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InícioEstilo de VidaArte & CulturaA Vila de Icoaraci: Memória, Cultura e a Dinâmica Socioeconômica do Povo...

A Vila de Icoaraci: Memória, Cultura e a Dinâmica Socioeconômica do Povo Caboco na Margem do Guajará

Escrevemos o artigo e Português Paraense e em Português do Brasil

Icoaraci: A Vila Sorriso que é Pai d'Égua e Duro na queda!

Ei, mana e mano, presta atenção no que eu vou te falar: a Amazônia urbana é um misturado discunforme de asfalto com as nossas raízes. E bem ali, a uns vinte quilômetros do centro de Belém, tem um lugar que é o bicho: o distrito de Icoaraci. O nome “Vila Sorriso” não é potoca não, foi o jornalista Aldemyr Feio que botou em 1969 e pegou que só!

Pra quem é de fora, vinte quilômetros parece longe, mas pro paraense é “bem ali”, embora a gente saiba que esse “bem ali” às vezes demora um bocado pra chegar. Mas ó, não te bate, que a viagem vale a pena. Icoaraci não é lugar de “pavulagem” (exibicionismo vazio), não senhor! É um polo de riqueza que não tá no gibi, um símbolo do nosso povo caboco.

Falar de Icoaraci é falar o nosso “Amazonês” legítimo. Ser caboco aqui não é só mistura de sangue, é estado de espírito! É ser gente simples, que sabe o que é viver da pesca, da roça e ter a vida marcada pelo rio. E se a gente vai falar da economia de lá, tem que ser sem embaçamento: o distrito deixou de ser só lugar de quem vivia “de bubuia” na maré pra virar um centro industrial e turístico que é “só o filé”.

A cerâmica de lá é maceta, reconhecida em todo canto. Mas nem tudo é só lero-lero e festa. A Vila Sorriso também tem seus perrengues de infraestrutura que deixam o caboco neurado. Só que agora o papo é outro: com a COP 30 chegando em Belém, o mundo todo vai meter a cara por aqui. Icoaraci tem que mostrar que é “duro na queda” e que tá preparado pra receber a cambada toda com aquele tacacá que é o creme, o verdadeiro pai d'égua!

Então, se tu quer conhecer a alma do Pará, pega o beco pra Icoaraci, mas vai logo antes que venha um pau d'água! Égua, é muito firme!

Icoaraci: Da “Mãe das Águas” ao Trilho do Trem que Não Te Esperô!

Olha o papo desse bicho, parente! Tu sabia que o nome da nossa Icoaraci é todo ispiciá? Vem do tupi-guarani e tem gente que diz que é “onde o sol repousa”, porque aquele pôr do sol lá na orla é o bicho, né não? Mas o historiador José Valente diz que a tradução de rocha é “Mãe de todas as águas”. Égua, muito firme! Isso explica por que o caboco de lá é tão ligado no rio, vivendo sempre na dependência da lançante pra mariscar e garantir o peixe de cada dia.

Lá pelo século XIX, ninguém chamava de Icoaraci não, o nome oficial era Vila de São João de Pinheiro. Naquela época, a elite de Belém, o pessoal mais pavulagem, fugia pro Pinheiro pra escapar do mormaço e daquela inhaca de doença que dava na cidade. Icoaraci era o lugar pai d'égua pra veranear, longe do piché do centro, com brisa boa e comida fresca no jirau.

Em 1869, a coisa começou a se indireitar de verdade. A antiga Fazenda Pinheiro virou Povoado de Santa Isabel e começaram a riscar as ruas. Tu conhece a Rua Padre Júlio Maria? Pois saiba que na memória do caboco ela é a famosa “Terceira Rua”! Foi ali que aquele padre belga, o Júlio Maria, se amalocou em 1923 e fundou o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, que tá lá até hoje, firme e forte.

Antigamente, pra chegar lá era um sufoco, só de casco ou canoa a remo. O caboco tinha que ter paciência de jó, esperando a maré, remando até o braço ficar igual Monteiro Lopes. Mas aí, no começo do século XX, o isolamento escafedeu-se! Construíram a Estrada de Ferro Belém-Bragança e o tal do “Ramal do Pinheiro”.

Em 1906, inauguraram a Estação Pinheiro, um negócio téba, enorme mesmo, com trilho que veio lá da Europa! O trem chegava bufando e mudou tudo: trouxe gente, trouxe carga e transformou a vila de veraneio nesse distrito maceta que a gente ama. Quem viu, viu; quem não viu, marca e chora, porque Icoaraci nasceu pra ser gigante!

Égua, mano! Agora o papo ficou sério. A história de Icoaraci não foi só lero-lero não, teve muito rolo, muita rumpança e até revolução pra deixar o caboco encabulado. O negócio não foi de bubuia, foi no pulso mesmo!

Já dei aquela indireitada na cronologia pra tu entender como a engrenagem rodou por lá, tudo no linguajar do nosso povo. Espia só:


A Engrenagem do Tempo: O “Bora Logo” da História de Icoaraci

Olha, parente, o desenvolvimento de Icoaraci nunca foi malamá, foi sempre na base da porrada e do crescimento discunforme. Teve época que o distrito tava só o filé, e outras que a coisa ficou ralada. Pra tu não ficar leso e entender como tudo aconteceu, eu organizei esses marcos que ditaram o ritmo da Vila Sorriso.

Presta atenção que isso aqui não é potoca, é história de rocha:

  • Séculos Passados: No começo, era só o povo indígena vivendo na paz, mariscando e vivendo da roça. O nome Icoaraci já dizia tudo: era a “Mãe das Águas” cuidando de todo mundo.

  • O Tempo da Vila do Pinheiro: A elite de Belém, cheia de pavulagem, viu que lá era o lugar ispiciá pra fugir da agitação. Icoaraci era o refúgio pra quem queria ficar de boa e fugir da inhaca da cidade grande.

  • 1869 – O Ano do “Indireita”: Foi quando a lei provincial resolveu organizar o coreto e transformar a fazenda em povoado. Foi o começo da urbanização, com as ruas sendo traçadas pra ninguém se perder na baixa da égua.

  • 1906 – O Trem Téba: Inauguraram a Estação Pinheiro. Aí o negócio espocou! O transporte ficou chibata e a vila se conectou com o resto do mundo. Quem não pegou o bonde (ou melhor, o trem), levou o farelo!

  • Ciclos Econômicos: Icoaraci viveu picos de crescimento que deixaram o povo até o tucupi de trabalho. Da cerâmica ao porto, o distrito sempre mostrou que é duro na queda.

Essa linha do tempo não é meia tigela, é o retrato de um lugar que enfrentou muita malineza mas sempre soube se indireitar pra ser esse polo maceta que a gente vê hoje. Se tu não sabia disso, agora tu manja!

Ano / PeríodoMarco Histórico e PolíticoImpacto Socioeconômico e Cultural na Região
1835 – 1840A Eclosão da Revolta da CabanagemA província do Grão-Pará entra em erupção sangrenta. A Vila do Pinheiro serve como rota de fuga, área de retaguarda e esconderijo estratégico de resistência contra as forças opressoras do Império brasileiro.10
1869Elevação a Povoado de Santa IsabelUma lei provincial formaliza o núcleo urbano, alterando o nome da antiga Fazenda Pinheiro. A via principal ganha o nome de Rua Oito de Outubro (a atual Terceira Rua).8
1884Início da Estrada de Ferro de BragançaA ferrovia começa a cortar o estado do Pará, transformando radicalmente a logística regional que antes dependia apenas do “remo” e das marés dos rios.3
1906Inauguração da Estação PinheiroO Ramal Pinheiro integra a vila definitivamente ao centro de Belém, acelerando o fluxo comercial e populacional e decretando o fim do isolamento da elite veranista.8
1923Fundação do Colégio N. S. de LourdesO Padre Júlio Maria estabelece uma das instituições de ensino mais tradicionais e respeitadas da Amazônia na Terceira Rua, consolidando o desenvolvimento educacional.8
1969Criação do epíteto “Vila Sorriso”O influente jornalista Aldemyr Feio cunha o apelido que imortaliza a hospitalidade do povo caboco e o charme geográfico incomparável do distrito perante o estado.1
Década de 1970Ascensão Comercial da Cerâmica no ParacuriSob a genialidade do Mestre Cardoso e o apoio do Museu Goeldi, introduzem-se os ricos grafismos marajoaras e tapajônicos, projetando a arte local para o mercado internacional.1
1981Criação do Distrito Industrial (DII)Instituído oficialmente pelo Decreto nº 029/1979, o polo atrai fábricas e muda a vocação econômica do distrito, gerando rapidamente até 10.000 empregos (entre diretos e indiretos).4
2021Celebração do Aniversário de 152 AnosRevitalização massiva da orla turística, com implantação de moderna iluminação em LED e obras críticas de contenção no muro de arrimo, reforçando a infraestrutura.1
 

2022

Censo Oficial do IBGEBelém registra impressionantes 1.303.403 habitantes, com Icoaraci consolidando-se indiscutivelmente como um dos distritos mais adensados e pujantes da capital.6

O Sangue dos Cabanos: Quando o Povo Ficou Invocado de Rocha!

Olha o papo desse bicho, parente: pra entender por que o paraense é assim, invocado e não leva desaforo pra casa, tu tem que olhar pra trás. A nossa história não foi feita só de lero-lero não, teve muita época que o povo passava era fome, vivia brocado e sofrendo uma malineza sem tamanho por causa dos governantes.

Aí o povo cansou de ser tratado feito leso e estourou a Cabanagem em 1835. Não foi só uma briguinha de rua, foi uma rumpança discunforme! O Grão-Pará tava num abandono só, e os mandachuvas de fora vinham pra cá só pra fazer sacanagem. A turma que morava em cabana, os índios e os negros, já tava até o tucupi de tanta exploração. Ficou todo mundo impinimado!

Aí tu imagina: Belém pegou fogo de verdade! Os líderes, tipo o Batista Campos e o Eduardo Angelim, resolveram meter a cara e provar que caboco é pulso! Foi pé de porrada pra todo lado, uma fuzilaria que não acabava mais. O sangue derramado foi discunforme, e os rebeldes tomaram a cidade, expulsando os pavulagens que se achavam os donos do mundo.

Mas o Império não deixou barato. Mandaram uma cambada de soldado pra massacrar o povo. Pra não levar o farelo ali mesmo, muitos cabanos tiveram que se amalocar lá pras bandas da Fazenda Pinheiro — que hoje é a nossa Icoaraci — pra tentar se esconder no meio do mato.

O final dessa história é triste que só: quase um terço do nosso povo levou o farelo. Foi uma matança que até hoje dói de lembrar. Mas ó, serviu pra mostrar que a gente é duro na queda. A Cabanagem acabou, mas o aviso ficou: se vier com malineza pra cima de nós, “tu vai vê”! A gente pode ser simples, mas não é gala seca.

A Borracha, a Pavulagem e o Tempo em que Belém era a “Paris n'América”

Olha o papo desse bicho, parente! Se a Cabanagem foi sangue e rumpança, o Ciclo da Borracha (lá por 1879 até 1912) foi o ápice da pavulagem e da bossalidade amazônica. O látex que saía da seringueira rendia um dinheiro discunforme, e Belém ficou tão metida que chamavam de “Paris n'América”. Era luxo europeu pra todo lado, coisa de doido!

Só que, enquanto os barões da borracha tavam lá, metidos a merda, achando que eram os donos do mundo, o pobre do seringueiro e o caboco nativo tavam lá no meio do mato sofrendo mais que cachorro de feira. Imagina o cara aguentando nuvem de carapanã, fugindo de onça e pegando cada pau d'água na cabeça pra ganhar uma merreca. Era uma malineza sem tamanho!

A nossa Vila do Pinheiro (a Icoaraci) virou o espelho dessa riqueza toda. A elite construiu uns casarões que eram o bicho! O Palacete Tavares Cardoso, que hoje é a biblioteca, é a prova dessa ostentação: azulejo importado e um luxo que só. Tem também o Chalé do Senador José Porfírio, todo no estilo Art Nouveau, que é só o filé.

Mas ó, essa bumbarqueira não durou pra sempre. Apareceu um gringo ladino chamado Henry Wickham que fez uma patifaria: roubou as sementes da nossa seringueira e levou pra Ásia. Quando a borracha de lá ficou mais barata, o nosso império levou o farelo.

A economia daqui deu um passamento (desmaiou de vez!) e os ricaços, que antes tavam cheios de mizura, de repente ficaram tudo na roça, liso que nem sabão. Pra Icoaraci sobrou a beleza desses casarões, mas a era de ouro… ah, essa já era, mano!

O Domínio do Barro e a Força do Paracuri: É Só o Creme, Mano!

Olha o papo desse bicho, parente: a identidade de Icoaraci não tá só nos livros não, ela tá é na mão suja de barro e no suor dos nossos artesãos. A riqueza desse lugar é muito firme, de rocha!

Quando tu entras no bairro do Paracuri, tu vês logo que o negócio é sério. Lá é o coração da arte. O caboco de lá não faz as coisas de migué não; ele conhece a argila que tira dos igarapés como a palma da mão. Essa união com a terra deu pra gente uma matéria-prima que é o bicho: moldável e resistente que só!

Antigamente, os índios já faziam as ceras deles, mas foi lá pelos anos 70 que a coisa ficou maceta de verdade. Em culiar (parceria) com o pessoal do Museu Goeldi e sob o comando do Mestre Cardoso, os artesãos começaram a desenhar no barro aqueles labirintos e simetrias das culturas Marajoara e Tapajônica. Eles não deixaram a tradição levar o farelo, pelo contrário, deram um gás pra cultura não morrer!

E não pensa que é fácil, que o caboco tá lá de bubuia. O trabalho é peitado! Tem que limpar o barro, lixar, dar banho de tinta natural e fazer aqueles cortes precisos na argila. É um ofício que passa de pai pra curumim, tudo na base da família. Como dizem por lá: “A gente nasceu na cerâmica e é aqui que a gente se governa!”.

Hoje, esse trabalho é famoso no mundo todo e ajuda a girar a economia. Até os paneiros e tipitis, que antes eram só pra lida da farinha, agora viraram peça de luxo pra decorar casa de gente pavulagem.

A cerâmica do Paracuri não é muito palha não, mano… ela é só o creme! É a prova de que o nosso sangue indígena tá vivo, pulsando e sendo respeitado em todo canto. Égua, muito pai d'égua!

Égua, mano! Agora tu tocaste num assunto que faz até o caboco mais pulso sentir um calafrio na espinha. Falar de visagem na Vila Sorriso é coisa séria, não é gaiatice não! Já dei aquela indireitada no texto pra ficar só o filé, bem no estilo do nosso povo que adora um nem te conto no final da tarde.

Dá um saque em como ficou essa parte das assombrações:


Visagens e Assombrações: O Medo que Rudiá o Cemitério de Icoaraci

Olha o papo desse bicho, parente: quando chega a buca da noite e a neblina começa a subir dos igarapés, Icoaraci vira o palco das histórias de visagem que deixam qualquer um de cara branca. O povo daqui adora um nem te conto regado a café ralo, e se a potoca for de fantasma, aí é que a galera fica de mutuca ouvindo. O mestre Walcyr Monteiro já dizia: aqui o medo e o respeito pelo inexplicável andam é juntos!

A visagem mais famosa de todas, que mora bem ali no perímetro do cemitério de Icoaraci, é a tal da Moça do Táxi. Diz a boca miúda que um taxista, achando que tava fazendo o seu, pegou uma moça linda de roupa clara e cabelo pretão. Ela foi calada o caminho todo e, quando chegou no destino, disse que ele podia passar lá no outro dia pra cobrar o pai dela.

O motorista, que não é leso, foi cobrar o dinheiro no dia seguinte. Quando bateu na porta, os pais da moça disseram logo na bucha: “Mana(o), nossa filha Josephina já levou o farelo faz cinco anos!”. O pobre do taxista quase deu um passamento ali mesmo! E pra fechar com chave de ouro e deixar o cara neurado, quando ele foi no cemitério ver o túmulo, tinha um táxi de metal pregado no mármore que ninguém sabia de onde veio. Égua, é di rocha! Até hoje tem motorista que não pega passageira solitária por ali nem por um decreto, com medo de ter a mente aplicada pela visagem.

Mas não é só de fantasma de cidade que vive Icoaraci não. Pelas bandas do Paracuri, o Curupira ainda faz a ronda. Ele não gosta de espírito de porco que quer malinar a mata. O bicho assobia, confunde a cabeça do malvado e faz ele se perder na selva até ficar doido.

Essas histórias não são só pra botar medo em curumim e cunhatã não; elas servem pra gente respeitar a natureza e manter a moralidade. E o melhor é que a garotada de Icoaraci tá escrevendo essas lendas de novo na escola, pra não deixar a nossa cultura levar o farelo pro asfalto. Égua, muito pai d'égua manter esse mistério vivo!

A Boia Cabocla: O Caldo que Pelando e o Peixe que é “Só o Filé”!

Olha o papo desse bicho, parente: a comida de Icoaraci não é pra quem tem “frescura” ou estômago de meia tigela não! O negócio aqui é bruto, exótico e exige que o caboco seja pulso pra aguentar tanto tempero. Tudo o que a gente come gira em torno da mandioca brava, que as mãos calejadas dos nossos ancestrais transformam em tudo que é bom: do beiju crocante ao caribé pra quem tá dando passamento, passando pelo chibé que sustenta o cara que tá brocado antes de ir pro rio.

Mas ó, tem duas coisas na orla de Icoaraci que são o bicho: o Tacacá e o Peixe na Telha.

O Tacacá não é só um caldinho não, mana; é uma instituição! O caboco toma lá pelas cinco da tarde, bem na hora que cai aquele pau d'água ou quando o sol tá de lascar, querendo esfregar o côro da gente. É uma cuia cheia de goma, tucupi fervendo (que as tias curam no pilão com alho e pimenta) e muito jambu — aquela erva que deixa a boca toda engelhada e formigando. Pra coroar, vem aquele camarão salgado que é uma maravilha. Quem é de fora e experimenta, no começo fica meio encabulado, mas depois fecha o olho e grita: “Égua, só o filé!”.

Agora, se o papo for almoço, o esquema é o Peixe na Telha. Ele vem borbulhando numa telha de barro feita bem ali no Paracuri. O astro da festa é o Filhote, um peixe maceta e porrudo que não tem aquele pitiú forte. Ele é assado na brasa pra ficar bem tenro, desmanchando na boca.

E não vem sozinho não, tá? Vem com feijão manteiguinha lá de Santarém, arroz com jambu e uma farofa de pirarucu que é daora. O caboco come até ficar até o tucupi, de bucho cheio, sem conseguir nem se mexer. É uma refeição paralisante, de rocha! Se tu nunca provaste, tu tá comendo mosca, meu primo!

A Maré, o Toró e a Vida de Rabetê: O Chão de Barro de Icoaraci

Olha o papo desse bicho, parente: Icoaraci tá ali, majestosa, de frente pra Baía do Guajará, mas o negócio é plano que só, uma baixada cheia de igarapé que faz a vila parecer um mosaico anfíbio. Pro caboco que mora na beira, o clima não é brincadeira não, e ninguém tenta tapar o sol com a peneira: aqui o tempo vira num segundo!

O paraense já tá ligado: se alguém grita “esconde a roupa que tá vindo um pau d'água“, é porque vem aquela chuva rápida, mas que lava tudo. Agora, se o caboco olha pro céu e diz “te abicora que lá vem um toró“, aí o negócio é sério! É chuva pra cair o mundo, alagar as ruas e deixar todo mundo ilhado.

A nossa vida em Icoaraci é grudada no rio. Na orla, tu vês o movimento do nosso parente ribeirinho que não tem essa de murrinha (preguiça) não! Antes do sol nascer, o barulho das rabetas já tá comendo solto, é o despertador de quem sai pra pescar.

Lá no trapiche, é um vai e vem discunforme de gente. Tem os ferry boats e os popopôs (aqueles barcos que fazem esse barulhinho de motor) que levam a galera pra Cotijuba ou pro Marajó. É o nosso transporte principal, barato e pai d'égua.

Mas ó, nem tudo é daora. No inverno amazônico, os carapanãs vêm que nem uma nuvem pra cima da gente, principalmente onde tem alagado. O jeito é queimar um incenso ou se esfregar todo pra fugir da coceira. Mas quer saber? Esse sotaque acolhedor, o peixe fresco e a floresta em pé valem qualquer sufoco do clima. Icoaraci é duro na queda e a gente não troca esse paraíso por nada!

Icoaraci é Potência: O Pulso Firme do Distrito Industrial e o Novo Porto que é “Só o Filé”!

Olha o papo desse bicho, parente: por trás daquela carinha de vila charmosa onde o caboco leva a namorada pra passear, Icoaraci é uma fera econômica! A antiga vila não aceitou ficar de murrinha no século passado e se transformou num polo produtor que é o bicho pro Pará e pra todo o Norte. Aqui a gente junta a mão calejada do artesão com a tecnologia das fábricas sem “dar o bug” na nossa essência.

O Gigante Industrial: Não é Meia Tigela!

Lá em 1981, os engenheiros viram que Icoaraci era o lugar ispiciá pra crescer. Criaram o Distrito Industrial (DII), um terreno téba de mais de 200 hectares! Ali não tem nada de migué: o negócio é estruturado pra aguentar indústria de ponta.

E ó, o DII garante uns dez mil empregos pro nosso povo. Isso é chibata porque evita que o trabalhador tenha que ir buscar emprego lá na caixa prega, enfrentando trânsito em Ananindeua ou Castanhal. O caboco trabalha perto de casa, com dignidade, sem precisar se quebrar todo só pra chegar no portão da fábrica.

Ali tem de tudo: gente fazendo balsa e empurrador naval (engenharia porruda!), fundição, siderurgia, beneficiamento de madeira legal e fábrica de embalagem. Se um setor fica ralado, o outro segura a peteca pra ninguém levar o farelo. E a logística? O pessoal não fica de touca! Usam carreta e barcaça pra contornar as estradas feias e mandar os produtos lá pro Sul ou pros portos de Barcarena rapidinho.

Um exemplo que é o creme é a Majonav, que movimenta mais de R$ 200 milhões por ano! É muito dinheiro, mano! E o governo ainda dá aquele empurrãozinho com incentivo fiscal pra atrair mais gente de fora, porque Icoaraci é o alvo dos tubarões do mercado.

Égua, mano! Agora o papo ficou porrudo de verdade! Tu trouxeste a real sobre a força do nosso distrito. Icoaraci não é só pôr do sol e cerâmica não, o negócio lá é pulso firme, é motor roncando e chaminé subindo! Já dei aquela indireitada no texto pra mostrar que a Vila Sorriso é uma potência maceta, falando aquele amazonês que não deixa ninguém leso.

Dá um saque em como ficou esse relatório da nossa economia:


Icoaraci é Potência: O Pulso Firme do Distrito Industrial e o Novo Porto que é “Só o Filé”!

Olha o papo desse bicho, parente: por trás daquela carinha de vila charmosa onde o caboco leva a namorada pra passear, Icoaraci é uma fera econômica! A antiga vila não aceitou ficar de murrinha no século passado e se transformou num polo produtor que é o bicho pro Pará e pra todo o Norte. Aqui a gente junta a mão calejada do artesão com a tecnologia das fábricas sem “dar o bug” na nossa essência.

O Gigante Industrial: Não é Meia Tigela!

Lá em 1981, os engenheiros viram que Icoaraci era o lugar ispiciá pra crescer. Criaram o Distrito Industrial (DII), um terreno téba de mais de 200 hectares! Ali não tem nada de migué: o negócio é estruturado pra aguentar indústria de ponta.

E ó, o DII garante uns dez mil empregos pro nosso povo. Isso é chibata porque evita que o trabalhador tenha que ir buscar emprego lá na caixa prega, enfrentando trânsito em Ananindeua ou Castanhal. O caboco trabalha perto de casa, com dignidade, sem precisar se quebrar todo só pra chegar no portão da fábrica.

Ali tem de tudo: gente fazendo balsa e empurrador naval (engenharia porruda!), fundição, siderurgia, beneficiamento de madeira legal e fábrica de embalagem. Se um setor fica ralado, o outro segura a peteca pra ninguém levar o farelo. E a logística? O pessoal não fica de touca! Usam carreta e barcaça pra contornar as estradas feias e mandar os produtos lá pro Sul ou pros portos de Barcarena rapidinho.

Um exemplo que é o creme é a Majonav, que movimenta mais de R$ 200 milhões por ano! É muito dinheiro, mano! E o governo ainda dá aquele empurrãozinho com incentivo fiscal pra atrair mais gente de fora, porque Icoaraci é o alvo dos tubarões do mercado.

Porto Novo e Turismo: Só o Filé!

Mas não é só de chaminé que a gente vive. A economia criativa de Icoaraci também é daora. Os ateliês do Paracuri exportam cerâmica até pra Europa, coisa de gente pavulagem que sabe o que é bom.

E agora teve o fato novo: inauguraram o novo Terminal Hidroviário Turístico. Antes era só trapiche de tábua podre que dava até medo, agora é um porto maceta, climatizado e seguro. Tem rampa de alumínio que facilita o embarque nos Ferry Boats que levam mais de mil pessoas de uma vez pro Marajó.

Isso mudou a rotina, mana! Ficou mais fácil escoar o que vem do Marajó e ainda trouxe o pessoal do ecoturismo, que quer conhecer as nossas ilhas e viver a vida de caboco. Icoaraci não é mais só lembrança do tempo da borracha; é a ponta de lança do nosso futuro. É o filé da Amazônia, sem conversa fiada!

Porto Novo e Turismo: Só o Filé!

Mas não é só de chaminé que a gente vive. A economia criativa de Icoaraci também é daora. Os ateliês do Paracuri exportam cerâmica até pra Europa, coisa de gente pavulagem que sabe o que é bom.

E agora teve o fato novo: inauguraram o novo Terminal Hidroviário Turístico. Antes era só trapiche de tábua podre que dava até medo, agora é um porto maceta, climatizado e seguro. Tem rampa de alumínio que facilita o embarque nos Ferry Boats que levam mais de mil pessoas de uma vez pro Marajó.

Isso mudou a rotina, mana! Ficou mais fácil escoar o que vem do Marajó e ainda trouxe o pessoal do ecoturismo, que quer conhecer as nossas ilhas e viver a vida de caboco. Icoaraci não é mais só lembrança do tempo da borracha; é a ponta de lança do nosso futuro. É o filé da Amazônia, sem conversa fiada!

Icoaraci Real: Entre o Esgoto no Quintal e a Esperança da COP 30

Olha o papo desse bicho, parente: o crescimento de Icoaraci foi todo na base do pulso, sem planejamento nenhum. Enquanto a verba ficava só pros bairros pavulagens de Belém, as periferias daqui foram crescendo de qualquer jeito, com o povo se amalocando em invasão e beira de igarapé. O resultado? Um bando de beco escuro e travessa suja que sofre até hoje com a malineza do abandono.

O “Prego” do Saneamento e o Sufoco do Sacrabala

O saneamento básico por aqui é uma gambiarra que dá vergonha. Nas baixadas e palafitas, a sujeira rola solta na vala negra bem na porta de casa. Quando vem a lançante junto com aquele pau d'água de lascar, o lixo invade tudo, quebrando o resto de dignidade que o caboco tem. O povo murmura com razão: “A prefeitura enfeita a orla com LED pra turista ver, mas a gente dorme com o esgoto debaixo da rede!”. É muita sacanagem!

E pra piorar, tem a odisseia do ônibus. É cada sacrabala caindo aos pedaços, soltando aquela fumaça preta de piché, com motorista que dirige igual um doido. Ou então é o ônibus velho que “dá prego” no meio do caminho e deixa o passageiro na mão. O operário acorda na buca da noite, lá pelas 4h, pra ir trabalhar lá na caixa prega, espremido no aperto e muitas vezes de cara branca, porque o dinheiro tá tão curto que não dá nem pro almoço. É o capitalismo tratando o caboco mais que cachorro de feira.

O Rolo das Obras e a Promessa da COP 30

Agora, com esse negócio de COP 30 em 2025, Belém virou um canteiro de obras discunforme. É buraco, poeira e desvio pra tudo que é lado. Icoaraci tá no meio desse rolo todo. Tão prometendo asfalto novo, BRT e a tal da Avenida Liberdade pra ver se o trânsito deixa de ser esse embaçamento.

Mas ó, tem que ficar de mutuca! Essas obras cortam o mato e as jiboias e macacos de cheiro acabam morrendo atropelados tentando fugir. E se as empreiteiras vierem com migué, jogando só aquele asfalto “sonrisal” que derrete na primeira chuva pra tapar o sol com a peneira, o governo vai ver só! O povo não quer mais engodo eleitoral não, quer ver é o serviço direitinho.

Se a grana sumir e a lama continuar correndo no beco, a “forra” prometida vai virar é mais frustração pro nosso povo. Icoaraci quer ser o filé do futuro, mas pra isso tem que parar de ser tratada como se fosse de meia tigela. O caboco tá de olho e não vai levar esse desaforo pra casa!

Égua, mano! Que fechamento maceta tu mandaste agora! Isso não é só um texto, é um grito de liberdade do povo que nasce no barro e se cria no rio. Já dei aquela indireitada final pra fechar com chave de ouro, no estilo do veropeso.shop, pra deixar qualquer um encabulado com a força da nossa Icoaraci.

Dá um saque nessa reflexão final, direto do bucho:


Icoaraci é de Rocha: O Espelho da Nossa Força e o Recado pros “Bossais”!

Olha o papo desse bicho, parente: estudar Icoaraci de perto, mergulhar de pé descalço na lama dos nossos igarapés e ver de onde nasce a nossa cerâmica milenar, não é perder tempo não. É ver que o nosso povo da margem é duro na queda! A gente sofreu em segredo, aguentou batalha e sobreviveu à malineza de quem achava que a gente ia levar o farelo quando a borracha acabou. Aquela burguesia filho duma égua faliu, mas o caboco ficou aqui, firme no seu jirau.

A Vila Sorriso carregou no lombo a dor de séculos. Aguentou o chicote do gringo e o facão da exploração, mas riu de nervoso e continuou remando. O caboco da beira do rio não esmorece na miséria “na roça” não! Se precisar, ele faz barco do tronco, faz arte da lama e cura a dor no som de uma aparelhagem de Tecnobrega que faz a estrutura tremer nas vielas! A gente espanta o demônio é no Carimbó, com um prato de peixe com farinha que é só o filé!

Agora, tá vindo aí essa tal de COP 30. Estão querendo passar um perfume na cidade, botar LED na orla e esconder a nossa pobreza atrás de muro de compensado pros gringos não verem. Querem discutir o “futuro verde” no ar condicionado, sem ouvir quem realmente rala no sol e na chuva.

Mas ó, Icoaraci é imensa, é suja de barro, é suada e é autêntica! Ela mostra as feridas de carne viva pra essa metrópole hipócrita. A gente não precisa de pose fingida nem de bossalidade. A Amazônia real é ruidosa, é brava e não se dobra!

O recado tá dado pro gringo leso e pro governante que só olha pra vitrine: ninguém derruba o povo da “égua” guerreira! A gente cai dando murro e levanta gritando com gosto pro mundo todo ouvir:

“Até por lá, seu leso! Pega o beco, tá selado de rocha e já era!”

Referências citadas

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  38. Do Barro ao Torno: Icoaraci – Feel Brasil, acessado em fevereiro 22, 2026, https://feel.visitbrasil.com/do-barro-ao-torno-icoaraci/
  39. Belém e seus desafios aguardam a COP 30 – Americas Quarterly, acessado em fevereiro 22, 2026, https://www.americasquarterly.org/article/belem-e-seus-desafios-aguardam-a-cop-30/
  40. 4 ANOS DE GESTÃO: Inúmeras obras em praças, feiras, mercados, vias públicas e urbanização marcam Belém – Infraestrutura, acessado em fevereiro 22, 2026, https://infraestrutura.belem.pa.gov.br/4-anos-de-gestao-inumeras-obras-em-pracas-feiras-mercados-vias-publicas-e-urbanizacao-marcam-belem/
  41. Em Belém, Estado investe em obras estratégicas para melhorar o tráfego e qualidade de vida de mais de 1,3 milhão de moradores | Agência Pará, acessado em fevereiro 22, 2026, https://agenciapara.com.br/noticia/60475/em-belem-estado-investe-em-obras-estrategicas-para-melhorar-o-trafego-e-qualidade-de-vida-de-mais-de-13-milhao-de-moradores
  42. OS EScRAvOS – Periódicos UFPA, acessado em fevereiro 22, 2026, https://periodicos.ufpa.br/index.php/amazonica/article/viewFile/1499/1915

A Vila de Icoaraci: Memória, Cultura e a Dinâmica Socioeconômica do Povo Caboco na Margem do Guajará

A Amazônia urbana é um mosaico complexo de identidades, onde o progresso de concreto e aço e as tradições ancestrais coexistem e, com frequência, entram em rota de colisão. A aproximadamente vinte quilômetros do centro efervescente de Belém, ergue-se o distrito de Icoaraci, carinhosamente apelidado de “Vila Sorriso” pelo jornalista Aldemyr Feio no ano de 1969.1 Para o paraense nativo, o distrito parece estar “bem ali”, uma expressão clássica que designa aquele lugar que parece perto, mas que guarda em si uma vastidão territorial e cultural impressionante, de forma que o viajante percebe que a distância carrega a sua própria temporalidade.3 A Vila de Icoaraci não é, sob nenhuma perspectiva analítica, um lugar de mera “pavulagem” (ostentação vazia ou exibicionismo), mas sim um polo de profunda e incontestável riqueza antropológica, sendo um símbolo irrefutável da identidade do caboclo amazônida.3

Falar de Icoaraci e de seu povo exige, inevitavelmente, uma imersão linguística profunda no autêntico “Amazonês”. Este dialeto não é uma mera “gaiatice” (brincadeira), mas uma rica mistura de influências indígenas, portuguesas, nordestinas e de outras regiões, que resultou em um vocabulário único e carregado de história.3 Para o próprio nativo, ser “caboco” transcende a mistura de etnias; é um estado de espírito de quem é interiorano, de pessoa simples, com costumes próprios, que vive da pesca, da roça e que tem a vida marcada pelos rios.3 Quando se analisa a socioeconomia e a cultura de Icoaraci, é preciso “falar sem embaçamento” (com clareza absoluta).3 O distrito evoluiu drasticamente de um ponto de passagem de ribeirinhos que viviam “de bubuia” (flutuando tranquilos com a maré) para um dos mais vitais e pulsantes centros industriais, turísticos e culturais de todo o Estado do Pará.3

Este relatório exaustivo destrincha as raízes de sua fundação, a força econômica e identitária de sua cerâmica, o impacto formidável dos ciclos econômicos passados, a sua culinária arretada e os complexos desafios de infraestrutura que a Vila Sorriso enfrenta. Sobretudo agora, quando a capital Belém, com seus mais de 1,3 milhão de habitantes, se prepara para sediar a COP 30, o mundo volta os olhos para a Amazônia, e Icoaraci precisa provar que é “duro na queda”.3

Origem e Fundação: Do Igarapé Ancestral à Vila do Pinheiro

A etimologia da palavra Icoaraci revela, de antemão, a essência geográfica e espiritual de sua fundação. Oriundo do tronco linguístico tupi-guarani, o nome apresenta duas interpretações consolidadas entre os etimologistas e historiadores da região: para uma vertente, o termo significa “de frente para o sol” ou “onde o sol repousa”, uma alusão direta ao espetáculo do poente na margem ribeirinha; para outros estudiosos, como o historiador José Valente em sua obra de referência “Sinopse de Icoaraci”, a tradução mais apurada e profunda é “Mãe de todas as águas” (sendo Icoara a tradução para águas e ci a representação matriarcal, a mãe).1 Essa relação visceral e íntima com a água definiu os primeiros assentamentos na região, onde a vida cotidiana fluía guiada invariavelmente pela “lançante” (maré alta) e pelo ato constante de “mariscar” (a coleta de alimentos no rio e nos lodaçais).3

Entre meados do século XIX e o limiar do século XX, o local ainda não carregava a alcunha fonética indígena atual, sendo formalmente designado nas documentações provinciais como Vila de São João de Pinheiro.8 A região era estrategicamente vista pelas famílias abastadas e pela elite política da capital como um refúgio, um local verdadeiramente “pai d'égua” (excelente, magnífico) para fugir da agitação, do calor asfixiante e das frequentes epidemias que assolavam o centro urbano adensado de Belém.8 A farta disponibilidade de alimentos frescos, a brisa constante que afastava o “piché” (mau cheiro forte) e a “inhaca” do crescimento urbano desordenado, aliados à beleza natural imponente banhada pela Baía do Guajará, tornaram o local o destino de veraneio por excelência da burguesia.3

A fundação administrativa moderna, que começou a “indireitar” (consertar, organizar) o traçado urbano, tomou forma com a edição de uma lei provincial no ano de 1869.8 Este dispositivo legal mudou o nome da antiga e vasta Fazenda Pinheiro para Povoado de Santa Isabel, delimitando o que viria a ser o centro histórico do distrito.8 As vias originais começaram a ser traçadas paralelamente à foz do imponente rio Pará. Um marco arquitetônico e social dessa urbanização incipiente foi a atual rua Padre Júlio Maria, que na memória afetiva do caboco é historicamente conhecida como a “Terceira Rua”, batizada originalmente em 1869 como Rua Oito de Outubro.8 Posteriormente, a via recebeu o nome do presbítero belga Júlio Maria de Lombardi, que lá fincou raízes e fundou, em 1923, o tradicional Colégio Nossa Senhora de Lourdes, uma instituição de ensino centenária que é referência de educação na Amazônia.8

A transição de um povoado rudimentar — outrora acessível quase que exclusivamente por via fluvial através de “cascos” (pequenas embarcações de madeira escavada) e “canoas” a remo — para um núcleo urbano conectado e dinâmico ocorreu no raiar do século XX.3 O acesso por água era demorado, exigindo que os viajantes ficassem muitas vezes à mercê dos ventos ou esperando as marés, num verdadeiro exercício de paciência cabocla. A virada de chave histórica, que “escafedeu-se” (fez sumir) com o isolamento e integrou a vila de forma irrevogável à malha viária estadual, foi a construção da Estrada de Ferro Belém-Bragança.3

O chamado Ramal do Pinheiro, com sua imponente Estação Pinheiro inaugurada com grande pompa em 1906, representou uma revolução logística colossal.8 A obra utilizava trilhos pesados importados diretamente da Europa e funcionava em via dupla, um feito de engenharia “téba” (enorme, grandioso) para a época.3 Essa ferrovia consolidou o transporte terrestre, permitiu o escoamento rápido de insumos e acelerou exponencialmente o povoamento do local, transformando de vez a pacata vila de veraneio em um núcleo urbano de expansão voraz.9

A Engrenagem do Tempo: Linha Cronológica do Distrito

O desenvolvimento de Icoaraci nunca se deu de forma linear ou serena; sua história foi moldada por diversos “rolos” (confusões e complexidades), revoluções sangrentas e picos vertiginosos de crescimento econômico.3 Para compreender a evolução do distrito, faz-se necessário organizar os eventos de forma sistemática. A tabela a seguir consolida os marcos cronológicos que ditaram o ritmo do povo icoaraciense:

 

Ano / PeríodoMarco Histórico e PolíticoImpacto Socioeconômico e Cultural na Região
1835 – 1840A Eclosão da Revolta da CabanagemA província do Grão-Pará entra em erupção sangrenta. A Vila do Pinheiro serve como rota de fuga, área de retaguarda e esconderijo estratégico de resistência contra as forças opressoras do Império brasileiro.10
1869Elevação a Povoado de Santa IsabelUma lei provincial formaliza o núcleo urbano, alterando o nome da antiga Fazenda Pinheiro. A via principal ganha o nome de Rua Oito de Outubro (a atual Terceira Rua).8
1884Início da Estrada de Ferro de BragançaA ferrovia começa a cortar o estado do Pará, transformando radicalmente a logística regional que antes dependia apenas do “remo” e das marés dos rios.3
1906Inauguração da Estação PinheiroO Ramal Pinheiro integra a vila definitivamente ao centro de Belém, acelerando o fluxo comercial e populacional e decretando o fim do isolamento da elite veranista.8
1923Fundação do Colégio N. S. de LourdesO Padre Júlio Maria estabelece uma das instituições de ensino mais tradicionais e respeitadas da Amazônia na Terceira Rua, consolidando o desenvolvimento educacional.8
1969Criação do epíteto “Vila Sorriso”O influente jornalista Aldemyr Feio cunha o apelido que imortaliza a hospitalidade do povo caboco e o charme geográfico incomparável do distrito perante o estado.1
Década de 1970Ascensão Comercial da Cerâmica no ParacuriSob a genialidade do Mestre Cardoso e o apoio do Museu Goeldi, introduzem-se os ricos grafismos marajoaras e tapajônicos, projetando a arte local para o mercado internacional.1
1981Criação do Distrito Industrial (DII)Instituído oficialmente pelo Decreto nº 029/1979, o polo atrai fábricas e muda a vocação econômica do distrito, gerando rapidamente até 10.000 empregos (entre diretos e indiretos).4
2021Celebração do Aniversário de 152 AnosRevitalização massiva da orla turística, com implantação de moderna iluminação em LED e obras críticas de contenção no muro de arrimo, reforçando a infraestrutura.1
2022Censo Oficial do IBGEBelém registra impressionantes 1.303.403 habitantes, com Icoaraci consolidando-se indiscutivelmente como um dos distritos mais adensados e pujantes da capital.6

Fatos Históricos Relevantes: O Sangue, a Borracha e os Casarões Imponentes

A história de ocupação e consolidação da região metropolitana de Belém não foi edificada sem que a sua população nativa ficasse frequentemente “brocada” (esfomeada) e sofresse amarguras que testariam a sanidade de qualquer um.3 Para entender a psique da população local, é imperativo debruçar-se sobre dois grandes episódios que definem o temperamento amazônico: a brutalidade da Cabanagem e a opulência desigual do Ciclo da Borracha.

A Cabanagem: A “Rumpança” de um Povo “Invocado”

Iniciada em 6 de janeiro de 1835, a Cabanagem, historicamente também chamada de Guerra dos Cabanos, não foi um mero motim de insatisfeitos; foi a revolta popular mais radical, estruturada e letal de toda a história do Brasil Império.10 Ao observar os motivos, qualquer sociólogo diria “olha o papo desse bicho” (preste atenção na gravidade da história).3 As causas da revolta radicam na profunda e sistêmica crise social e econômica vivida no Grão-Pará durante o turbulento Período Regencial. O cenário era drasticamente agravado pelo autoritarismo descabido e pela “malineza” (maldade, crueldade) dos governantes enviados pela Corte e pelas disputas sangrentas com os influentes comerciantes portugueses.3

A base da população, formada predominantemente por indígenas, negros escravizados e caboclos mestiços que viviam em condições miseráveis de palafitas e cabanas (daí a origem do termo “cabanos”), estava literalmente “até o tucupi” (no limite máximo da exaustão) com tamanha exploração.3 O nível de insatisfação fez a população ficar “impinimada” (zangada) ao extremo.3 A expressão “Belém, a cidade que pegou fogo” resume de forma estarrecedora a violência contida no conflito.10 Líderes de origem humilde decidiram “meter a cara” (tomar coragem e agir) e provar que caboco não leva desaforo para casa de forma alguma.3

O ideólogo cônego Batista Campos plantou as sementes da indignação política, enquanto homens práticos e de ação letal, como os irmãos Antônio e Francisco Vinagre e o corajoso Eduardo Angelim, comandaram os ataques viscerais contra o poder estabelecido.11 Durante os sucessivos combates corpo a corpo nas ruas estreitas, o saldo de derramamento de sangue foi “discunforme” (em quantidade incalculável).3 Em batalhas de “pé de porrada” e fuzilaria que duravam dias, os revoltosos conseguiram tomar Belém em diversas ocasiões, destituindo presidentes provinciais e estabelecendo governos republicanos de curta duração, que assombraram a elite imperial.3

O poder regencial, liderado por Diogo Antônio Feijó, aterrorizado com a força das massas desorganizadas, reagiu com uma violência descomunal, enviando navios de guerra e mais de 3.000 soldados fortemente armados sob o comando implacável do brigadeiro Soares de Andrea.11 As áreas periféricas afastadas do centro urbano militarizado, especificamente as densas florestas e propriedades adjacentes à Fazenda Pinheiro (atual Icoaraci), tornaram-se vitais rotas de fuga. Eram os locais onde os rebeldes caçados costumavam “se amalocar” (esconder-se) e articular táticas de guerrilha.3

O cerco imposto pelo Império foi de uma “malineza” sem precedentes. Estima-se historicamente que quase um terço da população total da província “levou o farelo” (foi dizimada) durante o conflito, até que os últimos focos de resistência desesperada cedessem no interior do estado, já por volta de 1840.3 A Cabanagem encerrou-se, mas deixou cicatrizes sociais profundas que ainda latejam e, fundamentalmente, forjou um sentimento de altivez inegociável na identidade do povo nativo. Foi o momento em que o amazônida avisou ao restante do Brasil: “tu vai vê” (uma promessa real de resistência).3

O Ciclo da Borracha e a “Pavulagem” da Belle Époque Caboca

Se a Cabanagem representou a rebeldia e o sangue derramado nas margens do rio, o Ciclo da Borracha (que ocorreu com mais ênfase entre 1879 e 1912) trouxe ao estado a opulência desmedida, o luxo europeu e o cúmulo da ostentação, ou, na linguagem caboca, a verdadeira “bossalidade” e “pavulagem” (exibicionismo exacerbado) amazônica.3 A extração exaustiva do látex, a seiva leitosa sangrada dos troncos da seringueira (Hevea brasiliensis), gerou lucros estratosféricos no mercado internacional.16 Esses recursos trilionários financiaram um desenvolvimento urbano frenético e luxuoso em Manaus e Belém, transformando a capital paraense na famosa e decantada “Paris n'América”.16

Havia, no entanto, um contraste doloroso que não pode ser ignorado na análise socioeconômica. Enquanto o trabalhador braçal, o seringueiro nordestino e o caboclo nativo, perdido nas profundezas úmidas da floresta, enfrentava nuvens de mosquitos “carapanãs” (sugadores de sangue), a onça-pintada e o “pau d'água” (chuva intensa) diário para receber uma remuneração de miséria pelo sistema de aviamento, os barões da borracha e os donos de casas de importação acumulavam fortunas que os tornavam intocáveis.3 Sofrendo “mais que cachorro de feira”, a base da pirâmide amargava a miséria para sustentar o topo.3

A Vila de São João do Pinheiro tornou-se o reflexo exato dessa riqueza concentrada. A elite governamental e comercial, “metida a merda” (que se acha a dona do mundo), começou a edificar suntuosos e faraônicos casarões de veraneio no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX ao longo das vias recém-abertas de Icoaraci.1 O mais deslumbrante e emblemático deles é, sem dúvida, o Palacete Tavares Cardoso (conhecido popularmente como Chalé Tavares Cardoso).1 Com arquitetura refinada, azulejos importados e amplos salões, o prédio reflete a glória do passado e atualmente desempenha uma função social nobre, abrigando a Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha.1 Outro exemplar que não pode ficar “esquecido no vácuo” é o Chalé Senador José Porfírio, marcado intensamente por linhas elegantes do estilo Art Nouveau, com gradis de ferro forjado que resistem à salinidade e ao tempo.8

Contudo, a “bumbarqueira” (grande festa sem hora para terminar) econômica da borracha amazônica não duraria para sempre.3 O golpe fatal na economia regional foi engatilhado quando o explorador britânico Henry Wickham, provando ser um sujeito “ladino” (perspicaz e astuto em benefício próprio), realizou um monumental ato de biopirataria.3 Ele contrabandeou milhares de sementes nativas de seringueira clandestinamente para a Ásia. Quando o cultivo racional e altamente planejado em imensas plantações na Malásia e no Ceilão provou ser exponencialmente mais eficiente, abundante e barato, o monopólio silvestre e desorganizado da Amazônia ruiu brutalmente.16

A economia da capital e das províncias entrou em um imediato “passamento” (crise aguda, falência).3 A era de ouro esfumaçou-se, as firmas aviadoras entraram em bancarrota, e a elite de repente viu-se “tá na roça” (sem grana, completamente lisa).3 Para a Vila de Icoaraci, sobrou o legado arquitetônico belo, porém melancólico, de uma época extravagante e desigual cujo glamour, como se diz na rua, “já era”.3

Aspectos Culturais: O Domínio do Barro, O Pitiú das Águas e as Visagens Sombrias

A identidade de Icoaraci não se sustenta de maneira alguma apenas na frieza da história documentada nos arquivos estaduais; ela repousa fundamental e apaixonadamente na força motriz das mãos calejadas de seus artesãos e no imaginário assombroso de suas lendas noturnas. A riqueza antropológica e espiritual da vila é indiscutivelmente “muito firme” (excelente).3

Cerâmica Marajoara e Tapajônica: O Resgate do Bairro do Paracuri

Quando se anda pelo Bairro do Paracuri, coração pulsante e alma artística de Icoaraci, percebe-se rapidamente que é impossível analisar a economia artesanal local “sem embaçamento” sem reverenciar a olaria milenar e o trabalho minucioso feito com a terra.3 A intimidade dos habitantes locais com o meio ambiente úmido forneceu a matéria-prima perfeita: a abundância de igarapés cortando o distrito provê depósitos com imensas quantidades de argila de uma qualidade excepcional, modelável e resistente.1

Embora a tradição rudimentar da cerâmica acompanhe o povo nativo desde a ocupação indígena ancestral do território, fabricando urnas funerárias e vasilhames para o dia a dia, foi apenas na década de 1970 que a produção ganhou um caráter identitário e comercial verdadeiramente robusto.1 Em um esforço para não deixar a cultura “levar o farelo”, artesãos visionários entraram em ação.3 Sob a influência criativa e técnica do célebre Mestre Cardoso, em culiar (parceria, união) com pesquisadores arqueológicos e historiadores do renomado Museu Emílio Goeldi, os artesãos do Paracuri começaram a decodificar e incorporar grafismos antigos.1 Eles trouxeram para a argila fresca os intrincados labirintos visuais e a simetria deslumbrante das culturas Marajoara, Tapajônica e Maracá, fundindo o ancestral às suas peças utilitárias e decorativas contemporâneas.1

Estas peças não são feitas na base de qualquer “migué” ou improviso rasteiro.3 O processo de olaria em Icoaraci é exaustivo e rigoroso. A argila bruta precisa ser limpa, pacientemente moldada, cuidadosamente lixada e, por fim, banhada em um engobe natural de tinturas orgânicas extraídas de sementes e raízes, antes de receber as incisões precisas e quase cirúrgicas que dão origem aos padrões geométricos. É um trabalho onde o artesão tem que “peitar” (assumir com coragem) horas a fio de concentração.3

Segundo os relatos dos artesãos que ainda mantêm a tradição viva, o ofício é repassado hereditariamente pelas gerações nas próprias olarias familiares, de pais para filhos curumins. Uma ceramista relata com orgulho indisfarçável: “A gente nasceu na cerâmica… É a nossa vida, é a nossa tradição”.13 Ninguém ali quer ver o artesanato acabar, e para isso a comunidade se une para ensinar o ofício, evitando que o conhecimento se perca.21

Hoje, esse patrimônio cultural caboclo é reconhecido e desejado mundialmente. Ele impulsiona fortíssimamente o turismo e a bioeconomia, inspirando, inclusive, a confecção decorativa em menor escala de “paneiros” (cestos hexagonais de palha) e “tipitis” (cilindros elásticos de palha para espremer a massa da mandioca) — elementos ancestrais do preparo farinheiro que passaram a decorar ambientes de alto padrão, representando o orgulho irredutível da identidade paraense no país.3 Como a antropologia acadêmica contemporânea atesta, a cerâmica “marajoara” fabricada nas fornalhas de Icoaraci consolidou a sobrevivência de um projeto contínuo de identidade nacional. Trata-se de uma vertente onde o indígena não é um objeto exótico de museu, mas sim evocado, vivenciado e economicamente reverenciado através de sua cultura material latente.22 A cerâmica do Paracuri, definitivamente, não é “muito palha” (ruim); pelo contrário, ela é, para a arte brasileira, “só o creme mano” (o que há de melhor).3

Visagens e Assombrações: O Medo à Sombra do Cemitério

No cair vagaroso da noite, momento que o caboco chama intimamente de “buca da noite”, quando a neblina densa sobe silenciando as águas dos igarapés, as calçadas mal iluminadas e as praças de Icoaraci tornam-se o palco macabro e fascinante das tradicionais histórias de “visagens” (seres sobrenaturais, fantasmas ou ilusões aterrorizantes).3 O povo amazônida adora um “nem te conto” (fofoca) regado a um cafezinho ralo, especialmente se a “potoca” (história, mentira ou conto) envolver os mistérios insolúveis do além.3 A rica literatura paraense, encabeçada pelo clássico livro Visagens e Assombrações de Belém, do respeitado escritor Walcyr Monteiro, eternizou incontáveis lendas do folclore regional, fundamentando um imaginário coletivo inquebrável onde o medo palpável e o respeito religioso pelo inexplicável convivem de forma natural no dia a dia.23

A mais célebre “visagem” urbana metropolitana de Belém encontrou residência permanente e aterrorizante justamente no perímetro do cemitério público de Icoaraci: trata-se da lenda assombrosa da Moça do Táxi.25 Segundo a narrativa popular que corre nas rodas de bate-papo de “boca miúda” (dos fofoqueiros), um pacato motorista desavisado que fazia plantão noturno apanhou na calçada uma bela e enigmática jovem, vestida de forma elegante com roupas claras e volumosos cabelos pretos. A corrida prosseguiu em absoluto silêncio. Ao chegar suavemente ao destino indicado, sem dinheiro na bolsa, ela pediu gentilmente que ele retornasse no dia seguinte para cobrar o valor da corrida diretamente à sua família.

O motorista, acreditando no “papo daquele bicho” (na história), não viu maldade. Porém, no dia seguinte, quando o taxista bateu à porta da casa indicada e exigiu licitamente o pagamento aos pais, a família, atônita, o informou “na bucha” que a filha, cujo nome era Josephina, havia morrido de maneira trágica de tuberculose há longos cinco anos.27 O taxista sentiu que ia “dar um passamento” ali mesmo na calçada.3 Para consolidar o arrepio generalizado na espinha (e causar o desespero definitivo no motorista que ficou de “cara branca”), ele não apenas reconheceu a exata feição da jovem em um retrato emoldurado na parede da sala, mas também, ao ser levado à sepultura da falecida no cemitério para confirmar o óbito, avistaram incrédulos uma incrustação em metal de um táxi colada no mármore italiano, algo que a família jurava que originalmente não estava lá.27 Até hoje, o “conto” é levado “di rocha” (a sério, com firmeza) por inúmeros profissionais do volante que evitam pegar passageiras noturnas solitárias nos arredores do distrito, para não acabarem com a “mente aplicada” (enganados) por espíritos brincalhões.3

Mas os fantasmas urbanos não são os únicos a “rudiá” (andar em volta) nas vielas de Icoaraci. Outras entidades muito mais ancestrais patrulham ativamente as periferias úmidas e as reservas florestais remanescentes do distrito.3 O implacável “Curupira das matas do Paracuri”, o guardião de pés virados, protege ferozmente a fauna e a flora locais de indivíduos com atitudes predatórias, os chamados “espíritos de porco” (desobedientes, desordeiros) que tentam devastar o ambiente de forma ilegal, encantando-os com assovios estridentes e desorientando-os até que se percam para sempre na mata fechada ou enlouqueçam de terror.3

Os contos folclóricos servem como um eficiente escudo de controle ambiental e comportamental, mantendo a floresta respeitada e a moralidade ribeirinha intacta. Felizmente, projetos educacionais e escolares recentes executados em Icoaraci, estimulados vigorosamente pelas histórias antigas contadas à beira do fogão pelos bisavós das crianças, demonstram que essas lendas basilares não estão morrendo; elas continuam sendo transcritas e recriadas literariamente pelas novas gerações atentas de pequenos “curumins” (meninos) e “cunhatãs” (meninas), mantendo viva a chama mística do folclore amazônico diante do avanço predador do asfalto.3

A Culinária Cabocla: O Caldo Fervente do Tucupi e a Maestria do Peixe na Telha

A gastronomia cabocla, sem sombra de dúvida, não é para turista desavisado que tem “frescura” ou estômago frágil; ela é rústica, exótica, e exige um paladar afiado, corajoso e um organismo muito resistente às explosões de tempero.3 A riquíssima e complexa herança culinária de Icoaraci é, hoje, talvez o seu maior e mais lucrativo triunfo de marketing turístico estadual. Absolutamente tudo na base alimentar da região gira em torno da extração laboriosa e milenar da mandioca brava. A partir dessa raiz, a alquimia indígena gera do fino “beijú” (biscoito rústico crocante assado na palha) ao humilde “caribé” (mingau fortificante servido aos doentes), até o enche-bucho “chibé” (mistura densa de farinha e caldo de peixe) que alimenta substancialmente o caboclo “brocado” logo no início da manhã, garantindo a energia “pulso” forte antes das horas extenuantes da pesca nos rios.3 Duas iguarias magistrais, contudo, se destacam de forma monumental e chamam a atenção ao longo das calçadas da orla turística de Icoaraci: o tradicionalíssimo Tacacá servido na cuia e o suculento Peixe na Telha assado na brasa.31

O Tacacá: A Poção Mágica do Suor Caboclo

O Tacacá não é apenas uma sopa rala; ele é uma instituição sócio-antropológica amazônica insubstituível.3 Tomado preferencialmente no meio da tarde, lá pelas dezessete horas, logo após cair aquele “pau d'água” vespertino ou mesmo quando o sol inclemente ainda decide “esfregar o côro” (castigar impiedosamente a pele) do transeunte, ele desafia de maneira absurda qualquer lógica térmica ocidental.3 Esta milenar culinária, que o paraense herdou diretamente dos povos indígenas que habitavam a foz do estuário, consiste em um caldo denso e fumegante montado pacientemente em uma cuia redonda feita de cabaça. A base aveludada do prato é a goma transparente extraída da tapioca, que é inundada sem miséria pelo “tucupi” — o vibrante e perigoso sumo amarelo, letal se cru por conta do ácido cianídrico, mas que após ser longamente fervido por dias seguidos, transforma-se num néctar levemente ácido temperado agressivamente com alho socado no “pilão” e chicotadas de pimenta-de-cheiro e pimenta malagueta.3

Sobre este líquido fervente que inebria o olfato de longe, as tacacazeiras de Icoaraci adicionam fartas e viçosas folhas de jambu — a famosa e traiçoeira erva amazônica que causa uma imediata e indescritível sensação de formigamento e dormência anestésica nos lábios e na língua — coroando a obra com imensos e avermelhados camarões salgados e secos ao sol, que agregam o sabor de marisco profundo ao conjunto.3

Historicamente, relatos arquivados dos temidos visitantes da Inquisição que pisaram no Pará ainda no século XVI já registravam as escravizadas indígenas e as caboclas livres utilizando e servindo cuias de tacacá nas varandas das casas.34 Originalmente, o caldo era preparado nas paupérrimas vilas ribeirinhas do interior do estado não apenas com camarão, mas frequentemente com peixe desfiado e pedaços suculentos de caranguejo capturado no mangue, mas o prato se adaptou à metrópole e manteve a sua irresistível e brutal complexidade de sabores selvagens.34 Qualquer cidadão “de fora” (turista de outro estado) que “mete a cara”, vencendo o preconceito inicial, e experimenta a mistura bombástica de calor excessivo, acidez adstringente, salinidade do crustáceo e a dormência herbácea imprevisível do jambu invariavelmente fecha os olhos e exclama em voz alta, adotando o sotaque local: “Égua!” ou “Só o filé!” como um selo definitivo de aprovação reverencial.3

O Peixe na Telha: O Banquete da Margem do Guajará

Para as refeições diurnas e almoços de negócios ou reuniões familiares fartas aos domingos, os estabelecimentos gastronômicos com vista para o rio na orla de Icoaraci oferecem orgulhosamente uma versão estritamente amazônica e encorpada do famoso “Peixe na Telha” (um prato cujas origens remontam às culinárias capixaba e goiana, mas que aqui ganhou total identidade e tropicalidade).32 Servido dramaticamente borbulhando à mesa em telhas côncavas de barro natural — forjadas artesanalmente a poucas ruas dali nas próprias olarias do distrito criativo de Paracuri — o prato exibe em toda a sua glória o “Filhote” (um peixe de couro liso de água doce que não cheira a “pitiú” agressivo). Esse peixe, considerado “maceta” e “porrudo” (gigantesco, enorme) de tamanho em sua vida adulta, pode incrivelmente alcançar pesos na casa de até trezentos quilos nos imensos rios profundos da bacia hidrográfica regional.3

Grelhado em fogo brando e ardente na brasa viva para garantir que a sua carne nobre se mantenha incrivelmente tenra, desmanchando ao toque do garfo e suculenta por dentro, o corte farto e alto do Filhote ganha contornos de altíssima gastronomia internacional ao ser escoltado à mesa por uma guarnição regional impecável e indiscutível: uma porção rica do levíssimo feijão manteiguinha produzido em Santarém (um grãozinho miúdo, macio que derrete na boca e de sabor inconfundivelmente adocicado), uma cumbuca funda de arroz branco refogado com mais folhas de jambu refogado e uma farofa extremamente sequinha, torrada e aromática feita com lascas grossas e fritas da carne seca do majestoso pirarucu.32 Comer até a barriga estufar e ficar “até o tucupi” (empanturrado de não querer ver comida na frente) não é apenas um exagero pontual, é a única regra válida e inegociável exigida pela etiqueta dos restaurantes locais para essa refeição verdadeiramente formidável e paralisante.3

Patrimônio Natural e Geográfico: A Soberania da Maré e do Toró Caboco

Icoaraci repousa geograficamente de forma majestosa e estratégica às margens lodosas da formidável e estuarina Baía do Guajará.8 A topografia do distrito, marcantemente plana, de baixada, e a sua íntima e frágil proximidade com dezenas de igarapés esverdeados que cortam os bairros fazem da vila um mosaico geográfico inerentemente anfíbio. Para o caboco legítimo que construiu sua palafita ou sua modesta casa de alvenaria de frente para as águas correntes, a ocorrência de fenômenos climáticos extremos, fulminantes e muitas vezes destrutivos faz parte inescapável da rotina e do calendário amazônico.

O paraense convive com o clima úmido sem tentar “tapar o sol com a peneira”. A expressão em voz alta “esconde a roupa que tá vindo um pau d'água” avisa infalivelmente sobre a chegada dramática de tempestades tropicais intensas, porém muito passageiras, lavando os telhados em minutos. Em contrapartida, quando o nativo, ao olhar a formação massiva de nuvens escuras sobre o rio, grita “te abicora que lá vem um toró!”, a palavra indica com precisão meteorológica impressionante a chegada violenta de uma chuva longa, contínua e torrencial, com força suficiente para derrubar árvores e inundar por completo e de forma calamitosa as vias públicas que não contam com bueiros limpos.3

A conexão umbilical de Icoaraci com a rede hidrográfica de rios caudalosos é intrínseca à sua mobilidade, sobrevivência alimentar diária e opções escassas de lazer gratuito. Na arborizada e ventilada orla turística, os ininterruptos e coloridos passeios em embarcações enfeitadas revelam minuciosamente a dura vida cotidiana do “parente” ribeirinho (forma afetuosa como o caboclo se trata).3 O trabalhador fluvial não pode ser vítima da “murrinha” (preguiça); ao raiar do sol, os motores estacionários das “rabetas” que cortam as águas lamacentas soam como o alarme matinal de milhares de pescadores que saem para lançar suas redes.3

Através das pontes de atracação e atracadouros municipais encravados na lama das margens, partem diariamente pesados navios de passageiros tipo ferry boats e ruidosos barcos apelidados de “popopôs” pelo som do motor, que operam a vital linha de suprimento e transporte civil ligando Icoaraci de forma barata à deslumbrante Ilha de Cotijuba e ao gigantesco Arquipélago do Marajó.7 O ecossistema estuarino é esplendoroso, riquíssimo em biodiversidade pesqueira, mas fragilizado e brutalmente sensível à interferência urbana e à poluição da grande metrópole Belém. Durante os prolongados e temidos períodos da estação úmida (o opressivo inverno amazônico), os implacáveis mosquitos “carapanãs” proliferam às hordas nas áreas de alagamento, exigindo das famílias medidas paliativas baratas que vão desde a queima enfumaçada de ervas de cheiro a banhos frequentes.3 Contudo, a rica troca humana, o sotaque acolhedor e a farta e inegável riqueza da grande floresta úmida que margeia a área em pé de forma guerreira compensam com sobras e vantagens indeléveis qualquer desconforto provocado pelas severas intempéries do clima equatorial implacável.3

A Pujança Econômica: O Pulso Firme e Pesado do Distrito Industrial

Sob a casca romântica da charmosa Vila Sorriso que atrai namorados aos finais de semana e das tradicionais panelas escurecidas de barro fumegantes que perfumam a calçada, Icoaraci é, de uma maneira pragmática, brutal e puramente capitalista, uma potência econômica de altíssimo calibre e relevância para o estado. A antiga vila ribeirinha não aceitou o seu destino menor, deixou completamente o ostracismo no século passado e agiu politicamente para se tornar um vital e indispensável polo produtor estratégico não só para o Pará, mas para o abastecimento da região Norte. O distrito orgulha-se atualmente de agregar a reconhecida e admirada rusticidade do artesão, de quem tem “o pulso” forte de marteleiro e pescador forjado na dor, aliada diretamente à sofisticada hiper modernidade da logística industrial internacional, sem que essa transição causasse “deu bug” (pane) em sua essência de vila operária.3

O Gigante Adormecido: O Distrito Industrial de Icoaraci (DII)

Em 1981, quando as mentes desenvolvimentistas do estado observavam áreas para expansão e Icoaraci despontava como vetor inevitável de crescimento demográfico e saída barata pelo mar e rio, a vila foi escolhida geograficamente a dedo pelos engenheiros estaduais para sediar e abraçar o gigantesco e visionário projeto do seu Distrito Industrial, instituído formalmente com todas as honras através do Decreto Governamental nº 029/1979.4 Gerenciado de perto e com braço de ferro na atualidade sob a batuta e os planos diretores da estatal Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), o DII não é um projeto “meia tigela” (desprezível ou falso): ele abrange nada menos que uma estonteante área total de planície contínua medindo cravados 204,1 hectares, dotados de vias calçadas e infraestrutura hídrica capaz de suportar indústrias de ponta e processos fabris de alto padrão poluidor.3

As modernas empresas operacionais hoje instaladas atrás de altos muros e portarias rígidas geram ininterruptamente, faça sol escaldante ou temporal alagador, aproximadamente dez mil cobiçados postos formais de empregos, divididos equilibradamente entre o maquinário direto nas plantas industriais e o suporte de prestação de serviços logísticos indiretos. Essa capacidade fabril é a âncora salvadora da economia local, evitando de maneira concreta e decisiva que uma imensa e ruidosa população local sofra do mal do desemprego crônico ou precise enfrentar, diariamente antes do sol raiar em modais precários, a longa e penosa epopeia dos desgastantes e infindáveis deslocamentos metropolitanos “lá pra caixa prega” (lugar muito longe, quase inatingível) — em direção aos distritos industriais de cidades vizinhas e engarrafadas, como o saturado município de Ananindeua ou a longínqua e poeirenta Castanhal — na simples esperança de deixar o currículo em alguma guarita em busca do escasso trabalho assalariado.3 O distrito garante à imensa classe operária e fabril a dignidade sagrada de poder trabalhar sem se desgastar à exaustão física apenas para chegar à fábrica na hora do relógio de ponto.4

A necessária diversificação setorial é, notoriamente, uma marca administrativa imbatível do parque do Pará, projetado justamente para que, se um setor capengasse com o dólar ou a crise, outro segurasse os empregos em pé. O parque industrial icoaraciense abriga de forma eficiente e estruturada atualmente uma média flutuante de cerca de 39 grandes, ricas e pesadas empresas que mantêm suas máquinas rugindo atuando sem tréguas em vastos galpões de aço. As indústrias abrangem atuações contínuas voltadas aos robustos e exigentes setores da pesada construção civil e da vital engenharia naval (fabricando grandes balsas e imensos empurradores oceânicos e fluviais), e também nas áreas estratégicas de alto lucro como extrativismo vegetal da rica floresta, fundição e siderurgia atuando na metalurgia pesada, galpões de imenso maquinário destinados ao beneficiamento contínuo de madeira legal com certificado de origem, além das plantas fabris de alta rotatividade com processos contínuos de modernas linhas produtivas para a geração e prensagem em larga escala de papéis, plásticos biodegradáveis e eficientes embalagens processadas, atendendo sobretudo ao hiperativo ramo alimentício.4

O imenso polo logístico que ali pulsa não fica “de touca” (desatento ou acomodado).3 Atuando agressivamente sem “dar o migué” (sem fingir que trabalha), operando frotas formidáveis pesadas através da inteligente intermodalidade de transporte híbrido (carretas no sistema rodoviário e barcaças no sistema fluvial), a cadeia garante de forma competitiva que os produtos beneficiados contornem os enormes gargalos de infraestrutura estrangulada das péssimas rodovias federais. Assim, eles alcançam de forma ágil, segura e econômica os grandes e ricos centros consumidores das regiões sudeste e sulistas do Brasil, e têm acesso veloz aos importantes e eficientes portos de exportação da vila do Conde e no complexo Barcarena.4

Um grande caso prático e financeiro desse invejável modelo e engrenagem logística e econômica de retumbante sucesso operacional na Amazônia é a grande empresa Majonav. Esta gigante operadora da rica e exigente área intermodal e rodofluvial não trabalha de brincadeira; ela movimenta por ano em Icoaraci cifras nababescas de mais de cerca de estratosféricos R$ 200 milhões (duzentos milhões de reais) no faturamento, gerando e ancorando em todo o seu imenso e longo braço de transporte e de atuação local sólida cerca de vigorosos e indispensáveis 1.000 (mil) empregos diretos contratados na folha, além de imensuráveis e vastos outros de modo indireto.4 Ciente do poder geopolítico da região portuária, a agência de fomento estatal Codec, com olhar de tubarão corporativo, tem impulsionado ativamente gordos incentivos fiscais vigorosos, reduzindo drasticamente amarras, concedendo cobiçados descontos na pauta severa do ICMS, isenções fundiárias e buscando reestruturar e repavimentar totalmente o desgastado local para atrair indústrias do agronegócio asiático e europeu, expandindo sua competitividade brutal diante da nova reorganização das cadeias globais na área ambiental.4

O Dinamismo do Ecoturismo Fluviário e o Moderno Terminal

Ao lado de imensas fornalhas incandescentes e pesadas prensas da metalurgia de grande escala operando a poucos quilômetros, a pujante e artesanal economia icoaraciense voltada diretamente para as moedas da economia criativa sustentável e para o valioso turismo histórico definitivamente não é “de meia tigela” (de baixa qualidade).3 Além de prover o abastecimento frenético para os cruzeiros, os ateliês de Olaria do Paracuri, na figura de pequenos empreendedores locais e artesãos, exportam com grande prestígio suas intrincadas peças decorativas rústicas através de longas e caríssimas viagens aéreas para o exigente e inflacionado mercado consumidor do Brasil central e do concorrido continente europeu.1

A recém badalada e concorrida festa governamental da tão prometida inauguração, sob imensa fanfarra midiática da entrega oficial do novo Terminal Hidroviário Turístico de Icoaraci, mudou vertiginosamente, num curto prazo, o cenário e a rotina modesta dos sofridos moradores.7 O terminal, dotado de grandes praças para circulação e espera climatizada, é um suntuoso e formidável porto público que substituiu as perigosas docas de tábuas apodrecidas. Com rampas em alumínio náutico flutuantes seguras, a belíssima instalação não apenas enfeita a baía; ela facilita concretamente a vital e rotineira ligação logística de grande massa diária, operando e permitindo o embarque em minutos com os robustos Ferry Boats, as balsas oceânicas capazes de transportar formidáveis contingentes acima de até estrondosos 1.070 passageiros pagantes em um único pulo para o Marajó.37

Com este fato novo e incontestável, além de escoar comodamente a produção massiva do agronegócio búfalo da planície do arquipélago, o grandioso terminal fomenta ativamente roteiros organizados para um sofisticado mercado de alto lucro de turismo ecossistêmico focado em vivências caboclas nas pequenas vilas de pescadores das inexploradas e intocáveis ilhas da região.7 Toda essa formidável máquina, girando silenciosamente, demonstra sem chance de contestações que a Icoaraci ribeirinha não é mais somente um pequeno bairro saudoso da borracha, é na verdade a ponta de lança do desenvolvimento amazônico do futuro, o “filé” (o corte nobre e melhor parte) sem nenhum tipo de ressalvas que a modernidade produziu por acidente.3

A Situação Atual Crua e as Duras Perspectivas Urbanas Rumo ao Desafio Ambiental da COP 30

O crescimento acelerado de Icoaraci nas últimas décadas foi realizado e forçado “à pulso” (na marra e na bruta violência imposta pelo êxodo rural implacável em direção à metrópole), sem que houvesse um desenho ou planejamento técnico, cartográfico ou de assentamento humano ordenado e vigoroso.3 Quando o poder político estadual ignorou as calçadas das periferias com vista de que o “grosso da verba” de urbanização se direcionava e ficava sempre apenas nos vistosos bairros luxuosos do centro da velha capital metrópole, a explosão desorganizada de novos moradores e imigrantes ocupando as matas do subúrbio, loteando descontroladamente invasões no entorno dos alagados e igarapés, causou fatalmente um denso acúmulo sem paralelos e caótico de miseráveis moradias sem recuo e sem pavimentação e escoamento que cobrou posteriormente um imenso e caríssimo ônus financeiro infraestrutural crônico na vida urbana para o caixa combalido da prefeitura de plantão da cidade.3 A dura realidade despida, nua e crua e vista a olho nu pelos rincões menos iluminados é que dezenas de favelas, travessas sujas e escuros becos esquecidos nos miolos dos fundos de Icoaraci ainda sofrem cotidianamente e impiedosamente as graves sequelas perigosas geradas de um desenvolvimento agressivo, brutalmente assimétrico, periférico imposto pela grilagem e a negligência sem piedade.

O “Prego” Fedorento do Saneamento e a Caótica Odisseia do Ônibus

O vital sistema de higienização de saneamento básico civilizado de esgotos ainda inexiste ou beira perigosamente ao primitivo na maioria esmagadora das paupérrimas periferias distritais de invasões alagadiças de palafitas empilhadas das baixadas fundas; o Estado finge atuar onde a sujeira rola nas valas negras sem vergonha. A perigosa “gambiarra” caseira disfarçada que tenta enganar e esconde mal e porcamente o esgoto transbordante a céu aberto exposto em milhares de portas e canos improvisados nos pátios das residências, obriga forçosamente e cruelmente dezenas de milhares dos humilhados de moradores expostos sem assistência a conviver cara a cara em desespero com valas podres entupidas misturadas na lama das chuvas.3

Este quadro pavoroso de descaso governamental eleva sistematicamente as longas filas cruéis nas pequenas e abandonadas Unidades Básicas de Saúde (UBS), espalhando como moscas os surtos periódicos de viroses que castigam cruelmente a infância e os idosos do caboco nativo. Sempre que a poderosa força de gravidade eleva o ciclo temível das temidas “lançantes” estuarinas que se combinam infelizmente com as violentas tempestades, todo esse lixo urbano acumulado que não tinha para onde vazar sem dreno transborda na tragédia e invade em velocidade destruidora as salas de jantar rasas varrendo tapetes e estantes apodrecidas e quebrando até o restinho de dignidade.3 A indignação furiosa sobe na garganta com desespero latente: a “cambada” inteira murmura que a prefeitura que enfeita e perfuma a bela margem central turística, a calçadinha da orla de pedras portuguesas, condena os seus contribuintes dos bairros ao esgoto debaixo da cama de molas improvisadas e a malária urbana na época quente: “Estão gastando pavimentando e iluminando em LED a orla principal de frente para a avenida rica de passeios na vitrine da vila toda, mas nossa casa podre mofada humilde abandonada, no quintal sem drenagem não tem acesso ao cano encanado do sistema limpo de água esgoto fechado na ponta, a malineza impera com quem rala suando pra comer na roça ou na pescaria diária” relatam à farta os trabalhadores esgotados.3

O angustiante sacrifício de calvário das caóticas conduções públicas antigas e depenadas sem peças de reposição de rodagem não atende nem quem quer viver com paz mental mínima sem ir parar no hospital psiquiátrico de Belém com as surreais empresas operadoras da vergonhosa concessão.5 Esses veículos decadentes soltando fumaça densa e preta sem catraca limpa de ar, conhecidos jocosamente e tristemente na rotina diária como o trágico e veloz “sacrabala”, andam aterrorizando o cidadão na velocidade perigosa com motoristas imprudentes ou então os velhos carros lentos amarelados que vivem apodrecidos no meio da calçada sempre porque o rolamento e motor “deu prego” na subida enguiçando com pneus soltos ou rasgados na careca, são os tormentos e inimigos da jornada pesada do passageiro suado no aperto desumano das lotações super faturadas da catraca de passagem e cheiro de “inhaca” fedorenta.3 Muitas longas jornadas pesadas na estrada, com buracos da via da Augusto Montenegro e sem acostamento nas beiradas matinais começam no desespero da escura “buca da noite” pra quem é operário acordando às 4h com a esperança desesperada e sem volta de não desmaiar sufocado espremido dando e caindo de pura “cara branca”, desfalecido por pura inanição por não ter dinheiro da condução da passagem e do almoço pago pela firma. O “espírito de porco” sem piedade do capitalismo impõe essa tortura para que ele ganhe a miséria estipulada batendo ponto na entrada imposta aos moldes sem perdão na firma ou loja chique metropolitana.3

O Gigante Canteiro das Obras Bilionárias e a Herança Real Pós-COP 30

No meio das grandes crises financeiras locais da nação amazônica estagnada a anos sem alarde governamental produtivo, o grande farol da milagrosa e polêmica cúpula gigantesca confirmada das dezenas de milhares de delegações para Belém ser nomeada a sede escolhida por unanimidade pela chancela alta para albergar e receber os países mundiais inteiros no ano de 2025 focado estritamente na grandiosa COP 30, caiu de forma esmagadora transformando e engarrafando os trânsitos locais das esburacadas malhas viárias em poeirentos canteiros infindáveis com imensas tendas, desvios engolindo avenidas cruciais.5 Icoaraci é, para variar no cenário caótico, e pelo inegável polo da cerâmica amazônica em destaque exigido aos presidentes com os discursos prontos de desmatamento nulo, duramente impactada pelos orçamentos gordos dessas transformações, com obras de esgotamentos, perfurações de redes esburacadas de asfalto novo visando repavimentar vias arteriais rápidas de ônibus “BRTs” com promessas políticas imensas bilionárias de esvaziar engarrafamentos longos do fluxo principal.5

No grande rolo das estradas expressas a mega estrutura asfáltica iminente em andamento de alta velocidade da pista expressa Avenida Liberdade, idealizada há anos visando aliviar com força o colossal sufocamento das estradas, vai semear e desatar nós para garantir ao menos tempo no transporte para as delegações luxuosas circularem no asfalto com asfalto que será implementado nos corredores e percursos com calçadas de pedestre desobstruídos em dezenas de avenidas vitais do grande anel de contorno e ramal da Icoaraci central que interligam vias para desafogar os acessos críticos dos portos no Paracuri com iluminações eficientes.1

Esses imponentes colossos de pesadas perfurações do concreto armado do estado trazem consigo “rolos” cruciais, exigindo no seu desenrolar implacável fiscalização contínua das áreas isoladas por muros altos do sistema ambiental estadual implantando a longo prazo dezenas de estreitas passagens longas e elevadas na mata com telas duras erguidas e plantações suspensas para criar escapes de refúgio protetivos de alta urgência das mortes massivas da desorientada fauna local apavorada do atropelamento noturno desastroso dos macacos de cheiro e cobras jiboias esmagadas ao tentar escapar desesperadamente cruzar essas novas largas rodovias que cortaram matas imensas desprotegidas ao redor do cinturão periurbano sufocado de Belém nas vias da grande Icoaraci esquecida verde do entorno.3 Se as empreiteiras bilionárias e comissionadas apenas maquiarem os pontos com “migués” sujos com cimento rápido sem saneamento e o dinheiro federal desviado vazar ou não assentar os aterros dos valões alagados para não ceder sem estrutura o governo vai ver a sua pior versão com protestos das vozes oprimidas, ou eles tentarão em silêncio o truque descarado e antigo do engodo eleitoral caboclo de “tapar o sol da cara furada do asfalto fino eleitoral jogado por cima da lama no beco escorrendo” e as enchentes afogarão o orgulho nativo no lamaçal fétido dos esgotos, sem a enganosa “forra” (troca favorável) prometida por causa da ganância da politicagem corrompida local em Belém inteira sem rumo na lama no desespero.3

Fechamento Reflexivo: O Espelho Inquebrável da Força Amazônica Cabocla

Estudar com lupa sem pressa e se apaixonar sem reservas por Icoaraci, imergir de peito e pés descalços nas poças de sua cultura formidável milenar da lama fétida exalante do berço da farinha nas palafitas molhadas até a beira majestosa de sua opulenta rica cerâmica nas mansões do Império não é de longe perder o tempo. Ao bater olho afiado na geografia complexa com as mazelas perigosas sociais é de se constatar na hora que o povo da margem d'água resiste. A terra sofreu em segredo, abrigou batalhas, e sobreviveu heroicamente à pobreza no interior imposta aos curumins nas favelas de lama afogadas quando a seringueira despencou quebrando a burguesia “filho duma égua” (expressão de raiva local) falida na “varrição” (final de festa decrépita amargurada) dos seus cofres vazios e secos em Paris arruinados no mato da miséria de seringal esquecido até a exaustão com os seringueiros escravos isolados das margens lamacentas e sem voz isolados com as cruzes fincadas.3

A rica, exótica, confusa e maravilhosa Vila Sorriso inteira unificada pela tradição carregou sozinha de forma sofrida todas as sangrentas marcas do facão afiado letal da dor no sangue, aguentou rindo de nervoso sem reclamar os mais fundos os calos latejantes da imensa dolorosa dura construção forjada suada cruel da grandiosa Amazônia calada colonial extorquida nos portos imperiais para os portugueses exportadores escravagistas de madeira do Brasil sugado do sangue caboclo dos navios cheios e dos escravos morrendo enforcados da Cabanagem.3 O caboclo da beira de rio que ri do medo e do susto não esmorece na miséria “na roça”. Ele sabe fazer um barco “casco” do tronco ou criar da lama barrenta a cerâmica mundial; a dor para ele é vencida ao som frenético ritmado, nas madrugadas suadas, na pancada alta sem fim recheada num canto ensurdecedor estourado da caixas potentes barulhentas da radiola das aparelhagens tocando tecnobrega nas vielas em grandes aglomerações da “fulhanca” das barracas nas praias de rio nas calçadas ou carimbós vibrantes em roda para espantar os demônios na areia fervendo com pinga com as lendas esquecidas, batendo seu tradicional formidável encorpado exótico prato rústico pesado cheio assado sem parar farto da moqueca apimentada imensa fervente borbulhando do rico peixe fresco macio gordo de couro derretendo com a grossa farta poção de farinha misturada de lamber o pote no barranco no improvisado “jirau”, tudo devorado sem vergonha no peixe na telha do barranco improvisado.3

Enquanto o exército imenso das máquinas tratores de asfalto novo dos empresários pavimentando as novas vias rápidas ricas da vitrine brilhante europeia diplomática perfumada luxuosa cúpula governamental apressada e estressada de Belém para a grande festa luxuosa rica limpa mundial de debate da nova COP 30 tentam limpar calçadas e varrer e desinfetar com pressa sem cuidado os bairros escondendo na marra com os muros de compensado alto os mendigos de miséria fedorenta para passar a imagem rica sustentável limpa irretocável aos gringos governantes de avião e suas belas teses comissões estrangeiras ambientais da elite metida arrogante discutindo na segurança do ar condicionado o rumo verde frio inócuo fútil estéril milionário bilionário falso de preservação sem ouvir a vila nativa, a imponente gigante e antiga autêntica bela Icoaraci imensa suja crua cheirando forte suando sorrindo escancarando a porta simples mostra à metrópole hipócrita das calçadas do asfalto as suas feridas profundas em carne viva abertas ensanguentadas ignoradas da desigualdade extrema cabocla sem medo da feiura real que sangra as veias do norte abandonado da pátria rica Brasil distante que ela, a verdadeira imensa verde e violenta autêntica pura indomável ruidosa raiz da imensa indomável grandiosa indômita rica formidável e brava autêntica fúria Amazônia não precisa no fim da pose fingida sem amor fingida “bossal”, e a voz afiada rasgada orgulhosa do caboco da “égua” guerreiro do povo ribeirinho encerra a história provando que ninguém o derruba fácil caindo sem dar murro batendo duro no fim do choro cravando certeiro sua força e bradando bem ruidoso com gosto firme aos covardes gringos com orgulho gigante do seu Pará gritando valente “Até por lá, seu leso! Pega o beco, tá selado de rocha e já era!”.3

Referências citadas

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