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Minério de Ferro na Serra dos Carajás: Uma Análise da Arrecadação de Royalties e Distribuição de Riqueza

A Mineração em Carajás: Quem tá Enchendo o Cofo de Dinheiro?

Égua, parente! A Serra dos Carajás não é brincadeira não. Aquilo ali é o coração da grana no Brasil. Mas a pergunta que não quer calar e que deixa muito caboco matutando é: de toda essa riqueza que sai do nosso chão, quem é que fica com a maior fatia do bolo?

O relatório que caiu na minha mão mostra que o negócio é maceta (gigante). A gente vai falar de Vale, Governo do Pará, Parauapebas e Canaã. Bora logo ver essa divisão!

1. O Sistema Norte: Onde o Ferro é Só o Filé

Lá na Serra dos Carajás, a Vale chama a operação de “Sistema Norte”. O minério de lá é pai d'égua, tem um teor de ferro de uns 67%, purinho! É melhor que o da Austrália, te mete!

Em 2024, os caras tiraram 177,5 milhões de toneladas de lá. É terra que . Mas tem uma diferença:

  • Serra Norte (Parauapebas): As minas já tão ficando velhas, cansadas.

  • Serra Sul (Canaã – S11D): É onde o bicho tá pegando! O S11D tá novo, produzindo horrores (83 milhões de toneladas). É lá que a pavulagem tá grande.

2. A Vale: A Dona da Bola

Tu deves tá pensando: “E a Vale, mano?”. Rapaz, a Vale é escovada (malandra). De cada tonelada que ela vende (que custa uns 93 dólares), ela tira os custos dela e fica com a maior parte.

O custo pra tirar o minério é baixinho, coisa de 18 dólares. Ou seja, a margem de lucro é purruda! Pelas contas, a Vale fica com quase 48% do valor de venda. É dinheiro discunforme! Isso serve pra pagar os acionistas, as dívidas e os investimentos. O resto? Bom, o resto é briga de foice.

3. O Estado do Pará: O Governador tá Escovado

O Governo do Estado não é leso nem nada. Como a parte da CFEM (o royalty federal) é dividida com um monte de gente, o Estado criou a tal da TFRM (uma taxa de fiscalização).

Espia a jogada: Com essa taxa, o Estado arrecada mais de 5 vezes o que ele ganharia só com o royalty normal. É coisa de R$ 2,5 bilhões só com essa taxa. O homem tá ladino! Ele tá pegando uma fatia bacana pra financiar as obras dele, tipo as Usinas da Paz.

4. Parauapebas x Canaã: Quem tá Rindo e Quem tá Chorando?

Aqui o negócio fica sério, mano.

  • Parauapebas: A cidade que já foi a rainha da cocada preta tá começando a levar o farelo. A arrecadação caiu muito em 2025. O povo de lá tá invocado e preocupado, porque a prefeitura gastava muito e agora a fonte tá secando. Se não se cuidarem, vão ficar brocados (com fome) de recurso.

  • Canaã dos Carajás: Esses aqui tão nadando de braçada. Com o S11D bombando, a prefeitura tá com o cofre cheio. Mas tem que ficar de olho: tão gastando milhões com festa e show. Cuidado pra não gastar tudo em bandalhêra e depois ficar na pindaíba igual o vizinho.

Resumo da Ópera

No final das contas, espia como fica a divisão de uma tonelada de minério (mais ou menos):

  1. Vale: Leva quase metade (48%).

  2. Custos e Frete: Come uns 35%.

  3. Governo Federal: Leva uns 11%.

  4. Estado do Pará: Garante uns 3,3% (graças à taxa malandra).

  5. Prefeitura: Fica com uns 2% limpo na mão.

Conclusão: Te Orienta!

A riqueza de Carajás é grande, é maceta, mas não dura pra sempre. A Vale leva a maior parte, o Estado tá mordendo forte com a taxa nova, Canaã tá na festa e Parauapebas tá vendo a viola em caco.

Se a gente não abrir o olho e cobrar investimento de verdade, quando o minério acabar, só vai sobrar o buraco e a gente vai ficar no caritó.

De rocha, mano? Então compartilha essa notícia aí com a tua galera e bora ficar de mutuca nesse dinheiro!

1. Introdução: O Epicentro da Mineração Global

A Serra dos Carajás, situada no sudeste do Pará, não é apenas um acidente geográfico rico em recursos minerais; é o coração pulsante da balança comercial brasileira e o determinante primário da saúde fiscal de múltiplos entes federativos. A magnitude das operações de extração de minério de ferro nesta região transcende a economia local, influenciando a dinâmica global de preços de commodities e definindo a capacidade de investimento da Vale S.A., uma das maiores mineradoras do mundo. Este relatório tem como objetivo dissecar, com profundidade granular, a distribuição da riqueza gerada por este complexo industrial, respondendo à questão fundamental: diante de uma riqueza mineral finita, quem se apropria do valor gerado e em que proporções?

A análise concentra-se nos fluxos financeiros resultantes da extração do minério de ferro, segregando as receitas que permanecem com a operadora privada (Vale) daquelas capturadas pelo Estado (Governo do Pará) e pelos Municípios (Parauapebas e Canaã dos Carajás). Para tal, utilizaremos dados fiscais e corporativos referentes aos exercícios de 2023 e 2024, bem como projeções para 2025 baseadas nas recentes alterações legislativas estaduais e nas tendências de mercado reportadas.

O relatório investiga a complexa teia tributária que envolve a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), a controvertida Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM) e a performance operacional do “Sistema Norte” da Vale. A compreensão destes mecanismos é vital, pois o cenário atual é de transição: enquanto as minas históricas de Parauapebas entram em fase de maturidade e declínio, o complexo S11D em Canaã dos Carajás ascende como a nova fronteira de produtividade, alterando radicalmente a geografia da arrecadação pública na Amazônia.

2. A Base Produtiva: O Sistema Norte e a Geração de Valor Físico

Para compreender a distribuição financeira, é imperativo primeiro quantificar a base física da produção. No léxico corporativo da Vale, as operações em Carajás são denominadas “Sistema Norte”. Este sistema é reconhecido mundialmente pela pureza do seu minério, que possui um teor de ferro (Fe) em torno de 67%, superior à média global de 62%. Esta qualidade intrínseca confere ao produto de Carajás um “prêmio de qualidade” no mercado transoceânico, permitindo que a Vale capture margens superiores às de seus concorrentes australianos.

2.1 Dinâmica de Produção: Volumes e Tendências (2023-2024)

A produção do Sistema Norte tem sido o pilar de sustentação da Vale. Em 2024, a produção total de minério de ferro do Sistema Norte atingiu a marca de 177,5 milhões de toneladas métricas (Mt).1 Este volume representa mais de 54% da produção total da companhia no Brasil, que foi de 327,7 Mt no mesmo ano.1

A análise trimestral revela a resiliência operacional deste sistema. No quarto trimestre de 2024 (4T24), o Sistema Norte produziu 46,9 Mt, um aumento de 3,1 Mt em relação ao ano anterior.2 Este crescimento foi impulsionado quase exclusivamente pelo desempenho recorde do complexo S11D (Serra Sul), que atingiu uma produção anual histórica de 83,0 Mt em 2024.3

PeríodoProdução Sistema Norte (Mt)Participação no Total ValeDestaque Operacional
Ano 2023~170,0 Mt~53%Recuperação pós-chuvas e estabilização de licenças.
Ano 2024177,5 Mt54,1%Recorde no S11D; Maturidade na Serra Norte.
4T2446,9 MtN/AMaior produção trimestral recente; Otimização de manutenção.

A distinção geográfica interna é crucial para a análise de royalties. O Sistema Norte divide-se em dois grandes polos:

  1. Serra Norte (Parauapebas): Complexo de minas a céu aberto mais antigo, operando desde a década de 1980. Encontra-se em fase de maturidade, com teores ligeiramente decrescentes e necessidade de movimentação de estéril (material sem valor econômico) cada vez maior. A produção em 2024 ficou “em linha com o plano”, indicando estabilidade mas sem crescimento orgânico significativo.2
  2. Serra Sul (Canaã dos Carajás): O complexo S11D, inaugurado na década de 2010, é uma operação “truckless” (uso intensivo de correias transportadoras em vez de caminhões fora de estrada), o que reduz drasticamente o custo operacional. Sua produção de 83,0 Mt em 2024 3 confirma sua posição como o ativo individual mais valioso da mineração global.

2.2 O Horizonte Tecnológico e Ambiental

Um fator relevante para a continuidade da geração de receitas é a sustentabilidade operacional. A Vale anunciou o compromisso de eliminar o uso de água no beneficiamento do minério de ferro em Carajás até 2027.4 Atualmente, 90% do processamento no Sistema Norte já é feito a seco (utilizando a umidade natural do minério). A transição para 100% de processamento a seco não apenas reduz o impacto ambiental e o risco associado a barragens de rejeitos, mas também diminui o OPEX (custo operacional), potencialmente aumentando a margem líquida da qual a empresa se apropria.

Além disso, a expansão licenciada do S11D, que prevê um acréscimo de 20 Mtpa (milhões de toneladas por ano) 6, sinaliza que a “torneira” dos royalties continuará aberta e com fluxo crescente para Canaã dos Carajás, em detrimento da estabilidade ou declínio relativo de Parauapebas.

3. Apropriação Corporativa: Quanto a Vale Leva?

A pergunta “quanto a Vale leva” exige uma análise financeira que diferencie Receita Bruta (o valor da venda) do Lucro Líquido (o que sobra após custos e impostos). A Vale, como entidade privada, retém a parcela necessária para cobrir seus custos operacionais, reinvestir na manutenção e expansão das minas (CAPEX) e remunerar seus acionistas (Dividendos).

3.1 Receita Bruta Estimada do Sistema Norte

A Vale reportou uma receita líquida global de vendas de US$ 38,05 bilhões em 2024, uma queda de 9% em relação a 2023, devido principalmente à correção nos preços do minério de ferro.7 Embora a empresa não segregue a receita exata por complexo em seus demonstrativos financeiros consolidados (Financial Statements), é possível derivar uma estimativa precisa baseada nos volumes e preços realizados.

O preço médio realizado de finos de minério de ferro da Vale no 4T24 foi de US$ 93,0/t.8 No acumulado do ano, o preço sofreu pressão negativa, caindo de patamares superiores a US$ 110/t em anos anteriores.

Cálculo Estimativo de Receita do Sistema Norte (2024):

Considerando os prêmios de qualidade do produto Carajás (IOCJ), a receita bruta gerada exclusivamente na Serra dos Carajás em 2024 situa-se no intervalo de US$ 16,8 bilhões a US$ 18 bilhões (aproximadamente R$ 85 bilhões a R$ 95 bilhões, considerando um câmbio médio de R$ 5,20-5,50).

Esta massa de recursos é o ponto de partida de toda a distribuição. É deste montante que saem os royalties (CFEM), os impostos e o lucro da empresa.

3.2 Estrutura de Custos e Margem EBITDA

O indicador mais preciso para aferir a geração de caixa operacional da mina é o EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). O Sistema Norte possui o menor custo de produção da Vale e um dos menores do mundo.

  • Custo Caixa C1: O custo de extração (mina até o porto) no 4T24 foi de US$ 18,8/t.8 Este valor representa uma eficiência notável, alcançada através da diluição de custos fixos com o aumento de volume no S11D e a desvalorização do Real frente ao Dólar.
  • Margem Operacional: Subtraindo o custo C1 (~US$ 19) e o frete marítimo para a China (~US$ 19-20) do preço de venda (~US$ 93), a Vale obtém uma margem bruta de aproximadamente US$ 54,00 por tonelada antes de royalties e despesas administrativas.

Em 2024, a Vale reportou um EBITDA Proforma Ajustado de US$ 15,4 bilhões.8 Analistas de mercado e relatórios internos sugerem que o Sistema Norte, devido às suas margens superiores, contribui com mais de 60% a 70% deste resultado.

Portanto, “quanto a Vale leva” em termos de geração de caixa operacional (EBITDA) da Serra dos Carajás é aproximadamente US$ 9 bilhões a US$ 10 bilhões anuais (cerca de R$ 50 bilhões). Deste valor, a empresa ainda deve deduzir o Imposto de Renda (IRPJ/CSLL), investimentos em sustentabilidade e reparação (Brumadinho/Mariana) e o serviço da dívida.

3.3 Lucro Líquido e Dividendos

O Lucro Líquido atribuível aos acionistas em 2024 foi de US$ 6,16 bilhões.9 Este valor é o que efetivamente “sobra” na última linha do balanço. É crucial notar que as operações de Carajás subsidiam, na prática, as ineficiências e custos de reparação das operações do Sistema Sul (Minas Gerais), que possuem custos mais elevados e passivos ambientais significativos. Sem Carajás, a rentabilidade global da Vale seria drasticamente menor.

A remuneração aos acionistas (dividendos e juros sobre capital próprio) aprovada para pagamento em março de 2025 foi de US$ 1,98 bilhão.8 Parte substancial deste retorno aos investidores tem origem direta na extração mineral do Pará.

4. O Mecanismo de Arrecadação Pública: A CFEM

A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) é o mecanismo constitucional (Art. 20, § 1º) pelo qual a União, Estados e Municípios são remunerados pela exaustão de seus recursos naturais. Diferente de um imposto, ela é uma receita patrimonial.

4.1 Metodologia de Cálculo

Desde a Lei nº 13.540/2017, a CFEM incide sobre a Receita Bruta de Venda, deduzidos apenas os tributos incidentes sobre a comercialização (PIS, COFINS, ICMS) e as despesas de transporte e seguro (quando pagos pelo minerador).

  • Alíquota do Minério de Ferro: A alíquota é progressiva conforme o preço internacional, mas para valores acima de US$ 100/t (ou próximos disso, como a média histórica recente), aplica-se o teto de 3,5%.
  • Base de Incidência: A incidência sobre a receita bruta (e não líquida de custos de produção) garante ao Estado uma receita estável mesmo que a mineradora opere com lucro reduzido, protegendo o ente público de manobras contábeis de custos.

4.2 A Distribuição Legal (Lei nº 14.514/2022)

A legislação vigente estabelece uma partilha rígida dos recursos arrecadados:

Ente BeneficiárioPercentual da CFEMJustificativa
Municípios Produtores60%Local da extração física (Canaã, Parauapebas).
Estado Produtor15%Unidade federativa da jazida (Pará).
Municípios Afetados15%Impactados por ferrovias, minerodutos e portos.
União (Órgãos Reguladores)10%Ibama, ANM, CETEM, FNDCT.

Fonte: Análise legislativa baseada em.10

Esta estrutura cria uma concentração massiva de recursos nos municípios sede das minas e no governo estadual, enquanto pulveriza uma parcela relevante (15%) entre dezenas de municípios ao longo do corredor logístico (Estrada de Ferro Carajás).

5. A Fatia do Estado do Pará: Royalties e a “Guerra Fiscal” da TFRM

O Governo do Estado do Pará adotou, nos últimos anos, uma postura agressiva para maximizar a captura de renda da mineração, argumentando que a CFEM federal é insuficiente para compensar os passivos ambientais e sociais deixados na Amazônia.

5.1 Receita de CFEM Estadual (15%)

Como maior estado produtor de minério do Brasil (tendo ultrapassado Minas Gerais em valor de produção em diversos períodos recentes), o Pará recebe 15% de toda a CFEM gerada em seu território.

  • Em 2024, a arrecadação total de CFEM no estado do Pará foi de R$ 3,09 bilhões.12
  • Deste total, a cota-parte direta do Governo Estadual (15%) corresponde a aproximadamente R$ 463 milhões. Este recurso entra no Tesouro Estadual como verba de livre aplicação (dentro das restrições legais de investimento em infraestrutura e meio ambiente).

5.2 A TFRM: O Royalty Paralelo

A Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM) é o instrumento central da estratégia fiscal paraense. Instituída pela Lei Estadual nº 7.591/2011, ela incide sobre o volume físico (tonelada) extraído, independente do preço de venda.

  • Valor da Taxa (Ferro): Até o final de 2024, a taxa para o minério de ferro era de 3 UPF-PA (Unidades Padrão Fiscal) por tonelada.13
  • Custo Unitário: Com a UPF-PA fixada em R$ 4,8013 para 2025 15, o custo da TFRM por tonelada de ferro é de:

    $$3 \times R\$ 4,8013 \approx \textbf{R\$ 14,40 por tonelada}$$
  • Arrecadação Total Estimada (TFRM): Multiplicando-se a produção de 177,5 Mt pela taxa de R$ 14,40/t, a arrecadação anual da TFRM sobre o ferro do Sistema Norte atinge a cifra de R$ 2,55 bilhões.

Análise Crítica: A TFRM arrecada para o estado mais de 5 vezes o valor que o estado recebe de cota-parte da CFEM (R$ 2,55 bi vs R$ 463 mi). Na prática, o estado criou um mecanismo onde ele “leva” mais que a União e compete em volume com os municípios produtores.

5.3 A Nova Lei 10.840/2024

Em dezembro de 2024, o Pará sancionou a Lei nº 10.840, que alterou drasticamente as alíquotas da TFRM para minerais estratégicos.13

  • O foco principal foi o Cobre, cuja taxa saltou para 110 UPF/tonelada (mais de R$ 500/t).
  • Para o ferro, a manutenção da taxa em 3 UPF (ou sua potencial revisão em decretos regulamentares futuros) mantém a arrecadação estável, mas o movimento legislativo sinaliza um risco regulatório elevado. O estado utiliza a TFRM não apenas para custear fiscalização (seu objetivo constitucional), mas como ferramenta de política fiscal para financiar programas como as “Usinas da Paz”.17

6. A Fatia Municipal: O Paradoxo da Riqueza em Parauapebas e Canaã

Os municípios produtores recebem a maior fatia individual da CFEM (60%). No entanto, a trajetória de Parauapebas e Canaã dos Carajás ilustra as duas faces da moeda da mineração: a bonança da expansão e o risco da exaustão.

6.1 Parauapebas: O Declínio do Gigante

Parauapebas foi, por décadas, a “capital do minério”. Contudo, a maturação das minas da Serra Norte e a queda nos preços internacionais expuseram a fragilidade fiscal do município.

  • Arrecadação de CFEM: Em 2024, Parauapebas arrecadou R$ 1,296 bilhão.12 Embora ainda seja um valor colossal, representa uma estagnação frente aos anos de pico (2021).
  • Colapso Recente (2025): Dados parciais de 2025 mostram uma queda abrupta. Nos primeiros cinco meses, a arrecadação caiu 37% em relação ao mesmo período de 2024, somando apenas R$ 275,5 milhões.18
  • Causas: A combinação de menor volume de produção na Serra Norte (-13% até abril/25) e preços do minério abaixo de US$ 100/t criou uma “tempestade perfeita” para as finanças municipais.18 O município, que estruturou uma máquina pública custosa baseada em receitas extraordinárias (orçamento de R$ 2,4 bilhões em 2024 19), enfrenta agora o desafio de ajustar despesas correntes a uma nova realidade de receitas decrescentes.

6.2 Canaã dos Carajás: A Ascensão do S11D

Canaã dos Carajás vive o ciclo oposto. Com o S11D operando próximo da capacidade máxima e planos de expansão em curso, a arrecadação é crescente e previsível.

  • Arrecadação de CFEM: Em 2024, Canaã arrecadou R$ 1,272 bilhão 12, tecnicamente empatando com Parauapebas e devendo superá-la em 2025.
  • Acumulado 2025: Nos primeiros nove meses do ano fiscal analisado (projeção baseada em dados parciais), a cidade já acumulava quase R$ 500 milhões.20
  • Gestão de Recursos: A abundância de recursos tem levado a gastos suntuosos. Relatórios apontam despesas superiores a R$ 1 milhão apenas com shows e eventos em um único semestre, justificados como fomento ao turismo.21 Este padrão de gasto levanta questões sobre a sustentabilidade a longo prazo e a preparação para o futuro pós-mina, evitando a repetição do cenário de crise que começa a se desenhar na vizinha Parauapebas.

6.3 Comparativo Direto de Arrecadação Municipal (2024)

MunicípioPapel na CadeiaArrecadação CFEM 2024Tendência
ParauapebasProdutor (Serra Norte)R$ 1,296 Bilhão📉 Queda Estrutural
Canaã dos CarajásProdutor (S11D)R$ 1,272 Bilhão📈 Alta Sustentada
MarabáAfetado (Logística)R$ 240 Milhões➡️ Estável

7. Síntese da Distribuição: Quem Leva Quanto por Tonelada?

Para consolidar a resposta à pesquisa, apresentamos uma modelagem da distribuição de valor por cada tonelada de minério de ferro extraída e vendida pelo Sistema Norte, considerando o cenário econômico médio de 2024.

Premissas do Modelo:

  • Preço de Venda (FOB São Luís): US$ 93,00 (~R$ 511,50).
  • Custo C1 (Mina-Porto): US$ 18,80 (~R$ 103,40).
  • Câmbio: R$ 5,50 / US$.

Tabela de Distribuição de Valor (Estimativa por Tonelada)

BeneficiárioMecanismoValor Aprox. (R$/t)% do Preço de VendaAnálise
Vale S.A.Margem EBITDA (Bruta)~R$ 245,00~48%Valor retido para cobrir depreciação, dívidas, novos investimentos e lucro dos acionistas. É a maior fatia, refletindo o risco do capital e a operação.
Governo FederalIRPJ/CSLL + Cota CFEM~R$ 55,00~11%Inclui tributos sobre lucro (estimados com incentivos SUDAM) e a fatia de 10% da CFEM.
Governo do ParáTFRM + Cota CFEM~R$ 17,00~3,3%Soma da taxa fixa TFRM (R$ 14,40) e da cota de 15% da CFEM (~R$ 2,60).
Prefeitura ProdutoraCota CFEM (60%)~R$ 10,50~2,1%Valor líquido que entra no cofre municipal por tonelada extraída.
Custos OperacionaisFornecedores/Salários~R$ 103,40~20%Valor que circula na economia via pagamento de salários, serviços e insumos (Custo C1).
Logística/FreteArmadores/Porto~R$ 80,00~15%Custo estimado de frete marítimo e despesas portuárias.

Nota: A soma das porcentagens pode variar ligeiramente devido a arredondamentos e complexidades fiscais (créditos de PIS/COFINS, incentivos fiscais). A “Margem EBITDA” da Vale é bruta; o lucro líquido final por tonelada é menor após impostos corporativos e depreciação.

8. Conclusão e Perspectivas Futuras

A pesquisa exaustiva sobre a arrecadação do minério de ferro na Serra dos Carajás revela um ecossistema financeiro onde a Vale atua como o motor primário de geração de riqueza, apropriando-se da maior parcela do valor adicionado (cerca de 48% do preço final) para sustentar sua operação global e remunerar o capital. No entanto, o “sócio estatal” não é passivo.

O Estado do Pará emergiu como um ator voraz, utilizando a TFRM para garantir uma receita que rivaliza e, em muitos aspectos, supera a lógica dos royalties federais, criando uma “camada extra” de custo para a mineradora que não é compartilhada com os municípios. Com uma arrecadação combinada (CFEM + TFRM) que pode superar R$ 3,5 bilhões anuais, o governo estadual consolidou a mineração como pilar de sua estabilidade fiscal.

No âmbito municipal, observa-se uma transição hegemônica. Parauapebas, outrora a cidade mais rica da região, enfrenta o inevitável declínio da maturidade mineral, com receitas em queda livre que exigirão ajustes fiscais dolorosos nos próximos anos. Em contrapartida, Canaã dos Carajás surfa na onda do S11D, acumulando recursos que, se não forem convertidos em diversificação econômica real, poderão levar o município à mesma armadilha fiscal de seu vizinho no futuro.

Para 2025 e além, a principal variável a ser monitorada não é apenas o preço do minério na China, mas a insegurança jurídica decorrente da ofensiva tributária estadual (Lei 10.840/2024) e a capacidade dos municípios de gerirem a volatilidade de suas receitas. A riqueza de Carajás é imensa, mas sua distribuição é assimétrica e sua perenidade, finita.

Referências citadas

  1. Produtores de minério de ferro, ouro e cobre dominam mais de 74% da produção mineral no País, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.brasilmineral.com.br/noticias/produtores-de-minerio-de-ferro-ouro-e-cobre-dominam-mais-de-74-da-producao-mineral-no-pais
  2. Confira os resultados de Produção e Vendas do 4T24 – Vale, acessado em dezembro 28, 2025, https://vale.com/pt/confira-os-resultados-de-producao-e-vendas-do-4t24
  3. Check out the Production and Sales results for 4Q24 – Vale, acessado em dezembro 28, 2025, https://vale.com/check-out-the-production-and-sales-results-for-4q24
  4. Vale to end water use in iron ore processing at Carajas by 2027 – Mining Technology, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.mining-technology.com/news/vale-end-water-use-iron-ore-processing-carajas-by-2027/
  5. Vale to eliminate water use in Carajas iron ore processing by 2027 – MINING.COM, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.mining.com/web/vale-to-eliminate-water-use-in-carajas-iron-ore-processing-by-2027/
  6. Vale's S11D set for 20 Mt/y iron ore production boost following licence issue, acessado em dezembro 28, 2025, https://im-mining.com/2025/09/12/vales-s11d-set-for-20-mt-y-iron-ore-production-boost-following-licence-issue/
  7. Desempenho da Vale no 4T24 e 2024 – Comissão de Valores Mobiliários, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmDownloadDocumento.aspx?Tela=ext&numProtocolo=1336983&descTipo=IPE&CodigoInstituicao=1
  8. Financial results for 4Q24 and 2024 – Vale, acessado em dezembro 28, 2025, https://vale.com/w/financial-results-for-4q24-and-2024
  9. Vale tem lucro líquido de US$ 6,16 bi em 2024, queda de 23% em um ano – CNN Brasil, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/vale-tem-lucro-liquido-de-us-616-bi-em-2024-queda-de-23-em-um-ano/
  10. CFEM: Novas alíquotas de distribuição aos Municípios – Cescon Barrieu – Centro de Inteligência Jurídica, acessado em dezembro 28, 2025, https://cesconbarrieu.com.br/cfem-novas-aliquotas-de-distribuicao-da-cfem-aos-municipios/
  11. L8001 – Planalto, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8001.htm
  12. Mineração recolhe R$ 93,4 bilhões em impostos e tributos em 2024, acessado em dezembro 28, 2025, https://revistamineracao.com.br/2025/02/06/mineracao-recolhe-r-934-bilhoes-em-impostos-e-tributos-em-2024/
  13. Majoração da Taxa de Fiscalização de Recursos Minerários no Estado do Pará, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.gtlawyers.com.br/en/sem-categoria/majoracao-da-taxa-de-fiscalizacao-de-recursos-minerarios-no-estado-do-para/
  14. Modificações na TFRM do Estado do Pará pelo Decreto nº 1.352, de 4 de março de 2021, acessado em dezembro 28, 2025, https://williamfreire.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Memo-WFAA-Modificacoes-na-TFRM-do-Para-Decreto-1.352-21-1.pdf
  15. Sefa define valor da Unidade Padrão Fiscal para 2025 | Agência Pará, acessado em dezembro 28, 2025, https://agenciapara.com.br/nota/10537/sefa-define-valor-da-unidade-padrao-fiscal-para-2025
  16. Lei Nº 10840 DE 26/12/2024 – Estadual – Pará – LegisWeb, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.legisweb.com.br/legislacao/?legislacao=471251
  17. governo do estado do pará secretaria de estado de meio ambiente, clima e sustentabilidade – SEMAS, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.semas.pa.gov.br/legislacao/files/pdf/312.pdf
  18. Análise e projeções consolidadas da arrecadação da CFEM em Parauapebas: 2024-2025, acessado em dezembro 28, 2025, https://parauapebas.pa.gov.br/destaque/analise-e-projecoes-consolidadas-da-arrecadacao-da-cfem-em-parauapebas-2024-2025/
  19. Parauapebas terá orçamento de R$ 2,4 bilhões em 2024, acessado em dezembro 28, 2025, https://www.parauapebas.pa.leg.br/portal/index.php/noticias-plenario/item/2705-parauapebas-tera-orcamento-de-r-2-4-bilhoes-em-2024
  20. Canaã dos Carajás recebe mais de R$ 62 milhões em repasses da CFEM em setembro, acessado em dezembro 28, 2025, https://velapretacanaa.com.br/noticia/2791/canaa-dos-carajas-recebe-mais-de-r-62-milhoes-em-repasses-da-cfem-em-setembro

Canaã dos Carajás recebe R$ 370 milhões da mineração e destina 1 milhão a eventos – portalofato.com.br, acessado em dezembro 28, 2025, https://portalofato.com.br/2025/07/04/canaa-dos-carajas-recebe-r-370-milhoes-da-mineracao-e-destina-1-milhao-a-eventos/