ver-o-Peso: Cuidado pra não ficar de boca mole olhando tanta beleza e esquecer de torcer pro teu clube, hein, sumano!

E aí, essa parte da pavulagem tá “só o filé”? Se estiver selado, vou gerar a imagem maceta da Rainha com seu resplendor de pirarucu pra ti!

A Resistência Anárquica nas Ruas: Blocos de Sujo e a Bandalheira Acústica

Mas a essência caboca não sobrevive apenas de lantejoulas em salões de elite ou da burocratização das escolas de samba oficiais geridas pela prefeitura; a alma verdadeiramente rebelde do caboclo belenense pulsa fortíssima e sem amarras nos tradicionais blocos de rua e nas agremiações herdeiras dos velhos “blocos de sujos”. Esses aglomerados caóticos surgiram quase sempre de maneira espontânea, na maioria das vezes no calor das discussões etílicas em mesas de bar encardidas. Eles resistem ferozmente às formatações comerciais que engessaram e mercantilizaram o carnaval moderno do Sudeste e da Bahia. São agremiações orgânicas, formadas por nó cegos apaixonados, papudinhos poéticos, intelectuais boêmios e trabalhadores braçais que não estão nem aí para o lucro ou para a competição formal, mas sim para o lero lero descompromissado, a confraternização e a manutenção da alegria solta e libertária nas calçadas esburacadas da cidade.   

O lendário e icônico bloco Império Romano, fundado por boêmios, detém uma peculiaridade absolutamente estorde que desafia a lógica do calendário cristão: ele realiza a sua grande fulhanca de saída oficial exatamente no dia 25 de dezembro, o Dia de Natal, marcando a abertura não-oficial, profana e precipitada da temporada carnavalesca em Belém. Enquanto o restante da população curte a ressaca do peru natalino, o Império Romano aglutina os chamados “senadores do samba” (os sócios e diretores), músicos de escol, jornalistas e artistas populares sob o estandarte do seu maior, bizarro e amado símbolo: a irreverente “Galinha do Ramalho”. Acompanhados por charangas acústicas, trios elétricos de pequeno porte e baterias show pesadas, os “amigos do bloco” (como Elói Iglesias, Renato Lu, Carlinhos Sabiá e Neto Cabral) se fantasiam de legionários romanos, gladiadores improvisados usando lençóis como togas, e espoocam de rir provando que o carnaval de rua é, acima de qualquer liturgia, a mais legítima ferramenta de confraternização popular igualitária. O bloco tem orgulho de ser “do povo” e sem fins lucrativos.   

Outro imenso patrimônio imaterial da folia de rua marginal é o aclamado bloco Guarda-Chuva Achado. Fundado nas ruelas úmidas e estreitas do histórico bairro da Cidade Velha (o verdadeiro berço de Belém, repleto de casarões coloniais), este bloco carrega uma história fundacional que beira a gaiatice caboca mais pura e genuína. Segundo os registros orais e os causos confirmados por seus fundadores (como Tonico, Cássio Lobato, Ana Catarina, Januário Guedes e Celso Luan), a agremiação nasceu no início da década de 1980 durante uma roda de samba regada a muita cerveja no histórico bar O Cerebro. Em meio a um leve toró que caía sobre os paralelepípedos, um frequentador deparou-se com um grande guarda-chuva abandonado no chão do estabelecimento. O artefato foi imediatamente erguido, encaixado no braço e adotado como um pavilhão improvisado. Apesar dos avisos assustados de um garçom de que abrir guarda-chuva em ambiente fechado atrairia azar mortal (o famoso goriô), o gesto ousado deu uma baita sorte, marcando o nascimento de uma lenda.   

O bloco cresceu abrigando fotógrafos, artistas plásticos e músicos, assumindo desde o primeiro instante uma postura política clara: anárquica, libertária, antifascista, antirracista e contra qualquer tipo de discriminação. Em seus primórdios, para afrontar as normas cultas da gramática e o sistema estabelecido, o nome era escrito com ‘X', batizando-se de “Guarda-Xuva”. Após mais de quatro décadas de hiato, o bloco retomou recentemente suas atividades carnavalescas na Praça do Carmo. Fiel às suas raízes, o Guarda-Chuva Achado rejeita o uso de potentes paredões sonoros ou trios elétricos ensurdecedores. Com uma instrumentação primariamente acústica (bandolim, violão, atabaque, caixa de guerra e um tambor surdo conduzidos pela charanga Os Cobras do Mestre Palheta), o bloco foge da alopração decibélica. Essa escolha musical não é apenas uma homenagem estética ao passado, mas uma peitada consciente para respeitar as frágeis estruturas do patrimônio histórico arquitetônico secular da Cidade Velha por onde o bloco remanchia.   

Completando essa santíssima trindade da rua, os aguerridos Piratas da Batucada (originados do bairro do Reduto) também integram esse seleto grupo de guerreiros do asfalto, mobilizando os bairros e mantendo acesa a chama de um carnaval de sujos feito na base do suor, da paixão e da vaquinha solidária entre amigos. Quando o assunto é carnaval, esses blocos provam que a galera não quer saber de arquibancada elitizada; eles querem pisar no asfalto quente. A cambada que participa dessas brincadeiras comprova na prática que, quando a cuíra de sambar bate de verdade, o caboclo escovado dá seus pulos, improvisa uma fantasia com o que tem em casa e não deixa a tradição de seus avós morrer na praia.   

Óbidos e o Mistério do Mascarado Fobó

Lá em Óbidos, na “garganta do Amazonas”, o carnaval é estorde e quem manda é o Mascarado Fobó. O brincante se esconde num “dominó” de chita e usa um capacete de papelão todo enfeitado. O rosto? Ah, esse fica atrás de uma máscara de papel machê feita com cola de tapioca.

O segredo é não ser manjado! Se alguém te reconhecer pelo jeito de andar ou pelos gestos, tu perdeste a graça e tem que sair da tropa. Eles usam apito pra mudar a voz e jogam tanta maizena que parece o piché de farinha do tempo do entrudo. É o riso mascarando a luta da vida ribeirinha.

Cametá: Onde a Bicharada Fica de Bubulhaa

Em Cametá, terra onde todo mundo é sumano ou suprimo, o carnaval é uma aula de ecologia. O Cordão da Bicharada transforma curumins e cunhatãs em onças, botos e araras. Eles fazem tudo com máscara de papel e roupa de chita pra avisar que a floresta é sagrada.

O mais daora é o “Carnaval das Águas” : a bicharada embarca em cascos, canoas e barcos com motor rabeta. Eles cruzam o rio fazendo um cortejo náutico que deixa qualquer um de boca mole. Pra aguentar os carapanãs e o sol, depois da folia tem muito fifiti (mapará frito), tacacá e chibé pra recarregar.

Vigia: A Gaiatice das Virgienses e Cabraçurdos

Na Vigia, o negócio é uma bandalheira de dar inveja! Na segunda-feira, a cidade vira um mundo de pernas para o ar com os blocos As Virgienses e Os Cabraçurdos.

É uma forra contra a caretice: os homens mais carrancudos e porrudos — pedreiro, pescador, mototaxista — se vestem de mulher com maquiagem borrada e salto alto. Já as mulheres revidam: vestem roupa de homem, pintam barba de carvão e ficam enxeridas imitando os trejeitos deles. É a gaiatice pura onde ninguém é de meia tigela e todo mundo pufia na mesma igualdade.


Aviso do Ver-o-Peso: Se tu fores pra Vigia, te prepara! É tanto povéu que tu vais ficar enrabichado na multidão, mas é só o filé, di rocha!

Abaixo, a Tabela 2 apresenta a síntese destas riquíssimas manifestações interioranas que compõem a espinha dorsal da identidade caboca no carnaval do Pará.

Município SedeAgremiações e TradiçõesDinâmica Pai d'Égua e EstruturaSignificado Simbólico e Cultural
Óbidos (Calha Norte)Carnapauxis / Mascarado Fobó

Uso obrigatório de dominó de chita, capacete com hastes e máscara de papel. Guerra livre de maizena nas ladeiras. A rigorosa regra do não reconhecimento (“ficar manjado”).

Proteção do anonimato, subversão extrema, igualdade cívica entre ricos e pobres, e o resgate das antigas “molhadelas” do entrudo com pó branco.
Cametá (Baixo Tocantins)Cordão da Bicharada (Juaba) / Carnaval das Águas

Foliões trajando fantasias artesanais da rica fauna amazônica (onça, boto, arara, jacaré). Desfiles deslumbrantes realizados dentro de barcos sobre as águas do rio Tocantins.

Conscientização ecológica aguda, educação ambiental infantil, integração rio-cidade e afirmação orgulhosa do modo de vida ribeirinho em harmonia com a floresta.
Vigia de Nazaré (Nordeste)As Virgienses / Os Cabraçurdos

Bloco grotesco de homens vestidos de mulheres e outro, em resposta direta, de mulheres vestidas de homens rudes. Atrai multidões colossais (+500 mil foliões).

Alteridade de gênero bakhtiniana, sátira social profunda, catarse coletiva e subversão do machismo estrutural da região em forma de deboche musical.

Égua, mano, agora o papo ficou de arrepiar até o último fio de cabelo! Tu trouxeste um nem te conto que é puro suco de mistério das nossas bandas. No carnaval, a linha entre a bandalheira e o mundo das visagens fica fina que só a gota, e quem é caboco de verdade sabe que não se brinca com o invisível.

Dá um espia nesses causos que o povo conta na boca miúda lá no Ver-o-Peso:


Josephina e a Pernada do Além no Carnaval

A história mais selada que corre em Belém é a da Moça do Táxi, a Josephina Conte. Dizem que, por volta do aniversário dela em fevereiro, ela vira uma cunhantã lindíssima e perfumada que acena para os taxistas na frente do cemitério. A moça entra, faz um passeio daora pelas avenidas e, no final, manda o motorista cobrar a corrida na casa da família dela.

O passamento vem no dia seguinte: quando o motorista chega lá, descobre que a passageira já levou o farelo há décadas! O choque é tão maceta que o cara volta com a cara branca , precisando de um chá de erva-cidreira pra não ficar abicorado de vez. Muitos taxistas ficam com tanto medo que não aceitam corrida na buca da noite por ali nem por um decreto!

O Vigia que Espocou Fora do Palacete

Outro causo estorde aconteceu no Palacete Bolonha. Um vigia resolveu escutar umas marchinhas no rádio pra espantar o tédio da madrugada. De repente, uma voz gélida deu um esporro: “Ei, guarda, não pode escutar rádio aqui”. O caboco achou que era migué de algum moleque doido e aumentou o volume.

A visagem não gostou da malineza e ralhou tão alto que o pobre do vigia mandou o emprego pra baixa da égua e espocou fora sem olhar pra trás nem com nojo. É, parente , tem espírito que gosta de silêncio e não quer saber de fulhanca!

Padres Sem Cabeça e Outras Malinezas

E não para por aí! Nas madrugadas de quarta-feira de cinzas, os papudinhos e foliões que voltam perambulando sozinhos correm o risco de encontrar o Padre Sem Cabeça rezando nos cruzeiros. Quem faz mizura ou deboche com essas coisas corre o risco de ser mundiado pelas forças da floresta. No carnaval da Amazônia, o invisível caminha junto com a gente na mesma calçada, então te orienta!


Dica do Ver-o-Peso: Se vires uma moça bonita pedindo carona perto do cemitério em fevereiro, te sai! Melhor ser chamado de pão durodo que levar uma pernada da Josephina, vixe!

Conclusão: A Resiliência do Caboco que não se Amofina

De rocha, sem potoca, o carnaval na Amazônia é um laboratório vivo. Começou com aquela malineza do entrudo, entre limões de cheiro da elite e baldes de lama do povo. Depois, o mestre Raimundo Manito meteu a cara com o Rancho Não Posso Me Amofiná, provando que o caboco não se entrega nem pra ditadura e nem pra tristeza

Vimos a pavulagem maceta do Rainha das Rainhas, onde semente de açaí e escama de pirarucu brilham mais que diamante importado. E, lá no interior, onde o vento faz a curva, o bicho pega de verdade:

  • O Fobó em Óbidos, que não pode ser manjado de jeito nenhum.

  • A Bicharada de Cametá, navegando de rabeta e casco pra defender a floresta.

  • E a gaiatice da Vigia, com As Virgienses e Os Cabraçurdos dando uma forra na caretice do mundo.

O caboco — aquele sujeito simples que vive da pesca e da roça — é ladino e transforma o pitiú do dia a dia em arte. Ele veste a carcaça do outro, ri de si mesmo e mostra que a nossa alegria é dura na queda.

A Equação da Folia Caboca

Pra fazer uma última mizura e mostrar que o paraense é muito cabeça, vamos fechar com a fórmula matemática dessa nossa bandalheira sagrada:

Último Aviso do Ver-o-Peso: A festa acabou, mas o espírito continua selado! Agora te arreda, pega o teu beco e vai descansar que o ano só começa depois da quarta-feira de cinzas, vixe!.

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